30 de novembro de 2012

Os Pretos Velho são a minha cabeça, meu cérebro.  Com sua sabedoria entendo que as coisas da matéria são passageiras. Com sua paciência, compreendo e respeito as diferenças de meus irmãos, pois somos uma grande corrente universal, e eles dependem de mim tanto quanto eu dependo deles. Os Caboclos são meu peito, meu coração. Com sua coragem nunca recuo de meus inimigos. Posso até sentir medo das mudanças, mas nunca desistir de meus objetivos. Os Cosmes são os meus braços. Com sua alegria e resistência me ajudam a suportar o peso das adversidades da vida. Nos momentos de luta, meus braços são implacáveis, nos momentos de paz são só carinhos. Finalmente, os Exus são as minhas pernas ajudando-me a caminhar rumo à evolução. Cada encruzilhada é um desafio. Posso tropeçar e até cair, mas nunca me desviar do caminho, pois eles andam sempre em minha frente me conduzindo.


Salve a Umbanda!

29 de novembro de 2012

Marcas faciais

Uma pratica bem peculiar dos iorubas é o costume de abrir cicatrizes no rosto. As escarnificações mostravam ao povo a que nação a pessoa pertencia, e no Brasil identificavam o africano. A origem desse costume nasceu na Nigéria, devido à grande quantidade de guerras que havia na região. Os Fulani estavam sempre em guerra com os Iorubás, e as próprias cidades guerreavam entre si. No meio de uma batalha uma pessoa poderia matar alguém do seu próprio grupo, porém com as marcas no rosto, a identificação tornou-se mais fácil, e só eram mortos ou aprisionados como escravos aqueles com marcas diferentes, ou os que não tinham marca nenhuma. Os grupos familiares também costumavam marcar o rosto para facilitar a identificação de pessoas da mesma família, ao se encontrarem fora da cidade. Atualmente os Ijebú e os Ijesá não fazem mais marcas nos rostos dos recém-nascidos. Em Ondo são feitas marcas somente no rosto do primogênito, enquanto em Oyó existem famílias que fazem as cicatrizes até hoje. Alguns exemplos das marcas usadas:
Marcas faciaisAbajá Alagbele: Quatro marcas horizontais grandes de cada lado do rosto, ou oito menores com mais três marcas verticais em cima
Abajá de Egbá: Três marcas verticais em cima de três horizontais
Abajá de Èkitì: Nove pequenas marcas horizontais (três a três) com três verticais acima
Abajá de Ijesa: Quatro marcas horizontais de cada lado
Abajá Merin: Quatro marcas horizontais grandes de cada lado do rosto, ou oito menores
Abajá Meta: Três marcas horizontais grandes de cada lado do rosto, ou seis menores
Gombo: Três marcas verticais laterais bem grandes de cada lado, da cabeça até o queixo. São características da cidade de Oyó
Marca da cidade de Ondo: Uma cicatriz vertical comprida de cada lado, na frente do rosto
Marca de Ijebú: três marcas verticais curtas de cada lado do rosto
Pélé: Este tipo de marca é feita para embelezar. São três marcas verticais de cada lado do rosto.  Característica da cidade de Ifé
Pélé de Èkitì: Uma marca vertical de cada lado do rosto (encontram-se também três de cada lado)
Ture: diversas marcas verticais finas de cada lado
Tudo indica que as “curas” feitas nos filhos de santo foram originadas desse costume, pois também servem como identificação, como digital do ilê ao qual o Orixá foi iniciado, e cabe aos que entendem, imediatamente, identificá-los. Essas curas tem o objetivo de fechar o corpo do iniciado, protegendo-o de todo o tipo de influência negativa. Para isso são feitas as incisões (aberturas) onde é colocado o Atim (pó) de defesa para aquele filho. O Atim tem uma composição a base de diversas plantas e substâncias, além de conter também as ervas do Orixá de cabeça da pessoa. Normalmente as curas são feitas no peito, dos dois lados, nas costas, também dos dois lados e nos braços, evitando assim que de frente, de costas ou no manuseio de qualquer coisa, algo negativo possa entrar no corpo do iniciado. Além disso, na  feitura do Santo, abre-se também o Farim, que é uma incisão no centro do Orí, que impede que algo de mal possa entrar na sua cabeça, além de facilitar a ligação com o seu Orixá. É comum também fazer-se cortes na sola dos pés para evitar que ao pisar em algo negativo, isso possa interferir em sua vida, além de alguns zeladores fazerem uma cura na língua dos seus filhos, para que os mesmos não comam comidas “trabalhadas”, e caso as comam, para que essas comidas não lhe façam mal.
A palavra cura vem do iorubá Kù: permanecer, Rá: introduzir-se.

