29 de novembro de 2012

Marcas faciais

Uma pratica bem peculiar dos iorubas é o costume de abrir cicatrizes no rosto. As escarnificações mostravam ao povo a que nação a pessoa pertencia, e no Brasil identificavam o africano. A origem desse costume nasceu na Nigéria, devido à grande quantidade de guerras que havia na região. Os Fulani estavam sempre em guerra com os Iorubás, e as próprias cidades guerreavam entre si. No meio de uma batalha uma pessoa poderia matar alguém do seu próprio grupo, porém com as marcas no rosto, a identificação tornou-se mais fácil, e só eram mortos ou aprisionados como escravos aqueles com marcas diferentes, ou os que não tinham marca nenhuma. Os grupos familiares também costumavam marcar o rosto para facilitar a identificação de pessoas da mesma família, ao se encontrarem fora da cidade. Atualmente os Ijebú e os Ijesá não fazem mais marcas nos rostos dos recém-nascidos. Em Ondo são feitas marcas somente no rosto do primogênito, enquanto em Oyó existem famílias que fazem as cicatrizes até hoje. Alguns exemplos das marcas usadas:
Marcas faciaisAbajá Alagbele: Quatro marcas horizontais grandes de cada lado do rosto, ou oito menores com mais três marcas verticais em cima
Abajá de Egbá: Três marcas verticais em cima de três horizontais
Abajá de Èkitì: Nove pequenas marcas horizontais (três a três) com três verticais acima
Abajá de Ijesa: Quatro marcas horizontais de cada lado
Abajá Merin: Quatro marcas horizontais grandes de cada lado do rosto, ou oito menores
Abajá Meta: Três marcas horizontais grandes de cada lado do rosto, ou seis menores
Gombo: Três marcas verticais laterais bem grandes de cada lado, da cabeça até o queixo. São características da cidade de Oyó
Marca da cidade de Ondo: Uma cicatriz vertical comprida de cada lado, na frente do rosto
Marca de Ijebú: três marcas verticais curtas de cada lado do rosto
Pélé: Este tipo de marca é feita para embelezar. São três marcas verticais de cada lado do rosto.  Característica da cidade de Ifé
Pélé de Èkitì: Uma marca vertical de cada lado do rosto (encontram-se também três de cada lado)
Ture: diversas marcas verticais finas de cada lado
Tudo indica que as “curas” feitas nos filhos de santo foram originadas desse costume, pois também servem como identificação, como digital do ilê ao qual o Orixá foi iniciado, e cabe aos que entendem, imediatamente, identificá-los. Essas curas tem o objetivo de fechar o corpo do iniciado, protegendo-o de todo o tipo de influência negativa. Para isso são feitas as incisões (aberturas) onde é colocado o Atim (pó) de defesa para aquele filho. O Atim tem uma composição a base de diversas plantas e substâncias, além de conter também as ervas do Orixá de cabeça da pessoa. Normalmente as curas são feitas no peito, dos dois lados, nas costas, também dos dois lados e nos braços, evitando assim que de frente, de costas ou no manuseio de qualquer coisa, algo negativo possa entrar no corpo do iniciado. Além disso, na  feitura do Santo, abre-se também o Farim, que é uma incisão no centro do Orí, que impede que algo de mal possa entrar na sua cabeça, além de facilitar a ligação com o seu Orixá. É comum também fazer-se cortes na sola dos pés para evitar que ao pisar em algo negativo, isso possa interferir em sua vida, além de alguns zeladores fazerem uma cura na língua dos seus filhos, para que os mesmos não comam comidas “trabalhadas”, e caso as comam, para que essas comidas não lhe façam mal.
A palavra cura vem do iorubá Kù: permanecer, Rá: introduzir-se.

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