19 de abril de 2012

Caboclos na Umbanda

Hoje, dia do índio, não poderíamos deixar de fazer uma pequena homenagem a nossos caboclos, os legítimos representantes da Umbanda. Originalmente, a palavra "caboclo" significa mestiço de branco com índio mas, na percepção umbandista, refere-se as almas de todos os índios antes e depois do descobrimento e da miscigenação. Constituem o braço forte da Umbanda, muito utilizados nas sessões de desenvolvimento mediúnico, curas (através de ervas e simpatias), desobsessões, solução de problemas psíquicos e materiais, demandas materiais e espirituais e uma série de outros serviços e atividades executados nas tendas.
Os caboclos se dividem em diversas tribos, de diversos lugares formando aldeias, eles vem de todos os lugares para nos trazer paz e saúde, pois através de seus passes, de suas ervas santas conseguem curar diversos males materiais e espirituais. A morada dos caboclos é a mata, onde recebem suas oferendas, suas cores, na maioria dos casos, é verde, vermelho e branco, podendo variar de acordo com cada entidade. Gostam de todas as frutas, de milho, de guaraná, de água com mel e de cerveja. 
Falam de forma rústica lembrando sua forma primitiva de ser, dessa forma mostram através de suas danças muita beleza, própria dessa linha. Seus "brados", que fazem parte de uma linguagem comum entre eles, representam quase uma "senha" entre eles. Cumprimentos e despedidas são feitas usando esses sons. Costumamos dizer que as diferenças entre eles estão nos lugares que eles dizem pertencer.
Dia do índio

Existem falanges de caçadores, de guerreiros, de feiticeiros, de justiceiros, curandeiros, guerreiros... Assim como os Preto-velhos, possuem grande elevação espiritual e estão sempre em busca de uma missão, de vencer mais uma demanda, de ajudar mais um irmão de fé. São de pouco falar, mais de muito agir, pensam muito antes de tomar uma decisão, por esse motivo eles são conselheiros e responsáveis.
Como foram primitivos conhecem bem tudo que vem da terra, assim caboclos são os melhores guias para ensinar a importância das ervas e dos alimentos vindos da terra, além de sua utilização. São entidades simples e através da sua simplicidade passam credibilidade e confiança a todos que os procuram. Nos seus trabalhos de magia costumam usar pemba, velas, essências, flores, ervas, frutas e charutos. Os caboclos constituem uma falange, e como tal, penetram em todas as linhas, atuando em diversas variações. Entretanto, cada um deles tem uma vibração originária, que pode ser ou não aquela em que ele atua. Não há necessidade da vibração do caboclo guia coincidir com a do Orixá dono da cabeça do médium. O caboclo pode ser, por exemplo, de Ogum, e atuar num médium que é filho de Oxalá. Apenas nesse caso, a entidade, embora sendo de Ogum, assimilará vibração de Oxalá.
Alguns nomes de Caboclos:
* Caboclos de Ogum:
Águia Branca, Águia Dourada, Águia Solitária, Araribóia, Beira-Mar, Caboclo da Mata, Icaraí, Caiçaras Guaraci, Ipojucan, Itapoã, Jaguaré, Rompe-mato, Rompe-nuvem, Sete Matas, Sete Ondas, Tamoio, Tabajara, Tupuruplata, Ubirajara, Rompe-Ferro, Rompe-Aço, Beira-Mar
* Caboclos de Xangô:
Araúna, Cajá, Caramuru, Cobra Coral, Caboclo do Sol, Girassol, Guaraná, Guará, Goitacaz, Jupará, Janguar, Rompe-Serra, Sete Caminhos, Sete Cachoeiras, Sete Montanhas, Sete Estrelas, Sete Luas, Tupi, Treme-Terra, Sultão das Matas, Cachoeirinha, Mirim, Urubatão da Guia, Urubatão, Ubiratan, Cholapur
* Caboclos de Oxóssi:
Caboclo da Lua, Arruda, Aimoré, Boiadeiro, Ubá, Caçador, Arapuí, Japiassu, Junco Verde, Javari, Mata Virgem, Pena Branca, Pena Dourada, Pena Verde, Pena Azul, Rompe-folha, Rei da Mata, Guarani, Sete Flechas, Flecheiro, Folha Verde, Tupinambá, Tupaíba, Tupiara, Tapuia, Serra Azul, Paraguassu, Sete Encruzilhadas
* Caboclos de Xapanã:
Arranca-Toco, Acuré, Aimbiré, Bugre, Guiné, Gira-Mundo, Iucatan, Jupuri, Uiratan, Alho-d'água, Pedra Branca, Pedra Preta, Laçador, Roxo, Grajaúna, Bacuí, Piraí, Suri, Serra Verde, Serra Negra, Tira-teima, Seta-Águias, Tibiriçá, Vira-Mundo, Ventania
* Caboclas de Iansã:
Bartira, Jussara, Japotira, Maíra, Ivotice, Valquíria, Raio de Luz, Palina, Poti, Talina, Potira
* Caboclas de Iemanjá:
Diloé, Cabocla da Praia, Estrela d'Alva, Guaraciaba, Janaína, Jandira, Jacira, Jaci, Sete Ondas, Sol Nascente, Assucena, Inaíra, Juçanã, Janira, Juraci, Jutira, Paraquassu* Caboclas de Oxum:
Iracema, Imaiá Jaceguaia, Jurema, Juruena, Jupira, Jandaia, Araguaia, Estrela da Manhã, Tunué, Mirini, Suê