27 de novembro de 2012

Oxaguiã


Oxaguiã (Orisá Ogiyan): Senhor de Ejigbô. Orixá jovem e guerreiro. Uma de suas características é o gosto pelo inhame pilado chamado lyán, que lhe valeu o apelido de Orisájiyan. A tradição exige que os habitantes de dois bairros Xolô e Oké Mapô lutem uns contra os outros a golpes de varas. É o único que tem autorização de enfeitar seus colares brancos com pedras azuis, chamadas Seguy. Está ligado ao culto de Iroko e dos espíritos, assim como a fertilidade e o culto ao inhame. É o pai de Oxossi Inlé, come com Ogunjá, Oxossi Inlé, Airá, Exu, Oyá e Onira. Tem muito fundamento com Oyá, pois é o dono do Atori, fundamento que lhe foi dado por ela, motivo pelo qual as pessoas de Guian devem agradar muito a Oyá.

Oxalufã


Oxalufã (Orisa Olú Fon): Aquele que grita quando acorda. Orixá velho e sábio, cujo templo é Ifón pouco distante de Oxogbô. A cerimônia de saudações é de dezesseis em dezesseis dias. Orixá muito velho, de idade avançada, aleijado, lento, movendo-se com muita dificuldade. Dança apoiado no opaxorô. Treme de frio e velhice. Detesta a violência, disputas e brigas. Não come sal nem dendê, odeia cores fortes, principalmente o vermelho. A ele pertencem os metais e substâncias brancas.

25 de novembro de 2012

25 de Novembro - Dia de Obá

Obá, primeira esposa de Xangô, Orixá guerreira, veste rosa, usa espada e escudo. Representa as águas revoltas dos rios, as águas fortes, o lugar das quedas são considerados domínios de Obá. Ela também controla o barro, aguá parada, lama, lodo e as enchentes onde trabalha junto com Nanã. Representa também o lado masculino das mulheres e a transformação dos alimentos de crus em cozidos.É também a dona da panela, da roda, da navalha e da engrenagem. Orixá energética, temida e forte, considerada mais guerreira que muitos Orixás masculinos. Ao contrário do que muitos pensam, a lenda de que Obá cortou a orelha por causa da mentira de Oxum está incorreta, na verdade, Obá apenas cortou sua orelha para provar seu amor a Xangô e quando manifestada, esconde o defeito com a mão. 
Segundo suas lendas, Obá lutou contra inúmeros Orixás, derrotando vários deles, como Exú, Omolú e Orunmilá, tornando-se temida por todos os deuses. Porém foi derrotada por Ogum de quem se tornou esposa. Quando em combate  enfrentaram Xangô, ela se encantou por ele, abandonando tudo para viver uma grande paixão ao seu lado.
Obá é saudada como o Orixá do ciúme, mas não se pode esquecer que o ciúme é o coronário inevitável do amor, portanto, Obá é a deusa do amor e da paixão incontrolável, com todos os dissabores e sofrimentos que o sentimento pode acarretar. Obá tem ciúme porque ama. Obá é a deusa da guerra e do poder. 


O tipo psicológico dos filhos de Obá constitui o estereotipo da mulher de forte temperamento, terrivelmente possessiva e carente.É mulher de um homem só, fiel e sofrida. São combativas, impetuosas e vingativas. Os filhos de Obá não tem muito jeito para se comunicar com as pessoas, chegam a ser duros e inflexíveis. Têm dificuldade em ser gentis e às vezes são brutos e rudes afastando as pessoas. Isso deve-se ao fato de que seus filhos, na maioria das vezes, sofrerem um certo complexo de inferioridade achando que as pessoas que se aproximam querem tirar partido de alguma coisa. A sua sinceridade chega a ferir pois expressam as suas opiniões, fazem críticas e acabam por magoar as pessoas, pois não se preocupam em ser agradáveis. Mas essa agressividade é puramente defensiva. Quando apaixonados, nunca são senhores da relação, cedem em tudo, abdicam de todas as suas convicções. São bons companheiros e amigos fiéis, porém são ciumentos e possessivos no amor.

Que a sua engrenagem nunca pare e sua navalha corte todas as dificuldades de nossa vida!

Exó!

