18 de setembro de 2013

Quem é Exu?

UmbandaExu é um guardião pertencente a uma organização mundial voltada para a preservação da harmonia e do equilíbrio nos diversos planos da vida. Comprometidos com a ordem e a disciplina espirituais, possuem diversas atribuições junto à humanidade, desde a proteção individual a pessoas que têm responsabilidades espirituais, sociais, religiosas ou políticas, à proteção de comunidades, países, continentes e do próprio planeta. As atribuições dependem sobretudo da hierarquia a qual pertencem. É interessante observar o sentido original do termo Exu, que representa, no contexto da mitologia africana, o princípio negativo do universo, em oposição a Orixá, que seria a polaridade positiva. Os Exus são, por outro lado, entidades que atuam como elemento de equilíbrio e de ligação com o aspecto negativo da vida e com os seres que se
apresentam como marginais do plano astral. Na verdade, Exu é uma força da natureza, a contrapartida de Orixá. Tudo é duplo na natureza, tudo possui a polaridade positiva e a negativa: homem e mulher, masculino e feminino, luz e sombra. São apenas duas faces de uma mesma realidade. Assim sendo, para a cultura africana, Orixá representa o lado positivo, enquanto Exu, o lado negativo. Repare: negativo, e não mal; apenas o oposto, a polaridade. Exu é força de equilíbrio da natureza, é a força da criação, é o princípio de tudo, é nascimento. Exu representa o equilíbrio negativo do universo, o que não quer dizer coisa ruim. Exu é a célula da criação da vida, aquele que gera o conflito, variadas vezes. Refiro-me ao conflito que promove o progresso do ser. Exu está presente, mais que em tudo e todos, na concepção global da existência. Nada é somente positivo, a existência em si tem dois lados opostos e, ao mesmo tempo, complementares. Isso é Exu, na concepção de força da natureza e na cosmologia africana. É, ainda, a propriedade dinâmica de tudo que possui vida. Como entidade reencarnante ou como espírito imortal, Exu representa a abertura de todos os caminhos e a saída de todos os problemas. Exu é o guardião dos templos, das casas, das cidades e das pessoas, é o intermediário entre os homens e os deuses, na concepção africana. Há muitos espíritos que na terra tiveram experiências na carreira militar ou em alguma outra função que lhes propiciasse o desenvolvimento de certas qualidades necessárias a um guardião. Quando desencarnam, são aproveitados como tal. Oferece-se ao espírito a oportunidade de continuar, no mundo extrafísico, trabalhando naquilo que sabe e, desse modo, aperfeiçoar seu conhecimento e ganhar mais experiência. Muitos militares do passado, comprometidos com o mau uso do poder e da autoridade, são convocados e convidados a se reeducarem nas falanges dos guardiões, reaprendendo seu papel. Para tanto, defendem as obras da civilização em geral, o patrimônio cultural e as instituições beneméritas. Outros espíritos, que dominaram certos processos e meios de comunicação, quando encarnados, são convidados e estimulados a trabalhar nos vários laboratórios e bases de comunicação a serviço dos guardiões. Generais, guerreiros, soldados, comandantes ou os simples recrutas, das diversas forças armadas da terra, são aproveitados com a experiência que adquiriram. Transcorrido o tempo natural de transição, após a morte física, é apresentado a esses espíritos a oportunidade de se refazerem emocional e moralmente. Tal oportunidade são as atividades que poderão desempenhar, obedecendo a um propósito superior. Ao espírito desencarnado são apresentadas basicamente duas opções: ou ele permanece presa de seu sentimento de culpa, forjando situações aflitivas em torno de si, ou libera-se da culpa. Nesse caso, abrem-se inúmeras possibilidades de trabalho, aproveitando-se as experiências vividas e valorizando as aquisições pessoais. Qualquer experiência, ainda que equivocada ou difícil, é reorientada, com objetivo útil à causa do bem e do equilíbrio. Caso o espírito opte pela segunda alternativa e assimile a ideia de continuar trabalhando em prol da humanidade, são ampliadas suas oportunidades à medida que amadurece. Obviamente cada qual é responsável pelas consequências de seus atos: isso é imutável. Porém, a lei não impõe sofrimento a ninguém; ela dá oportunidades de reparação e resgate no desempenho de tarefas dignificantes. O sofrimento é resultado da mente culpada, que forja, ela própria, as situações aflitivas dentro e em torno de si. Sofrimento pelo sofrimento: donde já se viu? A finalidade da lei não é o sofrimento, é o aprendizado. Ao trabalhar pelo bem, a ordem e a harmonia, o espírito terá tempo de solucionar com tranquilidade os equívocos aos quais se entregou em seus excessos quando encarnado sendo convidado a trabalhar, oferecendo à vida o que de melhor possui.

Texto extraído do livro Aruanda de Robson Pinheiro

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