27 de junho de 2014

No inicio dos tempos os pântanos cobriam quase toda a terra. Faziam parte do reino de Nanã e ela tomava conta de tudo como boa soberana que era. Quando todos os reinos foram divididos por Olorun e entregues aos Orixás, uns passaram a adentrar nos domínios dos outros e muitas discórdias passaram a ocorrer. Ogum precisava chegar do outro lado de um grande pântano, lá havia uma séria confusão ocorrendo e sua presença era solicitada com urgência. Resolveu então atravessar o lodaçal para não perder tempo. Ao começar a travessia que seria longa e penosa ouviu atrás de si uma voz autoritária: - Volte já para o seu caminho rapaz! Era Nanã com sua majestosa figura matriarcal que não admitia contrariedades - Para passar por aqui tem que pedir licença! - Como pedir licença? Sou um guerreiro, preciso chegar ao outro lado urgente. Há um povo inteiro que precisa de mim. - Não me interessa o que você é e sua urgência não me diz respeito. Ou pede licença ou não passa. Aprenda a ter consciência do que é respeito ao alheio. Ogum riu com escárnio: - O que uma velha pode fazer contra alguém jovem e forte como eu? Irei passar e nada me impedirá! Nanã imediatamente deu ordem para que a lama tragasse Ogum para impedir seu avanço. O barro agitou-se e de repente começou a se transformar em grande redemoinho de água e lama. Ogum teve muita dificuldade para se livrar da força imensa que o sugava. Todos seus músculos retesavam-se com a violência do embate. Foram longos minutos de uma luta sufocante. Conseguiu sair, no entanto, não conseguiu avançar e sim voltar para a margem. De lá gritou: - Velha feiticeira, você é forte não nego, porém também tenho poderes. Encherei esse barro que chamas de reino com metais pontiagudos e nem você conseguirá atravessa-lo sem que suas carnes sejam totalmente dilaceradas. E assim fez. O enorme pântano transformou-se em uma floresta de facas e espadas que não permitiriam a passagem de mais ninguém. Desse dia em diante Nanã aboliu de suas terras o uso de metais de qualquer espécie. 
Após Olofin determinar que os Orixás fossem cultuados pelos viventes, eles saíram pelo mundo à procura de seus filhos para firmar a aproximação do mundo dos encantados com o das pessoas. Irokô era muito cultuado e trabalhava muito perto de onde havia uma feira cheia de movimento. Irokô soprou e seu hálito em forma de vento foi cair sobre a cabeça de uma moça que vendia na feira que começou a rodar e foi cair nos pés de Irokô, nascendo assim a primeira locosi, que dizer que Irokô chega no axé para dançar e ficar. Todos os orixás correram para os pés de Irokô trazendo suas comidas prediletas: Xangô levou amalá, Ogum levou inhame assado, Odé levou milho amarelo, Omulu levou pipoca e feijão preto, Ossanhe levou farofa de mel de abelhas, Oxumaré levou farofa de feijão, Oxalufã levou milho branco, Oxaguiã levou bolos de inhame cozido, Orumilá levou ossos, Bará chegou correndo e levou cachaça e ajoelhando-se nos pés de Irokô jogou 3 pingos no chão,cheirou 3 vezes e bebeu um pouco. Neste momento Irokô se transformou-se em árvore e as comidas ficaram aos seus pés.


Olodumaré destinou a Iemanjá os cuidados da casa de Oxalá, assim como a criação dos filhos e de todos os afazeres domésticos. Iemanjá trabalhava e reclamava de sua condição de menos favorecida, afinal, todos os outros deuses recebiam oferendas e homenagens e ela, vivia como escrava. Durante muito tempo Iemanjá reclamou dessa condição e tanto falou nos ouvidos de Oxalá, que este enlouqueceu. O ori de Oxalá não suportou os reclamos de Iemanjá até que ele ficou enfermo. Iemanjá deu-se conta do mal que fizera ao marido e, em poucos dias, utilizando-se de banha vegetal, água fresca, obi, pombos brancos e frutas deliciosas e doces, curou Oxalá que agradecido foi a Olodumaré pedir para que deixasse a Iemanjá o poder de cuidar de todas as cabeças. Desde então Iemanjá recebe oferendas e é homenageada quando se faz o bori e demais ritos à cabeça.