24 de novembro de 2012

Malandros


Personagem bastante conhecido por sua notável malandragem, Seu Zé tem sua imagem reconhecida como um ícone, um representante, o verdadeiro estereótipo do malandro, ou porque não dizer, da malandragem brasileira. Algumas pessoas se perguntam o que um “malandro” teria para nos ensinar, qual seria a sua contribuição dentro da religião? Porém não estamos falando do “malandro” no sentido vulgar da palavra, e sim de entidades que vem nos ensinar a flexibilidade, a capacidade de adaptação diante dos obstáculos, o “jogo de cintura” e o bom humor que se obtêm através do sentimento de fé na vida e em si mesmo. De alguma forma, em algum momento das suas existências, eles vivenciaram tudo isso e podem nos auxiliar. Quando se manifestam, alguns se vestem a caráter, com terno e gravata brancos. Mas a maioria gosta mesmo é de roupas leves e camisas de seda, justificando que: “a navalha não corta a seda”. Navalha esta que levavam no bolso, e quando brigavam ou jogavam capoeira às vezes a prendiam entre os dedos do pé, visando atingir o inimigo. O terno de linho branco tornou-se o símbolo do malandro por ser vistoso, de caimento perfeito, largo e próprio para a capoeiragem. Para o malandro, lutar sem sujá-lo era uma forma de mostrar habilidade e superioridade no jogo de corpo. A incorporação dos malandros tem suas peculiaridades, pois é a única que é aceita em dois rituais diferentes e opostos: a “Linha das Almas”, podendo apresentar-se como preto velho quimbandeiro, ou ainda no “Povo de Rua” se apresentado como Exu. Sua linguagem é altamente simbólica, algumas vezes falando conosco e comparando a vida a um jogo de cartas ou de dados.

Uma de suas lendas conta que ainda jovem era violento e brigava por qualquer coisa mesmo sem ter razão. Era grande jogador, amante das prostitutas e foi dono de cabaré. Contudo, há outra história que conta que Seu Zé teria nascido no sertão pernambucano, e sua família, fugindo da terrível seca de meados do século passado que abatia todo o sertão, rumou para a capital Recife em busca de uma vida melhor, mas o destino lhe pregou uma peça que culminou com a morte da mãe, antes mesmo que o menino José dos Santos completasse três anos. Logo em seguida, morreria seu pai de tuberculose. José então ficou órfão e teve que enfrentar o mundo juntamente com seus sete irmãos menores. Cresceu no meio da malandragem, dormindo no cais do porto e sendo menino de recados de prostitutas. Sua estatura alta e forte granjeou-lhe respeito no meio da malandragem. Pilintra significa pilantra, malandro... Assim, entre trancos e barrancos, Seu Zé consegue fazer fama na cidade de Recife e criar seus irmãos até a maior idade. Quanto a sua morte, há muita discordância sobre como esta teria acontecido. Afirma-se que ele poderia ter sido assassinado por uma mulher, um antigo desafeto, ou por outro malandro igualmente perigoso. Porém, o consenso entre todas essas hipóteses é de que fora atacado pelas costas, uma vez que pela frente, afirmam, o homem era imbatível.
Pouco conhecida mas também existente, são as manifestações femininas da malandragem. Maria Navalha é um bom exemplo. Manifesta-se com características semelhantes aos malandros, dança, samba, bebe e fuma da mesma maneira. Apesar do aspecto, demonstram sempre muita feminilidade, são vaidosas, gostam de presentes bonitos, de flores principalmente vermelhas e vestem-se sempre muito bem.
Sua lenda nos conta que logo após nascer seu irmão, houveram complicações no parto, vindo a falecer sua mãe. O pai, um militar muito severo, não conformado, rejeita o próprio filho e foi aí que Maria Regina das Dores, mais tarde chamada de Maria Navalha, se pôs: entre o pai martirizado pela morte de sua amada e um filho que apresentava uma deficiência mental. Tudo isso a coagiu para uma vida de sofrimentos e angústias. Logo depois, o pai também se foi. Morreu de tristeza, pois não suportou a partida de sua mulher. Após seu falecimento, eles tiveram que se mudar para um lugar muito humilde. Então, Maria Navalha, com seus 14 anos, começa a trabalhar em casa de família, mas se deixa seduzir por seu patrão, com quem vive por 10 anos, até que um dia ele se vai sem deixar nenhuma notícia. Ela que sempre foi contra a dependência, logo naquele momento voltava para a rua da amargura com seu irmão que sempre estava ao seu lado. Não demorou e logo arrumou um emprego de garçonete em um prostíbulo, onde conhece um rapaz que a defende de outros dois homens usando uma navalha. Porém, o rapaz vai embora deixando a ela somente um bilhete  e a navalha em cima como apoio. No bilhete, ele dizia:
“Essa navalha nos une para todo o sempre e com ela vais cortar a injustiça, a maldade e a mentira. Saiba usá-la porque seu fio de corte está ligado diretamente ao seu coração”. A partir de então sempre que precisava de ajuda, a navalha a ajudava, tanto que os homens e pessoas ruins a apelidaram de Maria Navalha. 


