17 de dezembro de 2012

Irokô

Irokô, uma árvore africana, é cultuado como Orixá no candomblé pela nação Ketu, como Loko, pela nação Jeje e como Tempo na Nação Angola/Congo. O culto a Irokô é um dos mais populares na região Yorubá. Está ligado à longevidade, à durabilidade das coisas e ao passar do tempo. Irokô foi à primeira árvore plantada e pela qual todos os outros Orixás desceram a Terra. É Irokô, implacável e inexorável, que governa o tempo e o espaço, que acompanha e cobra, o cumprimento do karma de cada um de nós, determinando o início e o fim de tudo. No Brasil diz-se que Irokô habita a gameleira branca, nos terreiros, costuma-se manter uma dessas árvores como morada de Irokô, assinalada por um ‘ojá’ (laço de pano branco) ao seu redor. Esse Orixá representa a ancestralidade, os nossos antepassados, pais, avós, bisavós, a história do Ilê, assim como do seu povo. Desrespeitar Irokô é o mesmo que desrespeitar a sua dinastia, o seu sangue. . É um Orixá raro, ou seja, possui poucos filhos, e é reverenciado por meio de oferendas à árvore que o representa. Os animais a ele consagrados são a tartaruga e o papagaio. 
Os filhos de Irokô são tidos como eloquentes, ciumentos, camaradas, inteligentes, competentes, teimosos, turrões e generosos. Gostam de diversão: dançar e cozinhar; comer e beber bem. Apaixonam-se com facilidade e gostam de liderar. Dotados de senso de justiça, são amigos queridos, mas também podem ser inimigos terríveis, no entanto, reconciliam-se facilmente. Um defeito grande é o facto dos filhos de Irokô não conseguirem guardar segredos.

Lenda sobre Irokô:
Irokô era um homem bonito e forte e tinha duas irmãs. Uma delas era Ajé, a outra era Ogboí. Ajé era feiticeira, Ogboí, não. Irokô e suas irmãs vieram juntos do Orun para habitar no Ayê. Irokô foi morar numa frondosa árvore e suas irmãs em casas comuns. Ogboí teve dez filhos e Ajé teve só um, um passarinho. Um dia, quando Ogboí teve que se ausentar, deixou os dez filhos sob a guarda de Ajé. Ela cuidou bem das crianças até a volta da irmã. Mais tarde, quando Ajé teve também que viajar, deixou o filho pássaro com Ogboí. Foi então que os filhos de Ogbói pediram à mãe que queriam comer um passarinho. Ela lhes ofereceu uma galinha, mas eles, de olhos no primo, recusaram. Gritavam de fome, queriam comer, mas tinha que ser um pássaro. A mãe foi então foi à floresta caçar passarinhos, que seus filhos insistiam em comer. Na ausência da mãe, os filhos de Ogboí mataram, cozinharam e comeram o filho de Ajé. Quando Ajé voltou e se deu por conta da tragédia, partiu desesperada a procura de Irokô, que a recebeu em sua árvore, onde mora até hoje. E de lá, Irokô vingou Ajé, lançando golpes sobre os filhos de Ogboí. Desesperada com a perda de metade de seus filhos e para evitar a morte dos demais, Ogoí ofereceu sacrifícios para seu irmão. Deu-lhe um cabrito e outras coisas. Irokô aceitou o sacrifício e poupou os demais filhos. Ogboí é a mãe de todas as mulheres comuns, mulheres que não são feiticeiras, mulheres que sempre perdem filhos para aplacar a cólera de Ajé e de suas filhas feiticeiras. Irokô mora na gameleira branca e trata de oferecer a sua justiça na disputa entre as feiticeiras e as mulheres comuns.


Dia da Semana: Terça-feira.
Cores: Branco, verde, cinza e castanho
Símbolo: Lança, grelha
Domínios: Tempo, ancestralidade
Saudação: Iroko Issó! Eró!Iroko Kissilé

17 de Dezembro - Dia de Xapanã

Xapanã é considerado o Deus da varíola, da peste, das doenças de pele.  Em termos mais estritos, Obaluaiê é a forma jovem do Orixá, enquanto Omulu é sua forma velha. Conhecido por sua fúria e vingança contra malfeitores e pessoas que tratam as coisas sem o devido respeito e honestidade. Sua cor é o roxo, sua ferramenta a vassoura que usa para varrer as coisas que não tem mais utilidade em nossa vida material e espiritual. Por este e outros motivos, é um dos Orixás que responde junto com Xangô e Iansã pelos processos de desencarnação, pelos cemitérios, pela destruição e em defesa dos espíritos maléficos. A figura de Xapanã, assim como seus mitos, é completamente cercada de mistérios e segredos. Seus filhos são pessoas incapazes de se sentirem satisfeitas quando a vida corre tranquila para elas.Não raro se apaixonam por figuras extrovertidas e sensuais que ocupam naturalmente o centro do palco, reservando ao cônjuge de Xapanã um papel mais discreto. Gostam de ver seu amado brilhar, mas o invejam, e ficam vivendo com muita insegurança, pois julgam o outro, fonte de paixão e interesse de todos. Os filhos desse Orixá são basicamente solitários. Mesmo tendo um grande círculo de amizades, frequentando o mundo social, seu comportamento seria superficialmente aberto e intimamente fechado, mantendo um relacionamento superficial com o mundo e guardando sua intimidade para si própria. Tem considerável força de resistência e é capaz de prolongados esforços. É lento, porém perseverante. Firme como uma rocha. Falta-lhe espontaneidade e capacidade de adaptação, e por isso não aceita mudanças. É vingativo, cruel e impiedoso quando ofendido ou humilhado. 



Uma de suas lendas conta que chegando de viagem à aldeia onde nascera, Xapanã viu que estava acontecendo uma festa com a presença de todos os Orixás. Porém ele não podia entrar na festa, devido à sua medonha aparência. Então ficou espreitando pelas frestas do terreiro. Ogum, ao perceber a angústia do Orixá, cobriu-o com uma roupa de palha, com um capuz que ocultava seu rosto doente, e convidou-o a entrar e aproveitar a alegria dos festejos. Apesar de envergonhado, Xapanã entrou, mas ninguém se aproximava dele. Iansã, que tudo acompanhava com o rabo do olho, esperou que ele estivesse bem no centro do barracão. O xirê estava animado. Os Orixás dançavam alegremente. Iansã chegou então bem perto dele e soprou suas roupas de palha com seu vento. Nesse momento de encanto e ventania, as feridas de Obaluaiê pularam para o alto, transformadas numa chuva de pipocas, que se espalharam brancas pelo barracão. Xapanã, o deus das doenças, transformara-se num jovem belo e encantador. Ele e Iansã Igbalé tornaram-se grandes amigos e reinaram juntos sobre o mundo dos espíritos dos mortos, partilhando o poder único de abrir e interromper as demandas dos mortos sobre os homens. 


Oferenda para Xapanã:
* Fígado de gado
* Farinha de mandioca
* Pipoca
* Amendoim
* Feijão cozido
* Repolho roxo
* Dendê

Que sua vassoura varra para longe de nós tudo que aquilo que nos prejudica!

Abá Ô!