5 de março de 2013

Certo dia cheguei a um terreiro com a intenção de tomar um passe com um Preto Velho. Nesse dia não estava me sentindo mal, ou desesperada por ajuda. Apenas queria ouvir algumas sábias palavras e aproveitar para me descarregar. Porém qual não foi a minha surpresa ao adentrar a porta e ouvir da pessoa que me atendeu que "não tinha mais senha para aquele dia, que eu deveria chegar mais cedo". Saí de lá atônita, não acreditando que realmente tinha ouvido aquilo. E se naquele momento eu estivesse desesperada, em busca de ajuda, pensando talvez até em suicídio, será que iria esperar até amanhã para matar-me?
Acredito fielmente que Umbanda é caridade e amor ao próximo, e se alguém bate a sua porta pedindo ajuda, você precisa atendê-la e não mandá-la voltar amanhã. Se você se dispôs a servir os Orixás, a ser instrumento de trabalho, a servir como médium em prol dos outros, então você deve faze-lo sob quaisquer circunstâncias. Não importa se é dia ou noite, se estamos exaustos, com fome ou cansados de ficar em pé atendendo por horas e horas uma assistência incansável. Se alguma pessoa procura ajuda em sua casa, é no mínimo seu dever atendê-la de boa vontade. Não devemos nos dispor a fazer algo se não temos condições. Não devemos assumir responsabilidades se não nos sentimos prontos o suficiente. Não devemos querer ajudar se não temos maturidade suficiente. Não devemos querer dar aquilo que não temos. Se você, médium Umbandista saiu de casa hoje para ir ao terreiro participar da corrente cansado, estressado e com vontade ter ficado em casa, não vá. Se você tomou um banho de descarga,colocou seu branco e sua guia no pescoço, vista esse "uniforme" de corpo e alma, e atenda cada pessoa com um sorriso no rosto e boa vontade no coração. Afinal o sofrimento alheio não tem hora nem local para bater a sua porta.