31 de julho de 2013

Chegando de viagem à aldeia onde nascera, Xapanã viu que estava acontecendo uma festa com a presença de todos os Orixás. Porém, ele não podia entrar na festa, devido à sua medonha aparência. Então ficou espreitando pelas frestas do terreiro. Ogum, ao perceber a angústia do Orixá, cobriu-o com uma roupa de palha, com um capuz que ocultava seu rosto doente, e convidou-o a entrar e aproveitar a alegria dos festejos. Apesar de envergonhado, Xapanã entrou, mas ninguém se aproximava dele. Iansã tudo acompanhava com o rabo do olho. Ela compreendia a triste situação de Xapanã e dele se compadecia. Iansã esperou que ele estivesse bem no centro do barracão. O xirê estava animado, os orixás dançavam alegremente. Iansã chegou então bem perto dele e soprou suas roupas de palha com seu vento. Nesse momento de encanto e ventania, as feridas de Xapanã pularam para o alto, transformadas numa chuva de pipocas, que se espalharam brancas pelo barracão. Xapanã, o Deus das doenças, transformara-se num jovem belo e encantador. Assim eles tornaram-se grandes amigos e reinaram juntos sobre o mundo dos espíritos dos mortos, partilhando o poder único de abrir e interromper as demandas dos mortos sobre os homens. 
Existiam num reino dois pequenos príncipes gêmeos que traziam sorte a todos. Os problemas mais difíceis eram resolvidos por eles; em troca, pediam doces balas e brinquedos. Esses meninos faziam muitas traquinagens e, um dia, brincando próximos a uma cachoeira, um deles caiu no rio e morreu afogado. Todos do reino ficaram muito tristes pela morte do príncipe. O gêmeo que sobreviveu não tinha mais vontade de comer e vivia chorando de saudades do seu irmão, pedia sempre a Orumilá que o levasse para perto do irmão. Sensibilizado pelo pedido, Orumilá resolveu levá-lo para se encontrar com o irmão no céu, deixando na terra duas imagens de barro. Desde então, todos que precisam de ajuda deixam oferendas aos pés dessas imagens para ter seus pedidos atendidos.
Fazia muito tempo que Obatalá admirava a inteligência de Orumilá. Em mais de uma ocasião Obatalá pensou em entregar a Orumilá o governo do mundo. Pensou em entregar-lhe o governo dos segredos que dirigem o mundo e a vida dos homens. Mas quando refletia sobre o assunto acabava desistindo pois Orumilá, apesar da seriedade de seus atos, era muito jovem para missão tão importante. Um dia, Obatalá quis saber se Orumilá era tão capaz quanto aparentava e lhe ordenou que preparasse a melhor comida que pudesse ser feita. Orumilá preparou uma língua de touro e Obatalá comeu com prazer. Obatalá então, perguntou a Orumilá por qual razão língua era a melhor comida que havia. Orumilá respondeu: “Com a língua se concede axé, se ponderam as coisas, se proclama a virtude, se exaltam as obras e com seu uso os homens chegam à vitória”. Após algum tempo, Obatalá pediu a Orumilá para preparar a pior comida que houvesse. Orumilá lhe preparou a mesma iguaria, língua de touro. Surpreso, Obatalá lhe perguntou como era possível que a melhor comida que havia fosse agora a pior. Orumilá respondeu: “Porque com a língua se caluniam as pessoas, se destrói a boa reputação e se cometem as mais repudiáveis vilezas”. Obatalá ficou maravilhado com a inteligência e precocidade de Orumilá e nesse momento entregou a Orumilá o governo dos segredos. Orumilá foi nomeado babalawó, palavra que na língua dos Orixás quer dizer "Pai do segredo".

Obatalá

Oxalá
Obatalá, também chamado de Orixalá, Obarixá, Oba Igbo ou Baba Igbo, é o mais velho de todos os Oxalás, o grande rei do branco, raiz de todos os outros Oxalás, o mais poderoso, pai dos deuses e dos homens, pai em particular de Oxalufã, que por sua vez é o pai de Oxaguiã. Tão grande e tão poderoso é Obatalá, que assim como Odudúa aparece no Candomblé como qualidade de Orixá, e não se manifesta. Evoca-se sobretudo a idéia de algo quente e seco, devendo ser refrescada e molhada para tornar-se fértil, tal é o sentido das cerimônias chamadas de “Águas de Oxalá” que começam com a procissão que vai buscar em potes na fonte, a água que será derramada sobre o assento de Oxalá. Se Obatalá, divindade masculina, criou os seres vivos, Odudúa, divindade feminina criou a matéria de onde surgiria a vida. Nas suas qualidades de divindades da criação e da cabaça, Odudúa é como Obatalá uma divindade funfun, e suas sacerdotisas vestem-se de branco. As palavras de Obatalá transformam-se imediatamente em realidade. Obatalá é o Orixá que representa o ar e as águas frias e imóveis do início do mundo. Controla a formação de novos seres, é o senhor dos vivos e dos mortos, preside o nascimento, a iniciação e a morte. Foi ele quem deu a palavra ao homem, mas durante suas festas não se fala. Tudo é silêncio, pois a palavra é dele. Obatalá é quem rege tudo o que é branco, representando a pureza por excelência.  Obatalá representa a energia da claridade, a estabilidade mental. É o Orixá que é fonte de tudo que é puro, sábio, aprazível e compassivo. Mas apesar de toda a sua pureza, tem também seu aspecto guerreiro, por meio do qual impõem justiça ao mundo. Ele representa as leis, a procriação de tudo o que tem vida na Terra e é a divindade da paz e da verdadeira justiça para com os homens, pois é o único que nos julga de forma consciente.
Uma lenda nos conta que fazia muito tempo que Obatalá admirava a inteligência de Orumilá. Em mais de uma ocasião Obatalá pensou em entregar a Orumilá o governo do mundo. Pensou em entregar-lhe o governo dos segredos que dirigem o mundo e a vida dos homens. Mas quando refletia sobre o assunto acabava desistindo pois Orumilá, apesar da seriedade de seus atos, era muito jovem para missão tão importante. Um dia, Obatalá quis saber se Orumilá era tão capaz quanto aparentava e lhe ordenou que preparasse a melhor comida que pudesse ser feita. Orumilá preparou uma língua de touro e Obatalá comeu com prazer. Obatalá então, perguntou a Orumilá por qual razão língua era a melhor comida que havia. Orumilá respondeu: “Com a língua se concede axé, se ponderam as coisas, se proclama a virtude, se exaltam as obras e com seu uso os homens chegam à vitória”. Após algum tempo, Obatalá pediu a Orumilá para preparar a pior comida que houvesse. Orumilá lhe preparou a mesma iguaria, língua de touro. Surpreso, Obatalá lhe perguntou como era possível que a melhor comida que havia fosse agora a pior. Orumilá respondeu: “Porque com a língua se caluniam as pessoas, se destrói a boa reputação e se cometem as mais repudiáveis vilezas”. Obatalá ficou maravilhado com a inteligência e precocidade de Orumilá e nesse momento entregou a Orumilá o governo dos segredos. Orumilá foi nomeado babalawó, palavra que na língua dos Orixás quer dizer "Pai do segredo".
Umbanda

