30 de março de 2012

Bará

Saudação:
Tamboreiro - Ajúbà Bàrà-Légbà, Olóde, Èsù-Lànà, Bàrà Dage burúkú, Lànà Bàrà’ Jàlù Làlúpo, Èsù-Bàrà! (Respeitamos ao Bará, dono do látego, dos campos, Exu no caminho, Bará que corta o mal, abre os caminhos Bará mensageiro do tambor. Abre senhor do dendê Exu-Bará!)
Responder - Làlúpo! (Abre senhor do dendê)

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Reza Orixá Bará - Mp3
Reza Orixá Bará - Pdf


NOTA: A seguir só será usado T para tamboreiro e para resposta
T - Légba kayo kayo (Legba recolhe a alegria)
R - Légba kayo kayo (Legba recolhe a alegria)
T - Légba siré Ògún (Legba divirta-se com Ogum)
R - Légba siré Ògún (Legba divirta-se com Ogum)
T - Légba’ siré siré (Legba venha divertir-se)
R - Èsù lànà dí burúkú (Exu fecha o caminho para o mal)
T - Àbàdò dì burúkú (Eterno bloqueador do mal)
R - Àbàdò òbe nfara (Eterna faca que usa o corpo)
T - Mojúbà Èsù! (Reverencio ao Exu)
R - Bàrà !
T - Lóde Èsù! (Exu de fora)
R - Bàrà!
T - Lanà Èsù! (Exu do caminho)
R - Bàrà!
T - Èsù Olóde! (Dono da rua, Exu)
R - Èsù, Èsù Obara lànà (Dono do caminho, rei do corpo, Exu)
T - Èsù abánà bánà Èsù abánàiyé (Exu encontramos no caminho, surpreende no caminho, Exu encontramos nos caminhos do mundo)
R - Èsù abánà bánà Èsù abánàiyé (Exu encontramos no caminho, surpreende no caminho, Exu encontramos nos caminhos do mundo)
T - A máa s’ère ou níba Èsù abánà dêem, a máa s’ère ou níba Èsù abánà dêem (Aos outros sempre fazemos uma estátua, ele é reverenciado, Exu encontramos no caminho criando)
R - A máa s’erè ou níbà Èsù abánà dêem,a máa s’erè ou níbà Èsù abánà dêem (Aos outros sempre fazemos uma estátua, ele é reverenciado, Exu encontramos no caminho criando)
T - Èsù adé minha se se minha ré (Exu é minha coroa, faz-me bem)
R - Bàrà adé minha se se minha ré (Bará é minha coroa, faz-me bem)
T - Èsù adé meu se se meu Bàrà (Exu é minha coroa, faz-me bem Bará)
R - Bàrà adé minha se se minha ré (Bará é minha coroa, faz-me bem)
T - Èsù jálànà fun wa (Exu, abre o caminho para nós)
R - Èsù jálànà fun Malè (Exu, abre o caminho para o Orixá)
T - Lànà Èsù mérin (Exu, abre o caminho em quatro)
R - Èsù b’erin, Èsù mérin lànà (Exu como o elefante, abre o caminho em quatro direções)
T - Aiyéraiyé, ou o Bàrà ou! Aiyéraiyé, ou o Bàrà a má se o ogun ou! A má se o ogun já! aiyéraiyé, ou o Bàrà ou! (Oh! Eternamente, você é forte Bará! Não fuja da luta, não fuja da luta e briga, pois é eterno e forte Bará! )
R - Aiyéraiyé, ou o Bàrà ou! Aiyéraiyé, ou o Bàrà a má se o ogun ou! A má se o ogun jà! aiyéraiyé, ou o Bàrà ou! (Oh! Eternamente, você é forte Bará! Não fuja da luta, não fuja da luta e briga, pois é eterno e forte Bará! )
T - Èsù Bàrà ou eléfà s’epo (Exu-Bará você atrai o dendê)
R - Aiyéraiyé, ou o Bàrà! (Eternamente, você é forte Bará)
T - Ou yá, ou yá (Vamos, vamos)
R - Ou yá ou eléfa! (Vamos, você que atrai!)
T - Èsù Bàrà èle ou!, Èsù Bàrà èle ou!,mo dì Bàrà ou eléfa epo (Exu-Bará é violento, Exu-Bará é violento, eu clamo a violência do Bará, dono da atração e do dendê)
R - Èle Bàrà èle ou! èle Bàrà èle ou! mo dì Bàrà ou eléfà epo! (Violento é Bará, o violento! Eu clamo ao Bará dono da atração e do dendê!)
T - Èsù dê yí, mo jí Bàrà Èsù á jó, mo júbà yìn (Exu chega a transformar, eu faço um acordo ao Bará: Exu venha dançar que eu o respeito e o elogio)
R - Èsù dê yi, mo dì Bàrà Èsù á jó, mo júbà yìn (Exu chega a transformar, eu faço um acordo ao Bará: Exu venha dançar que eu o respeito e o elogio)
T - Bàrà gbó alároye a Èsù lonà, Bàrà gbó alároye a Èsù lonà, omode kó nem kóo sí Bàrà ogun tàlà bò, Bàrà ou eléfa lonà (Bará, grande falador, nos escute Exu dos caminhos. Bará
menino, vem nos ensinar, vem abrir, retorna de onde começa a luta, Bará que atrai nos caminhos)
R - Bàrà gbó alaroye a Èsù lonà, Bàrà gbó alaroye a Èsù lonà, omode kó nem kóo sí Bàrà ogun tàlà bò, Bàrà ou eléfa lonà (Bará, grande falador, nos escute Exu dos caminhos. Bará