Dia do índio

18 de abril de 2012

Divisão de búzios entre Iansã, Oxum e Iemanjá

Certo dia Iansã, Oxum e Iemanjá resolveram ir juntas ao mercado de Oyó fazer compras. Lá chegando, tomaram conhecimento das novidades trazidas pelos mercadores como tecidos, contas e especiarias diversas. Nesse instante, Exu chega no mercado trazendo uma cabra. Ele pára e observa de longe as três mulheres conversando animadamente, e resolve fazer uma prova entre elas, o que constitui uma de suas características. Aproxima-se das três dizendo: "Eu vou deixar a cidade para um importante negócio com meu amigo Orumilaia. Assim, eu lhes peço que vendam minha cabra e em troca eu darei a vocês metade do valor. Como o preço são vinte búzios, eu darei dez para vocês e dez ficarão para mim". Elas aceitaram e Exu partiu. Logo a cabra foi vendida por vinte búzios. Elas separaram dez búzios para Exú e começaram a dividir os dez restantes entre elas.
Iemanjá iniciou a divisão. Ficaram três búzios para cada uma delas, mas sobrou um. Iansã então, tomou a iniciativa. Fez três pilhas e em cada uma colocou três búzios, porém da mesma forma sobrou um. Depois disto foi a vez de Oxum, mas continuava sobrando um. E as três começaram a discutir acerca de quem poderia pegar a porção maior. Iemanjá dizia: "É justo que a mais velha deva pegar a porção maior. Portanto, eu ficarei com o búzio extra."
Oxum replicou: "Não, onde eu nasci, nas terras de Oxogbo, diz-se que o mais novo é sempre tratado com mais generosidade. Assim, o búzio extra deverá ser meu."
Até que Iansã tomou a palavra: "O assunto está em disputa. Tem-se dito que, nesses casos de disputas entre os mais velhos com os mais novos, a maior porção deverá ir para aquele que está entre os dois lados. Em Irá, de onde eu vim, é assim que se faz. Portanto, o búzio que está sobrando deve ser meu."
Iansã, Oxum e Iemanjá
E a discussão se acentuou. Como não conseguiram chegar a uma conclusão, pediram a um homem do mercado fazer a divisão. Ele disse: "Dez não pode ser dividido em três partes iguais. Sempre sobra um. Quem merece ficar com ele? De acordo com o que eu tenho escutado, é a pessoa mais velha, porque é mais antiga no mundo e, consequentemente, a que tem sofrido mais do que as outras. A minha conclusão é de que o búzio deve ser dado à pessoa mais velha dentre vocês". Iansã e Oxum rejeitaram seus conselhos e recusaram dar à Iemanjá  a parte maior. Outra pessoa foi convidada a fazer a divisão dos búzios. Começou a contá-los e disse: "Não existe maneira de fazer esta divisão. Sempre sobrará um búzio. Quem deve ficar com ele? Penso que, numa situação desta natureza, a pessoa mais nova é que deve ser a favorecida, porque os jovens estão no mundo há pouco tempo e têm recebido menos benefícios que os outros. Os mais novos são empurrados de lado nos grandes movimentos, os caçadores jovens andam sempre atrás, e as esposas mais jovens têm a vida mais árdua. Por isso, quando surge uma divisão desigual, a pessoa mais jovem merece a vantagem". Iemanjá e Iansã não concordaram. Disseram: "Nós nunca ouvimos tal afirmação. Não podemos aceitar isso". Um outro homem foi chamado entre aqueles que estavam no mercado. Contou os búzios, separou três a três, deixando o último búzio à parte, e falou: "Diz-se que a pessoa mais velha deve pegar a porção extra, enquanto outros dizem que é a mais jovem que deve receber a porção maior. Assim, creio que nem para a mais velha, nem para a mais nova, mas sim para aquela que estiver entre as duas. Iansã é mais velha que Oxum e mais nova que Iemanjá. Deste modo ela apresenta as condições ideais. Deem a ela o búzio extra". Mas Iemanjá e Oxum não aceitaram seus conselhos e se recusaram a dar o búzio para Iansã, continuando a divisão sem solução, até que a discussão entre todos se tornou mais acirrada. Neste instante chegou Exu. Aproximou-se das três e perguntou onde estava a parte dele da venda da cabra. Elas lhe entregaram os dez búzios e, ao mesmo tempo, pediram o seu conselho para a divisão entre elas, em partes iguais.
Exu ficou alguns instantes pensativo e, depois, tomou em suas mãos os dez búzios, separou três e deu à Iemanjá, mais três e entregou à Iansã, e os outros três deu para Oxum. Ficando com o décimo búzio em sua mão, ajoelhou-se e fez um pequeno buraco no chão, colocando nele o búzio. Depois o cobriu com a terra e disse: "Este búzio é para os ancestrais, senhores da terra e deve ser enterrado porque o solo é a morada das divindades. No orum era assim que fazíamos. Sempre que alguém recebia algo bom, devia se lembrar daqueles que o haviam antecedido. Quando as colheitas são trazidas dos campos, a primeira divisão deve ser dada sempre para os ancestrais. Quando se realiza uma festa, uma porção deve ser separada para os ancestrais. Assim também com o dinheiro. Quando ele vem até nós, devemos dar parte aos ancestrais. Esta é a maneira que fazíamos no orum e que deveria ser feita também aqui na terra. Vocês deveriam ter lembrado disto em vez de disputar o búzio que sobrava da divisão".
Iemanjá, Iansã e Oxum ouviram atentamente o que Exú acabara de dizer e admitiram que ele estava certo, concordando em aceitar os três búzios. Por causa do que aconteceu no mercado de Oyó, o povo, daquele dia em diante, passou a dar uma parte aos ancestrais todas as vezes que faziam as colheitas novas ou recebiam fortunas inesperadas.

A lei que nos defende

A religião afro-brasileira é duplamente protegida na forma da lei pela Constituição da República Federativa do Brasil, por se tratar de religião e cultura. Para que todos os filhos de fé fiquem cientes dos seus direitos é bom observar com atenção os artigos constitucionais que podem e devem ser evocados quando qualquer cidadão sentir-se aviltado no que diz respeito à liberdade de crença religiosa:
A Constituição Federal consagra como direito fundamental a liberdade de religião, prescrevendo que o Brasil é um país laico, ou seja, nosso Estado não pode adotar, incentivar ou promover qualquer deus ou religião, embora propicie a seus cidadãos uma perfeita compreensão religiosa, tanto para quem acredita em deus(es) como para quem não acredita neles, proscrevendo a intolerância e o fanatismo. Assim, o Estado presta proteção e garantia ao livre exercício religioso, mas deve existir uma divisão muito acentuada entre o Estado e a Igreja (religiões em geral), de forma que suas decisões não sejam norteadas por doutrinas religiosas; portanto, não pode existir nenhuma religião ou deus oficial, qualquer que sejam. 

Em seu artigo 5º a Constituição Federal estipula ser inviolável a liberdade de consciência e de crença, assegurando o livre exercício dos cultos religiosos e garantindo, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e as suas liturgias:
Art. 5º. Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:
I - homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações, nos termos desta Constituição
II - ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei
III - ninguém será submetido a tortura nem a tratamento desumano ou degradante
IV - é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato
V - é assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo, além da indenização por dano material, moral ou à imagem
VI - é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias;
VII - é assegurada, nos termos da lei, a prestação de assistência religiosa nas entidades civis e militares de internação coletiva
VIII - ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política, salvo se as invocar para eximir-se de obrigação legal a todos imposta e recusar-se a cumprir prestação alternativa, fixada em lei
IX - é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença

O artigo 19 veda aos Estados, Municípios, à União e ao Distrito Federal o estabelecimento de cultos religiosos ou igrejas, embaraçar-lhes o funcionamento ou manter com eles ou seus representantes relações de dependência ou aliança, ressalvada, na forma da lei, a colaboração de interesse público:
Art. 19. É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios:
I - estabelecer cultos religiosos ou igrejas, subvencioná-los, embaraçar-lhes o funcionamento ou manter com eles ou seus representantes relações de dependência ou aliança, ressalvada, na forma da lei, a colaboração de interesse público
II - recusar fé aos documentos públicos
III - criar distinções entre brasileiros ou preferências entre si

O artigo 150 veda à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios a instituição de impostos sobre templos de qualquer culto, salientando no parágrafo 4º do mesmo artigo que as vedações expressas no inciso VI compreendem somente o patrimônio, a renda e os serviços, relacionados com as finalidades essenciais das entidades nelas mencionadas:
Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios:
I - exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça
II - instituir tratamento desigual entre contribuintes que se encontrem em situação equivalente, proibida qualquer distinção em razão de ocupação profissional ou função por eles exercida, independentemente da denominação jurídica dos rendimentos, títulos ou direitos
III - cobrar tributos:
a) em relação a fatos geradores ocorridos antes do início da vigência da lei que os houver instituído ou aumentado
b) no mesmo exercício financeiro em que haja sido publicada a lei que os instituiu ou aumentou
IV - utilizar tributo com efeito de confisco
V - estabelecer limitações ao tráfego de pessoas ou bens, por meio de tributos interestaduais ou intermunicipais, ressalvada a cobrança de pedágio pela utilização de vias conservadas pelo Poder Público
VI - instituir impostos sobre:
a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros
b) templos de qualquer culto
c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei
d) livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão.
Parágrafo 1º. As vedações expressas no inciso VI, alíneas b e c, compreendem somente o patrimônio, a renda e os serviços, relacionados com as finalidades essenciais das entidades nelas mencionadas.

O artigo 215 deixa muito claro que a nossa religião, que é também evidente manifestação da cultura popular afro-brasileira, pode contar com a proteção do Estado para existir e resistir: 
Art. 215. O Estado garantirá a todos o pleno exercício dos direitos culturais e acesso às fontes da cultura nacional, e apoiará e incentivará a valorização e a difusão das manifestações culturais.
Parágrafo 1º. O Estado protegerá as manifestações das culturas populares, indígenas e afrobrasileiras, e das de outros grupos participantes do processo civilizatório nacional.

O artigo 216 é voltado à proteção dos bens materiais e imateriais, ou seja, os espaços destinados as práticas e os costumes de nossa religião, ou, então, os documentos onde está registrada esta modalidade de bem cultural:
Art. 216. Constituem patrimônio cultural brasileiro os bens de natureza material e imaterial, tomados individualmente ou em conjunto, portadores de referência à identidade, à ação, à memória dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira, nos quais se incluem:
I - as formas de expressão
II - os modos de criar, fazer e viver
III - as criações científicas, artísticas e tecnológicas
IV - as obras, objetos, documentos, edificações e demais espaços destinados às manifestações artístico-culturais
V - os conjuntos urbanos e sítios de valor histórico, paisagístico, artístico, arqueológico, paleontológico, ecológico e científico.
Parágrafo 1º. O Poder Público, com a colaboração da comunidade, promoverá e protegerá o patrimônio cultural brasileiro, por meio de inventários, registros, vigilância, tombamento e desapropriação, e de outras formas de acautelamento e preservação.
Parágrafo 2º. Cabem à administração pública, na forma da lei, a gestão da documentação governamental e as providências para franquear sua consulta a quantos dela necessitem.
Parágrafo 3º. A lei estabelecerá incentivos para a produção e o conhecimento de bens e valores culturais.
Parágrafo 4º. Os danos e ameaças ao patrimônio cultural serão punidos, na forma da lei.
Parágrafo 5º. Ficam tombados todos os documentos e os sítios detentores de reminiscências históricas dos antigos quilombos.

