11 de outubro de 2012

Nação Xalu

 A partir da segunda metade do século XIX, surgia no Brasil grupos organizados que recriavam os cultos religiosos dos negros trazidos da África para aqui serem escravizados. Da junção de todas essas nações, e da mistura que se formava entre elas, nasceu então a religião afro-brasileira, que em nosso estado é conhecida como Batuque. 
Na África, “jeje” era o nome dado de forma pejorativa pelos yorubás para os mahis, que habitavam o leste, e para os savalus que habitavam o sul. Abomey ficava a oeste, enquanto os axantis eram a tribo do lado norte. Todas essas tribos eram chamadas pelos yorubás de “jejes”(djedje), palavra que também foi associada a “inimigo”, pois quando os conquistadores de Dahomé eram avistados pelos nativos de uma aldeia, muitos gritavam alarmados: “Pou okan, djedje hum wa!” (Olhem, os jeje estão chegando!). Assim também aconteceu no Brasil quando os primeiros daomeanos chegaram como escravos, aqueles que aqui estavam reconheceram o inimigo e gritaram “Pou okan, djedje hum wa!” ficando assim conhecido o culto aos voduns no Brasil, popularmente chamado de “Nação Jeje”. Portanto, em se tratando de termos políticos, nunca existiu nenhuma Nação Jeje. 

Savalu é uma cidade do Benim, localizada no Departamento de Colines, a uns 30 km da cidade de Dassa Zoumé onde existe um templo dedicado a Nanã Buruku, e também indica o nome do povo dessa região que forma uma sub-divisão da cultura yorubá. Também na cidade de Save e nas regiões mais a oeste encontra-se o culto a Nanã Buruku e a seu filho Sakpata, que era rei da cidade de Savalu, porém foi trazido para o norte, a fim de se afastar das regiões destruídas pelas campanhas dos reis de Abomey. Essa tradição é confirmada por alguns historiadores, que afirmam que Sakpatá foi o único rei que preferiu o exílio a se render aos conquistadores de Dahomé. Sendo assim, ele é considerado uma divindade de dupla etnia, pois seu culto transita entre os povos Fon e os povos Yorubá.

É justamente dentro dessa cultura que nasce a Xalú (Aje Xalú Bowetoa Oni Axé), termo adotado somente com o intuito de identificar e diferenciar as práticas dentro do culto as Nações Jêje-Nagô / Jêje-Savalu. Sendo que todas as Nações atribuem ao seus segmentos nomes que os identificam como família e que servem para diferenciar os fundamentos por eles praticados, o nome utilizado para denominar a Nação Xalu não modifica em nada suas origens e fundamentos aprendidos com seus antepassados e utilizados por seus adeptos até hoje. 



Árvore genealógica da Nação Xalu no estado do Rio Grande do Sul


Nação Jeje Savalu em Salvador

O templo de Ajunsun-Sakpata foi criado em Salvador pela africana Gaiaku Satu, e recebeu o nome de “Cacunda de Yayá”, que tem como sua representante a Ialorixá Maria de Lourdes Buana (Iyá Ominibu Kafae foobá), filha de Mãe Tança de Nanã (Jaoci), que era filha de Gaiaku Satu. Dona Lourdes tem roça em Salvador e também em Nilópolis, com diversos descendentes de Jeje Savalu.

Também em Salvador, Amilton de Sogbo segue a luta pela preservação da tradição Jeje Savalu, na condição de Doté, à frente do Kwe Vodun Zo (Templo do Vodun/Espírito do Fogo). Amilton é descendente espiritual da Cacunda de Yayá, onde teve o seu nascimento para zelar pelo Panteão Savaluno, pelas mãos de Mãe Tança de Nanã.
Ainda em Salvador, encontramos o  terreiro Ase Ile Ogiyan, administrado pela Ialorixá Maria dos Reis Carneiro, fundado em 1976, de tradição Jeje Savalu



2 comentários:

  1. Você pertence a Xalú? como conseguiu estas informaçoes?

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  2. Olá, eu fazia parte da Nação Xalú sim. Consegui essas informações após intensas pesquisas.

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