Certo dia Iansã, Oxum e Iemanjá resolveram ir juntas ao mercado de Oyó fazer compras. Lá chegando, tomaram conhecimento das novidades trazidas pelos mercadores como tecidos, contas e especiarias diversas. Nesse instante, Bará chega no mercado trazendo uma cabra. Ele pára e observa de longe as três mulheres conversando animadamente, e resolve fazer uma prova entre elas, o que constitui uma de suas características. Aproxima-se das três dizendo: "Eu vou deixar a cidade para um importante negócio com meu amigo Orumilaia. Assim, eu lhes peço que vendam minha cabra e em troca eu darei a vocês metade do valor. Como o preço são vinte búzios, eu darei dez para vocês e dez ficarão para mim". Elas aceitaram e Bará partiu. Logo a cabra foi vendida por vinte búzios. Elas separaram dez búzios para Bará e começaram a dividir os dez restantes entre elas.
Iemanjá iniciou a divisão. Ficaram três búzios para cada uma delas, mas sobrou um. Iansã então, tomou a iniciativa. Fez três pilhas e em cada uma colocou três búzios, porém da mesma forma sobrou um. Depois disto foi a vez de Oxum, mas continuava sobrando um. E as três começaram a discutir acerca de quem poderia pegar a porção maior. Iemanjá dizia: "É justo que a mais velha deva pegar a porção maior. Portanto, eu ficarei com o búzio extra." Oxum replicou: "Não, onde eu nasci, nas terras de Oxogbo, diz-se que o mais novo é sempre tratado com mais generosidade. Assim, o búzio extra deverá ser meu." Até que Iansã tomou a palavra: "O assunto está em disputa. Tem-se dito que, nesses casos de disputas entre os mais velhos com os mais novos, a maior porção deverá ir para aquele que está entre os dois lados. Em Irá, de onde eu vim, é assim que se faz. Portanto, o búzio que está sobrando deve ser meu." E a discussão se acentuou. Como não conseguiram chegar a uma conclusão, pediram a um homem do mercado fazer a divisão. Ele disse: "Dez não pode ser dividido em três partes iguais. Sempre sobra um. Quem merece ficar com ele? De acordo com o que eu tenho escutado, é a pessoa mais velha, porque é mais antiga no mundo e, consequentemente, a que tem sofrido mais do que as outras. A minha conclusão é de que o búzio deve ser dado à pessoa mais velha dentre vocês". Iansã e Oxum rejeitaram seus conselhos e recusaram dar à Iemanjá  a parte maior. Outra pessoa foi convidada a fazer a divisão dos búzios. Começou a contá-los e disse: "Não existe maneira de fazer esta divisão. Sempre sobrará um búzio. Quem deve ficar com ele? Penso que, numa situação desta natureza, a pessoa mais nova é que deve ser a favorecida, porque os jovens estão no mundo há pouco tempo e têm recebido menos benefícios que os outros. Os mais novos são empurrados de lado nos grandes movimentos, os caçadores jovens andam sempre atrás, e as esposas mais jovens têm a vida mais árdua. Por isso, quando surge uma divisão desigual, a pessoa mais jovem merece a vantagem". Iemanjá e Iansã não concordaram. Disseram: "Nós nunca ouvimos tal afirmação. Não podemos aceitar isso". Um outro homem foi chamado entre aqueles que estavam no mercado. Contou os búzios, separou três a três, deixando o último búzio à parte, e falou: "Diz-se que a pessoa mais velha deve pegar a porção extra, enquanto outros dizem que é a mais jovem que deve receber a porção maior. Assim, creio que nem para a mais velha, nem para a mais nova, mas sim para aquela que estiver entre as duas. Iansã é mais velha que Oxum e mais nova que Iemanjá. Deste modo ela apresenta as condições ideais. Deem a ela o búzio extra". Mas Iemanjá e Oxum não aceitaram seus conselhos e se recusaram a dar o búzio para Iansã, continuando a divisão sem solução, até que a discussão entre todos se tornou mais acirrada. Neste instante chegou Bará. Aproximou-se das três e perguntou onde estava a parte dele da venda da cabra. Elas lhe entregaram os dez búzios e, ao mesmo tempo, pediram o seu conselho para a divisão entre elas, em partes iguais. Bará ficou alguns instantes pensativo e, depois, tomou em suas mãos os dez búzios, separou três e deu à Iemanjá, mais três e entregou à Iansã, e os outros três deu para Oxum. Ficando com o décimo búzio em sua mão, ajoelhou-se e fez um pequeno buraco no chão, colocando nele o búzio. Depois o cobriu com a terra e disse: "Este búzio é para os ancestrais, senhores da terra e deve ser enterrado porque o solo é a morada das divindades. No orum era assim que fazíamos. Sempre que alguém recebia algo bom, devia se lembrar daqueles que o haviam antecedido. Quando as colheitas são trazidas dos campos, a primeira divisão deve ser dada sempre para os ancestrais. Quando se realiza uma festa, uma porção deve ser separada para os ancestrais. Assim também com o dinheiro. Quando ele vem até nós, devemos dar parte aos ancestrais. Esta é a maneira que fazíamos no orum e que deveria ser feita também aqui na terra. Vocês deveriam ter lembrado disto em vez de disputar o búzio que sobrava da divisão". Iemanjá, Iansã e Oxum ouviram atentamente o que Bará acabara de dizer e admitiram que ele estava certo, concordando em aceitar os três búzios. Por causa do que aconteceu no mercado de Oyó, o povo, daquele dia em diante, passou a dar uma parte aos ancestrais todas as vezes que faziam as colheitas novas ou recebiam fortunas inesperadas.
Obá vivia em companhia de Oxum e Iansã, no reino de Oyó, como uma das esposas de Xangô, dividindo a preferência do reverenciado Rei. Obá percebia o grande apreço que Xangô tinha por Oxum, que mimosa e dengosa, atendia sempre a todas as preferencias do Rei, sempre servindo e agradando aos seus pedidos. Ela resolveu então, perguntar para Oxum qual era o grande segredo que ela tinha, para que levasse a preferencia do amor de Xangô, uma vez que Iansã andava sempre com o Rei em batalhas e conquistas de reinados e terras, pelo seu gênio guerreiro e corajoso e Obá era sempre desprezada e deixada por último na lista das esposas de Xangô. Oxum então, matreira e esperta, falou que seu segredo era em como preparar o amalá de Xangô, principal comida do Rei. Obá, como uma menina ingênua, escutou e registrou todos os ingredientes que Oxum falava e que eram de extrema importância para a realização de tal culinária, sendo que por fim, Oxum falou que além de tudo isso, tinha cortado e colocado uma de suas orelhas na mistura do amalá para enfeitiçar Xangô, sendo que nesse momento ela usava um pano amarrado a cabeça, escondendo suas orelhas. Obá agradeceu a sinceridade e em grande sinal de amor pelo seu Rei, preparou um grande amalá, e por fim cortou uma de suas orelhas colocando na mistura e oferecendo à Xangô como gesto de seu sublime amor. Xangô ao receber a comida, percebeu a orelha de Obá na mistura, e bravejou e gritou.Continuava então a guerra entre Oxum e Obá, só que agora muito mais séria, Xangô como não aguentava mais tanta discussão, resolve matar ambas, que saem correndo pelo mato, transformando-se em rios. E hoje nota-se que o encontro entre os rios Oxum e Obá, na África, são revoltos.
Ifá foi consultado por Orumilá que estava partindo da terra para o céu indo apanhar todas as folhas. Quando Orumilá chegou ao céu Olódùmaré disse: - Eis todas as folhas que queria pegar. O que fará com elas? Orumílá respondeu que iria usá-las para beneficio dos seres humanos, e todas as folhas que ele estava pegando, ele carregaria para a Terra. Quando chegou no meio do caminho entre o céu e a terra, ele encontrou Ossanhe e perguntou: - Ossanhe onde vai? -Vou ao céu, vou buscar folhas e remédios. Orumilá disse que já havia ido buscar as folhas no céu e ele poderia fazer remédios com elas, porém não conhecia seus nomes. Foi Orumilá quem deu nome a todas as folhas, e disse pra Ossanhe que carregasse todas as folhas para a terra. Foi assim que Orumilá entregou todas as folhas para Ossanhe e também ensinou a ele o nome das folhas apanhadas junto com todo o poder delas, o qual ele guardava em uma cabaça pendurada em um galho de árvore.  Um dia Xangô se queixou a sua mulher Iansã, que só Ossanhe conhecia o segredo de cada uma das folhas e que os demais Orixás estavam no mundo sem possuir nenhuma planta. Iansã levantou sua saia e agitou-a, um vento violento começou a soprar e derrubou a cabaça de Ossanhe no chão quebrando-a.
Ele, ao perceber o que aconteceu, gritou: -Ewê Ô! (Oh! As folhas! As Folhas!), mas não pôde impedir que os demais Orixás pegassem as folhas e as dividisse entre eles. Porém os Orixás não tinham o conhecimento das ervas e até hoje precisam de Ossanhe para usá-las em seus rituais, ficando seu segredo a salvo.