Características dos boêmios:
Brincalhões, gostam de dançar, de mulheres e de bebida. Mas é muito comum, também, encontrá-los mais sério, parado em um canto, assim como sua imagem gosta de representá-lo, observando o movimento ao seu redor

Alguns de seus nomes:
Antônio Pilintra
João Pilintra
Malandro da Madrugada
Malandro das Almas
Malandro do Morro
Mané Pilintra
Maria do Cais
Maria Navalha
Maria Pilintra
Rosa Pilintra
Sete Navalhas
Zé da Brilhantina
Zé da Navalha
Zé do Morro
Zé Gaspar
Zé Malandrinho
Zé Malandro
Zé Pretinho

Comida: Feijão mexido, pipoca...
Bebida: Cerveja branca ou outra bebida doce
Locais de vibração: Subida de Morros, bares, áreas boêmias
Cor: Vermelho e branco ou preto e branco, ou ainda somente o branco 

20 de novembro de 2012

20 de Novembro - Dia da Consciência Negra

Dia 20 de Novembro é o Dia Nacional da Consciência Negra. Dia dedicado a lembrança da resistência do negro à escravidão de forma geral desde o primeiro transporte de africanos para o solo brasileiro. A criação desta data é muito importante, pois serve como um momento de conscientização e reflexão sobre a importância da cultura e do povo africano na formação da cultura nacional, e foi escolhida por coincidir com o dia da morte de Zumbi dos Palmares, morto em combate no ano de 1695. 
Os negros africanos colaboraram muito durante nossa história, nos aspectos políticos, sociais, gastronômicos e religiosos de nosso país. Ao falarmos em escravidão, é difícil não pensar nos portugueses, espanhóis e ingleses que superlotavam os porões de seus navios de negros africanos, colocando-os a venda de forma desumana e cruel por toda a região da América. Apesar de todas estas citações, a escravidão é bem mais antiga do que o tráfico do povo africano. Ela vem desde os primórdios de nossa história, quando os povos vencidos em batalhas eram escravizados por seus conquistadores. Muitas civilizações usaram e dependeram do trabalho escravo para a execução de tarefas mais pesadas e rudimentares. No Brasil, a escravidão teve início com a produção de açúcar na primeira metade do século XVI. Os portugueses traziam os negros africanos de suas colônias na África para utilizar como mão-de-obra escrava nos engenhos de açúcar do Nordeste.


O transporte era feito da África para o Brasil nos porões do navios negreiros. Amontoados, em condições desumanas, muitos morriam antes de chegar ao Brasil, sendo os corpos lançados ao mar. Nas fazendas de açúcar ou nas minas de ouro (a partir do século XVIII), os escravos eram tratados da pior forma possível. Trabalhavam de sol a sol, recebendo apenas trapos de roupa e uma alimentação de péssima qualidade. Passavam as noites nas senzalas dormindo ao relento e acorrentados para evitar fugas. Eram constantemente castigados fisicamente, sendo que o açoite era a punição mais comum no Brasil Colônia. Também eram proibidos de praticar sua religião ou de realizar suas festas e rituais africanos. Tinham que seguir a religião católica, imposta pelos senhores de engenho, adotar a língua portuguesa na comunicação e trocar seu nome para que fosse brasileiro. Mesmo com todas as imposições e restrições, não deixaram sua cultura africana se apagar. Escondidos realizavam seus rituais, praticavam suas festas, mantiveram suas representações artísticas e até desenvolveram uma forma de luta: a capoeira. As mulheres negras também sofreram muito com a escravidão, embora os senhores de engenho utilizassem esta mão-de-obra principalmente para trabalhos domésticos. Cozinheiras, arrumadeiras e até mesmo amas de leite foram comuns naqueles tempos. No Século do Ouro (XVIII) alguns escravos conseguiam comprar sua liberdade após adquirirem a carta de alforria. Juntando alguns "trocados" durante toda a vida, conseguiam tornar-se livres. Porém, as poucas oportunidades e o preconceito da sociedades acabavam fechando as portas para estas pessoas, que retornavam aos engenhos implorando para trabalhar.
O negro também reagiu à escravidão, buscando uma vida digna. Foram comuns as revoltas nas fazendas em que grupos de escravos fugiam, formando nas florestas os famosos quilombos, espaços afastados dos centros urbanos, que reuniam os escravos que fugiam de seus senhores em busca de liberdade. Geralmente localizavam-se em locais de difícil acesso, como no meio de matas ou em montanhas. Seus habitantes, chamados “quilombolas”, formavam comunidades que buscavam manter suas tradições religiosas e culturais; alguns chegavam a reproduzir a organização social africana. Sobreviviam por meio da pesca, da caça, da coleta de frutas e da agricultura; também praticavam o comércio dos excedentes com as populações ao redor. Houve quilombos de diversos tamanhos, alguns pequenos, com apenas vinte ou trinta habitantes, e outros grandes, com centenas ou milhares de habitantes. O maior deles foi o Quilombo dos Palmares, localizado na Serra da Barriga, atual estado de Alagoas. Alguns estudiosos acreditam que o seu surgimento tenha ocorrido entre 1580 e 1597 e foi crescendo rapidamente. Muitos especulam que na década de 1670, a população de Palmares tenha atingido aproximadamente 20 mil habitantes, dividida em dez comunidades. A maior delas, Macaco, fazia o papel de capital, pois era o centro político e concentrava o maior número de habitações (cerca de 1.500). As outras comunidades tinham nomes como Subupira, Zumbi, Tabocas... 

