17 de agosto de 2013

Osun Osogbo


Osogbo é a capital e a maior cidade do estado de Osun, na Nigéria. Localiza-se no sudoeste do país e tem cerca de 1379 mil habitantes. Acredita-se que a cidade foi fundada por volta de 400 anos atrás e é dividida em 16 reinos. A maior mudança em Osogbo se deu em meados do século XIX através da introdução do islamismo e do cristianismo. Por um tempo, as três religiões coexistiram, porém com o passar do tempo, tornou-se menos na moda ser identificado com os cultos Ogboni e Osun. Osun Osogbo ou Bosque Sagrado de Osun Osogbo é uma floresta sagrada situada às margens do Rio Osun. Na década de 1950 as mudanças políticas e religiosas combinadas foram tendo um efeito negativo sobre a cidade e principalmente sobre o Bosque: responsabilidades habituais e sanções foram enfraquecendo, santuários estavam sendo negligenciados e sacerdotes tradicionais começaram a desaparecer. Tudo isso foi agravado por um aumento no saque de estátuas e esculturas móveis para alimentar um mercado de antiguidades. Nessa época, parte do bosque foi adquirido pelo Ministério da Agricultura e Florestas para experimentos agrícolas. Árvores foram derrubadas e plantações foram estabelecidas, esculturas foram roubadas e a caça e a pesca começaram a ser liberadas, sendo antes proibidas no bosque sagrado. Foi neste ponto crucial da história do Bosque que o austríaco Suzanne Wenger mudou-se para Osogbo e, com o incentivo do Obá e o apoio da população local, formaram o movimento da Nova Arte Sacra para desafiar especuladores de terras, repelir os caçadores furtivos, proteger o santuário e começar o longo processo de trazer o lugar sagrado de volta à vida. Os artistas criaram esculturas grandes, pesados ​​e fixas em ferro, cimento e lama, ao invés das esculturas menores feitas de madeira, a fim de que suas formas arquitetônicas ajudassem a proteger o bosque de roubos.

Esculturas do Bosque
Em 1992 o Bosque foi estendido e conta agora com 75 hectares protegidos. Considerada a morada de Oxum, a paisagem do Bosque é pontilhada com santuários e templos, esculturas e obras de arte em honra a Oxum e outras divindades. O bosque tem 40 santuários e nove pontos de adoração específicos à beira do rio. Possui cinco divisões principais sagradas associados a diferentes cultos. Há também pinturas nas paredes e tetos decorativos feitos a partir de folhas de palmeira. Há dois palácios: O primeiro faz parte do principal santuário de Osun Osogbo e o segundo é o lugar para onde Laro mudou-se e estabeleceu um novo assentamento fora do bosque. Ambos os edifícios são construídos com paredes de barro e telhados de lata apoiadas por lama e pilares de madeira esculpida. Anualmente é realizado no Bosque o “The Annual Osun Osogbo”, um festival com duração de 12 dias realizado uma vez por ano, no final de julho e início de agosto. O festival tem como intuito invocar os espíritos dos reis ancestrais, reafirmar e renovar os laços entre as divindades representadas no Bosque junto ao povo de Osogbo. Essa festa anual de oferendas a Oxum é uma comemoração pela chegada de Laro, cuja lenda nos conta que depois de muitas atribulações, achando o local favorável para o estabelecimento de uma cidade, Laro ali se fixou com sua gente. Alguns dias depois de sua chegada, uma de suas filhas foi banhar-se no rio e desapareceu nas águas. Reapareceu no dia seguinte, soberbamente vestida, declarando ter sido muito bem acolhida pela divindade do rio. Laro, para demonstrar sua gratidão, dedicou-lhe oferendas. Numerosos peixes, mensageiros da divindade, vieram comer, em sinal de aceitação,as comidas que Laro havia jogado nas águas. Um grande peixe, que nadava próximo ao local onde este se encontrava, cuspiu-lhe água. Laro recolheu esta água numa cabaça e bebeu, fazendo assim um pacto de aliança com o rio. Estendeu, depois, as mãos para frente e o grande peixe saltou sobre elas. Laro recebeu o título de Atáója (contração da frase yoruba “A téwó gbáà eja” = Ele estende as mãos e recebe o peixe) e declarou: "Òsun gbo" = Oxum está em estado de maturidade, suas águas serão sempre abundantes. Atulamente, no dia do festival o atual Atáója vai solenemente até as margens do rio com a cabeça coberta por uma coroa monumental feita com pequenas miçangas reunidas e  vestido com pesada roupa de veludo. Anda com calma e gravidade, rodeado por suas mulheres e seus dignitários. Nessa procissão, uma de suas filhas leva a cabaça contendo os objetos sagrados de Oxum. É a “Arugbá Òsun” = aquela que leva a cabaça de Oxum. Ela representa a moça que outrora desapareceu no rio. Sua pessoa é sagrada, e o próprio rei inclina-se à sua frente. Depois que atinge a idade da puberdade, ela não pode mais preencher esta função. Mas, pela graça de Oxum, a descendência de Atáója é sempre numerosa, não faltando, pois, a possibilidade de se encontrar uma Arugbá Òsun disponível. 

Arugbá
O Atáója senta-se então numa clareira e acolhe as pessoas que vêm assistir à cerimônia. Os reis e os chefes das cidades vizinhas estão todos presentes ou enviam representantes. As delegações chegam, uma após a outra, acompanhadas de músicos. Trocas de saudações e danças sucedem-se como formas de cortesia recíprocas, com animação crescente. Ao final da manhã, Atáója acompanhado de seu povo e dos seus hóspedes, aproxima-se do rio e manda lançar oferendas e comidas, no mesmo lugar onde Laro fizera outrora. A seguir, Atáója dirige-se até as proximidades de um templo vizinho e senta-se sobre Òkúta Laro, uma pedra onde o seu ancestral Laro teria repousado em outros tempos. A adivinhação é para saber se Oxum está satisfeita ou se ela tem vontades a exprimir. Atáója então volta para a clareira, onde recebe e trata os seus convidados com uma generosidade comparada com a de Oxum, a Rainha dos rios.

Estrada que leva ao Bosque















Festival anual de Osun Osogbo:









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