29 de julho de 2013

Conta-se que Odé era irmão de Ogum e de Bará, todos os três filhos de Iemanjá. Bará era indisciplinado e insolente com sua mãe e por isso ela o mandou embora. Os outros dois filhos se conduziam melhor. Ogum trabalhava no campo e Odé caçava na floresta das vizinhanças, de modo que a casas estava sempre abastecida de produtos agrícolas e de caça. Iemanjá, no entanto, andava inquieta e resolveu consultar um babalaô. Este lhe aconselhou proibir que Odé saísse à caça, pois se arriscava a encontrar Ossanhe, aquele que detém o poder das plantas e que vivia nas profundezas da floresta. Odé ficaria exposto a um feitiço de Ossanha para obrigá-lo a permanecer em sua companhia. Iemanjá exigiu então, que Odé renunciasse a suas atividades de caçador. Este, porém, de personalidade independente, continuou sua incursões à floresta. Ele partia com outros caçadores, e como sempre faziam, uma vez chegados junto a uma grande árvore (ìrokò), separavam-se, prosseguindo isoladamente, e voltavam a encontrar-se no fim do dia e no mesmo lugar. Certa tarde, Odé não voltou para o reencontro, nem respondeu aos apelos dos caçadores. Ele havia encontrado Ossanhe e este lhe dera para beber uma poção onde foram maceradas certas folhas, como amúnimúyè, cujo nome significa "apossa-se de uma pessoa e de sua inteligência", o que provocou em Odé uma amnésia. Ele não sabia mais quem era nem onde morava. Ficou, então, vivendo na mata com Ossanhe, como predissera o babalaô. Ogum, inquieto com a ausência do irmão, partiu à sua procura, encontrando-o nas profundezas da floresta. Ele o trouxe, mas Iemanjá não quis receber o filho desobediente. Ogum revoltado pela intransigência materna recusou-se a continuar em casa. Odé voltou para a companhia de Ossanhe, e Iemanjá desesperada por ter perdido seus filhos, transformou-se num rio, chamado Ògùn (não confundir com Ogum Orixá).