menino, vem nos ensinar, vem abrir, retorna de onde começa a luta, Bará que atrai nos caminhos)
T - Èsù Bàrà wè bàbá oníre (Pai Exu-Bará limpe, dono de bênçãos)
R - Á lù fá Bàrà-Èsù, ké ké lù fá (Deva golpear e limpar Bará-Exu, corte, golpeie e limpe)
T - Bàrà rá múje kún lò òdà, Bàrà rá múje kún lò òdà, bàbá ru eko Bàrà ru de ou Bàrà rá múje kún lò odà, Bàrà mó ré ru (Bará deslize-se, devore e preencha, use a armadilha. Pai, o ofereço akassá, Bará lhe ofereço uma armadilha [para caçar]. Bará deslize-se, devore, preencha, use a armadilha. Bará, ponha com sigilo a armadilha que o ofereço)
R - Je’ko l’òdà (Coma o ecó e use a armadilha)
T - Bàrà mó ré ru (Bará, ponha com sigilo a armadilha que lhe ofereço)
R - Je’ko lò dà (Coma o akassá, use a armadilha)
T - Bàbá ’ iyan’ o (Pai dos seres da noite)
R - Bàbá ’ iyan’ o (Pai dos seres da noite)
T - Èsù àselù, Èsù àselù àse bò, Èsù àselù àse bò, ou yá níle ou! (Exu guardião, guardião do poder retorna, oh! Você logo está na casa)
R - Èsù àselù, Èsù àselù àse bò, Èsù àselù àse bò, ou yá níle ou! (Exu guardião, guardião do poder retorna, oh! você logo está na casa)
T - Á là lùpa ou! (Oh! Vem, abre matando com um golpe!)
R - Á là lùpa sei máa! (Vem, abre matando com um golpe continuamente)
T - Èsù Bàrà o bebe tíriri lonà, Bàrà o bebe tíriri lonà, Bàrà Èsù tíriri lonà, Èsù tirirí (Exu Bará vá triunfar, que tremam de medo no caminho, Bará Exu vá triunfar que tremam de medo no caminho, Exu que tremam de medo)
R - Bàrà Èsù tíriri lonà, Èsù tíriri lonà, Bàrà’ kè Bàrà Èsù Bàrà Èsù tíriri lonà (Bará Exu que tremam de medo no caminho, Exu que tremam no caminho. Bará na colina, Bará Exu, Bará Exu que tremam de medo no caminho)
T - Ou lè Bàrà yà b’odù màá sànà bò rè Elegba (Bará que pode se dividir como os signos do Ifá, sempre faz o caminho, regressa e benze senhor do látego)
R - Ou lè Bàrà yà b’odù màá sànà bò rè Elegba (Bará que pode se dividir como os signos do Ifá, sempre faz o caminho, retorna e benze senhor do látego)
T - Ou lè Bàrà yà b’odù, á sá k’èrè k’ewé (Bará que pode se dividir como os signos do Ifá, vem correndo recolher as recompensas e as ervas)
R - Ou lè Bàrà yà b’odù, á sá k’èrè k’ewé (Bará que pode se dividir como os signos do Ifá, vem correndo recolher as recompensas e as ervas)
T - Bàrà mótótó mótótó mo dúpe ou (Oh! Bará, ampara, ampara, eu te agradeço)
R - Bàrà’ mim àjó k’èrè ké, á mo dúpe ou (Bará, eu em minha jornada pela vida, recolho os prêmios e grito, vem, eu te agradeço!)
T - Elégbà yà b’odù! (Senhor do látego divida-se como os signos do Ifá)
R - Á b’àdó yó bè f’altar (Venha com a cabaça, use o corpo)
T - Tamaki elìjó tamaki e kà p’jó (Termine senhor da dança, termine, calcule o chamado à dança)
R - Tamaki á kó’sù Légba, tamaki elìjó (Termine e se recolha Exu Legba, termine, senhor da dança)
T - Ou Légba ou! (Oh Legba!)
R - Àkàrà jà! (Força que luta)
T - Ga máa sekó (Elevado, sempre faça e ensine )
R - Àkàrà jà! (Força que luta)
T - Yà b’odù máa d’okerè k’èrè k’èrè d’ok’ourò k’orò k’orò, deu k’èrè k’èrè k’èrè yà b’odù máa Elégbà (Te divida como os signos do Ifá, sempre chega recolhendo prêmios, recolhendo riquezas e lucros. Te divida como os signos do Ifá, sempre dono do castigo)
R - Yà b’odù máa d’okerè k’èrè k’èrè d’ok’ourò k’orò k’orò, deu k’èrè k’èrè k’èrè yà b’odù máa Elégbà (Te divida como os signos do Ifá, sempre chega recolhendo prêmios, recolhendo riquezas e lucros. Te divida como os signos do Ifá, sempre dono do látego)
T - Ògún lé bá Ògún se rere (Ogum adiante o encontramos, Ogum faz o bem)
R - Ògún!
T - Èsù lànà meu fò ou, Bàrà lànà fun malè ou! (Oh! Exu, abre o caminho me limpando, oh! Bará abre o caminho para os Orixás)
R - Èsù lànà meu fò ou, Èsù lànà fun malè! (Oh! Exu, abre o caminho me limpando, oh! Exu abre o caminho para os Orixás)
T - Èsù dêem lànà s’ebí a se’bo (Exu cria abertura de caminho, faz a viagem que nós fazemos a oferenda)
R - Èsù dêem lànà sim ebo (Exu cria a abertura de caminho para a oferenda)

