29 de julho de 2013

Nos primórdios da criação, Olodumaré mandou vir ao aiyê três divindades: Ogum, deus do ferro, Obarixá senhor da criação dos homens e Odu, a única mulher entre eles. Todos eles tinham poderes, menos ela, que se queixou então a Olodumaré. Este lhe outorgou o poder do pássaro contido numa cabaça, e e ela se tornou então, através do poder emanado de Olodumarê, Ìyáwon, nossa mãe para eternidade, também chamada de Iyá Mi Oxorongá. Mas Olodumaré a preveniu de que deveria usar este grande poder com cautela, sob pena de ele mesmo repreendê-la. Porém ela abusou do poder do pássaro. Preocupado e humilhado, Obarixá foi até Orumilá fazer o jogo de Ifá, e ele o ensinou como conquistar, apaziguar e vencer Odu, através de sacrifícios, oferendas e astúcia. Obarixá e Odu foram viver juntos. Ele então lhe revelou seus segredos e, após algum tempo, ela lhe contou os seus, inclusive que adorava Egun, mostrando-lhe sua roupa, o qual não tinha corpo, rosto nem tampouco falava e juntos eles adoraram Egun. Aproveitando um dia que Odu saiu de casa, Obarixá modificou e vestiu a roupa de Egun que foi à cidade e falou com todas as pessoas. Quando Odu viu Egun andando e falando, percebeu que foi Obarixá quem tornou isto possível. Ela reverenciou e prestou homenagem a Egun e a Obarixá, conformando-se com a supremacia dos homens e aceitando para si a derrota. Ela mandou então seu poderoso pássaro pousar em Egun, e lhe outorgou o poder: tudo o que Egun disser acontecerá. Odu retirou-se para sempre do culto de Egungun. O conjunto homem-mulher dá vida a Egun, a ancestralidade, mas restringe seu culto aos homens, os quais, todavia, prestam homenagem às mulheres, castigadas por Olodumaré através dos abusos de Odu. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário