30 de setembro de 2012

30 de setembro dia de Xangô

Xangô nasce do poder e morre em nome do poder. Rei absoluto, forte e imbatível, Xangô é rei entre todos os Orixás. É um Orixá do fogo que destaca-se pela sua valentia e liderança, castigando mentirosos, infratores e ladrões. Por isso a morte pelo raio é considerada infame, assim como uma casa atingida por uma descarga elétrica é tida como marcada pela ira de Xangô.
Uma de suas lendas conta que Xangô era rei de Oió, o mais temido e respeitado entre todos os reis. Mesmo assim, um dia seu reino foi atacado por uma grande quantidade de guerreiros que invadiram a cidade violentamente, destruindo tudo e matando soldados e moradores numa tremenda fúria assassina. Xangô reagiu e lutou bravamente durante semanas. Um dia, porém, percebeu que a guerra tornara-se um caminho sem volta. Já havia perdido muitos soldados e a única saída seria entregar sua coroa aos inimigos. Resolveu então procurar por Orunmilá e pedir-lhe um conselho para evitar a derrota quase certa. O adivinho mandou que ele subisse uma pedreira e lá aguardasse, pois receberia do céu a iluminação do que deveria ser feito. Xangô subiu, e quando estava no ponto mais alto do terreno, foi tomado de extrema fúria. Pegando seu machado de duas lâminas, começou a quebrar as pedras com grande violência. Estas, ao serem quebradas, lançavam raios tão fortes que em instantes transformaram-se em enormes línguas de fogo que, espalhando-se pela cidade, mataram uma grande quantidade de guerreiros inimigos. Os que restaram, apavorados, procuraram os soldados de Xangô e renderam-se imediatamente pedindo clemência. Levados até ao rei, os presos elegeram um emissário para servir-lhes de porta voz. O homem escolhido foi logo se atirando aos pés de Xangô. Desculpou-se pedindo perdão. Humilhando-se, explicou que lutavam, não por vontade própria, e sim forçados por um monarca, vizinho de Oió, que tinha um grande ódio de Xangô e os martirizava impiedosamente. Xangô, altamente perspicaz, enxergou nos olhos do guerreiro que ele falava a verdade e perdoou a todos, aceitando-os como súditos de seu reino. Assim tornou-se conhecido como o Orixá justiceiro que perdoa quando defrontado com a verdade, mas que queima com seus raios os mentirosos e ladrões.

Saudação: Kawo Kabiyesile! Venham ver o Rei descer sobre a Terra!
Dia da Semana: Terça-feira
Animal: Leão
Cor: Branco e vermelho
Ferramentas: Balança, machado de duas lâminas, livro, pilão, gamela...
Fruta: Banana
Erva: Quebra-pedra
Onde recebe oferendas: Nas montanhas e pedreiras


Na Umbanda, os mensageiros de Xangô são a representatividade mais perfeita da força na quebra de demandas. Suas vibrações são de justiça e lei irrevogável. São caboclos que viveram mais isoladamente e, portanto possuem um comportamento mais rústico. São extremamente sérios e falam muito pouco.
Entre alguns de seus caboclos estão Caboclo Sete Pedreiras, Caboclo Sete Cachoeiras, Caboclo Sete Pedras, Caboclo Sete Montanhas, Caboclo Cachoerinha, Caboclo Treme Terra, Araúna, Cajá, Caboclo do Sol, Itapitinga, Itaqui, Ubiratã, Itajaí,Caboclo Quebra Pedra, Itapeva, Caboclo Giguaçu, Caboclo Itaimbé, Sete Trovões, Pedra Preta, Caboclo da Pedreira, Caboclo do Trovão...


No alto da pedreira está Xangô, senhor do meu destino até o fim
Se um dia me faltar a fé que ele me deu, que role esta pedreira sobre mim!
Kawó Kabiyesile!

26 de setembro de 2012

27 de Setembro dia de Cosme e Damião



Os Cosmes na Umbanda são a manifestação de espíritos cujo desencarne se deu com pouca idade, ainda na infância. Por esse motivo, trazem consigo características da sua última encarnação, como trejeitos e fala infantil. Eles realizam um trabalho muito importante dentro da Umbanda, acompanhando de perto a nossa infância, pois enquanto somos crianças eles têm maior acesso e facilidade para nos ajudar, pois nossa vibração fica mais próxima à deles. Seus nomes geralmente são comuns e se apresentam no diminutivo: Pedrinho, Joãozinho, Mariazinha... 
No Candomblé são chamados de Erê, e são o intermediário entre a pessoa e o seu Orixá, residindo entre a consciência da pessoa e a inconsciência do Orixá. É por meio do Erê que o Orixá expressa a sua vontade e que o noviço aprende as coisas fundamentais do Candomblé. Durante o ritual de iniciação, o Erê é de suma importância, pois é ele quem  trará as várias mensagens do Orixá do recém-iniciado. Seus nomes normalmente são ligados ao Orixá do médium. Para os filhos de Obaluaiê, Pipocão, Formigão, para os de Oxóssi, Pingo Verde, Folinha Verde, para os de Oxum, Rosinha, para os de Yemanjá, Conchinha Dourada... 
Tanto os Cosmes quanto os Erês quando incorporados em um médium, gostam de brincar, correr e fazer brincadeiras como qualquer criança, e é possível notar que a característica mais comum entre eles é a atitude infantil, o apego a brinquedos, bonecas, chupetas, carrinhos e bolas.
Acarajé, vatapá, caruru, xinxim de galinha
Acarajé, vatapá, caruru e xinxim de galinha
A festa de Cosminho, como é carinhosamente conhecida, é muito concorrida em quase todos os terreiros do país, e geralmente são preparadas exclusivamente com doces, bolos, balas e refrigerantes. Porém na Bahia, as festas para as crianças tem duração de um mês, iniciando em 27 de setembro, dia de Cosme e Damião, e terminando em 25 de outubro, devido a ligação que há entre Crispim e Crispiniano. Nas mesmas sãos oferecidos abará, acarajé, pipoca, vatapá, azeite, milho branco, feijão preto, feijão fradinho, ximxim de galinha, arroz branco, farofa de mel, banana da terra frita, amendoim assado, coco seco cortado em tirinhas, inhame, abóbora, batata doce, rapadura, ovo em rodelas e cana cortada em tiras que fazem parte do típico prato "Caruru de Cosminho", também conhecido como "Caruru dos sete meninos", que representam os sete irmãos: Cosme, Damião, Doum, Alabá, Crispim, Crispiniano e Talabi. No dia da festa, os primeiros a serem servidos são São Cosme e São Damião e as oferendas são precisamente colocadas no altar decorado para a ocasião. Procedida a cerimônia, chamam-se os sete meninos, especialmente convidados para iniciar a comilança. A tradição manda que se prepare uma roda de sete meninos, onde é colocada uma toalha de mesa no chão e as crianças se sentam ao redor. Eles comem com as mãos em pequenos pratinhos de barro, ou em um único prato grande como uma bacia. Conforme os garotos estão comendo, no seu lambuzado e na sua alegria, os adultos ao redor cantam deliciosas toadas. Quando acabam, levantam a tigela e cantam:


