31 de julho de 2013

Chegando de viagem à aldeia onde nascera, Xapanã viu que estava acontecendo uma festa com a presença de todos os Orixás. Porém, ele não podia entrar na festa, devido à sua medonha aparência. Então ficou espreitando pelas frestas do terreiro. Ogum, ao perceber a angústia do Orixá, cobriu-o com uma roupa de palha, com um capuz que ocultava seu rosto doente, e convidou-o a entrar e aproveitar a alegria dos festejos. Apesar de envergonhado, Xapanã entrou, mas ninguém se aproximava dele. Iansã tudo acompanhava com o rabo do olho. Ela compreendia a triste situação de Xapanã e dele se compadecia. Iansã esperou que ele estivesse bem no centro do barracão. O xirê estava animado, os orixás dançavam alegremente. Iansã chegou então bem perto dele e soprou suas roupas de palha com seu vento. Nesse momento de encanto e ventania, as feridas de Xapanã pularam para o alto, transformadas numa chuva de pipocas, que se espalharam brancas pelo barracão. Xapanã, o Deus das doenças, transformara-se num jovem belo e encantador. Assim eles tornaram-se grandes amigos e reinaram juntos sobre o mundo dos espíritos dos mortos, partilhando o poder único de abrir e interromper as demandas dos mortos sobre os homens. 
Existiam num reino dois pequenos príncipes gêmeos que traziam sorte a todos. Os problemas mais difíceis eram resolvidos por eles; em troca, pediam doces balas e brinquedos. Esses meninos faziam muitas traquinagens e, um dia, brincando próximos a uma cachoeira, um deles caiu no rio e morreu afogado. Todos do reino ficaram muito tristes pela morte do príncipe. O gêmeo que sobreviveu não tinha mais vontade de comer e vivia chorando de saudades do seu irmão, pedia sempre a Orumilá que o levasse para perto do irmão. Sensibilizado pelo pedido, Orumilá resolveu levá-lo para se encontrar com o irmão no céu, deixando na terra duas imagens de barro. Desde então, todos que precisam de ajuda deixam oferendas aos pés dessas imagens para ter seus pedidos atendidos.
Fazia muito tempo que Obatalá admirava a inteligência de Orumilá. Em mais de uma ocasião Obatalá pensou em entregar a Orumilá o governo do mundo. Pensou em entregar-lhe o governo dos segredos que dirigem o mundo e a vida dos homens. Mas quando refletia sobre o assunto acabava desistindo pois Orumilá, apesar da seriedade de seus atos, era muito jovem para missão tão importante. Um dia, Obatalá quis saber se Orumilá era tão capaz quanto aparentava e lhe ordenou que preparasse a melhor comida que pudesse ser feita. Orumilá preparou uma língua de touro e Obatalá comeu com prazer. Obatalá então, perguntou a Orumilá por qual razão língua era a melhor comida que havia. Orumilá respondeu: “Com a língua se concede axé, se ponderam as coisas, se proclama a virtude, se exaltam as obras e com seu uso os homens chegam à vitória”. Após algum tempo, Obatalá pediu a Orumilá para preparar a pior comida que houvesse. Orumilá lhe preparou a mesma iguaria, língua de touro. Surpreso, Obatalá lhe perguntou como era possível que a melhor comida que havia fosse agora a pior. Orumilá respondeu: “Porque com a língua se caluniam as pessoas, se destrói a boa reputação e se cometem as mais repudiáveis vilezas”. Obatalá ficou maravilhado com a inteligência e precocidade de Orumilá e nesse momento entregou a Orumilá o governo dos segredos. Orumilá foi nomeado babalawó, palavra que na língua dos Orixás quer dizer "Pai do segredo".