O artigo 226 afirma que o casamento religioso tem efeito civil nos termos da lei:
Art. 226. A família, base da sociedade, tem especial proteção do Estado.
Parágrafo 1º. O casamento é civil e gratuita a celebração.
Parágrafo 2º. O casamento religioso tem efeito civil, nos termos da lei.

O artigo 208 do código penal nos assegura do crima contra o sentimento religioso:
Art. 208. Escarnecer de alguém publicamente, por motivo de crença ou função religiosa; impedir ou perturbar cerimônia ou prática de culto religioso; vilipendiar publicamente ato ou objeto de culto religioso:
Pena - detenção um mês a um ano ou multa. 
Parágrafo único - Se há emprego de violência, a pena é aumentada de um terço, sem  prejuízo da correspondente à violência.


Aqui no RS, o parágrafo único do artigo 2º do Código de proteção aos animais, permite o sacrifício de animais em ritos religiosos:
Art. 2º - É vedado: 
I - ofender ou agredir fisicamente os animais, sujeitando-os a qualquer tipo de
experiência capaz de causar sofrimento ou dano, bem como as que criem condições inaceitáveis  

de existência
II - manter animais em local completamente desprovido de asseio ou que lhes impeçam

a movimentação, o descanso ou os privem de ar e luminosidade
III - obrigar animais a trabalhos exorbitantes ou que ultrapassem sua força
IV - não dar morte rápida e indolor a todo animal cujo extermínio seja necessário para

consumo 
V - exercer a venda ambulante de animais para menores desacompanhados por

responsável legal
VI - enclausurar animais com outros que os molestem ou aterrorizem
VII - sacrificar animais com venenos  ou outros métodos não preconizados pela

Organização Mundial da Saúde, nos programas de profilaxia da raiva. 
Parágrafo único - Não se enquadra nessa vedação o livre exercício dos cultos e liturgias
das religiões de matriz africana.


Como fica a situação quando a policia, respaldada pelo poder do Estado, infringe a lei? Se considerarmos que a proteção aos locais de culto e a suas liturgias é garantida na forma da lei, é dever da polícia, quando solicitada, prestar assistência aos adeptos para que possam cumprir seus rituais com segurança e não impedi-los, por exemplo, de fazer suas oferendas. Fazer uma oferenda numa encruzilhada é um direito, assim como é um direito do crente pregar em praça pública ou do católico fazer procissões. A polícia também não pode invadir um terreiro, a menos que observe os trâmites legais. 

17 de abril de 2012

Rivalidade entre Oxum e Obá

Todos sabemos da rivalidade entre Obá e Oxum, em consequência da disputa pelo amor de Xangô. Quem não conhece a famosa lenda em que Oxum convida Obá a ir à sua casa, onde a recebe usando um lenço na cabeça, amarrado de modo a esconder as orelhas. Oxum mostra a Obá o alguidar onde preparava uma fumegante sopa, na qual boiavam dois apetitosos cogumelos. Disse à curiosa Obá que eram suas próprias orelhas, que ela cortara, para fazer com que Xangô se encantasse cada vez mais por ela. Não tardou para que o marido viesse a comer, elogiando sem parar os dotes culinários da mulher. Obá quase morreu de ciúmes. Na semana seguinte, ela preparou a mesma comida, e sem pensar duas vezes, cortou uma de suas orelhas e a pôs para cozinhar. Xangô, ao ver a orelha no prato, teve um acesso de fúria. Enjoado, jogou tudo no chão e quis bater na esposa, que chorava. Oxum chegou nesse momento, exibindo suas intactas orelhas. Obá num segundo entendeu tudo, odiou a outra mais que nunca. Envergonhada e enraivecida, precipitou-se sobre Oxum e ambas se envolveram numa briga que não tinha fim. Xangô já não suportava tanta discórdia em casa e esse incidente só fez aumentar a sua raiva. Ameaçou de morte as briguentas esposas e perseguiu-as. Ambas fugiram da cólera do esposo que procurou alcançá-las, mas elas corriam e corriam, embrenhando-se nas matas, ficando cada vez mais distantes e inalcançáveis. Conta-se que elas acabaram por ser transformar em dois rios. E de fato, onde se juntam o rio Oxum e o rio Obá, a correnteza é uma feroz tormenta de águas que disputam o mesmo leito.
Porém, existe uma outra lenda que se passou antes desse episódio em que as artimanhas de Oxum fazem Obá perder a orelha, o que mostra, segundo alguns, que não foi Oxum quem começou tudo:


Oxum e Obá, ambas esposas de Xangô, tinham rixa antiga, com ciúmes uma da outra. Mas conviviam bem, dentro do possível. Até que um dia Obá resolveu convidar Oxum para uma festa em seu palácio. Oxum, que era a convidada de honra, vestiu um belo vestido, enfeitou-se com jóias, perfumou-se e foi com sua comitiva até o palácio de Obá. Quando lá chegou, viu que havia um lindo e comprido tapete de pétalas de rosas no salão principal, estendido em sua honra. Então Oxum pisou no tapete descalça, como é comum entre os Orixás, e teve uma desagradável surpresa: Obá pusera brasas escondidas debaixo das pétalas de rosas. Os pés de Oxum começaram a arder, mas ela altiva, não quis demonstrar nenhum sinal de dor, foi andando por todo o tapete sem reclamar, sorrindo majestosa para todos. Oxum nada falou com Obá. Ficou à espera de um dia em que pudesse responder à altura. Os pés de Oxum ficaram queimados e é por isso que até hoje ela pisa macio. Após o episódio da orelha porém, Obá jurou vingança. Ia vingar-se de Oxum da forma que mais a atingisse. Logun Edé, filho de Oxum e Odé, era um menino pequeno e muito travesso, que morava com sua avó, Iemanjá. Um dia, o levado garoto escapou da vigilância de Iemanjá, e foi passear pelo mundo. Andou muito, até que avistou uma senhora toda vestida de roupa de montaria, em cima de uma pedra, dentro do rio barulhento. Ela lhe perguntou seu nome. Quando ele disse que era Logun Edé, o filho de Oxum, Obá perdeu a cabeça e arquitetou um plano para afogá-lo ali mesmo, tamanho o ódio que sentia por sua rival. Seria a melhor forma de fazer a rival sofrer. Ia tirar-lhe o filho amado. Perguntou-lhe se ele queria andar de cavalo marinho dentro do rio. Logun Edé lhe respondeu, batendo palmas e dando vivas,que adoraria montar um cavalo marinho, mas que não devia haver nenhum ali. Os cavalos marinhos moravam no mar, sob domínio de sua avó. Obá pediu que ele fosse até ela no rochedo, que ela lhe emprestaria seu cavalo marinho e também um barco dourado para ele passear quando quisesse. O menino, que adorava cavalo marinho e barcos, já estava entrando nas águas do rio Obá, quando repentinamente um furacão o lançou pelos ares, conduzindo-o até a presença de Iemanjá, que dera pela falta do neto levado. De dentro do furacão saiu Oiá, que explicou a Iemanjá que chegou a tempo de salvar Logun Edé que estava prestes a ser afogado pela rival de sua mãe. 

