24 de novembro de 2012

Malandros


Personagem bastante conhecido por sua notável malandragem, Seu Zé tem sua imagem reconhecida como um ícone, um representante, o verdadeiro estereótipo do malandro, ou porque não dizer, da malandragem brasileira. Algumas pessoas se perguntam o que um “malandro” teria para nos ensinar, qual seria a sua contribuição dentro da religião? Porém não estamos falando do “malandro” no sentido vulgar da palavra, e sim de entidades que vem nos ensinar a flexibilidade, a capacidade de adaptação diante dos obstáculos, o “jogo de cintura” e o bom humor que se obtêm através do sentimento de fé na vida e em si mesmo. De alguma forma, em algum momento das suas existências, eles vivenciaram tudo isso e podem nos auxiliar. Quando se manifestam, alguns se vestem a caráter, com terno e gravata brancos. Mas a maioria gosta mesmo é de roupas leves e camisas de seda, justificando que: “a navalha não corta a seda”. Navalha esta que levavam no bolso, e quando brigavam ou jogavam capoeira às vezes a prendiam entre os dedos do pé, visando atingir o inimigo. O terno de linho branco tornou-se o símbolo do malandro por ser vistoso, de caimento perfeito, largo e próprio para a capoeiragem. Para o malandro, lutar sem sujá-lo era uma forma de mostrar habilidade e superioridade no jogo de corpo. A incorporação dos malandros tem suas peculiaridades, pois é a única que é aceita em dois rituais diferentes e opostos: a “Linha das Almas”, podendo apresentar-se como preto velho quimbandeiro, ou ainda no “Povo de Rua” se apresentado como Exu. Sua linguagem é altamente simbólica, algumas vezes falando conosco e comparando a vida a um jogo de cartas ou de dados.

Uma de suas lendas conta que ainda jovem era violento e brigava por qualquer coisa mesmo sem ter razão. Era grande jogador, amante das prostitutas e foi dono de cabaré. Contudo, há outra história que conta que Seu Zé teria nascido no sertão pernambucano, e sua família, fugindo da terrível seca de meados do século passado que abatia todo o sertão, rumou para a capital Recife em busca de uma vida melhor, mas o destino lhe pregou uma peça que culminou com a morte da mãe, antes mesmo que o menino José dos Santos completasse três anos. Logo em seguida, morreria seu pai de tuberculose. José então ficou órfão e teve que enfrentar o mundo juntamente com seus sete irmãos menores. Cresceu no meio da malandragem, dormindo no cais do porto e sendo menino de recados de prostitutas. Sua estatura alta e forte granjeou-lhe respeito no meio da malandragem. Pilintra significa pilantra, malandro... Assim, entre trancos e barrancos, Seu Zé consegue fazer fama na cidade de Recife e criar seus irmãos até a maior idade. Quanto a sua morte, há muita discordância sobre como esta teria acontecido. Afirma-se que ele poderia ter sido assassinado por uma mulher, um antigo desafeto, ou por outro malandro igualmente perigoso. Porém, o consenso entre todas essas hipóteses é de que fora atacado pelas costas, uma vez que pela frente, afirmam, o homem era imbatível.
Pouco conhecida mas também existente, são as manifestações femininas da malandragem. Maria Navalha é um bom exemplo. Manifesta-se com características semelhantes aos malandros, dança, samba, bebe e fuma da mesma maneira. Apesar do aspecto, demonstram sempre muita feminilidade, são vaidosas, gostam de presentes bonitos, de flores principalmente vermelhas e vestem-se sempre muito bem.
Sua lenda nos conta que logo após nascer seu irmão, houveram complicações no parto, vindo a falecer sua mãe. O pai, um militar muito severo, não conformado, rejeita o próprio filho e foi aí que Maria Regina das Dores, mais tarde chamada de Maria Navalha, se pôs: entre o pai martirizado pela morte de sua amada e um filho que apresentava uma deficiência mental. Tudo isso a coagiu para uma vida de sofrimentos e angústias. Logo depois, o pai também se foi. Morreu de tristeza, pois não suportou a partida de sua mulher. Após seu falecimento, eles tiveram que se mudar para um lugar muito humilde. Então, Maria Navalha, com seus 14 anos, começa a trabalhar em casa de família, mas se deixa seduzir por seu patrão, com quem vive por 10 anos, até que um dia ele se vai sem deixar nenhuma notícia. Ela que sempre foi contra a dependência, logo naquele momento voltava para a rua da amargura com seu irmão que sempre estava ao seu lado. Não demorou e logo arrumou um emprego de garçonete em um prostíbulo, onde conhece um rapaz que a defende de outros dois homens usando uma navalha. Porém, o rapaz vai embora deixando a ela somente um bilhete  e a navalha em cima como apoio. No bilhete, ele dizia:
“Essa navalha nos une para todo o sempre e com ela vais cortar a injustiça, a maldade e a mentira. Saiba usá-la porque seu fio de corte está ligado diretamente ao seu coração”. A partir de então sempre que precisava de ajuda, a navalha a ajudava, tanto que os homens e pessoas ruins a apelidaram de Maria Navalha. 


Características dos boêmios:
Brincalhões, gostam de dançar, de mulheres e de bebida. Mas é muito comum, também, encontrá-los mais sério, parado em um canto, assim como sua imagem gosta de representá-lo, observando o movimento ao seu redor

Alguns de seus nomes:
Antônio Pilintra
João Pilintra
Malandro da Madrugada
Malandro das Almas
Malandro do Morro
Mané Pilintra
Maria do Cais
Maria Navalha
Maria Pilintra
Rosa Pilintra
Sete Navalhas
Zé da Brilhantina
Zé da Navalha
Zé do Morro
Zé Gaspar
Zé Malandrinho
Zé Malandro
Zé Pretinho

Comida: Feijão mexido, pipoca...
Bebida: Cerveja branca ou outra bebida doce
Locais de vibração: Subida de Morros, bares, áreas boêmias
Cor: Vermelho e branco ou preto e branco, ou ainda somente o branco 

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