29 de julho de 2013

Iyá Mi Oxorongá - As feiticeiras

Donas de um axé tão poderoso como o de qualquer Orixá, as Iyá Mi tiveram o seu culto difundido por sociedades secretas de mulheres e são as grandes homenageadas no famoso festival Gèlèdè na Nigéria em louvor ao poder feminino ancestral, onde os homens se vestem de mulher e usam máscaras com características femininas, dançam para acalmar a ira e manter, entre outras coisas, a harmonia entre o poder masculino e o feminino. Os assentamentos das Iyá Mi ficam juntos as grandes árvores e geralmente são enterrados, mostrando a sua relação com os ancestrais, sendo também uma nítida representação do ventre. As Iyá Mi tornaram-se conhecidas como as senhoras dos pássaros e a sua fama de grandes feiticeiras associou-as à escuridão da noite; por isso também são chamadas Eleyé, e as corujas são os seus principais símbolos. Iyá Mi é a sacralização da figura materna, por isso o seu culto é envolvido por tantos tabus. O seu grande poder deve-se ao fato de guardar o segredo da criação. Tudo o que é redondo remete ao ventre e, por consequência, às Iyá Mi. As denominações de Iyá Mi expressam as suas características terríveis e mais perigosas e por essa razão os seus nomes nunca devem ser pronunciados, porém quando se disser um dos seus nomes, todos devem fazer reverencias especiais para aplacar a ira das Grandes Mães e, principalmente, para afugentar a morte. Quando devidamente cultuadas, manifestam-se apenas no seu aspecto benfazejo, não podendo, porém, serem esquecidas. Nesse caso, lançam todo o tipo de maldição e tornam-se senhoras da morte. Iyá Mi Oxorongá é a dona da barriga e não há quem resista aos seus ebós fatais, sobretudo quando ela executa o Ojiji, o feitiço mais terrível. Com Iyá Mi todo cuidado é pouco, ela exige o máximo respeito. A pena da coruja é utilizada em ritos das Iyá Mi, na finalidade de obter proteção contra os perversos espíritos da noite, ameaças e inveja. É este pássaro quem leva os feitiços até seus destinos. Ele é pássaro bonito e elegante, pousa suavemente nos tetos das casas, nos galhos das árvores, e é silencioso. Se as Iyá Mi dizem que é pra matar, eles matam, se elas dizem pra levarem os intestinos de alguém, levarão. Iyá Mi na forma de pássaro, a coruja rasgadeira, pousa nas árvores durante a noite, principalmente na jaqueira. Contam os antigos africanos que quando a coruja rasgadeira sobrevoa fazendo seu ruído característico ou aproxima-se de uma casa é porque alguém vai morrer. Conta a lenda que nos primórdios da criação, Olodumaré mandou vir ao aiyê três divindades: Ogum, deus do ferro, Obarixá senhor da criação dos homens e Odu, a única mulher entre eles. Todos eles tinham poderes, menos ela, que se queixou então a Olodumaré. Este lhe outorgou o poder do pássaro contido numa cabaça, e e ela se tornou então, através do poder emanado de Olodumarê, Ìyáwon, nossa mãe para eternidade, também chamada de Iyá Mi Oxorongá. Mas Olodumaré a preveniu de que deveria usar este grande poder com cautela, sob pena de ele mesmo repreendê-la. Porém ela abusou do poder do pássaro. Preocupado e humilhado, Obarixá foi até Orumilá fazer o jogo de Ifá, e ele o ensinou como conquistar, apaziguar e vencer Odu, através de sacrifícios, oferendas e astúcia. Obarixá e Odu foram viver juntos. Ele então lhe revelou seus segredos e, após algum tempo, ela lhe contou os seus, inclusive que adorava Egun, mostrando-lhe sua roupa, o qual não tinha corpo, rosto nem tampouco falava e juntos eles adoraram Egun. Aproveitando um dia que Odu saiu de casa, Obarixá modificou e vestiu a roupa de Egun que foi à cidade e falou com todas as pessoas. Quando Odu viu Egun andando e falando, percebeu que foi Obarixá quem tornou isto possível. Ela reverenciou e prestou homenagem a Egun e a Obarixá, conformando-se com a supremacia dos homens e aceitando para si a derrota. Ela mandou então seu poderoso pássaro pousar em Egun, e lhe outorgou o poder: tudo o que Egun disser acontecerá. Odu retirou-se para sempre do culto de Egungun. O conjunto homem-mulher dá vida a Egun, a ancestralidade, mas restringe seu culto aos homens, os quais, todavia, prestam homenagem às mulheres, castigadas por Olodumaré através dos abusos de Odu. 