Xangô


16 de abril de 2012

Quem foi Príncipe Custódio

Vindo da tribo pré-colonial de Benis, dinastia de Glefê, da nação Jeje, do estado de Benin, na Nigéria, o lendário Príncipe Custódio do Xapanã Sakpatá Erupê  foi um dirigente tribal africano, exilado no Brasil, onde se tornou famoso como curandeiro e líder religioso. Seu nome tribal era Osuanlele Okizi Erupê, filho primogênito do Obá Ovonramwen. Ao chegar ao Brasil, adotou o nome de José Custódio Joaquim de Almeida, Príncipe de Ajudá (1832-1936)
São João Batista de Ajudá era uma fortaleza portuguesa no Daomé, tendo sido descoberta pelos portugueses quando navegavam na costa da Guiné. Era a capital do antigo Reino de Daomé, edificado numa vasta planície outrora muito povoada de cristãos negros.  O rei D Pedro II de Portugal mandou construir a referida fortaleza a fim de proteger o importante comercio que então os portugueses faziam na Costa da Mina. Foi ocupado pelos Ingleses, que ali estabeleceram importantes feitorias, que passaram a ser defendidas pelas guarnições das fortalezas antes pertencentes a Portugal, entre as quais a de São João Batista de Ajudá. Daomé foi colônia de vários países que se estabeleceram ao longo de seu território à margem do Atlântico, mas em 1876 a Grã-Bretanha terminou a ação que iniciara alguns anos antes, comprando toda a parte dos demais ocupantes, tornando, então, a Costa do Ouro inteiramente de propriedade dos ingleses, os quais também tiveram de entrar em acordo com os reis e príncipes negros que lá governavam.  Desta determinação britânica resultou a deportação de um rei africano, que somente em 1934 teve autorização para voltar a fim de passar sossegadamente o resto de seus dias na terra natal. Com outros governantes foram feitos acordos financeiros por eles aceitos a fim de ser evitado o massacre do seu povo. 
Entre estes estava o Príncipe de São João Batista de Ajudá, que deixou sua terra na Costa da Mina em 1862 quando tinha 31 anos de idade. Ninguém sabe como e em que circunstancias este príncipe governante deixou o Porto de Ajudá, que era perto da Costa do Ouro (hoje Republica de Gana), onde em algumas décadas anteriores, funcionava um dos principais locais de embarque de escravos para o Brasil, mas o certo é que ele partiu ante a promessa solene dos ingleses de que o seu povo não sofreria o que haviam sofrido os grupos vizinhos ante a violência dos alemães e franceses. Os portugueses antes poderosos tinham se contentado com uma parte do Guiné e com as ilhas de São Tome e Príncipe, cedendo as suas fortalezas. As condições para que o Príncipe de Ajudá não oferecesse qualquer resistência aos invasores, alem do respeito pela vida dos seus súditos, era a de que ele se exilasse e jamais voltasse aos seus domínios.  E, como parte do convênio, a Grã-Bretanha se comprometia a fornecer-lhe uma subvenção mensal paga em qualquer parte do mundo onde estivesse, por intermédio dos seus representantes consulares. Por qual motivo o exilado escolheu o Brasil como sua nova pátria, não se sabe.  Talvez por haver aqui grande numero de descendentes dos escravos nativos da Costa da Mina, os chamados “Pretos Mina” ou outra razão qualquer. Sua chegada a nossa terra foi assinada como acontecida em 1864, dois anos depois de ter deixado Ajudá.
Inicialmente, fixou-se em Rio Grande, mais tarde foi para o interior de Bagé, e já encontrou por lá rituais religiosos de origem africana, popularmente denominada de Batuque. Ele contribuiu sim, e muito para nossa religião, com seus contatos políticos, pois Custódio vinha de uma família nobre e sua saída da África foi política. Ele sabia como se destacar e fazia bom uso de sua sabedoria religiosa, o que ajudou a travar as perseguições às casas de culto africano e foi onde se tornou famoso como curandeiro e líder religioso. Ninguém sabe como e nem em que circunstâncias, ao final do século XIX este príncipe governante deixou São João Batista de Ajudá, no Daomé e por qual motivo o exilado escolheu o Brasil. Talvez por haver aqui grande número descendentes dos escravos nativos da Costa da Mina.
De Bagé mudou-se para Porto Alegre, onde chegou em 1901, com 70 anos de idade. O Príncipe Custódio tinha oito filhos, três homens e cinco mulheres. Seus conhecimentos de idioma português não eram muito corretos, porém podia expressar-se fluentemente em inglês e francês, além de falar ainda vários dialetos das tribos africanas que havia governado. As festas que promovia na data de seu aniversário duravam três dias com a casa sempre cheia de gente, de manhã à noite, quando se comia e se bebia do bom e do melhor, ao som dos tambores africanos que batucavam sem parar naquelas setenta e duas horas. Mensalmente o consulado britânico local entregava-lhe um saquinho cheio de libras esterlinas, cuja troca em mil-réis servia para manter a pequena corte da Rua Lopo, a família numerosa, os agregados, os empregados, e ainda serviam àqueles que o procuravam nos momentos de dificuldades financeiras.
No dia 26 de Maio de 1936 morreu o Príncipe Custódio aos 104 anos de existência. Seu velório e seu enterro, atendendo ao pedido expresso do morto, foi feito dentro das tradições africanas com muito batuque e muitos trabalhos em intenção do morto.
Também foi Príncipe Custódio quem fez o assentamento do Bará no mercado público de Porto Alegre, onde todos os adeptos dos cultos africanos fazem reverência cada vez que terminam uma obrigação aos seus Orixás. Isso de certa forma indica que, se o mesmo não foi o introdutor do batuque em nosso estado, provavelmente tenha sido um dos primeiros.

13 de abril de 2012

Qualidades dos Orixás

Bará
* Bará Lodê: Primeiro Orixá a ser saudado, é o senhor do destino. É o Orixá das chaves que abre e fecham os caminhos para todas as existências. É o conhecedor dos atalhos para que os objetivos possam ser atingidos. Lodê é o responsável pelo cuidado com os cruzeiros, sejam estradas, matos ou ruas.

Qualidades de BaráÉ o guardião da entrada de todos os Ilês, por isso é assentado em uma casinha na frente do mesmo. Lodê aceita dividir a sua casa apenas com Ogum Avagã, unico que se aproxima de seus fundamentos. Lodê não aceita o manuseio de mulheres que menstruam sob pena de se revoltar com a casa e prejudicar a pessoa pois não é um Bará compativel com o sexo feminino.
* Bará Lanã: Senhor dos caminhos dos cruzeiros de rua, de mato, de praia e de  lomba, é o Bará que trabalha em todos os reinos. É conhecido como principal responsável por abrir as estradas e atalhos. É o organizador dos caminhos. A responsabilidade desse Bará é de zelar pela segurança interna do Ilê.
* Bará Adague: É responsável pela limpeza dos Ilês. Bará do trabalho e dos cruzeiros de mato, trabalhando para os Orixás desse reino. Adague é o Bará que cuida das portas.
* Bará Elegba: Orixá que trabalha na lomba no cemitério. Enquanto Lodê vai do cruzeiro até o portão do cemitério, do portão do mesmo pra dentro pertence a Elegba e a seus companheiros.
* Bará Agelú: É o mais novo de todos os Barás, reina nos cruzeiros de praia. Trabalha pra Oxum, Iemanjá e Oxalá. A responsabilidade dele é zelar pelos templos.

Ogum
* Ogum Avagã: Responde no meio do cruzeiro e tem seu assentamento do lado de fora do Ilê, junto com Bará Lodê.
* Ogum Onira: Responde em cantos de cruzeiros e matos. Guerreiro impulsivo, é o cortador de cabeças, ligado à morte e aos antepassados. 
Qualidades de OgumOrgulhoso, muito impaciente, arrebatado, não pensa antes de agir, porém acalma-se rapidamente. 
* Ogum Olobedé: Responde no meio do mato, e é o Ogum ferreiro. Representa um tipo mais velho de Ogum, trabalhador consciencioso, severo, que não brinca em serviço. Ciente de seus deveres e seus direitos é exigente e rabujento.
* Ogum Adiolá: Responde na beira da praia. Tem ligação com Iemanjá, é guerreiro e considerado o Ogum de Oxalá. 


