18 de fevereiro de 2013

Quem foi Carybé

Hector Julio Paride Carybe, conhecido popularmente como Carybé, foi um importante pintor, gravador, escultor, ceramista, ilustrador e desenhista argentino naturalizado brasileiro. Nasceu na cidade argentina de Lanús em 7 de fevereiro de 1911. Apaixonado pela Bahia, Carybé tornou-se conhecido com suas obras que valorizavam a cultura baiana, os rituais do Candomblé, a capoeira e as belezas naturais da Bahia. Carybé  tinha um título de Obá de Xangô, o posto mais alto dado pelo Candomblé, seu maior orgulho. - “Sou amoroso e devoto da religiosidade afro-brasileira, de seus deuses modestos e humanos, que hoje se defrontam com estes deuses contemporâneos, terríveis e vorazes, que são a tecnologia e a ciência”, dizia.
 Segundo o amigo, o escritor Jorge Amado, Carybé foi como um observador de dentro, envolvido com a religião, que ele se dispôs a retratar. Nancy, sua esposa durante 50 anos, costumava contar que o marido era um homem de tanta fé que jamais levava papel ou lápis para as cerimônias. Achava falta de respeito. Guardava tudo de cabeça e desenvolveu uma memória visual fora do comum. A porção mais grandiosa de seu trabalho é justamente o desenho, a aquarela e o nanquim. 
CapoeiraDe maneira nervosa e moderna, com poucos golpes de pincel, ele era capaz de resumir a forma de baianas prostradas de joelhos como magníficos círculos coloridos. Dono de uma obra vasta, Carybé criou também esculturas e até esboços de cenas de filmes. Chegou a Salvador pela primeira vez com um projeto ambicioso: fazer uma reportagem com lampião. Teve de se contentar em desenhar as cabeças do rei do cangaço e seus capangas, já decapitadas.  Em 1950 arrumou o emprego que pediu a deus: desenhar cenas baianas. - “Foi a sopa no mel. Nunca mais fui embora. A Bahia tem tudo que um pintor procura, luz, água, mar aberto, a gente sempre vê o corpo humano funcionando”, contou. No mesmo ano conheceu o Marchand Valdemar Szaniecki, que mais tarde colocou suas obras numa galeria de São Paulo ao lado das de Di Cavalcanti. Com o passar dos anos, os trabalhos de Carybé não pararam de se valorizar e ele passou a viver só de arte. Adotando a natureza típica da terra, o pintor integrou-se suavemente ao Candomblé, fazendo-se filho de Oxóssi e presidente do conselho dos Obás no terreiro Ilê Axé Opô Afonjá. Quando morreu do coração, em 1997 aos 86 anos durante uma sessão no próprio terreiro, ele já era tão baiano quanto o etnólogo francês Pierre Verger havia sido em vida. 

Orixás

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