Rezas dos Orixás - Introdução


Fazendo uma pesquisa sobre rezas dos Orixás e suas traduções, encontrei esse trabalho muito bem feito pelo Babalorixá Osvaldo Omo Obatalá, e como não é algo muito fácil de se achar na internet, e muitas vezes nem nos próprios terreiros, decidi postá-lo dividido em partes, seguindo a hierarquia dos Orixás.

“Este trabalho é um compêndio de rezas jeje-nagô, que foram transmitidas verbalmente de geração em geração, cantadas tal qual eram escutadas, quer dizer, foneticamente, por isso para fazer a transcrição ao iorubá nos apoiamos na forma em que se pronunciam as palavras em dito idioma, onde por exemplo “yemanjá” é a forma aportuguesada de pronunciar “yemoja” e assim
por diante. É importante resgatar que a tradução que aqui se oferece não é a literal, mas sim está apoiada nas expressões que se fazem aos Orixás dentro da linguagem do culto. São muitos os que podem oferecer traduções das rezas, mas poucos os que podem traduzir do ponto de vista do sacerdote de Orixá, pois se necessita outro tipo de conhecimento para entender certas palavras.”

Bàbá Osvaldo Omotobàtálá

Para ler corretamente as rezas que aqui apresentamos, torna-se necessário que você tenha um conhecimento básico da fonética iorubá, pelo qual lhe explicamos a seguir como deve
encarar os diferentes acentos e letras que não estão no idioma português.

Vogais e consoantes
E - Soa como "éi"
Ou - Soa como "áon"
S - Soa como uma "tch".
G - Soa sempre como em "gato"(g-gue-gui-go-gu)
H - Soa sempre como uma "j".
J - Soa como uma "e" em "iate".
E - Soa como uma "Ñ".
Acentos
´ - Soa como a nota musical “MEU”
Sem til - Soa como a nota musical “RÉ”
` - Soa como a nota musical “DOU”

Oxalá

Orixá associado à criação do mundo e da espécie humana. Apresenta-se de duas maneiras: novo e velho. O símbolo do primeiro é uma espada, o do segundo é uma espécie de cajado em metal, chamado Opaxorô. Oxalá é considerado e cultuado como o maior e mais respeitado de todos os Orixás do Panteão Africano por ser  o Orixá maior e mais velho, o primeiro a ser criado, é considerado o Pai de todos.. É calmo, sereno, pacificador, muito respeitado por todos os Orixás e todas as nações. A Oxalá pertence os olhos que vêem tudo e é o último Orixá a ser reverenciado em todas as cerimônias.
  
Lenda sobre Oxalá:
Olodumaré entregou a Oxalá o saco da criação para que ele criasse o mundo. Porém essa missão não lhe dava o direito de deixar de cumprir algumas obrigações para outros Orixás e Bará, aos quais ele deveria fazer alguns sacrifícios e oferendas. Oxalá se pôs a caminho apoiado em seu Opaxorô. No momento em que deveria ultrapassar a porta do além, encontrou-se com Bará que, descontente porque Oxalá se negara a fazer suas oferendas, resolveu vingar-se provocando em Oxalá uma sede intensa. Oxalá não teve outro recurso senão o de furar a casca de um tronco de um dendezeiro para saciar a sua sede.
Era o vinho de palma o qual Oxalá bebeu intensamente, ficou bêbado, não sabia onde estava e caiu adormecido. Apareceu então Olófin Odùduà que vendo o grande Orixá adormecido roubou-lhe o saco da criação e em seguida foi a procura de Olodumaré, para mostrar o que teria achado e contar em que estado Oxalá se encontrava. Olodumaré disse então que se Oxalá estava neste estado, que ele mesmo, Odùduà, fosse criar o mundo. Odùduà foi então em busca da criação e encontrou um universo de água, e aí deixou cair do saco o que estava dentro, era terra. Formou-se então um montinho que ultrapassou a superfície das águas.
Então ele colocou a galinha cujos pés tinham cinco garras. Ela começou a arranhar e a espalhar a terra sobre a superfície da água, onde ciscava cobria a água, e a terra foi alargando cada vez mais, o que deu origem a cidade Ilê Ifê.
Odùduà ali se estabeleceu, seguido pelos outros Orixás e tornou-se assim rei da terra. Quando Oxalá acordou, não encontrou mais o saco da criação. Despeitado, procurou Olodumaré, que por sua vez proibiu, como castigo a Oxalá e toda sua família, de beber vinho de palma e de usar azeite de dendê. Mas como consolo lhe deu a tarefa de modelar no barro o corpo dos seres humanos nos quais ele, Olodumaré insuflaria a vida.

Arquétipos dos filhos de Oxalá:
Os filhos de Oxalá são pessoas calmas e dignas de confiança; são pessoas respeitáveis e reservadas, dotadas de força de vontade inquebrável que nada pode influenciar. Em nenhuma circunstância modificam seus planos e seus projetos, mesmo a despeito das opiniões contrárias, racionais que as alertam para as possíveis consequências desagradáveis de seus atos. No entanto, sabem aceitar sem reclamar, os resultados amargos daí decorrentes.
Características Positivas:
Participativos e criativos. Vaidosos, bonitos e elegantes. Trabalhadores e com muita força de vontade.
Características Negativas:
Usam a falsidade como defesa, apressados, sarcásticos, mentirosos, fúteis, hipocondríacos, gostam de intrigas e fofocas. São lentos, meticulosos, reacionários e exclusivistas.

Qualidades: Olocum, Obocum, Dacum, Jobocum, Orumilaia
*Obocum: O mais novo dos Oxalás, o abençoado. Oxalá que cuidava de Orumilaia por este ser muito velho. É o Orixá do crescimento e do progresso.
*Olocum: É o Oxalá adulto e guerreiro.
*Dacum: É o Oxalá de meia idade, o velho que se manifesta ereto. É o Oxalá do equilibrio.
*Jobocum: É Oxalá velho, vive nas águas.
*Orumilaia: O mais velho dos Oxalás. Apesar de ser cego, e Iansã ser a menina dos olhos dele no qual carrega seus olhos,  ele é o Orixá da visão e da clareza. Ele que concede o jogo de buzios e o pertence.
Saudação: Êpa o Babá: Salve o Pai!
Dia do ano: 25 de dezembro
Dia da Semana: Domingo
Flor: Copo de leite, jasmim, lírio
Comida: Arroz doce ou canjica branca
Doce: Cocada, merengue, doce de leite, pudim, doce de côco
Animal de estimação: Caracol
Função: Amor e união
Número: 10
Cor: Branco e Preto para Orumilaia e somente branco para os demais
Ferramentas: Jóia de prata, caramujo, sol, cajado, pomba de prata, moedas, búzios. Para Oxalá de Orumilaia acrescentam-se um par de olhos.
Frutas: Côco, limão
Ervas: Mamoeiro, manjericão
Legumes: Acelga, lentilha, feijão branco
Ajuntós:
*Obocum e Olocum: com Oxum Epandá
*Dacum: com Iemanjá Bocí
*Jobocum e Orumilaia: com Oxum Docô, com Iemanjá Bomí

Iemanjá

Mãe da maioria dos Orixás, dona dos mares, protetora dos pescadores e marinheiros. Orixá que gera o movimento das águas, Deusa da pérola,  senhora dos lares, que traz paz e harmonia para toda a família. Dona do pensamento, por isso é a ela que recorremos para solucionar problemas de depressão e de instabilidade emocional.
Apesar de os preceitos tradicionais relacionarem tanto Oxum quanto Iemanjá à função da maternidade, pode estabelecer-se uma distinção nesses conceitos. Oxum é a mãe no sentido de fecundação, gestação e criação do bebê. enquanto este não aprende nenhuma língua, enquanto seus mecanismos de personalidade não estão definidos. Iemanjá, por sua vez, é mãe daí por diante, é a função de maternidade enquanto educação. É a mãe do jovem e do adulto, a figura materna que acompanha um ser humano por toda vida.

Lenda sobre Iemanjá:
Iemanjá era casada com Oduduá com quem tinha dez filhos Orixás. Por amamentá-los, ficou com seios enormes. Impaciente e cansada de morar na cidade de ifé, ela saiu em rumo oeste, e conheceu o Rei Okerê. Logo se apaixonaram e casaram-se. Envergonhada de seus seios, Iemanjá pediu ao esposo que nunca a ridiculariza-se por isso. Ele concordou; porem, um dia, embriagou-se e começou a gracejar sobre os enormes seios da esposa. Entristecida, Iemanjá fugiu.
Durante a fuga, ela caiu quebrando um pote que continha uma poção, que seu pai lhe dera para casos de perigo. A poção transformou-a num rio cujo leito seguia em direção ao mar.
Ante o ocorrido, Okerê, que não queria perder a esposa, transformou-se numa montanha para barrar o curso das águas. Iemanjá pediu ajuda ao filho Xangô, e este, com um raio, partiu a montanha no meio; o rio seguiu para o oceano e, dessa forma, a Orixá tornou-se a Rainha do mar.

Arquétipos dos filhos de Iemanjá:
Os filhos de Iemanjá são pessoas voluntariosas, fortes, rigorosas, protetoras, altivas e, algumas vezes impetuosas e arrogantes; tem o sentido da hierarquia, faze-se respeitar e são justas, mas formais; poem à prova as amizades que lhes são devotadas, custam muito a perdoar uma ofensa e, se a perdoam, não a esquecem jamais. Preocupam-se com os outros, são maternais e sérias. Sem possuírem a vaidade de Oxum, gostam do luxo, das jóias caras. Tem tendencia à vida suntuosa mesmo se as possibilidades do cotidiano não lhes permitem tanto.
Características Positivas:
Seus filhos são dotados de franqueza, alegria, desconfiança, sabedoria e competência. Decididos, honestos e corretos. Inteligentes, criativos. São pessoas que gostam do trabalho e dedicam-se inteiramente à família
Características Negativas:
Demasiadamente exigentes, quando com raiva, destroem uma pessoa com um simples olhar. Quando ofendidas perdoam, mas jamais esquecem. Cruéis e egoístas, são do tipo donos da verdade. Dramáticos e fatalistas, se irritam facilmente.