Iansã

* Oyá: É a mais nova, é a dona da aliança, formando com Ogum e Xangô a famosa “aliança de Oyá”. Ela é o raio, a beleza deste fenômeno natural. É o seu poder, é a eletricidade.
Qualidades de Iansã* Oyá Timboá: É tida como a mais quieta das Iansãs, a que sabe fazer as coisas. Senhora dos cemitérios, controla os eguns. É assentada no igbalé (casa dos mortos), nos fundos do Ilê. É ela que servirá de guia, ao lado de Xapanã, para aquele espírito que se desprendeu do corpo. É ela que indicará o caminho a ser percorrido por aquela alma.
* Oyá Dirã: Senhora dos cruzeiros em T, é a Iansã que fica na rua.
* Iansã: É a mais velha de todas, é casada com Xangô Agodô e é dona dos tetos. É mãe de nove filhos. Ela é o choque elétrico, a energia viva, pulsante, vibrante. Iansã é a disputa pelo ser amado. É ela que rege o amor forte e violento.

                                      Xangô

* Xangô Aganjú de Ibejis: É o Xangô criança.
Qualidades de Xangô* Xangô Aganjú: Responde nas pedras, em beiras de rio, pedreiras e na lomba aonde pesa as almas. É o Xangô novo, dono da balança e do equilíbrio. Xangô guerreiro, feiticeiro, representa tudo que é explosivo, que não tem controle, ele é a personificação dos vulcões. É o mais cruel, é aquele que leva o coração do inimigo na ponta da lança.
* Xangô Agodô: Responde em pedreiras e é dono do machado com duas lâminas. É o Xangô velho, dono dos livros e das escritas. É tambem o juiz. Muito ruim e brutal, inclinado a dar ordens e a ser obedecido. É aquele que, ao lançar raios e fogo sobre seu próprio reino, o destrói.
* Xangô Kamuká: Responde nos cemitérios, junto com Iansã é o senhor dos eguns.


Qualidades de Xapanã                                        Xapanã
* Xapanã Jubetei: É o mais jovem.
* Xapanã Belujá: Responde com os Orixás de praia. É o Xapanã de meia idade.
* Xapanã Sapatá: Responde na lomba e nas encruzilhadas. É o velho, o feiticeiro, o deus da varíola e das doenças de pele. 

                                    Oxum
* Oxum Pandá de Ibejis: É a Oxum criança.
Qualidades de Oxum* Oxum Pandá: É a Oxum jovem e guerreira. Esposa de Oxossi Ibualama, vive no mato com seu marido. É desconfiada, astuta, observadora e intuitiva. É muito feiticeira e tem ligação com o fogo. É a rainha da cidade que leva seu nome, a verdadeira Ọ̀ṣun Ijeṣa que veio de Ijesa ou de Ipondá.
* Oxum Demun: É a Oxum de meia idade, a que se casa com Ossanhe, é maternal e amorosa.
* Oxum Olobá: Uma Oxum velha, porém se manifesta ereta.
* Oxum Docô: a mais velha das Oxums, a matriarca e idosa. É chefe das mulheres. Maternal, avó amorosa é uma mulher que tem numerosos filhos e netos, porém é bastante severa e autoritária.

Qualidades de Iemanjá
                           Iemanjá

* Iemanjá Bocí: A mais nova. Guerreira, dona da espada, esposa de Ogum. Vive perto das praias, no encontro das águas com as pedras.
* Iemanjá Bomí: É a Iemanjá de meia idade.
* Iemanjá Nanã Burucum: A mais velha e severa de todas. Rabugenta, feiticeira, rancorosa e violenta.

                         Oxalá
Qualidades de Oxalá* Oxalá Obocum: O mais novo dos Oxalás, o abençoado. Oxalá que cuidava de Orumilaia por este ser muito velho. É o Orixá do crescimento e do progresso.
* Oxalá Olocum: É o Oxalá adulto e guerreiro.
* Oxalá Dacum: É o Oxalá de meia idade, o velho que se manifesta ereto. É o Oxalá do equilibrio.
* Oxalá Jobocum: É Oxalá velho, vive nas águas.
* Oxalá Orumilaia: O mais velho dos Oxalás. Apesar de ser cego, e Iansã ser a menina dos olhos dele no qual carrega seus olhos,  ele é o Orixá da visão e da clareza. Ele que concede o jogo de buzios e o pertence.

Xangô Kamuká

Olodumaré havia chamado Xapanã e disse que fosse a um cemitério a noite que lá haveria um baú e dentro dele um valioso presente a ele. Iansã havia escutado essa conversa e saiu logo correndo falar com Xangô sobre tal assunto. Então os dois foram no cemitério e ficaram lá escondidos até que Xapanã chegasse. Porém a curiosidade de Xangô foi tanta que acabou abrindo o baú no exato momento em que Xapanã chegou. Dentro do baú havia três instrumentos: Um instrumento de palha parecido com um cetro e enfeitado com búzios; um chicote de rabo de cavalo e um chocalho diferente. Cada um segurou um instrumento em suas mãos, e nesse momento Olodumaré apareceu e deu-lhe as instruções explicando a Xapanã que confiou o baú a ele, e não a Iansã e Xangô, porém sabia que eles acabariam descobrindo de alguma forma, então disse-lhes:
Xangô Kamuká- Xapanã, com este instrumento curará os enfermos, salvarás as almas dos que ainda não devem cruzar as portas dos cemitérios e cobrirás as pessoas de chagas ou enfermidades. Serás o rei da saúde e da doença.
- Iansã, com este instrumento saberá combater e castigar todos os espíritos maléficos que de alguma forma queiram castigar as pessoas ou mesmo zombar do mundo terreno, e saberás guiar os espíritos justos às suas luzes. Serás a rainha dos eguns e de seus vales.
- Xangô, com este instrumento saberá encontrar corpos de desencarnados que foram profanados por algum motivo, e dar-lhes o sossego da terra para que possam seguir sua nova jornada espiritual, usarás quando necessário para impedir que algum espírito se desprenda se seu corpo fora de sua hora. Com o mesmo, se achares justo, usarás para desligar o espírito do corpo de qualquer pessoa levando-as a morte. Serás o rei do buraco e dos desencarnados.
- Com isso dou-lhes o reino dos cemitérios, dos que estão para desencarnar, dos desencarnados e dos espíritos. Confiarei a vocês esta tarefa. E assim conseguimos sincretizar Xapanã Sapatá, Iansã Timboá e Xangô Kamuká como os Orixás dos eguns e dos cemitérios.


Kámùka se traduz como "Machado que corta e desaparece"
Ká= corta;
mù= desaparecer, se esconde;
ka = machado
Sàngó Kámùka = "Xangô corta e esconde seu machado"

Mas também tem outro significado:
Ká = corta;
Mú = atrapalha, agarra, engole;
Okan / 'kan = Alma;
Sàngó Kámúkan = "Xangô que corta e atrapalha as Almas"


Kamuka: desfalecer, morrer. (dicionário kikongo)
Kamukando: funerais (dicionário kikongo)