A Coroa portuguesa e o poder colonial tentaram dar fim ao quilombo por diversas vezes. Oficialmente, foram organizadas 16 expedições, sendo 15 fracassadas devido às suas condições de localização geográfica, uma região montanhosa, e da grande habilidade em estratégia militar de Zumbi e seus quilombolas. A última expedição, comandada pelo bandeirante paulista Domingos Jorge Velho, conhecido caçador de índios, foi a última e vitoriosa tentativa de acabar com Palmares. Seu primeiro ataque, em 1692 fracassou; mas dois anos depois ele voltou com um contingente enorme de homens e de munições. O quilombo resistiu por vinte e dois dias, mas foi derrotado em seis de fevereiro de 1694. 
Zumbi entrou para a história do Brasil como símbolo da resistência negra contra a escravidão e como o último chefe do Quilombo dos Palmares, um dos mais emblemáticos quilombos da época colonial. Ele nasceu em 1655, e apesar de ter nascido livre, foi capturado aos seis ou sete anos de idade sendo entregue ao padre Antônio Melo e batizado com o nome de Francisco. Aprendeu português e latim, foi iniciado na religião católica e chegou a auxiliar na celebração de missas, como coroinha. Porém, aos 15 anos, resolveu que seu destino era voltar para onde havia nascido e viver como seus iguais no quilombo. Fugiu para Palmares e adotou o nome de Zumbi, que tem significados variados: guerreiro, morto-vivo, espírito presente...
O primeiro grande chefe do Quilombo dos Palmares foi Ganga Zumba, tio de Zumbi. Ele chegou a assinar, em 1678, um acordo de paz com o governo de Pernambuco. Zumbi e seus partidários não concordaram com esse tratado, dando início a uma guerra interna. O final do conflito veio com a morte de Ganga Zumba, envenenado por um dos partidários de seu sobrinho. Com isso, Zumbi tornou-se líder dos palmarinos, chefiando a resistência contra os portugueses. Zumbi fugiu, mas um de seus companheiros o delatou, sob tortura. O líder dos Palmares foi encontrado em uma emboscada, na Serra Dois Irmãos, e morto em 20 de novembro de 1695. Não se sabe se ele foi assassinado ou se cometeu suicídio. Sua cabeça foi cortada e exibida em um poste em Recife. Após séculos, sua história e sua coragem foram transformadas em símbolos para a comunidade afro-brasileira.
A partir da metade do século XIX a escravidão no Brasil passou a ser contestada pela Inglaterra. Interessada em ampliar seu mercado consumidor no Brasil e no mundo, o Parlamento Inglês aprovou a Lei Bill Aberdeen (1845), que proibia o tráfico de escravos, dando o poder aos ingleses de abordarem e aprisionarem navios de países que faziam esta prática. Em 1850, o Brasil cedeu às pressões inglesas e aprovou a Lei Eusébio de Queiróz que acabou com o tráfico negreiro. Em 28 de setembro de 1871 era aprovada a Lei do Ventre Livre que dava liberdade aos filhos de escravos nascidos a partir daquela data. Porém, a criança ficava com a mãe até os 8 anos de idade e, a partir daí, o senhor podia optar entre ficar com ela até que ela completasse 21 anos, ou entregá-la ao estado mediante uma indenização. Na realidade, poucas crianças foram entregues ao estado, que não indenizava corretamente quem as entregava. No final das contas, grande parte ficava prestando serviços aos senhores até a maioridade. E no ano de 1885 era promulgada a Lei dos Sexagenários que garantia liberdade aos escravos com mais de 60 anos de idade. O detalhe é que poucos escravos conseguiam chegar a essa idade. Somente no final do século XIX é que a escravidão foi mundialmente proibida. Aqui no Brasil, sua abolição se deu em 13 de maio de 1888 com a promulgação da Lei Áurea, feita pela Princesa Isabel.  

abolição escravaturaPorém se a lei deu a liberdade jurídica aos escravos, a realidade foi cruel com muitos deles. Sem moradia, condições econômicas e assistência do Estado, muitos negros passaram por dificuldades após a liberdade. Muitos não conseguiam empregos e sofriam preconceito e discriminação racial. A grande maioria passou a viver em habitações de péssimas condições e a sobreviver de trabalhos informais e temporários. Vale lembrar que em 1888, quando a Lei Áurea foi assinada, o Brasil era um dos últimos países no mundo a abolir a escravidão. Eternizada no tempo (e nas cartilhas escolares), como uma liberdade concedida de forma paternalista pela princesa Isabel, a abolição foi, sobretudo, uma consequência natural para anos de atuação e luta de escravos, libertos, intelectuais, jornalistas negros e mestiços, em prol de seus próprios direitos.
 O Dia da Consciência Negra ainda não é um feriado nacional, mas existe um projeto de lei em tramitação que declara a data como tal. Enquanto a data não é oficialmente, cabe aos municípios decretarem ou não feriado ou ponto facultativo neste dia. 