Qualidades: Bocí, Bomi, Nanã Borocum
*Bocí: A mais nova. Guerreira, dona da espada, esposa de Ogum.Vive perto das praias, no encontro das águas com as pedras. 
*Bomi: É a Iemanjá de meia idade
*Nanã Burucum: A mais velha e severa de todas, rabugenta, feiticeira, rancorosa e violenta. 
Saudação: Odô Omio: Mãe do Rio!
Dia do ano: 02 de fevereiro
Dia da Semana: Sexta-feira
Flor: Hortênsia, palma azul, rosa azul
Comida: Canjica branca, peixe
Doce: Merengue, doce de côco
Animal de estimação: Marisco
Função: Mudança de pensamento, união, abafamento
Número: 08
Cor: Azul claro
Ferramentas: Âncora, leme, peixe, estrela do mar, pérola, conchas, moedas, búzios
Frutas: Melancia, uva dedo-de-dama, pêra
Ervas: Malva, alfazema
Legumes: Alface, cebola, salsa, chuchu
Ajuntós:
*Bocí: com Ogum Adiolá, com Xangô Aganjú, com Odé, com Ossanhe, com Oxalá Dacum
*Bomí: com Oxalá Jobocum, com Oxalá de Orumilaia
*Nanã Borocum: com Oxalá Jobocum

Ibejis

Ibejis são Orixás crianças, em realidade, duas divindades gêmeas infantis,masculino e feminino, ligadas a todos os orixás e seres humanos. São Orixás não manifestados, porém cultuados. Formam-se a partir de duas entidades distintas que co-existem, respeitando o princípio básico da dualidade e dividem-se em um único Orixá permanentemente duplo. Num plano mais terreno, por ser criança, a ele é associado tudo o que se inicia: a nascente de um rio, o germinar das plantas, o nascimento de um ser humano. Ibejis é o que indica a contradição, os opostos que caminham juntos, a dualidade. Ibejis mostra que todas as coisas, em todas as circunstâncias, têm dois lados e que a justiça só pode ser feita se as duas medidas forem pesadas, se os dois lados forem ouvidos. Ibejis é poderoso como todo o Orixá, a criança-divindade, entretanto, entende os pedidos de maneira simplista, o que pode levar a conseqüências não previstas pelas entidades em geral. Por outro lado, têm a reputação de ser extremamente fiéis às pessoas que conquistam sua confiança.

Lenda sobre Ibejis:
Existiam num reino dois pequenos príncipes gêmeos que traziam sorte a todos. Os problemas mais difíceis eram resolvidos por eles; em troca, pediam doces balas e brinquedos. Esses meninos faziam muitas traquinagens e, um dia, brincando próximos a uma cachoeira, um deles caiu no rio e morreu afogado. Todos do reino ficaram muito tristes pela morte do príncipe. O gêmeo que sobreviveu não tinha mais vontade de comer e vivia chorando de saudades do seu irmão, pedia sempre a Orumilá que o levasse para perto do irmão. Sensibilizado pelo pedido, Orumilá resolveu levá-lo para se encontrar com o irmão no céu, deixando na terra duas imagens de barro. Desde então, todos que precisam de ajuda deixam oferendas aos pés dessas imagens para ter seus pedidos atendidos.

Arquétipos dos filhos de Ibejis:
Lembramos que Ibejis são Orixás não manifestáveis, cultuados como Orixás independentes; porém são associados e considerados como qualidades de Xangô (Aganjú de Ibejis) e Oxum (Epandá de Ibejis), portanto as características descritas se referem aos filhos destes Orixás.
Os filhos de Ibeji são pessoas com temperamento infantil, jovialmente inconsequentes; nunca deixam de ter dentro de si a criança que já foram. Costumam ser brincalhões, sorridentes, irrequietos. Tudo, enfim, o que se possa associar ao comportamento típico infantil.
Muito dependentes nos relacionamentos amorosos e emocionais em geral, podem revelar-se teimosamente obstinados e possessivos. Ao mesmo tempo, a sua leveza perante a vida revela-se no seu eterno rosto de criança e no seu modo ágil de se movimentar, a sua dificuldade em permanecer muito tempo sentado, extravasando energia.
Podem apresentar bruscas variações de temperamento, e uma certa tendência a simplificar as coisas, especialmente em termos emocionais, reduzindo, às vezes, o comportamento complexo das pessoas que estão em seu torno a princípios simplistas como “gosta de mim – não gosta de mim”. Isso pode fazer com que se magoem e se decepcionem com alguma facilidade.
Ao mesmo tempo, as suas tristezas e sofrimentos tendem a desaparecer com facilidade, sem deixar grandes marcas. Como as crianças, em geral, gostam de estar no meio de muita gente, das atividades desportivas, sociais e das festas.