Iyá Mi Oxorongá - As feiticeiras

Donas de um axé tão poderoso como o de qualquer Orixá, as Iyá Mi tiveram o seu culto difundido por sociedades secretas de mulheres e são as grandes homenageadas no famoso festival Gèlèdè na Nigéria em louvor ao poder feminino ancestral, onde os homens se vestem de mulher e usam máscaras com características femininas, dançam para acalmar a ira e manter, entre outras coisas, a harmonia entre o poder masculino e o feminino. Os assentamentos das Iyá Mi ficam juntos as grandes árvores e geralmente são enterrados, mostrando a sua relação com os ancestrais, sendo também uma nítida representação do ventre. As Iyá Mi tornaram-se conhecidas como as senhoras dos pássaros e a sua fama de grandes feiticeiras associou-as à escuridão da noite; por isso também são chamadas Eleyé, e as corujas são os seus principais símbolos. Iyá Mi é a sacralização da figura materna, por isso o seu culto é envolvido por tantos tabus. O seu grande poder deve-se ao fato de guardar o segredo da criação. Tudo o que é redondo remete ao ventre e, por consequência, às Iyá Mi. As denominações de Iyá Mi expressam as suas características terríveis e mais perigosas e por essa razão os seus nomes nunca devem ser pronunciados, porém quando se disser um dos seus nomes, todos devem fazer reverencias especiais para aplacar a ira das Grandes Mães e, principalmente, para afugentar a morte. Quando devidamente cultuadas, manifestam-se apenas no seu aspecto benfazejo, não podendo, porém, serem esquecidas. Nesse caso, lançam todo o tipo de maldição e tornam-se senhoras da morte. Iyá Mi Oxorongá é a dona da barriga e não há quem resista aos seus ebós fatais, sobretudo quando ela executa o Ojiji, o feitiço mais terrível. Com Iyá Mi todo cuidado é pouco, ela exige o máximo respeito. A pena da coruja é utilizada em ritos das Iyá Mi, na finalidade de obter proteção contra os perversos espíritos da noite, ameaças e inveja. É este pássaro quem leva os feitiços até seus destinos. Ele é pássaro bonito e elegante, pousa suavemente nos tetos das casas, nos galhos das árvores, e é silencioso. Se as Iyá Mi dizem que é pra matar, eles matam, se elas dizem pra levarem os intestinos de alguém, levarão. Iyá Mi na forma de pássaro, a coruja rasgadeira, pousa nas árvores durante a noite, principalmente na jaqueira. Contam os antigos africanos que quando a coruja rasgadeira sobrevoa fazendo seu ruído característico ou aproxima-se de uma casa é porque alguém vai morrer. Conta a lenda que nos primórdios da criação, Olodumaré mandou vir ao aiyê três divindades: Ogum, deus do ferro, Obarixá senhor da criação dos homens e Odu, a única mulher entre eles. Todos eles tinham poderes, menos ela, que se queixou então a Olodumaré. Este lhe outorgou o poder do pássaro contido numa cabaça, e e ela se tornou então, através do poder emanado de Olodumarê, Ìyáwon, nossa mãe para eternidade, também chamada de Iyá Mi Oxorongá. Mas Olodumaré a preveniu de que deveria usar este grande poder com cautela, sob pena de ele mesmo repreendê-la. Porém ela abusou do poder do pássaro. Preocupado e humilhado, Obarixá foi até Orumilá fazer o jogo de Ifá, e ele o ensinou como conquistar, apaziguar e vencer Odu, através de sacrifícios, oferendas e astúcia. Obarixá e Odu foram viver juntos. Ele então lhe revelou seus segredos e, após algum tempo, ela lhe contou os seus, inclusive que adorava Egun, mostrando-lhe sua roupa, o qual não tinha corpo, rosto nem tampouco falava e juntos eles adoraram Egun. Aproveitando um dia que Odu saiu de casa, Obarixá modificou e vestiu a roupa de Egun que foi à cidade e falou com todas as pessoas. Quando Odu viu Egun andando e falando, percebeu que foi Obarixá quem tornou isto possível. Ela reverenciou e prestou homenagem a Egun e a Obarixá, conformando-se com a supremacia dos homens e aceitando para si a derrota. Ela mandou então seu poderoso pássaro pousar em Egun, e lhe outorgou o poder: tudo o que Egun disser acontecerá. Odu retirou-se para sempre do culto de Egungun. O conjunto homem-mulher dá vida a Egun, a ancestralidade, mas restringe seu culto aos homens, os quais, todavia, prestam homenagem às mulheres, castigadas por Olodumaré através dos abusos de Odu. 