Obatalá

Oxalá
Obatalá, também chamado de Orixalá, Obarixá, Oba Igbo ou Baba Igbo, é o mais velho de todos os Oxalás, o grande rei do branco, raiz de todos os outros Oxalás, o mais poderoso, pai dos deuses e dos homens, pai em particular de Oxalufã, que por sua vez é o pai de Oxaguiã. Tão grande e tão poderoso é Obatalá, que assim como Odudúa aparece no Candomblé como qualidade de Orixá, e não se manifesta. Evoca-se sobretudo a idéia de algo quente e seco, devendo ser refrescada e molhada para tornar-se fértil, tal é o sentido das cerimônias chamadas de “Águas de Oxalá” que começam com a procissão que vai buscar em potes na fonte, a água que será derramada sobre o assento de Oxalá. Se Obatalá, divindade masculina, criou os seres vivos, Odudúa, divindade feminina criou a matéria de onde surgiria a vida. Nas suas qualidades de divindades da criação e da cabaça, Odudúa é como Obatalá uma divindade funfun, e suas sacerdotisas vestem-se de branco. As palavras de Obatalá transformam-se imediatamente em realidade. Obatalá é o Orixá que representa o ar e as águas frias e imóveis do início do mundo. Controla a formação de novos seres, é o senhor dos vivos e dos mortos, preside o nascimento, a iniciação e a morte. Foi ele quem deu a palavra ao homem, mas durante suas festas não se fala. Tudo é silêncio, pois a palavra é dele. Obatalá é quem rege tudo o que é branco, representando a pureza por excelência.  Obatalá representa a energia da claridade, a estabilidade mental. É o Orixá que é fonte de tudo que é puro, sábio, aprazível e compassivo. Mas apesar de toda a sua pureza, tem também seu aspecto guerreiro, por meio do qual impõem justiça ao mundo. Ele representa as leis, a procriação de tudo o que tem vida na Terra e é a divindade da paz e da verdadeira justiça para com os homens, pois é o único que nos julga de forma consciente.
Uma lenda nos conta que fazia muito tempo que Obatalá admirava a inteligência de Orumilá. Em mais de uma ocasião Obatalá pensou em entregar a Orumilá o governo do mundo. Pensou em entregar-lhe o governo dos segredos que dirigem o mundo e a vida dos homens. Mas quando refletia sobre o assunto acabava desistindo pois Orumilá, apesar da seriedade de seus atos, era muito jovem para missão tão importante. Um dia, Obatalá quis saber se Orumilá era tão capaz quanto aparentava e lhe ordenou que preparasse a melhor comida que pudesse ser feita. Orumilá preparou uma língua de touro e Obatalá comeu com prazer. Obatalá então, perguntou a Orumilá por qual razão língua era a melhor comida que havia. Orumilá respondeu: “Com a língua se concede axé, se ponderam as coisas, se proclama a virtude, se exaltam as obras e com seu uso os homens chegam à vitória”. Após algum tempo, Obatalá pediu a Orumilá para preparar a pior comida que houvesse. Orumilá lhe preparou a mesma iguaria, língua de touro. Surpreso, Obatalá lhe perguntou como era possível que a melhor comida que havia fosse agora a pior. Orumilá respondeu: “Porque com a língua se caluniam as pessoas, se destrói a boa reputação e se cometem as mais repudiáveis vilezas”. Obatalá ficou maravilhado com a inteligência e precocidade de Orumilá e nesse momento entregou a Orumilá o governo dos segredos. Orumilá foi nomeado babalawó, palavra que na língua dos Orixás quer dizer "Pai do segredo".
Umbanda

Certo dia Iansã, Oxum e Iemanjá resolveram ir juntas ao mercado de Oyó fazer compras. Lá chegando, tomaram conhecimento das novidades trazidas pelos mercadores como tecidos, contas e especiarias diversas. Nesse instante, Bará chega no mercado trazendo uma cabra. Ele pára e observa de longe as três mulheres conversando animadamente, e resolve fazer uma prova entre elas, o que constitui uma de suas características. Aproxima-se das três dizendo: "Eu vou deixar a cidade para um importante negócio com meu amigo Orumilaia. Assim, eu lhes peço que vendam minha cabra e em troca eu darei a vocês metade do valor. Como o preço são vinte búzios, eu darei dez para vocês e dez ficarão para mim". Elas aceitaram e Bará partiu. Logo a cabra foi vendida por vinte búzios. Elas separaram dez búzios para Bará e começaram a dividir os dez restantes entre elas.
