24 de janeiro de 2014



Caridade

Umbanda
A caridade não se faz, se pratica. A cada novo dia, a cada hora da vida. Não se leva nada do mundo a não ser a lição aprendida, a sabedoria absorvida, as emoções guardadas e a caridade que se pratica. Nenhuma força maior da natureza rompe ou desfaz quem atua com a caridade, pois ela é reconhecida e contemplada, e nada e nem ninguém contraria ou desvirtua este comportamento sereno e firme. A caridade é a semente de proveito e de resultado, é a fonte da alma que ilumina o caminho. No entanto, não se comercializa, não é gerada à força e nem pela brutalidade. Aquele que vive com a culpa não conhece a caridade, mas sim a fútil e desagradável ação de fazer, pois deve e se cobra. Aquele que prefere bens materiais ou ter atos egoístas, não conhece a caridade, mas sim o bem de consumo, a palavra que negocia a alma em momentos breves e fugazes. Pare, pense e remonte seus ideais. A semeadura é livre, mas a colheita é obrigatória. Plante sementes de caridade, saiba dar uma palavra amiga ou simplesmente um tempo para ouvir, mantenha uma porta aberta para receber quem precisa, saiba acolher uma alma necessitada. Quando alguém lhe pedir “você tem um tempo para mim?”, pense e analise, mas não se afaste. Devemos nos lembrar sempre das palavras do Caboclo das Sete Encruzilhadas:

“A Umbanda tem progredido e vai progredir, é preciso haver sinceridade [...] É preciso ter muito cuidado, haver moral, para que a Umbanda progrida e seja uma Umbanda de humildade, amor e caridade. É esta a nossa bandeira.” 

19 de janeiro de 2014

Caboclo das Sete Encruzilhadas

Sete Encruzilhadas
Numa tribo de índios da nação Tupi-Guarani vivia um menino que recebeu ensinamentos da cultura cristã e também do pajé da tribo. Estudou na capital do estado e posteriormente na corte recebendo instrução superior de direito. Como advogado teve intensa atividade profissional em defesa de escravos nos tribunais. Também invadia as fazendas de regime escravo libertando os cativos e colocando-os em local seguro. O seu verdadeiro nome era Caboclo das Sete Cruzes Ilhadas por ter nascido em um local onde existiam sete cruzes em uma ilha. Após ter desencarnado, voltou através da mediunidade de Zelio Fernandino de Moraes em novembro de 1908 como espírito mensageiro firmando as bases da Umbanda.

18 de janeiro de 2014

Egungun

No ritual de Egungun reside um dos maiores mistérios da cultura Yorubana. O culto ao Egungun é um culto aos antepassados das pessoas falecidas que eram iniciadas no ritual dos Orixás ou ainda, no próprio ritual de Egun. Na Nigeria, no Togo e Benin as aparições de Egungun são comuns e visíveis a todos os presentes. É também comum na Nigéria ver-se os Ojés (sacerdotes de Egungun), provocando estas materializações, quando jogam várias roupas de Egungun no chão e minutos após, estas começam a inflar e tomar formatos humanos como se corpos existissem dentro de cada uma delas. Tais fenômenos acontecem em plena luz do dia, na rua e diante dos olhos de todos. O ritual começa no Ojubó (camarinha secreta) com oferendas, local onde as roupas são abençoadas e recheadas dos axés do ritual. Posteriormente, é feita a oferenda de um carneiro sobre o pilão o qual será levado à praça pública e invertido no chão, ou seja, colocado de cabeça para baixo. Após tais atos o Ologbô (sumo sacerdote de Egun) manda distribuir as roupas de cada Egungun que irá se materializar, no chão separadas a cada três metros. Ato contínuo, começam as cantorias sob o ritmo frenético dos abados (abanadores de palha) batidos em bocas de porrões (grandes vasos de barro com bocas largas), acompanhados por adjás. Os títulos sacerdotais estão dentro de uma nominação que está determinada em escala ascendente:
1 - Ojé
2 - Eiedun
3 - Ojé Lese Egun
4 - Ojé Alagbá
5 - Alapini
6 - Alagbá
7 - Ologbô
O ritual é masculino e só permite a entrada de mulheres que sejam filhas de Oyá Igbalé, Oyá Zagan, Oyá Messe, Oyá Tolú e Oyá Izô. Existe um cargo intermediário com o nome de “Ojé Lesse Orisá”, que determina uma intermediação entre o Egungun e o xirê dos Orixás ligados aos antepassados. O ritual é complexo e exige uma iniciação demorada para aqueles que dele querem fazer parte. A Invocação chamada Zerim ou Sirrum consiste de cantigas ancestrais de louvação a cada Egun Babá e tem como base sonora os potes de boca larga, agogôs, cabaças e aguidares com água. Alguns tambores também são usados e se diferenciam dos demais por serem cobertos com couro de carneiro. As roupas pertencentes aos Babás são confeccionadas em lantejoulas, vidrilhos, canutilhos, espelhos, cetim, telas e uma mistura de tecidos variados contrastantes entre si. Estas roupas não têm aberturas e são totalmente fechadas da cabeça até os pés. É comum ver um Babá sentar-se em um trono e gradativamente começar a desinflar até esvaziar a roupa, diante de todos os assistentes. Cada Babá tem a sua peculiaridade, sua cantiga própria, sua entonação de voz, sua roupa e sua linhagem totêmica. Também materializam presentes que deixam para seus filhos e amigos. Os Babás não devem ser tocados por mão humana e para tanto são dirigidos durante suas apresentações por Ojés que têm nas mãos os Inxans (vara de amoreira) que os conduzem com pequenos toques. Porém, algumas vezes os Babás permitem que alguém lhes apertem um braço ou uma mão para que todos tenham a certeza de que não existe uma pessoa dentro daquela roupa. Os Babás gritam e falam geralmente no dialeto Yorubá, no que é traduzido pelo Ojé que o acompanha. Existem várias qualificações de Egun conforme seus ritos, suas roupas, paramentos e maneira de se comportarem. As classificações, em verdade, são extensas. Os Egun-Agbá (ancião), também chamados de Babá-Egum (pai), são Eguns que já tiveram os seus ritos completos e permitem, por isso, que suas roupas sejam mais completas e suas vozes sejam liberadas para que eles possam conversar com os vivos. Os Apaaraká são Eguns mudos e suas roupas são as mais simples: não têm tiras e parecem um quadro de pano com duas telas, uma na frente e outra atrás. Esses Eguns ainda estão em processo de elaboração para alcançar o status de Babá; são traquinos e imprevisíveis, assustam e causam terror ao povo.
O eku dos Babá são divididos em três partes: o abalá, que é uma armação quadrada ou redonda, como se fosse um chapéu que cobre totalmente a extremidade superior do Babá, e da qual caem várias tiras de panos coloridas, formando uma espécie de franjas ao seu redor; o kafô, uma túnica de mangas que acabam em luvas, e pernas que acabam igualmente em sapatos e o banté, que é uma tira de pano especial presa no kafô individualmente decorada e que identifica o Babá. O banté, que foi previamente preparado e impregnado de axé é usado pelo Babá quando está falando e abençoando os fiéis. Ele sacode na direção da pessoa e esta faz gestos com as mãos que simulam o ato de pegar algo, no caso o axé, e incorporá-lo. Ao contrário do toque na roupa, este ato é altamente benéfico. Não se pode confundir Egun e Egungun. Eguns são todos os espíritos de pessoas falecidas. Egunguns são espíritos de sacerdotes e sacerdotisas falecidos, ou seja, pessoas que foram iniciadas no ritual do Orixá ou no próprio ritual de Egungun. Enquanto no âmbito dos Eguns existem obsessores, os Egunguns são espíritos antepassados que cuidam em dar continuidade à cultura e às tradições étnicas e tribais, para que seus sucessores (os vivos) tenham a melhor condição de vida possível. Egungun não aceita a mentira e a depravação e tao pouco a corrupção dos costumes e da ritualística. Por essa razão, pouquíssimas são as casas de Candomblé de Egungun no Brasil.