Qualidades: Não possuem
Saudação: Oni Bejis: Salve todas as crianças!
Dia do ano: 27 de setembro
Dia da Semana: Segunda-feira
Flor: Todas as flores, miúdas e coloridas
Doce: Bala de goma, paçoca, suspiro, todos os doces em geral
Animal de estimação: Macaco
Função: Parto e infância, tudo relacionado a criança
Número: 02
Cor: Azul e rosa ou colorido
Ferramentas: 2 bonecos gêmeos, 2 cabacinhas, brinquedos...
Frutas: Manga, goiaba, mamão...
Ervas: Alfazema, erva-cidreira, camomila, erva-doce...

Oxum

Oxum é muito bonita, charmosa, e possessiva. É intuitiva e sente quando algo não está bem. É uma boa anfitriã e tem boa fé, não percebendo a maldade dos inimigos. Pela sua beleza, Oxum teria despertado muitos amores, mas seu relacionamento mais importante foi com Xangô. É considerada a Deusa do ouro, da beleza, do dinheiro, da riqueza, do amor, do casamento, da felicidade, do perfume, da vaidade, do mel e de tudo que é doce.  Mulheres grávidas ou que querem engravidar recorrem a Oxum para que lhe dê proteção, pois é a padroeira da fecundidade, protegendo o feto e a criança em gestação. 
Todos os rios, lagos, lagoas e cachoeiras pertencem a este Orixá.  Pela hierarquia é o primeiro Orixá doce seguida de Iemanjá e Oxalá, formando assim o grupo de Orixás chamado de Cabeças Grande.

Lenda sobre Oxum:
Logo que todos os Orixás chegaram à terra, organizavam reuniões das quais mulheres não podiam participar. Oxum, revoltada por não poder participar das reuniões e das deliberações, resolve mostrar seu poder e sua importância tornando estéreis todas as mulheres, secando as fontes, tornando assim a terra improdutiva. Olodumaré foi procurado pelos Orixás que lhe explicaram que tudo ia mal na terra, apesar de tudo que faziam e deliberavam nas reuniões. Olodumaré perguntou a eles se Oxum participava das reuniões, foi quando os Orixás lhe disseram que não. Explicou-lhes então, que sem a presença de Oxum e do seu poder sobre a fecundidade, nada iria dar certo. Os Orixás convidaram Oxum para participar de seus trabalhos e reuniões, e depois de muita insistência, Oxum resolve aceitar. Imediatamente as mulheres tornaram-se fecundas e todos os empreendimentos e projetos obtiveram resultados positivos. Oxum é chamada Iyalodê, título conferido à pessoa que ocupa o lugar mais importante entre as mulheres da cidade.

Arquétipos dos filhos de Oxum:
Os filhos de Oxum são graciosos e elegantes, com paixão pelas jóias, perfumes e vestimentas caras. São símbolos de charme e beleza. São pessoas voluptuosas e sensuais, porém mais reservadas que Iansã. Evitam chocar a opinião pública, à qual dão grande importância. Sob sua aparência graciosa e sedutora escondem uma vontade muito forte e um grande desejo de ascensão social.
Características Positivas: 
Pensativos, elegantes, charmosos, atenciosos, trabalhadores, espertos e tem um doce no olhar. São vaidosos, afetivos e carismáticos. Como profissionais, as pessoas regidas por Oxum são sensatas e dedicadas. Amam com sinceridade e dedicação. Conhecem o feitiço e fazem bom uso dele. Quando fixam um objetivo não medem sacrifício para conseguir atingir sua meta.
Características Negativas: 
Chantagistas, choram para ter a piedade dos outros, dramáticos, são matreiros, debochados, possessivos, exigentes, ciumentos, autoritários. Gostam de palpitar sobre os problemas alheios, adoram criticar.

