25 de maio de 2012

Dia dos Ciganos

No dia 24 de maio comemora-se o Dia Nacional do Cigano, que foi instituído em 25 de maio de 2006 por meio de decreto assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que, ao assinar o ato, reconheceu a importância da contribuição da etnia cigana no processo de formação da história e da identidade cultural brasileira.

Decreto de 25 de Maio de 2006
Institui o Dia Nacional do Cigano
O Presidente da República, no uso da atribuição que lhe confere o art. 84, inciso II, da Constituição, decreta:
Art. 1o Fica instituído o Dia Nacional do Cigano, a ser comemorado no dia 24 de maio de cada ano.
Art. 2o As Secretarias Especiais de Políticas de Promoção da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos da Presidência da República apoiarão as medidas a serem adotadas para comemoração do Dia Nacional do Cigano.
Art. 3o Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação. 

Em 8 de abril é comemorado o Dia Internacional dos Ciganos (International Roma Day), criado pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1971.
Os Ciganos na Umbanda pertencem à uma linha de trabalhadores espirituais que buscam seu espaço próprio pela força que demonstram em termos de caridade e serviços a humanidade. Seus préstimos são valiosas contribuições no campo do bem-estar pessoal e social, saúde, equilíbrio físico, mental e espiritual.
São entidades oriundas de um povo muito rico de histórias e lendas, foram na maioria andarilhos que viveram entre os séculos XIII e XVI. Os ciganos em geral tem seus rituais especificos e cultuam muito a natureza, os astros e ancestrais. Dentro da Umbanda trabalham para o progresso financeiro e para as causas amorosas. Adoram festas e são considerados o “povo do amor e da alegria”. Os ciganos, dentro da ritualistica umbandista, falam a língua “portunhol”, alguns, poucos, falam o “romanês”, língua original dos ciganos. As incorporações podem acontecer tanto em linha própria, quanto na linha de exú.
Uma das lendas ciganas, diz que existia um povo que vivia nas profundezas da terra, com a obrigação de estar na escuridão, sem conhecer a liberdade e a beleza. Um dia alguém resolveu sair e ousou subir às alturas e descobriu o mundo da luz e suas belezas. Feliz, festejou, mas ao mesmo tempo ficou atormentado e preocupado em dar conta de sua lealdade para com seu povo, retornou à escuridão e contou o que aconteceu. Foi então reprovado e orientado que lá era o lugar do seu povo e dele também. Contudo, aquele fato gerou um inconformismo em todos eles e acreditando merecerem a luz e viver bem, foram aos pés de Deus e pediram a subida ao mundo dos livres, da beleza e da natureza. Deus então, preocupado em atende-los, concedeu e concordou com o pedido, determinando então, que poderiam subir à luz e viver com toda liberdade, mas não possuiriam terra e nem poder e em troca concedia-lhes o Dom da adivinhação, para que pudessem ver o futuro das pessoas e aconselha-las para o bem.
É muito comum usar-se em trabalhos ciganos moedas antigas, fitas de todas as cores, punhal, cristal, lenços coloridos e muita fartura.

Símbolos Ciganos:
Taça: Simboliza união e receptividade. Qualquer líquido cabe nela e adquire sua forma. Tanto que, no casamento cigano, os noivos tomam vinho em uma única taça, que representa valor e comunhão eterna.
Chave: Simboliza as soluções. É usada para atrair boas soluções de problemas. O símbolo da chave, quando em trabalho, costuma atrair sucesso e riquezas.
Âncora: Simboliza segurança. É usado para trazer segurança e equilíbrio no plano físico, financeiro e para se livrar de perdas materiais.
Ferradura: Simboliza energia e sorte. É usado para atrair energia positiva e boa sorte. A ferradura representa o esforço e o trabalho. Os ciganos têm a ferradura como poderoso talismã, que atrai a boa sorte, a fortuna e afasta a má sorte.
Lua: Simboliza a magia e os mistérios. A lua é usada geralmente pelas ciganas para atrair percepção, o poder feminino, a cura e o exorcismo, atentando-se sempre para as fases: nova, crescente, cheia e minguante. A lua cheia é o maior elo de ligação com o sagrado, sendo chamada de madrinha. As grandes festas sempre acontecem nas noites de lua cheia.
Moeda: Simboliza proteção e prosperidade. É usada contra energias negativas e para atrair dinheiro. A moeda é associada ao equilíbrio e à justiça e relacionada às riquezas materiais e espirituais, que são representadas pela cara e coroa. Para os ciganos, cara é o ouro físico, e coroa, o espiritual.
Punhal: Simboliza a força, o poder, vitória e superação. É muito usado nos rituais de magia, tem o poder de transmutar energias. Os ciganos também usavam o punhal para abrir matas, sendo então, um dos grandes símbolos de superação e pioneirismo, além da roda. O punhal também é usado nas cerimônias ciganas de noivado e casamento, onde é feito um corte nos pulsos dos noivos e em seguida os pulsos são amarrados em um lenço vermelho, representando a união de duas vidas em uma só.
Trevo: Simboliza a boa sorte. É o símbolo mais tradicional de boa sorte, traz felicidade e fortuna. É raro encontrar um trevo de quatro folhas na natureza, mas quando se encontra pode-se esperar sempre prosperidade.
Roda: Simboliza o ciclo da vida. Representa o ir e vir, o circular, o passar por diversos estados, o ciclo da vida, morte e renascimento. É usada para atrair a grande consciência, a evolução, o equilíbrio, é o grande símbolo cigano.



