23 de julho de 2013

Uma das lendas bastante conhecida de Bará conta como ele semeou a discórdia entre dois amigos que estavam trabalhando em campos vizinhos. Ele colocou um boné vermelho de um lado e branco do outro e passou ao longo de um caminho que separava os dois campos. Ao fim de alguns instantes, um dos amigos fez alusão a um homem de boné vermelho; o outro retrucou que o boné era branco e o primeiro voltou a insistir, mantendo a sua afirmação; o segundo permaneceu firme na retificação. Como ambos eram de boa fé, apegavam-se a seus pontos de vista, sustentando-os com ardor, e logo depois com cólera. Acabaram lutando corpo a corpo e mataram-se um ao outro.


No principio de tudo, quando não havia separação entre o orún e o aiyê, Obatalá e Odudúa viviam juntos dentro de uma cabaça.Viviam extremamente apertados um contra o outro, Odudua em baixo e Obatalá em cima. Eles tinham sete anéis que pertenciam aos dois. A noite eles colocavam os anéis: aquele que dormia por cima sempre colocava quatro anéis e o que ficava em baixo colocava os três restantes. Um dia Odudúa, deusa da terra, quis dormir por cima para poder usar nos dedos quatro anéis, mas Obatalá, o deus do céu não aceitou. Tal foi a luta que travaram os dois lá dentro que a cabaça acabou por se romper em duas metades, separando-se assim o céu da terra. Por isso existe a distância entre o céu e a terra, para que não haja mais briga.
Nos primórdios, Olorúm concedeu a Odudúa total poder sobre o universo e os demais Orixás, entregando-lhe simbolicamente uma cabaça e um pássaro de metal, mas Odudúa passou a reinar de forma cruel e por qualquer motivo mandava arrancar os olhos e o coração das criaturas. Oludamaré preocupado, tirou parte do poder de Odudúa e entregou a Oxalá, restabelecendo a justiça e a misericórdia.



Odudúa

Odudúa é uma divindade complicada, polêmica. Alguns sugerem ser um Orixá feminino, a esposa de Oxalá, rainha da terra. Outros classificam como sendo uma qualidade do próprio Oxalá. Ainda há quem diga que Odudúa é irmão de Oxalá. O que ocorre é uma confusão entre a divindade feminina Odudúa com o ancestral iorubano divinizado Odudúa, que é considerado, em território africano, como sendo uma forma humana da deusa Odudúa, ou seja, o guerreiro legendário e a deusa Odudúa seriam as mesmas pessoas. Ao lado de Obatalá, Odudúa forma o casal primordial e propulsor da criação. Cada um foi incumbido de determinadas funções no papel da criação do universo incluindo o mundo em que vivemos. Conta uma lenda, que nos primórdios, Olorúm concedeu a Odudúa total poder sobre o universo e os demais Orixás, entregando-lhe simbolicamente uma cabaça e um pássaro de metal, mas Odudúa passou a reinar de forma cruel e por qualquer motivo mandava arrancar os olhos e o coração das criaturas. Oludamaré preocupado, tirou parte do poder de Odudúa e entregou a Oxalá, restabelecendo a justiça e a misericórdia.


Outra lenda diz que no principio de tudo, quando não havia separação entre o orún e o aiyê, Obatalá e Odudúa viviam juntos dentro de uma cabaça. Viviam extremamente apertados um contra o outro, Odudua em baixo e Obatalá em cima. Eles tinham sete anéis que pertenciam aos dois. A noite eles colocavam os anéis: aquele que dormia por cima sempre colocava quatro anéis e o que ficava em baixo colocava os três restantes. Um dia Odudúa, deusa da terra, quis dormir por cima para poder usar nos dedos quatro anéis, mas Obatalá, o deus do céu não aceitou. Tal foi a luta que travaram os dois lá dentro que a cabaça acabou por se romper em duas metades, separando-se assim o céu da terra. Por isso existe a distância entre o céu e a terra, para que não haja mais briga.
No princípio dos tempos existiam dois mundos: o orún, espaço sagrado dos Orixás, e o aiyê, espaço dos seres vivos. No aiyê primitivo só existia água. Um dia Olodumaré resolveu recriar o espaço para a humanidade que também criaria. Incumbiu, então, seu filho primogênito, Orixanilá (o nome mais sagrado de Oxalá) da execução dessa tarefa. Entregou-lhe uma cabaça contendo ingredientes especiais: a terra escura inicial, a galinha de cinco dedos, uma pomba e um camaleão. A terra escura deveria ser lançada sobre a imensidão das águas. A galinha de cinco dedos deveria ir ciscando a terra para alargá-la o mais que pudesse. A pomba, ao voar, orientaria a extensão da terra expandida e criaria o ar. E o camaleão, atento a tudo, observaria a execução da tarefa atribuída a Orixanilá, para reportar os fatos a Olodumaré. Assim foi explicado e, com seu opaxorô e a cabaça da criação, Orixanilá iniciou sua caminhada do orún para o aiyê. Passou por Bará e não pagou as oferendas devidas, mesmo tendo consultado Ifá e sabendo que devia fazê-lo. Em conseqüência disso, no meio do caminho Orixanilá sentiu-se cansado e com sede. Parou para descansar, bebeu um pouco de vinho da palmeira do dendezeiro e, embriagado, adormeceu. Seu irmão caçula, Odudúa, tendo-o seguido, recolheu a cabaça da criação e levou a notícia do ocorrido a seu pai, Olodumaré, pedindo a ele que o deixasse cumprir pelo irmão aquela tarefa de grande importância. Olodumaré concordou e, enquanto Orixanilá dormia, Odudúa criou a terra dos seres vivos. Depois de a galinha ciscar a terra, a pomba orientar a expansão do ar e o camaleão, que deu origem ao elemento fogo, verificar se a tarefa fora cumprida, surgiu a terra firme ou Ilê Ifé = terra que foi sendo ciscada. Orixanilá então, vendo o mundo pronto, mostrou-se arrependido do seu ato de irresponsabilidade perante o pai. E, para que não se sentisse tão humilhado, Olodumaré resolveu, em um supremo ato de inspiração, dar a Orixanilá uma tarefa de tanta importância quanto a primeira: a de criar o homem que habitaria o aiyê. Orixanilá usou o barro e a água para esculpir bonecos inanimados de todas as formas e de todas as cores. Olodumaré, então, soprou a vida nas narinas dos bonecos de barro, criando os seres humanos. Esse sopro da vida é chamado pelos yorubás de emi. Estavam então criados o mundo e o homem.

