25 de julho de 2013


Oxaguiã estava em guerra, mas a guerra não acabava nunca, tão poucas eram as armas para guerrear. Ogum fazia as armas, mas fazia lentamente. Oxaguiã pediu a seu amigo Ogum urgência, mas o ferreiro já fazia o possível. O ferro era muito demorado para se forjar e cada ferramenta nova tardava como o tempo. Tanto reclamou Oxaguiã que Iansã, esposa do ferreiro, resolveu ajudar Ogum a apressar a fabricação. Iansã se pôs a soprar o fogo da forja de Ogum e seu sopro avivava intensamente o fogo, consequentemente aumentado derretia o ferro mais rapidamente. Logo Ogum pode fazer muitas armas e com as armas Oxaguiã venceu a guerra e veio então agradecer Ogum. Mas na casa de Ogum, enamorou-se de Iansã. Um dia fugiram Oxaguiã e Iansã, deixando Ogum enfurecido e sua forja fria. Quando mais tarde Oxaguiã voltou à guerra e quando precisou de armas muito urgentemente, Iansã teve que voltar a avivar a forja. E lá da casa de Oxaguiã, onde vivia, Iansã soprava em direção à forja de Ogum. E seu sopro atravessava toda a terra que separava a cidade de Oxaguiã da de Ogum. E seu sopro cruzava os ares e arrastava consigo pó, folhas e tudo o mais pelo caminho, até chegar às chamas com furor. E o povo se acostumou com o sopro de Iansã cruzando os ares e logo o chamou de vento. E quanto mais a guerra era terrível e mais urgia a fabricação das armas, mais forte ela soprava a forja de Ogum. Tão forte que às vezes destruía tudo no caminho, levando casas, arrancando árvores, arrasando cidades e aldeias. O povo reconhecia o sopro destrutivo de Iansã e o povo chamava a isso tempestade.