Gululu, ancestral mais antigo dentro da Cabinda, do qual muito pouco se tem em informação, seria um negro bantu, provindo da região norte de Angola, hoje mais precisamente Angola Kabinda, que aportou aqui no sul pelo porto de Rio Grande juntamente com outros negros vindos de outras etnias e países africanos. Ao ser trazido a Porto Alegre, encontrou um negro angolano que recebeu o nome de Waldemar, com o qual simpatizou e teve uma comunicação mais tranquila pela pouca diferença nos idiomas. Waldemar nasceu em 4 de agosto 1883 e morreu aos 42 anos de idade em 1935. Pela relação de amizade, criou-se um vínculo religioso, e como aqui não haviam muitos bantus, Gululu passou seus conhecimentos sobre inkisses para Waldemar. Com a morte de Gululu, Waldemar conheceu e enamorou-se por uma negra ijexá (Otilia). Esta negra ijexá não forçou o amado a deixar seus inkisses, mas de comum acordo e com muita inteligência convenceu o amado de que poderiam ambos cultuar suas divindades sem que nenhum dos dois deixassem seus principais atributos. 
Waldemar de Xangô kamuká Barualofina - Rei da Nação Jeje
Waldemar de Xangô Kamuká
Inteligentemente separaram os eguns no balé, como também deram um nome a Barú (Inkisse) que passou a ser sincretizado com Xangô (Orixá), e recebeu o nome de Kamuká. Como em Ijexá Xangô tambem é rei, ficou Kamuká como rei desta nova Nação, que na verdade são duas em uma só. Também inteligentemente mantiveram todos os Orixás dentro de casa separados dos preceitos de Kamuká, que é na rua. Seus primeiros filhos foram Madalena de Oxum, Palmira de Oxum, Tati de Exu Lanã, Romario de Oxalá e Nascimento de Sapatá. Entre as várias pesquisas de estudiosos e adeptos da Cabinda, as mesmas sempre focaram a busca e o vinculo com o povo Bantu, porem nada que se pudesse atestar sua existência. Assim se verificarmos o nome e qualidade da divindade em questão, poderemos notar a influência da língua Yorubá: Kamuká Barualofina, Aláààfin de Oyó. Algo curioso, pois, dificilmente encontraremos entre os nomes das divindades o seu título. As características deste Aláààfin poderão ser notadas na inversão do próprio nome para sua qualidade: Kamuká Barualofina / Baru alafin Kamuká; apesar de ser apenas uma suposição, não deixa de ser uma clara ligação com o povo de Oyó, com o culto da nação Cabinda ligado ao culto dos ancestrais. Outro ponto a se analisar, é a confirmação do culto de Egungun dentro dos rituais classificados pela Cabinda, sendo que ela é a única Nação que antes de começar qualquer ritual de feitura, é costume reverenciar os antepassados. O Aláààfin Kamuká abre uma possível porta para entender o pacto dele com os Egun e o Igbàlẹ̀, tendo inicio no ritual ao saudar e reverenciar os ancestrais antes de qualquer cerimônia, ponto crucial para o inicio do ritual de iniciação, ficando a cargo de cumprimentar primeiro Kamuká no Igbàlẹ̀ e os ancestrais, pedindo permissão para poder cortar uma ave ou até mesmo um animal de quatro pés para a feitura. Algo interessante se faz mencionar é que o povo da Cabinda é a única nação que quando está em processo de iniciações ou assentamentos de Orixá, caso venha a falecer algum Elegun que pertença à família religiosa, a obrigação não irá se perder, caso a casa tenha feito o devido corte com equivalência de bichos oferecidos para Xangô. Porém, em qualquer outra Nação, caso venha a falecer alguém da família durante uma obrigação arriada, perde-se toda a obrigação invalidando a feitura, e deve-se despachar tudo que foi feito sem aproveitar nada. Xangô Kamuká Barualofina foi o precursor da Nação Cabinda no RS através da pessoa de Waldemar Antonio dos Santos. Com a partida de Waldemar, o Orixá Kamuká não deixou de existir nem se transformou em um egum, o que aconteceu é que a digina (Barualofina) não mais é utilizada em respeito ao que representou tal Orixá a essa Nação, onde muitos o acrescentaram ao balé como Orixá de egum correspondente a pessoa que o possuia no orí. Alguns optaram por não assentar mais este Orixá, outros ainda o assentam, uns optaram por não dar mais orí ao mesmo e outros ainda dão. Algumas pessoas alegam que Kamuká não é Xangô, pois Kamuká é cultuado no buraco e tem ligação com os eguns, enquanto que isso para Xangô é incompátivel, não porque ele tenha medo da morte, mas porque a energia do Xangô é o fogo, o calor e não o frio de Iku, a morte e dos eguns. Algumas pessoas também associam Kamuká a Agodô, o que ajuda ainda mais a gerar toda essa magia em torno do mesmo. Kamuká não é assentado no balé, pois no mesmo é mantido apenas os antepassados. Kamuká é assentado em um buraco de forma e tamanho diferente do balé, com acesso por laje e não na casinha. Kamuká Barualofina, por suas próprias palavras, não mais será assentado e nem feito, sendo que o Orixá Kamuká irá receber uma digina diferente ao ser feito, em respeito à vontade do ancestral. A frase que foi dita, não pelo Waldemar, mas pelo próprio Kamuká: “Depois de mim nesta terra, não haverá mais de um, sendo um não me apresentarei duas vezes" ou ainda:  "Eu como um, só serei um, não mais pegarei cabeça, nem mais serei assentado, permanecerei como protetor de minha nação." Sendo traduzido o que foi dito na língua dele para a nossa, quantas concepções se podem ter desta frase?

Reza Kamuká
T - Jàró jàró Jàró jàró,bá rò’ fin là Jàró jàró Jàró jàró (Descubra as mentiras, corte-as e desapareça com intrigas descobertas)
R - Jàró jàró Jàró jàró,bá rò’ fin là Jàró jàró Jàró jàró (Descubra as mentiras, corte-as e desapareça com intrigas descobertas)
T - Alárun dé Sàngó ká mù’ka Bàbá o bá rò’ fin là (Chegue Xangô dono do céu, para reduzir a distância, corta e desaparece [o relâmpago (Raio)], Pai tu que surpreende e edita as leis, apareça)
R - Alárun dé Sàngó ká mù’ka Bàbá o bá rò’ fin là (Chegue Xangô dono do céu, para reduzir a distância, corta e desaparece [o relâmpago], Pai tu que surpreende e edita as leis, apareça )
T - Alárun dé! (Chegue dono do Céu)
R - Sàngó ká mù’ka (Xangô, para reduzir a distância, corta e desaparece [o relâmpago])
T - Bàbá rò’ fin là (Pai tu que surpreende e edita as leis, apareça)
R - Sàngó ká mù’ka (Xangô, para reduzir a distância, corta e desaparece [o relâmpago])
T - Wólè wólè wólè kábíyèsílè àdé! (Descemos o rosto e reverenciamos sua alteza e a coroa)
R - Wólè wólè wólè kábíyèsílè àdé! (Descemos o rosto e reverenciamos sua alteza e a coroa)
T - L’òkè ! (Nas alturas)
R - Sá bu èlò (O instrumento que corre e corta [raio])

Há quem diga que a reza cantada durante o alujá também pertence ao Kamuká:

Wa jaja babalofina oni Xangô
Wa jaja babalofina a na rewá
a ae eae e
a ae eae e

Porém a conclusão é que é apenas parecida por fonética, e não se trata de alusão especifica ao mesmo. Talvez por falta de escrita, a fonética tenha seguido este rumo parecendo ser nos dias de hoje uma alusão a barualofina.

12 de abril de 2012

11 de abril de 2012

Axé dos Presentes

Saudação:
Mo pín meu òrò  (Eu compartilho minha riqueza [a comida da mesa]) 

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T - Oní mo níwà sun pín wá sun pín òrò (Hoje eu tenho bom caráter, abraço e compartilho, procuro dividir a minha riqueza)
R - Oní mo níwà sun pín wá sun pín òrò (Hoje eu tenho bom caráter, abraço e compartilho, procuro dividir a minha riqueza)

Oxalá

Saudação:
Tamboreiro - Ajúbà Òòsà-nlà l’okun, b’okun, dòkun, jobokun, oromilaiyà, orumilayà, òrìsà talabí, oubàtálá, bàbá eniyán, onífá, bàbá igbó, elerun, bàbá ogìyán, aláàfìa bàbá wa! (Respeitamos a Oxalá no mar, como o mar e desde o mar, que dança como as ondas, espírito valente das águas, que de noite treme de dor, Orixá do princípio, rei da pureza, pai da gente, possuidor do oráculo, pai do bosque sagrado, dono do sol, comedor de inhame pilado, paz nosso pai)
Responder - Èèpà bàbá! (Pai de linhagem nobre!) 

