22 de agosto de 2012

Iemanjá dona do pensamento

Olodumaré fez o mundo e repartiu entre os Orixás vários poderes, dando a cada um deles um reino para cuidar. A Bará deu o poder da comunicação e a posse das encruzilhadas. A Ogum deu o poder de forjar os utensílios para a agricultura e o domínio de todos os caminhos. A Odé e Otim deu o poder sobre a caça e a fartura. A Xapanã deu o poder de controlar as doenças de pele. Xangô recebeu o poder da justiça e sobre os trovões. Iansã reinaria sobre os mortos e teria poder sobre os raios. Oxum seria a divindade da beleza, da fertilidade das mulheres e de todas as riquezas materiais da terra, bem como teria o poder de reinar sobre os sentimentos de amor e ódio. Nanã recebeu a dádiva, por sua idade avançada, de ser a pura sabedoria dos mais velhos, além de ser o final de todos os mortais, nas profundezas de sua terra, os corpos dos mortos seriam recebidos. Além disso do seu reino sairia a lama da qual Oxalá modelaria os mortais, pois Odudua já havia criado o mundo. Para Iemanjá, Olodumaré destinou os cuidados da casa de Oxalá, assim como a criação dos filhos e de todos os afazeres domésticos. Iemanjá trabalhava e reclamava de sua condição de menos favorecida, afinal, todos os outros recebiam oferendas e homenagens e ela, vivia como escrava.


Durante muito tempo Iemanjá reclamou dessa condição e tanto falou nos ouvidos de Oxalá, que ele enlouqueceu. O ori (cabeça) de Oxalá não suportou as reclamações de Iemanjá e ele ficou enfermo. Iemanjá então deu-se conta do mal que fizera ao marido e, em poucos dias curou Oxalá.
Oxalá agradecido foi a Olodumaré pedir para que deixasse à Iemanjá o poder de cuidar de todas as cabeças. Desde então Iemanjá recebe oferendas e é homenageada quando se faz o bori e demais ritos à cabeça.

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