28 de janeiro de 2013

Amaci na Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade fundada por Zelio de Moraes


Na Nação existe um ritual que utiliza a lavagem de cabeça com ervas, o amaci. Porém o mesmo é bem distinto do mesmo praticado na Umbanda. O seu objetivo é basicamente limpar o campo energético do médium para a melhor aproximação de energias dos espíritos mais elevados da Umbanda. Para os consulentes, é uma boa oportunidade para limpar o campo energético do corpo e trazer fluidos melhores.
Na Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade, a casa de Umbanda fundada pelo seu Zélio, a lavagem da cabeça dos médiuns é feita sobre uma cama de folhas de mangueira, pois elas tem a função de descarga, de atrair energias negativas do campo energético do corpo. As folhas são colhidas por médiuns homens escolhidas pela entidade dirigente da sessão;  neste grupo deve estar presente pelo menos  um cambono para supervisionar os médiuns na manutenção da concentração, enquanto as mulheres preparam e limpam a Tenda com água e sal grosso. Durante todo o processo de colheita das folhas até a montagem da cama é entoado o ponto específico para o ritual:
“Mangueira, mangueira
mangueira de Umbanda
folha por folha Umbanda
Lá no mato tem Umbanda
vamos cruzar
Para salvar
filhos de Umbanda com seu patuá”
Depois de colhidas, as folhas são levadas para a tenda onde são selecionadas, ou seja, são utilizadas somente as folhas inteiras e sem manchas, e com elas é montada a cama no meio do salão. São riscados os pontos das seis linhas de Umbanda em frente ao congá por seis babás da casa (escolhidos pela entidade dirigente dos trabalhos), seguidos dos pontos riscados de exu correspondes a cada uma das seis linhas. Feito isso, o guia chefe recebe todos os médiuns e pessoas que desejam participar do ritual, que são orientados a mentalizar  pedidos de bons agouros e boa ventura desde a colheita de sua folha até o momento em que o guia dirigente dos trabalhos irá recebê-la para picá-la em pequenos pedaços. Estas folhas são picadas junto à uma bacia de ágata de cor branca num banho que é composto por todas as bebidas usadas na casa, dentre elas as bebidas correspondentes às sete linhas. Em ordem de tempo de casa, os membros da Tenda vão deitando na cama de folhas para a lavagem da cabeça pelo guia chefe que de acordo com a necessidade, vai pedindo o ponto cantado específico de cada linha ou entidade, que geralmente se manifestam assim que o médium se levanta. As folhas são descarregadas em um rio e as pessoas que participaram do rito, por questões fluídica devem permanecer por pelo menos 3 dias com o banho na cabeça, ou então podem lavá-las em uma cachoeira com o guia chefe da casa. Terminada a lavagem, é feita a queima da pólvora que cobre os  pontos riscados de ligação e dos comandantes das respectivas falanges de Exu pelos mesmos Babás escolhidos anteriormente, que depois de acesos são limpos com aguardente e água. Após isso são levantados todos os pontos da mesa de Umbanda fazendo a limpeza com as suas respectivas bebidas dispostas nos pontos durante toda a sessão,  é feita então a prece de encerramento e entoado o hino de Umbanda encerrando assim as atividades da casa depois de 3 dias seguidos de sessão. Os médiuns,  logo depois da lavagem de cabeça formam uma fila em direção ao rio Macacu, para o banho numa queda d’água que fica no mesmo terreno,  encerrando de maneira belíssima os trabalhos do dia.