Olodumaré e Olorum

Na mitologia yorubá, Olodumaré é um ser supremo, uma força criativa que vive numa dimensão paralela a nossa, conhecida por orún. Por isso, também é conhecido como Olorún, criador do orún (céu) e do aiyê (terra). A palavra Olodumaré vem de olo = senhor da parte principal, líder absoluto, odu = muito grande, pleno e maré = aquele que é absolutamente perfeito, o supremo em qualidades. Já Olorún vem de ol = senhor e orún = céu, ou seja, Senhor do céu.
 Olodumaré criou o mundo material e tudo que está nele, inclusive o homem. Para ajudá-lo nessa tarefa, Olodumaré criou também os Orixás, forças sobrenaturais que habitavam o orún e se concretizaram associados às forças da natureza e seus elementos, manifestando-se através das mesmas.
Conta a lenda que no princípio dos tempos existiam dois mundos: o orún, espaço sagrado dos Orixás, e o aiyê, espaço dos seres vivos. No aiyê primitivo só existia água. Um dia Olodumaré resolveu recriar o espaço para a humanidade que também criaria. Incumbiu, então, seu filho primogênito, Orixanilá (o nome mais sagrado de Oxalá) da execução dessa tarefa. Entregou-lhe uma cabaça contendo ingredientes especiais: a terra escura inicial, a galinha de cinco dedos, uma pomba e um camaleão. A terra escura deveria ser lançada sobre a imensidão das águas. A galinha de cinco dedos deveria ir ciscando a terra para alargá-la o mais que pudesse. A pomba, ao voar, orientaria a extensão da terra expandida e criaria o ar. E o camaleão, atento a tudo, observaria a execução da tarefa atribuída a Orixanilá, para reportar os fatos a Olodumaré. Assim foi explicado e, com seu opaxorô e a cabaça da criação, Orixanilá iniciou sua caminhada do orún para o aiyê. Passou por Bará e não pagou as oferendas devidas, mesmo tendo consultado Ifá e sabendo que devia fazê-lo. 


Em consequência disso, no meio do caminho Orixanilá sentiu-se cansado e com sede. Parou para descansar, bebeu um pouco de vinho da palmeira do dendezeiro e, embriagado, adormeceu. Seu irmão caçula, Odudúa, tendo-o seguido, recolheu a cabaça da criação e levou a notícia do ocorrido a seu pai, Olodumaré, pedindo a ele que o deixasse cumprir pelo irmão aquela tarefa de grande importância. Olodumaré concordou e, enquanto Orixanilá dormia, Odudua criou a terra dos seres vivos. Depois de a galinha ciscar a terra, a pomba orientar a expansão do ar e o camaleão, que deu origem ao elemento fogo, verificar se a tarefa fora cumprida, surgiu a terra firme ou Ilê Ifé = terra que foi sendo ciscada. Orixanilá então, vendo o mundo pronto, mostrou-se arrependido do seu ato de irresponsabilidade perante o pai. E, para que não se sentisse tão humilhado, Olodumaré resolveu, em um supremo ato de inspiração, dar a Orixanilá uma tarefa de tanta importância quanto a primeira: a de criar o homem que habitaria o aiyê. Orixanilá usou o barro e a água para esculpir bonecos inanimados de todas as formas e de todas as cores. Olodumaré, então, soprou a vida nas narinas dos bonecos de barro, criando os seres humanos. Esse sopro da vida é chamado pelos yorubás de emi. Estavam então criados o mundo e o homem.