Download:
Reza Orixá Oxalá - Mp3
Reza Orixá Oxalá - Pdf


T - E jí yá wá wá ou! Bàbá ìsòrò (Desperte logo, venha pai da expressão)
R - E jí wáiyé bàbá’rúnmalè e jí wá (Desperte, venha ao mundo pai dos Orixás, desperte e venha)
T - Elú’ wà pè kó ou bàbá (Senhor da existência, você chama e ensina pai)
R - Elú’ wà pè kó erúnmalè (Senhor da existência, chama e ensina espírito de luz)
T - Elú’ wà pè kó omo jà (Senhor da existência, chama e ensina ao filho que luta)
R - Elú wà pè kó erúnmalè (Senhor da existência, chama e ensina espírito de luz)
T - Tutor l’omi l’àwa’ nà réè wò! Kó rí foribalè (Temos alegria na água, deste caminho cuidemos! Aprendemos a inclinar a cabeça para o chão)
R - Olomi’ nà ou aladé k’ori foribalè (Dono do caminho de água, dono da coroa, recolhe as cabeças que se inclinam perante a ti)
T - Tutor fi òla tutor fi òa Yèyé bàbà’ runmalé (Alegria pela manhã, alegria pela manhã, mãe do ouro e dos espíritos de luz)
R - Tutor fi òla tutor fi òa yèyé bàbà’ runmalé (Alegria pela manhã, alegria pela manhã, mãe do ouro e dos espíritos de luz)
T - Á mã k’èrè k’èrè k’èrè, wá mã k’èrè dê òrìsà (Venha sempre recolher os lucros, recolhe os prêmios, chega Orixá)
R - Á mã k’èrè k’èrè k’èrè, wá mã k’èrè dê òrìsà (Venha sempre recolher as lucros, recolhe os prêmios, chega Orixá)
T - Omi nem’nà bá tìyà omi nem’nà bá lókun (Água no caminho, deixa pra trás o sofrimento, água no caminho encontra força)
R - Omi nem’nà bá tìyà omi nem’nà bá lókun (Água no caminho deixa pra trás o sofrimento, água no caminho encontra força)
T - Wolé wolé wolé omi á seu bàbá ìsòrò (Entre à casa, entre à casa água, deve remar pai da expressão)
R - Wolé wolé wolé omi á seu bàbá ìsòrò (Entre à casa, entre à casa água, deve remar pai da expressão )
T - Wolé wá ou! Wolé dê bàbá ou! (Oh! Entre à casa, venha! Entre à casa, chegue pai!)
R - Wolé wá ou! Wolé dê bàbá ou! (Oh! Entre à casa, venha! Entre à casa, chegue pai!)
T - E bàbá lokè fun meu bòkun (Senhor, pai é o topo para mim, me cubra de poder)
R - Òkêrè ké o bò má yà tutor òkêrè ké o bò má yà (Na distância corta a dureza, cobre e não desvie a alegria, na distância corta a dureza, cobre e não te desvie)
T - E mã wá e p’ rúnmalè odò (Senhor venha sempre, chame os espíritos de luz do rio)
R - Erò e mã wá e p’ rúnmalè odò erò (Com calma sempre venha, chame os espíritos de luz do rio com calma)
T - Àlà mókèé mókèé sé (A pureza traz o êxito)
R - Àlà ou ou ou! bàbá (Oh a pureza! Pai)
T - Òòsà-nlà dê òròmi là ìyà bàbà yi sòro òròmi là ìyà (Oxalá chega espírito da água, nos salve do sofrimento, assim como o ouro resiste à dificuldade, espírito da água nos salve do sofrimento)
R - Òòsà-nlà dê òròmi là ìyà bàbà yi sòro òròmi là ìyà (Oxalá chega espírito da água, nos salve do sofrimento, assim como o ouro resiste à dificuldade, espírito da água nos salve do sofrimento)
T - Òòsà-nlà dê òròmi là ìyà, òròmi là ìyà yi sòro (Oxalá chega espírito da água, nos salve do sofrimento espírito da água, nos salve do sofrimento resistindo à dificuldade)
R - Òòsà-nlà dê òròmi là ìyà, òròmi là ìyà yi sòro (Oxalá chega espírito da água, nos salve do sofrimento espírito da água, nos salve do sofrimento resistindo à dificuldade)
T - Eiye iye ou! Í yé òròmi là ìyà (Oh! Aves numerosas! Espírito da água nos salve do sofrimento)
R - Eiye iye ou! Í yé òròmi là ìyà (Oh! Aves numerosas! Espírito da água nos salve do sofrimento)
T - Bé l’èrù bé l’erù bé l’èrùn òrìsà-nlá malè odò (Corta os medos, corta as águas, corta a seca, grande Orixá espírito do rio)
R - Bé l’èrù bé l’erù bé l’èrùn òrìsà-nlá malè odò (Corta os medos, corta as águas, corta a seca, grande Orixá espírito do rio)
T - Aláfìn oulá yè dê bàbá’ré wá (Dono do palácio, da honra de estar vivo, chegue pai bendito, venha)
R - Aláfìn oulá yè dê bàbá’ré wá (Dono do palácio, da honra de estar vivo, chegue pai bendito, venha)
T - Òòsà-nlà bé l’èrù (Oxalá corta os medos)
R - Epere mã f’altar (Melhor sempre usar o corpo)
T - Má kosè Òòsà-nlà má kosè bàbá igbó má kosè (Não tropece Oxalá, não tropece pai do bosque sagrado, não tropece)
R - Bàbá igbó má kosè Òòsà-nlà má kosè bàbá igbó má kosè (Pai do bosque sagrado, não tropece, Oxalá não tropece)
T - Sá padà ou siré! (Corra e volte a divertir-se!)
R - F’altar b’odò (Use o corpo como o rio)
T - E kí’ lú wá pés’orò í là ou, e kí’ lú wá pés’orò í là ou, bàbá ou sim mã, ìyá là ou sim mã, e kí’ lú wá pés’orò í là ou (Nos visite senhor, venha, faça-se presente espírito, nos salve pai, você está sempre presente. Mãe nos salve, você está sempre presente)
R - E kí’ lú wá pés’orò í là ou, e kí’ lú wá pés’orò í là ou, bàbá ou sim mã, ìyá là ou sim mã, e kí’ lú wá pés’orò í là ou (Nos visite senhor, venha, faça-se presente espírito, nos salve pai, você está sempre presente. Mãe nos salve, você está sempre presente)
T - Ou kí kí obì õfà rí ré wò, ou kí kí obì õfà rí ré, obì õfà òrun, obì õfà Òsum ou kí kí obì õfà rí ré wò (Nos visita, venha Orixá da noz de cola, atrai a visão e olhe a sorte, noz de cola venha do céu, noz de cola seduz a Oxum, atrai a visão e olhe a sorte)
R - Ou kí kí obì õfà rí ré wò, ou kí kí obì õfà rí ré, obì õfà Òrun, obì õfà Òsum ou kí kí obì õfà rí ré wò (Nos visita, venha Orixá da noz de cola, atrai a visão e olhe a sorte, noz de cola venha do céu, noz de cola seduz a Oxum, atrai a visão e olhe a sorte)
T - Yèwo ou yèwo! Awo Òòsà-nlà òrúnmilà í là ou (Investiga, examina! Adivinho, grande Orixá Orumilaia, nos salve)
R - Yèwo ou yèwo! Awo yèwo dê òrúnmilà yá (Investiga, examina! Adivinho investiga, chega Orumilaia logo)
T - Olú pepe ou! airà bàbà já nire olúfá í rà (Oh! Professor dos jovens! Sem redenção até o ouro se rompe, tem boa sorte o professor de Ifá que ainda se redime)
R - Olú pepe ou! airà bàbà já nire olúfá í rà (Oh! Professor dos jovens! Sem redenção até o ouro se rompe, tem boa sorte o professor de Ifá que ainda se redime)
T - Kó l’imò kó l’imò kún (Recolhe o conhecimento e nos preencha com ele)
R - F’ara rá ìjó kó l’imò kún f’ara rá yí (Usa o corpo arrastando-o à dança, recolhe o conhecimento e preenche, usa o corpo arrastando-o à transformação)
T - Yèyé èpa bi yàn, yèyé èpa bi yàn, á má sé o òní b’òkun má korò, yèyé èpà bi yàn á má sé o òní b’òkun má korò (Mãe da jarra medicinal do nascimento escolha, venha e não se vá, hoje cruze o mar e não se amargure)
