8 de abril de 2013

Jurema Catimbó

JuremaConhecido desde meados do século XVII, o Catimbó resulta da fusão entre as práticas de magia e rituais indígenas de pajelança. O Catimbó não é afro, não é Candomblé e não é a Umbanda como se conhece. Catimbó não é uma religião ou seita, e sim um culto, uma vez que não se encontram nele os elementos estruturados que são característicos, como fundamentos religiosos próprios, com liturgias e dogmas. A semelhança com a Umbanda é devido ao trabalho com entidades incorporadas dentre elas, a presença de Zé Pelintra que é dito como Mestre. Também se trabalham com Caboclos e Pretos Velhos esporadicamente. Conforme a região do culto, algumas influências africanas podem ser notadas, porém de forma limitada. O lugar onde o Catimbó e mais conhecido é no nordeste brasileiro. O caboclo, o sertanejo nordestino, analfabeto, mas curioso e inventivo com as suas coisas, foi juntando, daqui e dali, usou orações, fórmulas, mandingas e segredos, e passou a usá-los em seu próprio benefício. O Catimbó, portanto nasceu espontaneamente, com um sincretismo forte e natural do uso e costumes nordestinos. A Jurema é uma árvore nativa do agreste e sertão nordestinos, do qual se fabrica uma bebida psicoativa de mesmo nome. Tal bebida é composta por uma variedade de ervas, ao qual se adiciona cachaça ou  vinho branco. A ingestão da Jurema, em conjunto com os toques, as cantigas rituais do catimbó, provoca um estado de transe profundo, interpretado pelos Catimbozeiros, como a incorporação dos Mestres da Jurema. Estas entidades espirituais, que habitariam o Mundo Encantado, ou Juremá, teriam sido adeptos do Catimbó que, ao morrerem, se "encantaram", ou seja, foram transportados a este estado espiritual, de onde poderiam atender os vivos pela realização de curas e aconselhamento através da incorporação. A origem do termo Catimbó é controversa, embora a maior parte dos pesquisadores afirme que deriva da língua tupi antiga, onde “ca” significa floresta e “timbó” refere-se a uma espécie de torpor que assemelha-se à morte. Desta forma, Catimbó seria a floresta que conduz ao torpor, numa clara referência ao estado de transe ocasionado pela ingestão da Jurema. Subordinados aos mestres, encontram-se as entidades conhecidas como Caboclos da Jurema. Esta forma de espírito ancestral, representa os pajés e guerreiros indígenas falecidos, envidados ao Mundo Encantado de forma a auxiliarem os Mestres na realização de boas obras. Os Caboclos são sempre invocados no início do culto, antes mesmo da incorporação seus superiores. Estes seres espirituais seriam os responsáveis pela prescrição de ervas medicinais, banhos e rezas que afastariam o mau-olhado e o infortúnio. Algumas pessoas falam que antigamente Jurema era uma coisa e Catimbó era outra, sendo totalmente distintos. Porém com o passar dos anos, estas duas práticas se uniram, formando assim a Jurema Catimbó.

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