Vamos levantar
O Cruzeiro de Jesus
No céu, no céu, no céu
A Santa Cruz

Antes, outras canções são entoadas, com grande entusiasmo dos presentes, meninos ou adultos:


São Cosme me mandou fazer
Uma camisinha azul
Quando chega o dia dele
São Cosme quer caruru

E mais:

Cadê sua camisa
Dois-dois!
Dois jogando bola
Com ela
Dois jogando bola
Quem não tem pena
Mamãe
Quem não tem dó de ver 
Dois-dois

Na roda
Brincando só
Cosme e Damião
Ogum e Alabá
Vamos catar conchinha
Na beira do mar

O poder do machado de Xangô - Parte 2


20 de setembro de 2012

Canto das Três Raças - Clara Nunes


Ninguém ouviu
Um soluçar de dor

No canto do Brasil

Um lamento triste

Sempre ecoou
Desde que o índio guerreiro
Foi pro cativeiro
E de lá cantou
Negro entoou
Um canto de revolta pelos ares
No Quilombo dos Palmares
Onde se refugiou
Fora a luta dos Inconfidentes
Pela quebra das correntes
Nada adiantou
E de guerra em paz
De paz em guerra
Todo o povo dessa terra
Quando pode cantar
Canta de dor

Ô, ô, ô, ô, ô, ô
Ô, ô, ô, ô, ô, ô

E ecoa noite e dia
É ensurdecedor
Ai, mas que agonia
O canto do trabalhador
Esse canto que devia
Ser um canto de alegria
Soa apenas 
Como um soluçar de dor

Escrava Anastácia - Parte 14 - Final


Escrava Anastácia - Parte 13


11 de setembro de 2012


Escrava Anastácia - Parte 9




Orikí

Os orikís (do iorubá orí = cabeça, kí = saudar) são versos, frases ou poemas formados para saudar determinado Orixá, referindo-se a sua origem, sua qualidade ou sua ancestralidade, além de fazer referência a grandes feitos realizados pelo mesmo. Na cultura iorubá também é usado como sobrenome oruko-oriki: oruko é o nome da pessoa e orikí diz quem a pessoa é. Sendo as palavras portadoras de axé, dá-se aos Orikís o poder de invocarem por si próprios a força vital. Com a importância a ele atribuída, sua entonação sempre emociona as entidades a quem são dirigidos e tornam-se infalivelmente ouvidos e as oferendas recebidas. Assim sendo, servem para louvar e pedir auxílio.
Orikí-orilé é a denominação de orikís referentes ás linhagens. Pode ser dirigida a família ou a um de seus membros, com o intuito de louvar seus ancestrais, demonstrar apreço ou aplacar sua ira. Usado para rememorá-los e dar conhecimento aos mais novos dos feitos de seus antepassados. Orikís deste tipo não são usados para causar emoções, apenas para louvar o reconhecimento dos predicados dos antepassados, onde é enfatizado sua profissão, gosto alimentar e outras de suas particularidades. Esta modalidade é usual entre os Iorubás, quando se realizam eventos como casamentos, komojade, inauguração de casa, ritos fúnebres... Existem pessoas especializadas nestes orikí-orilé, que sempre são convidadas para fazer estas recitações.
Os nascimentos têm um orikí diferenciado, chamado de orikí-amutòrunwa, que narram as circunstancias do nascimento da criança.
Nos funerais de anciãos os oriki-orilé são entoados pelas mulheres e no caso de caçadores se faz o mesmo. Nota-se que estes chamados são para invocar a presença do homenageado. Em caso de viagens são entoados em forma de benção relembrando suas profissões, motivo da viagem e ewó (interdições).
Lembramos, porém, que existe uma relação entre orikí-orilè e ila-oju (marcas faciais), ambos servem para identificar suas linhagens, constituindo sinais de identidade familiar.
Sabemos que animais, cidades, povos e terras possuem orikís próprios, que por vezes são acompanhados de tambores específicos.
Entoados com finalidade religiosa ou não, o simples ouvir de um orikí impõem silencio, compenetração e respeito dos presentes.

Escrava Anastácia - Parte 8