12 de novembro de 2012

Pierre Verger - Mensageiro entre dois mundos

Documentário que traz um importante trabalho de pesquisa realizado pelo diretor Lula Buarque e o roteirista Marcos Bernstein, que estiveram na África, na França e na Bahia em busca da trajetória do fotógrafo e etnógrafo francês Pierre Verger. Filme narrado e apresentado por Gilberto Gil que traz a última entrevista de Pierre filmada um dia antes de seu falecimento, em 11 de fevereiro de 1996, além de extenso material fotográfico, textos produzidos por ele e depoimentos de amigos como o documentarista Jean Rouche, Jorge Amado, Zélia Gattai, Mãe Stella, Pai Agenor e o historiador Cid Teixeira. A tão famosa ponte criada por Verger entre a cultura negra na Bahia e na África, rompida desde os anos 40, é restabelecida no filme quando Gilberto Gil refaz o papel de mensageiro e percorre os mesmos caminhos do fotógrafo. Outra descoberta de Verger apresentada no filme, são os descendentes da única colonização feita por brasileiros: os "Agouda", africanos, habitantes do Benin e da Nigéria, que ainda hoje cultivam influências brasileiras trazidas por ex-escravos que retornaram do Brasil ao continente africano.

15 de Novembro - Dia Nacional da Umbanda

No dia 15 de novembro comemoramos o dia da nacional da Umbanda, e queremos prestar uma homenagear a você, que vai ao terreiro demonstrar sua fé, seu comprometimento e sua vontade de aprender.
Dedicamos esse dia a você, que não usa guias no pescoço somente para fazer peso ou enfeite, e sim porque sabe a verdadeira importância de se ter uma segurança.
Dedicamos esse dia a você que não veste o branco só por que te mandaram, e sim porque sabe o real significado de igualdade.
Dedicamos esse dia a você, que comparece em dia de sessão não para fazer desfile de moda ou jóias, tentando demonstrar que possuiu uma entidade mais enfeitada e bonita, e sim que sabe a importância de se ter uma entidade firme e afinada com nós mesmos para que possamos crescer cada vez mais.
Dedicamos esse dia a você, que sabe respeitar a hierarquia e não está praticando a religião apenas para conseguir títulos.
Dedicamos esse dia a você, que vai a todas as sessões e fica na assistência  somente para sentir toda a energia que emana das entidades.
Dedicamos esse dia a você, que mesmo após trabalhar um dia inteiro, entra na corrente para demonstrar o seu amor e sua vontade de fazer caridade.
Dedicamos esse dia a você, que é cambono ou tamboreiro, pois sabemos da extrema importância de cada um para o bom andamento da sessão. 
E finalmente, dedicamos esse dia tão sublime a você, filho de Umbanda que não sabe explicar, mas somente sentir o verdadeiro significado da palavra Fé!

9 de novembro de 2012

Filme Quilombo

Esse filme de 1984 nos mostra a história de um grupo de escravos no ano de 1650, que se rebela num engenho de Pernambuco e ruma ao Quilombo dos Palmares, onde uma nação de ex-escravos fugidos resiste ao cerco colonial. Entre eles, está Ganga Zumba, príncipe africano e futuro líder de Palmares. Anos mais tarde, seu herdeiro e afilhado, Zumbi, contestará as ideias conciliatórias de Ganga Zumba, enfrentando o maior exército jamais visto na história colonial brasileira.