Iemanjá iniciou a divisão. Ficaram três búzios para cada uma delas, mas sobrou um. Iansã então, tomou a iniciativa. Fez três pilhas e em cada uma colocou três búzios, porém da mesma forma sobrou um. Depois disto foi a vez de Oxum, mas continuava sobrando um. E as três começaram a discutir acerca de quem poderia pegar a porção maior. Iemanjá dizia: "É justo que a mais velha deva pegar a porção maior. Portanto, eu ficarei com o búzio extra." Oxum replicou: "Não, onde eu nasci, nas terras de Oxogbo, diz-se que o mais novo é sempre tratado com mais generosidade. Assim, o búzio extra deverá ser meu." Até que Iansã tomou a palavra: "O assunto está em disputa. Tem-se dito que, nesses casos de disputas entre os mais velhos com os mais novos, a maior porção deverá ir para aquele que está entre os dois lados. Em Irá, de onde eu vim, é assim que se faz. Portanto, o búzio que está sobrando deve ser meu." E a discussão se acentuou. Como não conseguiram chegar a uma conclusão, pediram a um homem do mercado fazer a divisão. Ele disse: "Dez não pode ser dividido em três partes iguais. Sempre sobra um. Quem merece ficar com ele? De acordo com o que eu tenho escutado, é a pessoa mais velha, porque é mais antiga no mundo e, consequentemente, a que tem sofrido mais do que as outras. A minha conclusão é de que o búzio deve ser dado à pessoa mais velha dentre vocês". Iansã e Oxum rejeitaram seus conselhos e recusaram dar à Iemanjá  a parte maior. Outra pessoa foi convidada a fazer a divisão dos búzios. Começou a contá-los e disse: "Não existe maneira de fazer esta divisão. Sempre sobrará um búzio. Quem deve ficar com ele? Penso que, numa situação desta natureza, a pessoa mais nova é que deve ser a favorecida, porque os jovens estão no mundo há pouco tempo e têm recebido menos benefícios que os outros. Os mais novos são empurrados de lado nos grandes movimentos, os caçadores jovens andam sempre atrás, e as esposas mais jovens têm a vida mais árdua. Por isso, quando surge uma divisão desigual, a pessoa mais jovem merece a vantagem". Iemanjá e Iansã não concordaram. Disseram: "Nós nunca ouvimos tal afirmação. Não podemos aceitar isso". Um outro homem foi chamado entre aqueles que estavam no mercado. Contou os búzios, separou três a três, deixando o último búzio à parte, e falou: "Diz-se que a pessoa mais velha deve pegar a porção extra, enquanto outros dizem que é a mais jovem que deve receber a porção maior. Assim, creio que nem para a mais velha, nem para a mais nova, mas sim para aquela que estiver entre as duas. Iansã é mais velha que Oxum e mais nova que Iemanjá. Deste modo ela apresenta as condições ideais. Deem a ela o búzio extra". Mas Iemanjá e Oxum não aceitaram seus conselhos e se recusaram a dar o búzio para Iansã, continuando a divisão sem solução, até que a discussão entre todos se tornou mais acirrada. Neste instante chegou Bará. Aproximou-se das três e perguntou onde estava a parte dele da venda da cabra. Elas lhe entregaram os dez búzios e, ao mesmo tempo, pediram o seu conselho para a divisão entre elas, em partes iguais. Bará ficou alguns instantes pensativo e, depois, tomou em suas mãos os dez búzios, separou três e deu à Iemanjá, mais três e entregou à Iansã, e os outros três deu para Oxum. Ficando com o décimo búzio em sua mão, ajoelhou-se e fez um pequeno buraco no chão, colocando nele o búzio. Depois o cobriu com a terra e disse: "Este búzio é para os ancestrais, senhores da terra e deve ser enterrado porque o solo é a morada das divindades. No orum era assim que fazíamos. Sempre que alguém recebia algo bom, devia se lembrar daqueles que o haviam antecedido. Quando as colheitas são trazidas dos campos, a primeira divisão deve ser dada sempre para os ancestrais. Quando se realiza uma festa, uma porção deve ser separada para os ancestrais. Assim também com o dinheiro. Quando ele vem até nós, devemos dar parte aos ancestrais. Esta é a maneira que fazíamos no orum e que deveria ser feita também aqui na terra. Vocês deveriam ter lembrado disto em vez de disputar o búzio que sobrava da divisão". Iemanjá, Iansã e Oxum ouviram atentamente o que Bará acabara de dizer e admitiram que ele estava certo, concordando em aceitar os três búzios. Por causa do que aconteceu no mercado de Oyó, o povo, daquele dia em diante, passou a dar uma parte aos ancestrais todas as vezes que faziam as colheitas novas ou recebiam fortunas inesperadas.