Títulos das Iyá Mi

Agba: Mãe ancestral associada ao poder feminino
Ajé: Mãe administradora do poder sobrenatural. Este devido ao seu culto que é realizado na lua nova e utiliza de poderes sobrenaturais para combater a agressividade e o feitiço
Ako: Mãe que é o pássaro Ako. Título referente ao 3º dia da lua cheia e a seu culto na sociedade das Geledés. Título de quem assume o posto de primeira dama desta sociedade
Alaiye: Mãe proprietária de toda extensão terrestre
Apaki: Poderosa mãe que mata. Uma referência ao fato que ao decorrer da vida acontece a morte
Araiye: Mãe que controla todos os espíritos da terra, encarnados e desencarnados
Arajado: Mãe que olha para o céu. Uma referencia ao fato da terra estar coberta pelo céu
Asiwòró: Mãe canalizadora das energias nos ritos tradicionais
Ayala: Mãe esposa daquele que é o céu
Buruku: Poderosa mãe antiga. Uma referência ao planeta na sua antiguidade existencial
Egeleju: Mãe dos olhos delicados
Ekunlaiye: Mãe que inunda a terra com água
Eleje: Mãe proprietária do fluxo da vida o sangue
Elesenu: Mãe proprietária de todos os órgãos internos, vísceras
Eleye: Mãe proprietária dos pássaros
Ilunjó: Mãe que dança o ritmo da morte
Iya-Ori: Mãe das cabeças,uma alusão ao fato de está relacionada aos rituais de sacrifício animal sobre uma cabeça. Titulo que é também cultuada nos ritos de bori
Iyelala: Mãe senhora dos sonhos, relacionada a revelação de situações através de sonhos
Kekere: Mãe pequena do universo. Uma referência ao fato de Iyá Mi ser a administradora da vida na auxiliando Olodunmaré
Koko: Mãe anciã, uma referência à antiguidade do planeta
Logboje: Cabaça existencial no universo, uma referência ao planeta terra 
Malè: Poderosa mãe que não permite o mal chegar na noite, uma alusão as noites que sobrevoa na sua forma de pássaro nos lugares em que é invocada e reverenciada com louvores e saudações. Título este muito reverenciada nas rodas de Xangô e Egungun enquanto dançam em volta da fogueira ao ar livre, fato memorável ao poder sobrenatural que possibilita  Xangô como o grande Egungun ancestral voltar à terra possuindo seus Eleguns durante as festividades.
Naré: Poderosa como o próprio ventre
N'la: Grande Mãe, uma referência à grandeza do planeta terra e seu culto elementar
Oduwà: Mãe proprietária do recipiente da existência, o mundo
Oga Igi: Mãe que faz o alto das árvores de trono. Uma referência ao fato dos pássaros pousarem no cume das grandes árvores
Oloriyàmi: Mãe proprietária das águas, referência aos mares e a água do útero
Olotojú: Mãe que espia do alto ao fato dos pássaros pairarem no ar e observarem tudo de cima
Omolulu: Mãe rainha das formigas, ao fato de estar associada ao subsolo, título este em que é também cultuada no culto de Obaluaiê
Onilé: Mãe proprietária da terra, referente a reverência e aos rituais realizados dentro da terra. Outra referencia é o fato de ser o lugar mais próprio de se cultuar toda classe de espíritos, na qual ela é a grande apaziguadora desses espíritos ou forças rebeldes
Oru-Alé: Mãe da madrugada e da noite
Osupa: Mãe que controla as forças da lua
Oxorongá: Está sempre encolerizada e sempre pronta a desencadear sua ira contra os seres humanos. Está sempre irritada, seja ou não maltratada, esteja em companhia numerosa ou solitária, quer se fale bem ou mal dela, ou até mesmo que não se fale, deixando-a assim num esquecimento desprovido de glória. Tudo é pretexto para que Iyá Mi se sinta ofendida.
Petekun: Mãe que é povoada, uma referência a relação com Bará