5 de janeiro de 2014

Ogum Beira Mar

Ogum Beira Mar é o senhor da sétima onda, indomável e imbatível defensor da lei e da ordem, é quem toma conta da beira da praia, onde há a arrebentação das ondas. Fiel guerreiro de Iemanjá, é ele quem encaminha os pedidos feitos a Mãe. Os búzios deixados na beira da praia são adereços deixados por ele que recebe-os de Iemanjá e deposita-os nas areias das praias, presenteando todos filhos de fé, por isso peça permissão a Ogum Beira Mar para retirá-los. Quando manifestado o Caboclo Beira Mar possui uma postura bem ereta de peito inflado, alguns usam capas e armadura. Ogum Beira-Mar comanda muitas falanges como, por exemplo: Ogum Sete-Ondas, Ogum Sete-Mares, Ogum Marinho...
Conta uma lenda que ao chegar a uma aldeia, Ogum Beira Mar ficou furioso. Ele falava com as pessoas, mas ninguém o respondia. Isto aconteceu sucessivas vezes, e sempre que se dirigia a um morador da aldeia só tinha silêncio. Ele achou que as pessoas da aldeia estavam zombando dele e num ato de fúria usou seu poder e matou a todos que ele pensava estarem o humilhando. Um dia ao passar por outra aldeia ele contou a um ancião o ocorrido e este lhe disse que na aldeia por onde Ogum passara as pessoas, naquela época do ano, faziam um voto de silêncio por alguns dias. Ao saber disso ele ficou enfurecido consigo e envergonhado, foi em direção ao mar, parou e fitou seus olhos na sétima onda, e ali jurou proteger os mais fracos e todos aqueles que estivessem sofrendo injustiças, discriminações e qualquer tipo de perseguição injusta, após o juramento o mar começou a jogar conchas nas areias das praias.

Alguns de seus pontos:

Lá no Humaitá
Aonde Ogum guerreou
Lá em alto mar
Aonde Iemanjá lhe coroou
Beira-Mar auê Beira-Mar 
Beira-Mar auê Beira-Mar 
Beira Mar quem está de ronda é militar
Ogum já jurou bandeira
Nos campos do Humaíta
Ogum já venceu demandas
Vamos todos saravá

Se meu Pai é Ogum, Ogum
Vencedor de demanda
Quando chega no reino é para salvar filhos de Umbanda
Ogum, Ogum Iara
Ogum, Ogum Iara
Salve os campos de batalha
Salve as sereias do mar
Ogum, Ogum Iara

Pai Ogum Beira-Mar
O que trouxes do mar
Pai Ogum Beira-Mar
O que trouxes do mar
Quando ele vem, beirando a areia
Vem trazendo no braço direito
o Rosário da Mamãe Sereia