Obá vivia em companhia de Oxum e Iansã, no reino de Oyó, como uma das esposas de Xangô, dividindo a preferência do reverenciado Rei. Obá percebia o grande apreço que Xangô tinha por Oxum, que mimosa e dengosa, atendia sempre a todas as preferencias do Rei, sempre servindo e agradando aos seus pedidos. Ela resolveu então, perguntar para Oxum qual era o grande segredo que ela tinha, para que levasse a preferencia do amor de Xangô, uma vez que Iansã andava sempre com o Rei em batalhas e conquistas de reinados e terras, pelo seu gênio guerreiro e corajoso e Obá era sempre desprezada e deixada por último na lista das esposas de Xangô. Oxum então, matreira e esperta, falou que seu segredo era em como preparar o amalá de Xangô, principal comida do Rei. Obá, como uma menina ingênua, escutou e registrou todos os ingredientes que Oxum falava e que eram de extrema importância para a realização de tal culinária, sendo que por fim, Oxum falou que além de tudo isso, tinha cortado e colocado uma de suas orelhas na mistura do amalá para enfeitiçar Xangô, sendo que nesse momento ela usava um pano amarrado a cabeça, escondendo suas orelhas. Obá agradeceu a sinceridade e em grande sinal de amor pelo seu Rei, preparou um grande amalá, e por fim cortou uma de suas orelhas colocando na mistura e oferecendo à Xangô como gesto de seu sublime amor. Xangô ao receber a comida, percebeu a orelha de Obá na mistura, e bravejou e gritou.Continuava então a guerra entre Oxum e Obá, só que agora muito mais séria, Xangô como não aguentava mais tanta discussão, resolve matar ambas, que saem correndo pelo mato, transformando-se em rios. E hoje nota-se que o encontro entre os rios Oxum e Obá, na África, são revoltos.
Ifá foi consultado por Orumilá que estava partindo da terra para o céu indo apanhar todas as folhas. Quando Orumilá chegou ao céu Olódùmaré disse: - Eis todas as folhas que queria pegar. O que fará com elas? Orumílá respondeu que iria usá-las para beneficio dos seres humanos, e todas as folhas que ele estava pegando, ele carregaria para a Terra. Quando chegou no meio do caminho entre o céu e a terra, ele encontrou Ossanhe e perguntou: - Ossanhe onde vai? -Vou ao céu, vou buscar folhas e remédios. Orumilá disse que já havia ido buscar as folhas no céu e ele poderia fazer remédios com elas, porém não conhecia seus nomes. Foi Orumilá quem deu nome a todas as folhas, e disse pra Ossanhe que carregasse todas as folhas para a terra. Foi assim que Orumilá entregou todas as folhas para Ossanhe e também ensinou a ele o nome das folhas apanhadas junto com todo o poder delas, o qual ele guardava em uma cabaça pendurada em um galho de árvore.  Um dia Xangô se queixou a sua mulher Iansã, que só Ossanhe conhecia o segredo de cada uma das folhas e que os demais Orixás estavam no mundo sem possuir nenhuma planta. Iansã levantou sua saia e agitou-a, um vento violento começou a soprar e derrubou a cabaça de Ossanhe no chão quebrando-a.
Ele, ao perceber o que aconteceu, gritou: -Ewê Ô! (Oh! As folhas! As Folhas!), mas não pôde impedir que os demais Orixás pegassem as folhas e as dividisse entre eles. Porém os Orixás não tinham o conhecimento das ervas e até hoje precisam de Ossanhe para usá-las em seus rituais, ficando seu segredo a salvo.