R - Yèyé èpa bi yàn, yèyé èpa bi yàn, á má sé o òní b’òkun má korò, yèyé èpà bi yàn á má sé o òní b’òkun má korò (Mãe da jarra medicinal do nascimento escolha, venha e não se vá, hoje cruze o mar e não se amargure)
T - Á bá là ijùgbè, á bá là ijùgbè, á má sei o òní b’òkun má korò, á bá là ijùgbè, á má sei o òní b’òkun má korò (Venha, encontre e salve professor dos jovens, venha, não se vá, hoje cruze o mar e não se amargure)
R - Á bá là ijùgbè, á bá là ijùgbè, á má sei o òní b’òkun má korò, á bá là ijùgbè, á má sei o òní b’òkun má korò (Venha, encontre e salve professor dos jovens, venha, não se vá, hoje cruze o mar e não se amargure)
T - Onà jé ou adúpe ré ou! (Oh! O caminho cumprimos e lhe agradecemos)
R - Onà jé ou adúpe ré ou! (Oh! O caminho cumprimos e lhe agradecemos)
T - Babá sei ké tún l’erè uma là (Pai faz com que se renove a adoração à serpente, nos salve de sua picada)
R - Babá sei ké tún l’erè uma là (Pai faz com que se renove a adoração à serpente, nos salve de sua picada)
T - Ìlekè’ lekè d’omi ou! (O colar, o colar vem da água)
R - Bàbá òrìsà d’omi ou! (O pai dos Orixás vem da água)
T - Òrìsà tàlà ásou’minha ré ou odòlómi ná wè odòlómi ná wè òrìsà tàlà assou’minha ré ou (O Orixá das roupas brancas benze a água, o rio tem água para gastar, o Orixá das roupas brancas benze a água)
R - Òrìsà tàlà ásou’minha ré ou odòlómi ná wè odòlómi ná wè òrìsà tàlà assou’minha ré ou (O Orixá das roupas brancas benze a água, o rio tem água para gastar, o Orixá das roupas brancas benze a água)
T - Olórun e jí hù p ao ba’lú ri olórò (Dono do céu desperte e te manifeste, nós percebemos-lhe no povo e o reverenciamos, dono dos espíritos)
R - Olórun e jí hù p ao ba’lú ri olórò (Dono do céu desperte e te manifeste, nós percebemos-lhe no povo e o reverenciamos, dono dos espíritos )
T - Ou yà ou álá (Você dá um passo à sua grande luz)
R - Òkè sei okè sei (O faça no topo)
T - Yé ebi ebi á jeum ou elébi ebi á jeun ou oní bàbá elépe ou á meu mõre meu jà kún dêem ou oní bá bí f’ouba elépe ou (Entende que a viagem dá fome, vem comer algo senhor faminto da travessia, vem comer algo hoje, pai dono do chamado, vem à mim me engrandecendo, te esforce em preencher e criar, hoje passa aqui pelo rei que está chamando)
R - Yé ebi ebi á jeum ou elébi ebi á jeun ou oní bàbá elépe ou á meu mõre meu jà kún dêem ou oní bá bí f’ouba elépe ou (Entende que a viagem dá fome, vem comer algo senhor faminto da travessia, vem comer algo hoje, pai dono do chamado, vem à mim me engrandecendo, te esforce em preencher e criar, hoje passa aqui pelo rei que está chamando)
T - Òrìsà meu mõre meu jà kún dêem ou (Meu Orixá me engrandeça, te esforce, preenche e crie)
R - E o bàbá elépe ou (O senhor é forte, pai dono do chamado)
T - Ou lélè mbá rà ou lélè mbá rà ou olófin á òrìsà-nlà olófin á ou bàbá (Você está na terra, está tentando reparar, dono do palácio, vem grande Orixá dono do palácio, vem pai)
R - Ou lélè mbá rà ou lélè mbá rà ou olófin á òrìsà-nlà olófin á ou bàbá (Você está na terra, está tentando reparar, dono do palácio, vem grande Orixá dono do palácio, vem pai)
T - E o kiákiá kún fè rere (O senhor é forte, rapidamente preenche e estende as coisas boas)
R - Babalásè ké a jù p òrò (Pai do poder corta nossos excessos, que permaneça a riqueza)
T - Òòsà-nlà lé’rùn, Òòsà-nlà lé’rùn olófín á òrìsà-nlà olófín ou bàbá (Oxalá afasta a seca, Oxalá afasta o sol, dono do palácio vem grande Orixá, pai dono do palácio)
R - Òòsà-nlà lé’rùn, Òòsà-nlà lé’rùn olófín á òrìsà-nlà olófín ou bàbá (Oxalá afasta a seca, Oxalá afasta o sol, dono do palácio vem grande Orixá, pai dono do palácio)
T - E bò Òòsà-nlà òrìsà-nlà e bò Òòsà-nlà òrìsá-nlà ebi t’ánà bò e bò Òòsà-nlà òrìsà-nlà (Senhor retorne Oxalá, grande Orixá retorne da viagem pelo caminho, cubra-se grande Orixá)
R - E bò Òòsà-nlà òrìsà-nlà e bò Òòsà-nlà òrìsá-nlà ebi t’ánà bò e bò Òòsà-nlà òrìsà-nlà (Senhor retorne Oxalá, grande Orixá retorne da viagem pelo caminho, cubra-se grande Orixá)
T - E bò olófin á òrìsà-nlà (Senhor retorne dono do palácio, venha grande Orixá)
R - E bò olófin á òrìsà-nlà (Senhor retorne dono do palácio, venha grande Orixá)
T - Oní mó’ kùn sei rà oní mõkún sei rà (Hoje manifeste-se e faça a reparação)
R - Bàbá igbó oní mõkún sei rà (Pai do bosque sagrado, hoje manifeste-se e faça a reparação)
T - Oní mõkún sirei (Hoje manifeste-se e divirta-se)
R - Bàbá l’ijà (Pai tem que lutar)
T - Òòsà-nlà kó meu yà ásou bàbá yí kékè, Òòsà-nlà kó meu yà ásou olú rere sese (Oxalá me ocupe, separa a roupa pai e me transforme rapidamente, Oxalá me ocupe, separa a roupa senhor das coisas boas e simples)
R - Òòsà-nlà kó meu yà ásou bàbá yí kékè, Òòsà-nlà kó meu yà ásou olú rere sese (Oxalá me ocupe, separa a roupa pai e me transforme rapidamente, Oxalá me ocupe, separa a roupa senhor das coisas boas e simples)
T - Bàbá sé’ seu kè l’erò oní mõkún dú l’erò bàbá bàbá sei seu kè l’erò elú lélè là ìpò (Pai atue no topo, reme com calma, hoje manifeste-se, se negue a ter calma pai. Pai atue no topo, reme com calma, o senhor está no mundo, distribua a fartura)
R - Bàbá sé seu kè l’erò Bàbá sei seu kè l’erò bàbá bàbá sei seu kè l’erò lélè e lélè ou! (Pai atue no topo, reme com calma, atue no topo pai, reme com calma, ele está no mundo, o senhor está na terra)
T - Lé’correio! (Afastem o azeite de dendê!)
R - L’erò’ lé lélè ou (Tenham calma na casa, ele está no mundo)
T - Lókè bò meu nà (Retorne suave para mim, deita-se)
R - Bájà yí (Transforme a luta)
T - Òrìsà wènem b’okun (O Orixá lava a gente como o mar)
R - Bàbá òrìsà wènem b’okun o (Pai Orixá lava a gente como o mar)
T - Mo balè mo balè! (Eu me inclino para a terra)
R - Wí nem wí nem mo balè! (Fale hoje que eu me inclino para a terra)
T - Otà wè ‘tà wè ‘tà wè dê bàbá ‘tà wè (A pedra sagrada lava, lava a pedra sagrada, chega pai para lavar a pedra)
R - Otà wè ‘tà wè ‘tà wè dê bàbá ‘tà wè (A pedra sagrada lava, lava a pedra sagrada, chega pai para lavar a pedra)
T - Tò’lú tàlà’ lú’fá yìn, tò’lú tàlà’ lú’fá ou! (Prova ao povo que existe desde o começo, adorado senhor de Ifá, prova ao povo que existe desde o começo, senhor de Ifá!)
R - Tò’lú tàlà’ lú’fá yìn, tò’lú tàlà’ lú’fá ou! (Prova ao povo que existe desde o começo, adorado senhor de Ifá, prova ao povo que existe desde o começo, senhor de Ifá!)
T - E kalè kalè kale jó! (Sinta-se, sente-se venerável ancião dançador!)
R - E rè’ré rè kale jó! (Senhor se cansa no esporte ancião dançador)