Assista ao filme completo:

7 de novembro de 2012

Umbanda

Casa de Guerreiro





Nesta casa de guerreiro, Ogum

Vim de longe pra rezar, Ogum

Rogo a Deus pelos doentes, Ogum

Na fé de Obatalá, Ogum

Ogum salve a casa santa, Ogum


Os presentes e os ausentes, Ogum

Salve nossas esperanças, Ogum

Salve velhos e crianças, Ogum

Nego velho ensinou, Ogum


Na cartilha de aruanda, Ogum

E Ogum não esqueceu, Ogum

Como vencer a demanda, Ogum

A tristeza foi embora, Ogum


Na espada de um guerreiro, Ogum

E a luz do romper da aurora, Ogum

Vai brilhar neste terreiro, Ogum


Download: 

5 de novembro de 2012

Candomblé


Rainha Ijexá

Deusa mais linda
Rainha de uma nação
Orixá de rara beleza
Mãe da criação

Venha dançar entre nós
Com todo esse fervor
O povo ansioso te espera
Pra bater o seu tambor

Foi criança com Xangô
E com ele vivia a brincar
Mas de Ibeji passou a guerreira
Oxum mais linda e faceira

É deusa menina
É Oxum Epandá
É irmã de Iansã
Com quem aprendeu a lutar

Ao lado de Ogum
Seu povo defendeu
E com o passar dos anos
A mulher apareceu

Ie Ieu Oxum Demun
Que ao lado de Ossanhe
Com capricho as ervas colhe
E o mesmo carinho emprega
Aos filhos com que escolhe


Em seu espelho se mira
E das rivais desperta a ira
Coisa linda é vislumbrar
O encontro de suas águas
Com o curso do rio Obá

Mulher madura e inteligente
Se mostra Oxum Olobá
Que nas águas vem se banhando
E com Xapanã chega dançando

Com seu instinto maternal
Oxum Docô se manifesta
Se senta ao lado de Oxalá
E o seu toque vira festa

Nagô, Ketu, Oyó
Cabinda, Jeje, Ijexá
Todos os povos se curvam
Pra passar tão linda Iyabá

Verdadeira Yalodê
Que em seu colo me carrega
Sua presença é marcante
Seu amor a mim entrega

Dona da minha cabeça
Mãe zelosa e protetora
Me abençoe com seu axé
E me mantenha firme na fé!