24 de maio de 2012

Santa Sara Kali - Protetora do Povo Cigano

O dia de Santa Sara Kali, padroeira dos ciganos, é comemorado hoje, dia 24 de maio. Santa Sara, a protetora do povo cigano que sempre pedem a ela sorte, amor, saúde, fartura e vida longa. O que poucos sabem é que Santa Sara é também protetora das mulheres que não conseguem engravidar, dos desesperados, dos ofendidos e dos desamparados. Ela foi canonizada em 1712 pela igreja católica, mas ate hoje omite seu culto. 
Para desvendar um pouco do mistério que acompanha Santa Sara e descobrir porque ela é tão venerada pelos ciganos, é preciso voltar ao tempo. Durante a Inquisição, os ciganos eram considerados bruxos e eram marginalizados pela igreja. Para que Santa Sara Kali fosse santificada pela igreja católica, foi preciso trocar sua origem cigana, para de escrava egípcia. Não se conhece a razão exata que levou os ciganos a eleger Santa Sara como sua padroeira.

Segundo alguns historiadores, por volta dos anos 50 d.c, uma embarcação teria cruzado os mares a partir de terras Palestinas levando a bordo para fugir das perseguições de Roma aos primeiros cristãos, um grupo de personagens bíblicos: Maria Jacobina ou Jacobé, irmã de Maria, mãe de Jesus, Maria Salomé, mãe dos apóstolos Tiago e João, Maria Madalena, Marta, Lázaro, Maximiliano e Sara, uma negra serva das mulheres santas. A embarcação teria aportado em uma pequena ilha situada em águas do Mediterrâneo. Milagrosamente, a barca sem rumo e à mercê de todas as intempéries, atravessou o oceano e aportou com todos salvos em Petit-Rhône, hoje a Saintes-Maries-de-La-Mer.
Uma outra versão contada é que Sara era uma escrava egípcia de uma das três Marias: Madalena, Jacobé e Salomé; e junto com José de Arimatéia, Trófimo e Lázaro foi colocada, pelos judeus em uma barca sem remos e alimentos. Desesperadas, as três Marias puseram-se a orar e a chorar. Aí então Sara retira o lenço da cabeça, chama por Jesus Cristo e promete que se todos se salvassem ela seria escrava de Jesus, e jamais andaria com a cabeça descoberta em sinal de respeito (acredita-se que deste gesto de Sara Kali tenha nascido a tradição de toda mulher cigana casada usar um lenço na cabeça, que é a peça mais importante do seu vestuário). Talvez por um milagre, ou por obra do destino, eles chegaram a salvo a uma praia próxima a Saintes Maries de La Mer. Depois de muitos dias, o barco foi resgatado por moradores de uma vila próxima aos arredores da costa marítima. Todos, por serem brancos, foram acolhidos, exceto Sara, por ser escrava e negra. Um grupo de ciganos o fez, pois estavam nas proximidades e presenciaram o fato. Sendo assim, passaram a cuidar de Sara, que era muito querida e carinhosa com todos. Quando veio à falecer, Sara os atendia em seus pedidos, que a partir disso tornou-se Mãe e Rainha dos Ciganos, honrando-os e protegendo-os. Após sua morte, os Ciganos foram até a igreja da vila pedindo que seu funeral se realizasse na mesma. Devido ao preconceito, os católicos da época se recusaram. A partir de então, foi feito uma espécie de gruta para Sara, visitada até os dias de hoje.
Com o passar dos anos, os ciganos de origem Calon alteraram algumas palavras da língua regional do povo cigano. Devido a estas alterações, houve algumas modificações idiomáticas no significado das palavras. Entre elas, podemos citar a palavra Kalin, que em Calon representa a palavra "cigana". Já para os ciganos que ainda preservam a língua regional, Kali representa "negra". Há algum tempo, existe esta confusão idiomática, envolvendo a cor da pele da Santa. Para os Calons, seria Santa Sara Kalin (a cigana) e não Santa Sara (a negra). Paralelamente, a história de Sara chegou à Índia, onde os ciganos a associaram à deusa Kali, negra, poderosa, transformadora.

Oração à Santa Sara

Protetora Do Povo Cigano!
Santa Sara, fostes escrava de José de Arimatéia, no mar fostes abandonada teus milagres no mar sucederam e como santa te tornastes, a beira do mar chegastes e os Ciganos te acolheram.
Sara, Rainha, Mãe dos Ciganos, os ajudaste e a ti eles consagraram como sua protetora e mãe vinda das águas.
Sara, mãe dos aflitos, a ti imploro proteção para o meu corpo, luz para meus olhos enxergarem até no escuro, luz para o meu espírito e amor para todos os meus irmãos e a todos os que me cercam.
Aos pés de Maria Santíssima, tu, Sara, me colocarás e a todos os que me cercam para que possamos vencer as agruras que a terra nos oferece.
Sara, não sentirei dores nem tremores, espíritos perdidos não me encontrarão e assim como conseguistes o milagre do mar, a todos que me desejarem mal, tu com as águas me fará vencer.
Sara, não sentirei dores nem tremores, continuarei caminhando sempre assim como as caravanas passam, no meu interior tudo passará, a união comigo ficará e sentirei o perfume do rastro de alegria e felicidade que teus ensinamentos deixarão.
Amai-nos Sara, para que possamos ajudar a todos que nos procurem, ajudados pelos poderes de nossos irmãos Ciganos, serei alegre e compreensivo com todos os que me cercam.
Corre no Céu, corre na Terra, corre no Mundo e Sara estará sempre na minha frente, sempre atrás, do lado esquerdo, do lado direito.
E assim dizemos:
Somos protegidos pelos Ciganos e pela Sara que me ensinará a caminhar e perdoar.
Que assim seja!