Havia uma linda moça no palácio de Obatalá que estava pronta para casar.
Ogum, Ossanhe e Orumilá estavam interessados nela. Obatalá consentiu em dar sua mão em casamento ao admirador que provasse ser merecedor da mesma. A tarefa a ser cumprida era colher um tubérculo de inhame da fazenda divina sem quebrá-lo. Ogum foi o primeiro voluntário a realizar a tarefa. Ele foi à fazenda e desenraizou o tubérculo. Tão logo ele o puxou, quebrou-se, o que logicamente descartava a sua candidatura. Ossanhe foi o próximo a tentar sua sorte e também passou pela mesma experiência. Foi a vez de Orumilá ir até a fazenda, porém ele não se direcionou diretamente para lá. Ele decidiu descobrir porque aqueles que tentaram antes dele falharam e o que fazer para ser bem sucedido. Ele consultou o oráculo e durante a consulta foi informado do que acontecia: Obatalá tinha nomeado as anciãs da noite para zelar pela fazenda. Eram elas portanto, as responsáveis pelos inhames mágicos arrancados se quebrarem. Ele foi recomendado a fazer um banquete para elas com àkarà, ekó, todos os itens de coisas comestíveis e um grande coelho e deveria servir o banquete na fazenda à noite. Naquela noite todas as guardiãs da fazenda divina banquetearam-se com a comida e Orumilá teve um sonho no qual as feiticeiras enviaram alguém para lhe dizer para não ir a fazenda no dia seguinte. Ele deveria ir um dia depois. No dia seguinte elas fizeram a chuva cair pesadamente sobre o solo a fim de amolecê-lo.
Depois disto todas as feiticeiras fizeram um juramento solene de não encantar o inhame de Orumilá a quebrar. Ao terceiro dia Orumilá foi à fazenda e arrancou o inhame com sucesso e o entregou a Obatalá, que instantaneamente cedeu a moça para ele em casamento. Apenas Orumilá, que nunca se lança em algo sem pensar bem antes de agir, sabia que era apenas acalmando e conquistando a confiança das feiticeiras que ele poderia pegar o que ele queria. 
A feiticeira e a mortal vieram como irmãs no mundo ao mesmo tempo. A mortal teve dez filhos enquanto a feiticeira teve apenas um. Um dia a mortal estava indo ao único mercado disponível naquele tempo. Estava situado na fronteira entre o céu e a terra. Os habitantes do céu e da terra o usavam para comércio comum, de modo que a leiga indo ao mercado, pediu à feiticeira que cuidasse dos seus dez filhos durante sua ausência. A feiticeira tomou conta muito bem dos dez filhos da mortal e nada aconteceu a nenhum deles. Então foi a vez da feiticeira ir ao mercado. Seu nome então era Iyá Mi Oxoronga e pediu para sua irmã cuidar de seu único filho durante sua ausência. Enquanto ela estava fora, as dez crianças da mortal sentiram vontade de matar um passarinho para comerem. OgbOrí falou a suas crianças que se eles quisessem a carne de um passarinho, ela iria ao mato buscar um para comerem, mas que eles não deveriam tocar no único filho da feiticeira. Enquanto a mãe foi ao mato, suas dez crianças juntaram-se e mataram o único filho da feiticeira e assaram sua carne para comer. À medida que as dez crianças de OgbOrí assassinavam o filho da feiticeira, o poder sobrenatural deu a ela um sinal de que nada estava bem em casa. Ela rapidamente abandonou as compras no mercado e retornou para casa apenas para descobrir que seu filho tinha sido assassinado. Ela não conseguia compreender nada, porque sua irmã foi ao mercado e ela foi bem sucedida cuidando das dez crianças sem nenhum transtorno, mas quando foi sua vez de ir ao mercado, sua irmã negligenciou seu único filho. Ela chorou amargamente e decidiu abandonar a casa aonde viveu com sua irmã. Elas tinham um irmão com o qual elas vieram ao mundo ao mesmo tempo, mas que preferiu morar no meio da floresta, porque ele não desejava ser incomodado por ninguém. Quando Irókò ouviu a feiticeira chorando, ele a convenceu a revelar o que estava acontecendo, e ela lhe contou como os filhos de sua irmã OgbOrí assassinaram o seu único filho, sem sua mãe ser capaz de impedi-los. Irókò consolou-a e lhe garantiu que a partir daí ele se alimentariam dos filhos de OgbOrí. Foi a partir daí que, com o auxílio de Irókò, a feiticeira começou a picar as crianças de OgbOrí uma após a outra. Orumilá interferiu para impedir a feiticeira de destruir todas as crianças, apelando a Irókò e a feiticeira que parassem com os assassinatos dos filhos dos mortais. É deste modo que Orumilá introduziu o sacrifício Ètutu de oferendas às senhoras da noite, o qual envolvia um coelho, ovos, fartura de óleo e outros itens comestíveis. 
Nos primórdios da criação, Olodumaré mandou vir ao aiyê três divindades: Ogum, deus do ferro, Obarixá senhor da criação dos homens e Odu, a única mulher entre eles. Todos eles tinham poderes, menos ela, que se queixou então a Olodumaré. Este lhe outorgou o poder do pássaro contido numa cabaça, e e ela se tornou então, através do poder emanado de Olodumarê, Ìyáwon, nossa mãe para eternidade, também chamada de Iyá Mi Oxorongá. Mas Olodumaré a preveniu de que deveria usar este grande poder com cautela, sob pena de ele mesmo repreendê-la. Porém ela abusou do poder do pássaro. Preocupado e humilhado, Obarixá foi até Orumilá fazer o jogo de Ifá, e ele o ensinou como conquistar, apaziguar e vencer Odu, através de sacrifícios, oferendas e astúcia. Obarixá e Odu foram viver juntos. Ele então lhe revelou seus segredos e, após algum tempo, ela lhe contou os seus, inclusive que adorava Egun, mostrando-lhe sua roupa, o qual não tinha corpo, rosto nem tampouco falava e juntos eles adoraram Egun. Aproveitando um dia que Odu saiu de casa, Obarixá modificou e vestiu a roupa de Egun que foi à cidade e falou com todas as pessoas. Quando Odu viu Egun andando e falando, percebeu que foi Obarixá quem tornou isto possível. Ela reverenciou e prestou homenagem a Egun e a Obarixá, conformando-se com a supremacia dos homens e aceitando para si a derrota. Ela mandou então seu poderoso pássaro pousar em Egun, e lhe outorgou o poder: tudo o que Egun disser acontecerá. Odu retirou-se para sempre do culto de Egungun. O conjunto homem-mulher dá vida a Egun, a ancestralidade, mas restringe seu culto aos homens, os quais, todavia, prestam homenagem às mulheres, castigadas por Olodumaré através dos abusos de Odu. 
Xangô era um grande Rei, muito temido e respeitado. Gostava de exibir sua bela figura, pois era um homem muito vaidoso e adorava mostrar seus poderes de feiticeiro, sempre experimentando sua força. Em certa ocasião, Xangô estava no alto de uma montanha, testando seus poderes. Em altos brados, evocava os raios, desafiando essas forças poderosas. Sua voz era o próprio trovão, provocando um barulho ensurdecedor. Ninguém conseguia entender o que Xangô pretendia com essa atitude, ficando ali por muito tempo, impaciente por não obter resposta. De repente, o céu se iluminou e os raios começaram a aparecer. As pessoas ficaram impressionadas com a beleza daquele fenômeno, mas, ao mesmo tempo, estavam apavoradas, pois nunca tinham visto nada parecido. Xangô, orgulhoso de seu extremo poder, ficou extasiado com o acontecimento. Não parava de proferir palavras de ordem, querendo que o espetáculo continuasse. Foi, então, que, do alto de sua vaidade, viu a situação fugir ao seu controle. Tentou voltar atrás, implorando aos céus que os raios, que cortavam a Terra como poderosas lanças, desaparecessem. Mas era impossível - a natureza havia sido desafiada, desencadeando forças incontroláveis!
Xangô correu para sua aldeia, assustado com a destruição que provocara.
Quando chegou perto do palácio, viu o erro que cometera. A destruição era total e, para piorar a situação, todos os seus descendentes haviam morrido. Ao ver que o rei estava muito perturbado, seu próprio povo tentou consolá-lo com a promessa de reconstruir a cidade, fazendo tudo voltar ao que era antes. Xangô, sem dar ouvidos a ninguém, foi embora da cidade. Ele não suportou tanta dor e injustiça, retirando-se para um lugar afastado, para acabar com sua vida. O rei enforcou-se numa gameleira. Iansã, quando soube da morte de seu marido, chorou copiosamente, formando o rio Niger. Ela, que tinha conhecimento do reino dos eguns, foi até lá para trazer seu companheiro da morte, que veio envolto em panos brancos e com o rosto coberto por uma máscara de madeira, pois não podia ser
reconhecido por Ikú, o Senhor da Morte. Xangô ressurge dos mortos, tornando-se um ser encantado. 

25 de julho de 2013


Oxaguiã estava em guerra, mas a guerra não acabava nunca, tão poucas eram as armas para guerrear. Ogum fazia as armas, mas fazia lentamente. Oxaguiã pediu a seu amigo Ogum urgência, mas o ferreiro já fazia o possível. O ferro era muito demorado para se forjar e cada ferramenta nova tardava como o tempo. Tanto reclamou Oxaguiã que Iansã, esposa do ferreiro, resolveu ajudar Ogum a apressar a fabricação. Iansã se pôs a soprar o fogo da forja de Ogum e seu sopro avivava intensamente o fogo, consequentemente aumentado derretia o ferro mais rapidamente. Logo Ogum pode fazer muitas armas e com as armas Oxaguiã venceu a guerra e veio então agradecer Ogum. Mas na casa de Ogum, enamorou-se de Iansã. Um dia fugiram Oxaguiã e Iansã, deixando Ogum enfurecido e sua forja fria. Quando mais tarde Oxaguiã voltou à guerra e quando precisou de armas muito urgentemente, Iansã teve que voltar a avivar a forja. E lá da casa de Oxaguiã, onde vivia, Iansã soprava em direção à forja de Ogum. E seu sopro atravessava toda a terra que separava a cidade de Oxaguiã da de Ogum. E seu sopro cruzava os ares e arrastava consigo pó, folhas e tudo o mais pelo caminho, até chegar às chamas com furor. E o povo se acostumou com o sopro de Iansã cruzando os ares e logo o chamou de vento. E quanto mais a guerra era terrível e mais urgia a fabricação das armas, mais forte ela soprava a forja de Ogum. Tão forte que às vezes destruía tudo no caminho, levando casas, arrancando árvores, arrasando cidades e aldeias. O povo reconhecia o sopro destrutivo de Iansã e o povo chamava a isso tempestade.