1 de novembro de 2012

Tristeza dos Orixás

Certo dia na morada dos Orixás, quando o sol já tinha se posto e a lua tímida teimava em não iluminar com seus encantadores raios, Ogum, o Orixá das guerras saiu do alto ponto onde guarda todos os caminhos e dirigiu - se ao mar. Lá chegando, as sereias começaram a cantar e os seres aquáticos agitaram - se. Todos adoravam Ogum, ele era tão forte e corajoso. Iemanjá que tem nele um filho querido, logo abriu um sorriso, aqueles de mãe coruja quando revê um filho que há tempos partiu de sua casa, mas nunca de sua eterna morada dentro do coração:
- Ah Ogum, que saudade, já faz tanto tempo! Você podia vir visitar mais vezes sua mãe, não é mesmo?   
- Desculpe, eu ando meio ocupado, respondeu um triste Ogum.
- Mas, o que aconteceu? 
- Estou cansado! Estou cansado de muitas coisas que os encarnados fazem em meu nome. Estou cansado com o que eles fazem com a espada da lei que julgam carregar. Estou cansado de tanta demanda. Estou muito mais cansado das supostas demandas, que apenas existem dentro do íntimo de cada um deles... Estou cansado...
Ogum retirou seu elmo, e por de trás de seu bonito capacete, um rosto belo e de traços fortes pôde ser visto. Ele chorava. Chorava uma dor que carregava há tempos. Chorava por ser tão mal compreendido pelos filhos de fé. Chorava por ninguém entender que se ele se mostrava protetor e austero, era porque em seu peito a chama da compaixão brilhava. E, se existia um Orixá leal, fiel e companheiro, esse Orixá é Ogum. Ele amava a humanidade, amava a vida, mas infelizmente suas atribuições não eram realmente entendidas. As pessoas não viam em sua espada a força que corta as trevas do ego, e logo a transformavam em um instrumento de guerra. Infelizmente ele era entendido como o "Orixá da Guerra", um homem impiedoso que utiliza-se de sua espada para resolver qualquer situação. 
 Isso magoava Ogum. Como magoava: 
- Ah, filhos de fé, por que vocês esquecem que nossa religião é pura e simplesmente amor e devoção? A minha espada sempre protege o justo, o correto, aquele que trabalha pela luz, fiando seu coração em Olorum. Por que esquecem que a espada da lei só pode ser manuseada pela mão direita do amor, insistindo em empunhá-la com a mão esquerda da soberba, do poder transitório, da ira, da ilusão, transformando-a em apenas mais uma espada semeadora de tormentos e destruição? 
Então Ogum começou a retirar sua armadura, que representa a proteção e a firmeza no caminho espiritual que esse Orixá traz para nossa vida. E totalmente nu ficou frente à Iemanjá. Cravou sua espada no solo. Não queria mais lutar, não daquele jeito. Estava cansado...  
Logo um estrondo foi ouvido e o querido, mas também temido Tatá Omulu apareceu. E por incrível que pareça o mesmo aconteceu. Ele não aguentava mais ser visto como uma divindade da peste e da magia negativa. Não entendia como ele, o guardião da vida podia ser invocado para atentar contra ela. Magoava-se por sua falange da morte, que é o princípio que a tudo destrói, para que então a mudança e a renovação aconteçam, ser tão temida e mal compreendida pelos homens. Ele também deixou sua alfange aos pés de Iemanjá, e retirou seu manto escuro como a noite. Logo via-se o mais lindo dos Orixás, aquele que usa uma cobertura para não cegar os seus filhos com a imensa luz de amor e paz que irradia de todo seu ser. A luz que cura, a luz que pacifica, aquela que recolhe todas as almas que perderam-se na senda do criador. Então uma tempestade começou a desabar, e todos os outros Orixás começaram a aparecer, para logo, começarem também a despir suas vestimentas sagradas, além de deixarem ao pé de Iemanjá suas armas e ferramentas simbólicas. Faziam isso em respeito a Ogum e Omulu, dois Orixás tão mal compreendidos. Faziam isso por si próprios. Iansã queria que as pessoas entendessem que seus ventos sagrados são o sopro de Olorum, que espalha as sementes de luz do seu amor. Oxóssi queria ser reverenciado como aquele que, com flechas douradas de conhecimento, rasga as trevas da ignorância. Um a um, todos foram despindo-se e pensando quanto os filhos de fé compreendiam erroneamente os Orixás.  
Iemanjá, totalmente surpresa e sem reação, não sabia o que fazer. Estavam todos lá, pedindo a ela um conforto. Mas nem mesmo a encantadora Rainha do Mar sabia o que fazer. -Espere! Pensou Iemanjá. Oxalá, Oxalá não está aqui! Ele com certeza saberá como resolver essa situação.  
E logo Iemanjá colocou-se em oração, pedindo a presença daquele que é Rei entre os Orixás. Oxalá então apresentou-se na frente de todos. Trazia seu opaxorô, o cajado que sustenta o mundo. Cravou ele na terra, ao lado da espada de Ogum. Também despiu-se de sua roupa sagrada para igualar-se a todos, e sua voz ecoou pelos quatro cantos do Orun:
- Olorum manda uma mensagem a todos vocês meus irmãos queridos! Ele diz para que não desanimem, pois se poucos realmente os compreendem, aqueles que assim o fazem, não medem esforços para disseminar essas verdades divinas. Fechem os olhos e vejam, que mesmo com muita tolice e bobagem relacionada e feita em nossos nomes, muita luz e amor também está sendo semeado, regado e colhido, por mãos de sérios e puros trabalhadores. Esses verdadeiros filhos de fé que lutam por uma religião séria, sem os absurdos que por aí acontecem. Esses que muito além de apenas prestarem o socorro espiritual, plantam as sementes do amor dentro do coração de milhares de pessoas. Esses que passam por cima das dificuldades materiais e das pressões espirituais, realizando um trabalho magnífico, atendendo milhares na matéria, mas também milhões no astral, onde a espiritualidade e religiosidade verdadeira irão manifestar-se. Esses incríveis filhos que não colocam as responsabilidades da vida deles em nossas costas, mas entendem que tudo depende exclusivamente deles mesmos. Esses fantásticos trabalhadores anônimos que nos honram e nos enchem de alegria!
Quando Oxalá calou-se, os Orixás estavam mudados. Todos eles tinham suas esperanças recuperadas. Realmente sabiam que se poucos os compreendiam, grande era o trabalho que estava sendo realizado, e talvez, daqui algum tempo, muitos outros juntariam-se nesse ideal. E aquilo alegrou-os tanto que todos começaram a assumir suas verdadeiras formas, que são de luzes fulgurantes e indescritíveis. E lá, do plano celeste, brilharam e derramaram-se em amor e compaixão pela humanidade. 
Em Aruanda, os caboclos, pretos-velhos, crianças, exus e pombas giras o mesmo fizeram. Largaram tudo, também despiram-se e manifestaram sua essência de luz, sua humildade e sabedoria comungando a benção dos Orixás. 
Vocês, filhos de fé, pensem bem! Não transformem nossa religião em um campo de guerra, onde os Orixás são vistos como "armas" para vocês acertarem suas contas terrenas. Muito menos esqueçam do amor e compaixão, chaves de acesso ao mistério de qualquer um deles. Lembrem-se da simplicidade, do respeito, da responsabilidade e do puro sentimento. Lembrem - se disso. E quanto a todos aqueles, que lutam por uma religião séria, esclarecida e verdadeira, independente dos fundamentos seguidos, lembrem - se das palavras de Oxalá. Não desanimem com aqueles que vos criticam, não fraquejem por aqueles que não tem olhos para ver o brilho da verdadeira espiritualidade. Lembrem - se que vocês também inspiram e enchem os Orixás de alegria e esperança!