Títulos das Iyá Mi

Agba: Mãe ancestral associada ao poder feminino
Ajé: Mãe administradora do poder sobrenatural. Este devido ao seu culto que é realizado na lua nova e utiliza de poderes sobrenaturais para combater a agressividade e o feitiço
Ako: Mãe que é o pássaro Ako. Título referente ao 3º dia da lua cheia e a seu culto na sociedade das Geledés. Título de quem assume o posto de primeira dama desta sociedade
Alaiye: Mãe proprietária de toda extensão terrestre
Apaki: Poderosa mãe que mata. Uma referência ao fato que ao decorrer da vida acontece a morte
Araiye: Mãe que controla todos os espíritos da terra, encarnados e desencarnados
Arajado: Mãe que olha para o céu. Uma referencia ao fato da terra estar coberta pelo céu
Asiwòró: Mãe canalizadora das energias nos ritos tradicionais
Ayala: Mãe esposa daquele que é o céu
Buruku: Poderosa mãe antiga. Uma referência ao planeta na sua antiguidade existencial
Egeleju: Mãe dos olhos delicados
Ekunlaiye: Mãe que inunda a terra com água
Eleje: Mãe proprietária do fluxo da vida o sangue
Elesenu: Mãe proprietária de todos os órgãos internos, vísceras
Eleye: Mãe proprietária dos pássaros
Ilunjó: Mãe que dança o ritmo da morte
Iya-Ori: Mãe das cabeças,uma alusão ao fato de está relacionada aos rituais de sacrifício animal sobre uma cabeça. Titulo que é também cultuada nos ritos de bori
Iyelala: Mãe senhora dos sonhos, relacionada a revelação de situações através de sonhos
Kekere: Mãe pequena do universo. Uma referência ao fato de Iyá Mi ser a administradora da vida na auxiliando Olodunmaré
Koko: Mãe anciã, uma referência à antiguidade do planeta
Logboje: Cabaça existencial no universo, uma referência ao planeta terra 
Malè: Poderosa mãe que não permite o mal chegar na noite, uma alusão as noites que sobrevoa na sua forma de pássaro nos lugares em que é invocada e reverenciada com louvores e saudações. Título este muito reverenciada nas rodas de Xangô e Egungun enquanto dançam em volta da fogueira ao ar livre, fato memorável ao poder sobrenatural que possibilita  Xangô como o grande Egungun ancestral voltar à terra possuindo seus Eleguns durante as festividades.
Naré: Poderosa como o próprio ventre
N'la: Grande Mãe, uma referência à grandeza do planeta terra e seu culto elementar
Oduwà: Mãe proprietária do recipiente da existência, o mundo
Oga Igi: Mãe que faz o alto das árvores de trono. Uma referência ao fato dos pássaros pousarem no cume das grandes árvores
Oloriyàmi: Mãe proprietária das águas, referência aos mares e a água do útero
Olotojú: Mãe que espia do alto ao fato dos pássaros pairarem no ar e observarem tudo de cima
Omolulu: Mãe rainha das formigas, ao fato de estar associada ao subsolo, título este em que é também cultuada no culto de Obaluaiê
Onilé: Mãe proprietária da terra, referente a reverência e aos rituais realizados dentro da terra. Outra referencia é o fato de ser o lugar mais próprio de se cultuar toda classe de espíritos, na qual ela é a grande apaziguadora desses espíritos ou forças rebeldes
Oru-Alé: Mãe da madrugada e da noite
Osupa: Mãe que controla as forças da lua
Oxorongá: Está sempre encolerizada e sempre pronta a desencadear sua ira contra os seres humanos. Está sempre irritada, seja ou não maltratada, esteja em companhia numerosa ou solitária, quer se fale bem ou mal dela, ou até mesmo que não se fale, deixando-a assim num esquecimento desprovido de glória. Tudo é pretexto para que Iyá Mi se sinta ofendida.
Petekun: Mãe que é povoada, uma referência a relação com Bará

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