11 de setembro de 2012


Escrava Anastácia - Parte 9




Orikí

Os orikís (do iorubá orí = cabeça, kí = saudar) são versos, frases ou poemas formados para saudar determinado Orixá, referindo-se a sua origem, sua qualidade ou sua ancestralidade, além de fazer referência a grandes feitos realizados pelo mesmo. Na cultura iorubá também é usado como sobrenome oruko-oriki: oruko é o nome da pessoa e orikí diz quem a pessoa é. Sendo as palavras portadoras de axé, dá-se aos Orikís o poder de invocarem por si próprios a força vital. Com a importância a ele atribuída, sua entonação sempre emociona as entidades a quem são dirigidos e tornam-se infalivelmente ouvidos e as oferendas recebidas. Assim sendo, servem para louvar e pedir auxílio.
Orikí-orilé é a denominação de orikís referentes ás linhagens. Pode ser dirigida a família ou a um de seus membros, com o intuito de louvar seus ancestrais, demonstrar apreço ou aplacar sua ira. Usado para rememorá-los e dar conhecimento aos mais novos dos feitos de seus antepassados. Orikís deste tipo não são usados para causar emoções, apenas para louvar o reconhecimento dos predicados dos antepassados, onde é enfatizado sua profissão, gosto alimentar e outras de suas particularidades. Esta modalidade é usual entre os Iorubás, quando se realizam eventos como casamentos, komojade, inauguração de casa, ritos fúnebres... Existem pessoas especializadas nestes orikí-orilé, que sempre são convidadas para fazer estas recitações.
Os nascimentos têm um orikí diferenciado, chamado de orikí-amutòrunwa, que narram as circunstancias do nascimento da criança.
Nos funerais de anciãos os oriki-orilé são entoados pelas mulheres e no caso de caçadores se faz o mesmo. Nota-se que estes chamados são para invocar a presença do homenageado. Em caso de viagens são entoados em forma de benção relembrando suas profissões, motivo da viagem e ewó (interdições).
Lembramos, porém, que existe uma relação entre orikí-orilè e ila-oju (marcas faciais), ambos servem para identificar suas linhagens, constituindo sinais de identidade familiar.
Sabemos que animais, cidades, povos e terras possuem orikís próprios, que por vezes são acompanhados de tambores específicos.
Entoados com finalidade religiosa ou não, o simples ouvir de um orikí impõem silencio, compenetração e respeito dos presentes.

Escrava Anastácia - Parte 8