24 de julho de 2013

Obaluaê

Ogum lutava sem cessar contra os reinos vizinhos. Ele trazia sempre um rico espólio em suas expedições, além de numerosos escravos. Todos estes bens conquistados, ele entregava a Odúduá, seu pai, rei de Ifé. Ogum continuou suas guerras. Durante uma delas, ele tomou Irê e matou o rei, Onirê e o substituiu pelo próprio filho, conservando para si o título de Rei. Após instalar seu filho no trono, Ogum voltou a guerrear por muitos anos. Quando voltou a Irê, após longa ausência, ele não reconheceu o lugar. Por infelicidade, no dia de sua chegada, celebrava-se uma cerimônia, na qual todo mundo devia guardar silêncio completo. Ogum tinha fome e sede. Ele viu as jarras de vinho de palma, mas não sabia que elas estavam vazias. O silêncio geral pareceu-lhe sinal de desprezo. Ogum, cuja paciência é curta, encolerizou-se. Quebrou as jarras com golpes de espada e cortou a cabeça das pessoas. A cerimônia tendo acabado, apareceu, finalmente, o filho de Ogum e ofereceu-lhe seus pratos prediletos: caracóis e feijão, regados com dendê, tudo acompanhado de muito vinho de palma. Ogum, arrependido e calmo, lamentou seus atos de violência, e disse que já vivera bastante, que viera agora o tempo de repousar. Ele baixou, então, sua espada e desapareceu sob a terra. Ogum tornara-se um Orixá.

23 de julho de 2013

Uma das lendas bastante conhecida de Bará conta como ele semeou a discórdia entre dois amigos que estavam trabalhando em campos vizinhos. Ele colocou um boné vermelho de um lado e branco do outro e passou ao longo de um caminho que separava os dois campos. Ao fim de alguns instantes, um dos amigos fez alusão a um homem de boné vermelho; o outro retrucou que o boné era branco e o primeiro voltou a insistir, mantendo a sua afirmação; o segundo permaneceu firme na retificação. Como ambos eram de boa fé, apegavam-se a seus pontos de vista, sustentando-os com ardor, e logo depois com cólera. Acabaram lutando corpo a corpo e mataram-se um ao outro.


No principio de tudo, quando não havia separação entre o orún e o aiyê, Obatalá e Odudúa viviam juntos dentro de uma cabaça.Viviam extremamente apertados um contra o outro, Odudua em baixo e Obatalá em cima. Eles tinham sete anéis que pertenciam aos dois. A noite eles colocavam os anéis: aquele que dormia por cima sempre colocava quatro anéis e o que ficava em baixo colocava os três restantes. Um dia Odudúa, deusa da terra, quis dormir por cima para poder usar nos dedos quatro anéis, mas Obatalá, o deus do céu não aceitou. Tal foi a luta que travaram os dois lá dentro que a cabaça acabou por se romper em duas metades, separando-se assim o céu da terra. Por isso existe a distância entre o céu e a terra, para que não haja mais briga.
Nos primórdios, Olorúm concedeu a Odudúa total poder sobre o universo e os demais Orixás, entregando-lhe simbolicamente uma cabaça e um pássaro de metal, mas Odudúa passou a reinar de forma cruel e por qualquer motivo mandava arrancar os olhos e o coração das criaturas. Oludamaré preocupado, tirou parte do poder de Odudúa e entregou a Oxalá, restabelecendo a justiça e a misericórdia.



Odudúa

Odudúa é uma divindade complicada, polêmica. Alguns sugerem ser um Orixá feminino, a esposa de Oxalá, rainha da terra. Outros classificam como sendo uma qualidade do próprio Oxalá. Ainda há quem diga que Odudúa é irmão de Oxalá. O que ocorre é uma confusão entre a divindade feminina Odudúa com o ancestral iorubano divinizado Odudúa, que é considerado, em território africano, como sendo uma forma humana da deusa Odudúa, ou seja, o guerreiro legendário e a deusa Odudúa seriam as mesmas pessoas. Ao lado de Obatalá, Odudúa forma o casal primordial e propulsor da criação. Cada um foi incumbido de determinadas funções no papel da criação do universo incluindo o mundo em que vivemos. Conta uma lenda, que nos primórdios, Olorúm concedeu a Odudúa total poder sobre o universo e os demais Orixás, entregando-lhe simbolicamente uma cabaça e um pássaro de metal, mas Odudúa passou a reinar de forma cruel e por qualquer motivo mandava arrancar os olhos e o coração das criaturas. Oludamaré preocupado, tirou parte do poder de Odudúa e entregou a Oxalá, restabelecendo a justiça e a misericórdia.


