31 de julho de 2013

Obatalá

Oxalá
Obatalá, também chamado de Orixalá, Obarixá, Oba Igbo ou Baba Igbo, é o mais velho de todos os Oxalás, o grande rei do branco, raiz de todos os outros Oxalás, o mais poderoso, pai dos deuses e dos homens, pai em particular de Oxalufã, que por sua vez é o pai de Oxaguiã. Tão grande e tão poderoso é Obatalá, que assim como Odudúa aparece no Candomblé como qualidade de Orixá, e não se manifesta. Evoca-se sobretudo a idéia de algo quente e seco, devendo ser refrescada e molhada para tornar-se fértil, tal é o sentido das cerimônias chamadas de “Águas de Oxalá” que começam com a procissão que vai buscar em potes na fonte, a água que será derramada sobre o assento de Oxalá. Se Obatalá, divindade masculina, criou os seres vivos, Odudúa, divindade feminina criou a matéria de onde surgiria a vida. Nas suas qualidades de divindades da criação e da cabaça, Odudúa é como Obatalá uma divindade funfun, e suas sacerdotisas vestem-se de branco. As palavras de Obatalá transformam-se imediatamente em realidade. Obatalá é o Orixá que representa o ar e as águas frias e imóveis do início do mundo. Controla a formação de novos seres, é o senhor dos vivos e dos mortos, preside o nascimento, a iniciação e a morte. Foi ele quem deu a palavra ao homem, mas durante suas festas não se fala. Tudo é silêncio, pois a palavra é dele. Obatalá é quem rege tudo o que é branco, representando a pureza por excelência.  Obatalá representa a energia da claridade, a estabilidade mental. É o Orixá que é fonte de tudo que é puro, sábio, aprazível e compassivo. Mas apesar de toda a sua pureza, tem também seu aspecto guerreiro, por meio do qual impõem justiça ao mundo. Ele representa as leis, a procriação de tudo o que tem vida na Terra e é a divindade da paz e da verdadeira justiça para com os homens, pois é o único que nos julga de forma consciente.
Uma lenda nos conta que fazia muito tempo que Obatalá admirava a inteligência de Orumilá. Em mais de uma ocasião Obatalá pensou em entregar a Orumilá o governo do mundo. Pensou em entregar-lhe o governo dos segredos que dirigem o mundo e a vida dos homens. Mas quando refletia sobre o assunto acabava desistindo pois Orumilá, apesar da seriedade de seus atos, era muito jovem para missão tão importante. Um dia, Obatalá quis saber se Orumilá era tão capaz quanto aparentava e lhe ordenou que preparasse a melhor comida que pudesse ser feita. Orumilá preparou uma língua de touro e Obatalá comeu com prazer. Obatalá então, perguntou a Orumilá por qual razão língua era a melhor comida que havia. Orumilá respondeu: “Com a língua se concede axé, se ponderam as coisas, se proclama a virtude, se exaltam as obras e com seu uso os homens chegam à vitória”. Após algum tempo, Obatalá pediu a Orumilá para preparar a pior comida que houvesse. Orumilá lhe preparou a mesma iguaria, língua de touro. Surpreso, Obatalá lhe perguntou como era possível que a melhor comida que havia fosse agora a pior. Orumilá respondeu: “Porque com a língua se caluniam as pessoas, se destrói a boa reputação e se cometem as mais repudiáveis vilezas”. Obatalá ficou maravilhado com a inteligência e precocidade de Orumilá e nesse momento entregou a Orumilá o governo dos segredos. Orumilá foi nomeado babalawó, palavra que na língua dos Orixás quer dizer "Pai do segredo".

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