17 de abril de 2012

Rivalidade entre Oxum e Obá

Todos sabemos da rivalidade entre Obá e Oxum, em consequência da disputa pelo amor de Xangô. Quem não conhece a famosa lenda em que Oxum convida Obá a ir à sua casa, onde a recebe usando um lenço na cabeça, amarrado de modo a esconder as orelhas. Oxum mostra a Obá o alguidar onde preparava uma fumegante sopa, na qual boiavam dois apetitosos cogumelos. Disse à curiosa Obá que eram suas próprias orelhas, que ela cortara, para fazer com que Xangô se encantasse cada vez mais por ela. Não tardou para que o marido viesse a comer, elogiando sem parar os dotes culinários da mulher. Obá quase morreu de ciúmes. Na semana seguinte, ela preparou a mesma comida, e sem pensar duas vezes, cortou uma de suas orelhas e a pôs para cozinhar. Xangô, ao ver a orelha no prato, teve um acesso de fúria. Enjoado, jogou tudo no chão e quis bater na esposa, que chorava. Oxum chegou nesse momento, exibindo suas intactas orelhas. Obá num segundo entendeu tudo, odiou a outra mais que nunca. Envergonhada e enraivecida, precipitou-se sobre Oxum e ambas se envolveram numa briga que não tinha fim. Xangô já não suportava tanta discórdia em casa e esse incidente só fez aumentar a sua raiva. Ameaçou de morte as briguentas esposas e perseguiu-as. Ambas fugiram da cólera do esposo que procurou alcançá-las, mas elas corriam e corriam, embrenhando-se nas matas, ficando cada vez mais distantes e inalcançáveis. Conta-se que elas acabaram por ser transformar em dois rios. E de fato, onde se juntam o rio Oxum e o rio Obá, a correnteza é uma feroz tormenta de águas que disputam o mesmo leito.
Porém, existe uma outra lenda que se passou antes desse episódio em que as artimanhas de Oxum fazem Obá perder a orelha, o que mostra, segundo alguns, que não foi Oxum quem começou tudo:


Oxum e Obá, ambas esposas de Xangô, tinham rixa antiga, com ciúmes uma da outra. Mas conviviam bem, dentro do possível. Até que um dia Obá resolveu convidar Oxum para uma festa em seu palácio. Oxum, que era a convidada de honra, vestiu um belo vestido, enfeitou-se com jóias, perfumou-se e foi com sua comitiva até o palácio de Obá. Quando lá chegou, viu que havia um lindo e comprido tapete de pétalas de rosas no salão principal, estendido em sua honra. Então Oxum pisou no tapete descalça, como é comum entre os Orixás, e teve uma desagradável surpresa: Obá pusera brasas escondidas debaixo das pétalas de rosas. Os pés de Oxum começaram a arder, mas ela altiva, não quis demonstrar nenhum sinal de dor, foi andando por todo o tapete sem reclamar, sorrindo majestosa para todos. Oxum nada falou com Obá. Ficou à espera de um dia em que pudesse responder à altura. Os pés de Oxum ficaram queimados e é por isso que até hoje ela pisa macio. Após o episódio da orelha porém, Obá jurou vingança. Ia vingar-se de Oxum da forma que mais a atingisse. Logun Edé, filho de Oxum e Odé, era um menino pequeno e muito travesso, que morava com sua avó, Iemanjá. Um dia, o levado garoto escapou da vigilância de Iemanjá, e foi passear pelo mundo. Andou muito, até que avistou uma senhora toda vestida de roupa de montaria, em cima de uma pedra, dentro do rio barulhento. Ela lhe perguntou seu nome. Quando ele disse que era Logun Edé, o filho de Oxum, Obá perdeu a cabeça e arquitetou um plano para afogá-lo ali mesmo, tamanho o ódio que sentia por sua rival. Seria a melhor forma de fazer a rival sofrer. Ia tirar-lhe o filho amado. Perguntou-lhe se ele queria andar de cavalo marinho dentro do rio. Logun Edé lhe respondeu, batendo palmas e dando vivas,que adoraria montar um cavalo marinho, mas que não devia haver nenhum ali. Os cavalos marinhos moravam no mar, sob domínio de sua avó. Obá pediu que ele fosse até ela no rochedo, que ela lhe emprestaria seu cavalo marinho e também um barco dourado para ele passear quando quisesse. O menino, que adorava cavalo marinho e barcos, já estava entrando nas águas do rio Obá, quando repentinamente um furacão o lançou pelos ares, conduzindo-o até a presença de Iemanjá, que dera pela falta do neto levado. De dentro do furacão saiu Oiá, que explicou a Iemanjá que chegou a tempo de salvar Logun Edé que estava prestes a ser afogado pela rival de sua mãe. 

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