Outra lenda diz que no principio de tudo, quando não havia separação entre o orún e o aiyê, Obatalá e Odudúa viviam juntos dentro de uma cabaça. Viviam extremamente apertados um contra o outro, Odudua em baixo e Obatalá em cima. Eles tinham sete anéis que pertenciam aos dois. A noite eles colocavam os anéis: aquele que dormia por cima sempre colocava quatro anéis e o que ficava em baixo colocava os três restantes. Um dia Odudúa, deusa da terra, quis dormir por cima para poder usar nos dedos quatro anéis, mas Obatalá, o deus do céu não aceitou. Tal foi a luta que travaram os dois lá dentro que a cabaça acabou por se romper em duas metades, separando-se assim o céu da terra. Por isso existe a distância entre o céu e a terra, para que não haja mais briga.
No princípio dos tempos existiam dois mundos: o orún, espaço sagrado dos Orixás, e o aiyê, espaço dos seres vivos. No aiyê primitivo só existia água. Um dia Olodumaré resolveu recriar o espaço para a humanidade que também criaria. Incumbiu, então, seu filho primogênito, Orixanilá (o nome mais sagrado de Oxalá) da execução dessa tarefa. Entregou-lhe uma cabaça contendo ingredientes especiais: a terra escura inicial, a galinha de cinco dedos, uma pomba e um camaleão. A terra escura deveria ser lançada sobre a imensidão das águas. A galinha de cinco dedos deveria ir ciscando a terra para alargá-la o mais que pudesse. A pomba, ao voar, orientaria a extensão da terra expandida e criaria o ar. E o camaleão, atento a tudo, observaria a execução da tarefa atribuída a Orixanilá, para reportar os fatos a Olodumaré. Assim foi explicado e, com seu opaxorô e a cabaça da criação, Orixanilá iniciou sua caminhada do orún para o aiyê. Passou por Bará e não pagou as oferendas devidas, mesmo tendo consultado Ifá e sabendo que devia fazê-lo. Em conseqüência disso, no meio do caminho Orixanilá sentiu-se cansado e com sede. Parou para descansar, bebeu um pouco de vinho da palmeira do dendezeiro e, embriagado, adormeceu. Seu irmão caçula, Odudúa, tendo-o seguido, recolheu a cabaça da criação e levou a notícia do ocorrido a seu pai, Olodumaré, pedindo a ele que o deixasse cumprir pelo irmão aquela tarefa de grande importância. Olodumaré concordou e, enquanto Orixanilá dormia, Odudúa criou a terra dos seres vivos. Depois de a galinha ciscar a terra, a pomba orientar a expansão do ar e o camaleão, que deu origem ao elemento fogo, verificar se a tarefa fora cumprida, surgiu a terra firme ou Ilê Ifé = terra que foi sendo ciscada. Orixanilá então, vendo o mundo pronto, mostrou-se arrependido do seu ato de irresponsabilidade perante o pai. E, para que não se sentisse tão humilhado, Olodumaré resolveu, em um supremo ato de inspiração, dar a Orixanilá uma tarefa de tanta importância quanto a primeira: a de criar o homem que habitaria o aiyê. Orixanilá usou o barro e a água para esculpir bonecos inanimados de todas as formas e de todas as cores. Olodumaré, então, soprou a vida nas narinas dos bonecos de barro, criando os seres humanos. Esse sopro da vida é chamado pelos yorubás de emi. Estavam então criados o mundo e o homem.

Olodumaré e Olorum

Na mitologia yorubá, Olodumaré é um ser supremo, uma força criativa que vive numa dimensão paralela a nossa, conhecida por orún. Por isso, também é conhecido como Olorún, criador do orún (céu) e do aiyê (terra). A palavra Olodumaré vem de olo = senhor da parte principal, líder absoluto, odu = muito grande, pleno e maré = aquele que é absolutamente perfeito, o supremo em qualidades. Já Olorún vem de ol = senhor e orún = céu, ou seja, Senhor do céu.
 Olodumaré criou o mundo material e tudo que está nele, inclusive o homem. Para ajudá-lo nessa tarefa, Olodumaré criou também os Orixás, forças sobrenaturais que habitavam o orún e se concretizaram associados às forças da natureza e seus elementos, manifestando-se através das mesmas.
Conta a lenda que no princípio dos tempos existiam dois mundos: o orún, espaço sagrado dos Orixás, e o aiyê, espaço dos seres vivos. No aiyê primitivo só existia água. Um dia Olodumaré resolveu recriar o espaço para a humanidade que também criaria. Incumbiu, então, seu filho primogênito, Orixanilá (o nome mais sagrado de Oxalá) da execução dessa tarefa. Entregou-lhe uma cabaça contendo ingredientes especiais: a terra escura inicial, a galinha de cinco dedos, uma pomba e um camaleão. A terra escura deveria ser lançada sobre a imensidão das águas. A galinha de cinco dedos deveria ir ciscando a terra para alargá-la o mais que pudesse. A pomba, ao voar, orientaria a extensão da terra expandida e criaria o ar. E o camaleão, atento a tudo, observaria a execução da tarefa atribuída a Orixanilá, para reportar os fatos a Olodumaré. Assim foi explicado e, com seu opaxorô e a cabaça da criação, Orixanilá iniciou sua caminhada do orún para o aiyê. Passou por Bará e não pagou as oferendas devidas, mesmo tendo consultado Ifá e sabendo que devia fazê-lo. 


Em consequência disso, no meio do caminho Orixanilá sentiu-se cansado e com sede. Parou para descansar, bebeu um pouco de vinho da palmeira do dendezeiro e, embriagado, adormeceu. Seu irmão caçula, Odudúa, tendo-o seguido, recolheu a cabaça da criação e levou a notícia do ocorrido a seu pai, Olodumaré, pedindo a ele que o deixasse cumprir pelo irmão aquela tarefa de grande importância. Olodumaré concordou e, enquanto Orixanilá dormia, Odudua criou a terra dos seres vivos. Depois de a galinha ciscar a terra, a pomba orientar a expansão do ar e o camaleão, que deu origem ao elemento fogo, verificar se a tarefa fora cumprida, surgiu a terra firme ou Ilê Ifé = terra que foi sendo ciscada. Orixanilá então, vendo o mundo pronto, mostrou-se arrependido do seu ato de irresponsabilidade perante o pai. E, para que não se sentisse tão humilhado, Olodumaré resolveu, em um supremo ato de inspiração, dar a Orixanilá uma tarefa de tanta importância quanto a primeira: a de criar o homem que habitaria o aiyê. Orixanilá usou o barro e a água para esculpir bonecos inanimados de todas as formas e de todas as cores. Olodumaré, então, soprou a vida nas narinas dos bonecos de barro, criando os seres humanos. Esse sopro da vida é chamado pelos yorubás de emi. Estavam então criados o mundo e o homem.