16 de abril de 2013

Tambor de Mina

Tambor de Mina é a denominação mais difundida da religião afro no Maranhão e na Amazônia. A palavra “tambor” deriva da importância do instrumento nos rituais de culto. “Mina” deriva de Negro Mina, de São Jorge da Mina, denominação dada aos escravos procedentes da costa situada a leste do Castelo de São Jorge da Mina, na atual República de Gana. No tambor de mina mais tradicional, a iniciação é demorada, não havendo cerimônias públicas de saída, sendo realizada com grande discrição no recinto dos terreiros e poucas pessoas recebem os graus mais elevados ou a iniciação completa. A discrição no transe e no comportamento em geral é uma de suas características marcantes. Nos recintos mais sagrados do culto (quarto de santo), penetram apenas os iniciados mais graduados. O transe no Tambor de Mina é muito discreto e às vezes percebível apenas por pequenos detalhes da vestimenta. Em muitas casas, no início do transe, a entidade dá muitas voltas ao redor de si mesmo, no sentido contrário ao dos ponteiros do relógio, talvez para firmar o transe, numa dança de bonito efeito visual. Normalmente a pessoa quando entra em transe recebe um símbolo, como uma toalha branca amarrada na cintura ou um lenço, denominado pana, enrolado na mão ou no braço. A grande maioria dos participantes do culto são do sexo feminino. Os homens desempenham principalmente a função de tocadores de tambores e também se encarregam de certas atividades do culto, como matança de animais de quatro patas e do transporte de certas obrigações para o local em que devem ser depositados. Algumas casas são dirigidas por homens e possuem maior presença de homens, que podem ser encontrados inclusive na roda de dançantes. Existem dois modelos principais de Tambor de Mina no Maranhão: Mina Jeje e Mina Nagô. O primeiro parece ser o mais antigo e se estabeleceu em torno daCasa grande das Minas Jeje, o terreiro mais antigo, que deve ter sido fundado em São Luís na década de 1840. O outro, que lhe é quase contemporâneo e que também se continua até hoje é o da Casa de Nagô, localizada no mesmo bairro a uma quadra de distância. A Casa das Minas é única, não possui casas que lhe sejam filiadas, daí porque nenhuma outra siga completamente seu estilo. Nesta casa os cânticos são em língua Jeje (Ewê-Fon) e só se recebem divindades denominadas de Voduns, mas apesar dela não ter casas filiadas, o modelo do culto do Tambor de Mina é grandemente influenciado pela Casa das Minas. Os voduns da Casa das Minas, de quem se conhecem os nomes de aproximadamente sessenta, agrupam-se em três famílias principais e duas que são hóspedes da casa: a família real de Davice, a família de Quevioçô, a família de Dambirá. Existem ainda Voduns agrupados na família de Aladanu, hóspedes de Quevioçô, e da família de Savaluno, hóspede de Zomadônu. Cada família ocupa uma parte específica da casa e tem cânticos, comportamentos e atividades próprias. Alguns Voduns jovens chamados toqüéns ou toqüenos cumprem a função de guias, mensageiros, ajudantes dos outros Voduns. São eles que vêm na frente e chamam os outros. Têm cerca de quinze anos de idade, podendo ser masculinos ou femininos, pertencendo a maioria à família de Davice. Nos clãs de Quevioçô e Dambirá, são os Voduns mais jovens que desempenham esse papel. Na Casa das Minas, as vodunsis só recebem um Vodum e só dançam quando estão com ele. Durante o transe os voduns não comem, não bebem, não satisfazem necessidades fisiológicas, cantam e dançam com os olhos abertos, conversam entre si e com devotos, dão conselhos e alguns gostam de fumar. Além dos Voduns, fazem parte do panteão da Casa das Minas as Tobôssis, divindades infantis femininas, consideradas filhas dos Voduns, recebidas pelas dançantes com iniciação plena. Diferentemente dos Voduns, que podem manifestar-se em diferentes adeptos, as Tobôssis são considerada entidades únicas, exclusiva de sua Vodúnsi-Gonjaí, e que desaparece com a morte da dançante que a recebia, não se incorporando depois em mais ninguém. No culto do Tambor de Mina ainda existe muito sincretismo, sendo que há um local destinado exclusivamente para os santos católicos.


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