3 de junho de 2013

Lenda de Ossanhe


Pontos riscados

Ponto riscado é uma série de símbolos que a entidade "desenha" ou, como falamos, "risca". Estes símbolos representam o nome da entidade, a linha que a rege e o Orixá que a comanda. Porém às vezes vemos que entidades riscam diversos pontos, sendo importante lembrar que o ponto não serve apenas para identificação. O ponto riscado é um texto, onde nele a entidade pode estar firmando a cura de um consulente, para abrir os caminhos desse filho, para protegê-lo ou até para fortalecê-lo. O ponto riscado possui grande significado e valor mágico no culto de Umbanda. Através do ponto riscado, os guias contam também toda sua história, sua origem e passagem do mundo material e astral. Uma das grandes provas de incorporação na Umbanda é o ponto riscado, pois se acredita que se uma entidade não estiver realmente bem incorporada ela não saberá riscar o ponto que a identificará das demais. 

Alguns significados dos símbolos:

* Espada: Símbolo de Ogum
* Flecha: Símbolo de Oxóssi
* Machado: Símbolo de Xangô
* Cruz: Símbolo de Obaluayê ou das Santas Almas
* Ondas: Símbolo de Iemanjá ou da força do pensamento
* Ponto: Representa "tudo", ou seja, Oxalá
* Raio: Símbolo de Iansã
* Cajado: Símbolo do povo do oriente
* Tridente reto: Símbolo de exu das almas

* Tridente Circular: Símbolo de exu da encruzilhada
* Estrela de seis pontas: O perfeito equilíbrio
* Sol: A luz da manhã 
* Lua: A Noite,o entardecer ou a morte
* Conchas do mar: Símbolo das crianças
* Pequenos traços de água: Símbolo de Oxum
* Traço ou linha curva com círculo nas pontas: Símbolo de força, amarração e descarrego
* Rosa dos ventos: Chamamento de força ou descarrego
* Palmeiras ou coqueiros: Força dos velhos
* Traço com três semicírculos nas pontas: Descarrego e força 
* Três estrelas: Também representam os velhos e as almas
* Círculo: O universo, a perfeição
* Um círculo com dois diâmetros entre si: O plano divino
* Círculos menores e semicírculos: As fases da lua 
* Seta reta ou curva e bodoque: Irradiação de Oxóssi
* Uma linha reta: O mundo material
* Duas linhas retas: O princípio, o masculino e o feminino
* Uma linha curva: A polaridade
* Dois traços curvos: As duas polaridades, a positiva e a negativa 
* Um quadrado:Os quatro elementos: água, terra, fogo e ar
* Balança, machado ou nuvem: Símbolos de Xangô 
* Flor ou coração: Símbolos de Oxum
* Traços pequenos na vertical (chuva): Símbolo de Nanã
* Folhas ou plantas: Símbolos de Ossanhe
* Arco-íris: Símbolo de Oxumaré
* Estrela: Luz dos espíritos
* Estrela guia (com cauda): Símbolo da capacidade de acompanhamento 

Abaixo alguns exemplos de pontos riscados, lembrando sempre que cada entidade possui sua assinatura espiritual particular e única que o identifica; sendo assim cada ponto riscado é único e jamais um será igual ao outro.

Cabocla Jupiara

Cabocla Jurema

Caboclo Guiné

Cosme

Exu Tiriri

Exu Veludo

Maria Padilha 
Ogum

Pai José de Aruanda

Vovó Maria Conga

Omolokô

Existem dois significados da palavra Omolokô. Um deles diz que deriva de “Omo” = filho e “Loko” = árvore Irokô. Outro alega que “Omo” = filho e “Oko” = fazenda ou zona rural, onde o culto era realizado na época da escravidão. O Omolokô é apontado por estudiosos e praticantes como um dos principais influenciadores da formação da Umbanda e teria surgido entre o povo africano Lunda-Quiôco. A roça-de-santo é uma distinção utilizada, inclusive, pelos Omolokôs para denominar o local onde se concentram as comemorações e rituais aos Orixás. O termo é uma referência ao período colonial em que os escravos cultuavam aos Orixás às escondidas nas roças e fazendas dos senhores de engenho. A roça-de-santo é dividida em dois ambientes: o público e o sagrado. A hierarquia sacerdotal da Nação Omolokô segue a mesma estrutura da Nação Yorubá. Algumas pessoas se perguntam se Omolokô é Umbanda ou Candomblé. A resposta só poderia ser uma única: Omolokô é ambas. Umbanda porque aceita em seus rituais o culto ao Caboclo e ao Preto-Velho. Candomblé porque cultua os Orixás africanos com suas cantigas em Yorubá ou Angola. No Omolokô existe uma maior aproximação com o Candomblé de origem Banto, que aceita o culto aos espíritos dos antepassados. Dentro da Nação Omolokô os preceitos são próprios de Nação, tais como catulagem, recolhimento, deitar para o Santo, o jogo de búzios, assentar Orixás ou Inkices (depende da vertente) e o próprio xirê, entre outros.