Qualidades: Epandá de Ibejis, Epandá, Demun, Olobá, Docô 
*Epandá de Ibejis: É a Oxum criança
*Epandá: É a Oxum jovem e guerreira. Esposa de Oxossi Ibualama, vive no mato com seu marido. É desconfiada, astuta, observadora e intuitiva. É muito feiticeira e tem ligação com o fogo. É a rainda da cidade que leva seu nome, a verdadeira Ọ̀ṣun Ijeṣa que veio de Ijesa ou de Ipondá.
*Demun: É a Oxum de meia idade, a que se casa com Ossanhe.
*Olobá: Uma Oxum velha porém que se manifesta ereta, é maternal e amorosa.
*Docô: a mais velha das Oxuns, a matriarca e idosa. e chefe das mulheres. Maternal avó amorosa é uma mulher que tem numerosos filhos e netos, mas é bastante severa e autoritária.
Saudação: Ore Yeye O: Chamemos a benevolência da Mãe!
Dia do ano: 12 de Outubro ou 08 de dezembro
Dia da Semana: Sábado
Flor: Rosas amarelas ou outras flores amarelas
Comida: Canjica amarela
Doce: Quindim, pudim, ambrosia
Animal de estimação: Aranha
Função: Gravidez, amor, demanda, dinheiro
Número: 08
Cor: Amarelo
Ferramentas: Leque, búzios, jóias, espelho, pente, meia lua, conchas, moedas, búzios
Frutas: Melão, pêssego, ameixa amarela
Ervas: Dinheiro em penca, alecrim
Legumes: Couve, cenoura, moranga
Ajuntós:
*Epandá de Ibejis: com Xangô Aganjú de Ibejis 
*Epandá: com Bará Agelú, com Ogum Adiolá, com Xangô Aganjú, com Oxalá Obocum, com Oxalá Olocum
*Demun: com Ossanha
*Olobá: com Xangô Agodô, com Xapanã Belujá
*Docô: com Oxalá Jobocum, com Oxalá de Orumilaia 

Xapanã

Orixá conhecido por sua fúria e vingança contra malfeitores e pessoas que tratam as coisas sem o devido respeito e honestidade. Pertence a Xapanã todas as doenças materiais e espirituais, principalmente as doenças de pele,com estas normalmente castiga quem merece. É chamado de Senhor da Varíola. Uma de suas missões no mundo material e espiritual, é varrer as coisas que não tem mais utilidade, é um dos Orixás que responde junto com Iansã pelos processos de desencarnação, pelos cemitérios, pela destruição e em defesa dos espíritos maléficos. Dono das doenças em geral. As pessoas dedicadas a este orixá mostram-se sofredoras, são capazes de abster-se de suas necessidades e interesses para consagrarem o bem-estar dos outros.

Lenda sobre Xapanã:
 Chegando de viagem à aldeia onde nascera, Xapanã viu que estava acontecendo uma festa com a presença de todos os Orixás. Porém, ele não podia entrar na festa, devido à sua medonha aparência. Então ficou espreitando pelas frestas do terreiro. Ogum, ao perceber a angústia do Orixá, cobriu-o com uma roupa de palha, com um capuz que ocultava seu rosto doente, e convidou-o a entrar e aproveitar a alegria dos festejos. Apesar de envergonhado, Xapanã entrou, mas ninguém se aproximava dele. Iansã tudo acompanhava com o rabo do olho. Ela compreendia a triste situação de Xapanã e dele se compadecia. Iansã esperou que ele estivesse bem no centro do barracão. O xirê estava animado, os orixás dançavam alegremente. Iansã chegou então bem perto dele e soprou suas roupas de palha com seu vento. Nesse momento de encanto e ventania, as feridas de Xapanã pularam para o alto, transformadas numa chuva de pipocas, que se espalharam brancas pelo barracão. Xapanã, o Deus das doenças, transformara-se num jovem belo e encantador. Assim eles tornaram-se grandes amigos e reinaram juntos sobre o mundo dos espíritos dos mortos, partilhando o poder único de abrir e interromper as demandas dos mortos sobre os homens. 

Arquétipos dos filhos de Xapanã:
Os filhos de Xapanã são pessoas com tendência masoquista, que gostam de exibir seus sofrimentos e as tristezas das quais tiram uma satisfação íntima. Pessoas que são incapazes de se sentirem satisfeitas quando a vida lhes corre tranquila. Podem atingir situações materiais invejáveis e rejeitar, um belo dia, todas essas vantagens por causa de certos escrúpulos imaginários. Pessoas que em certos casos sentem-se capazes de se consagrar ao bem-estar dos outros, fazendo completa abstração de seus próprios interesses e necessidades vitais.
Características Positivas: 
Pensativos, prestativos, sinceros, honestos, desinibidos, sóbrios, equilibrados, decididos e falantes.
Características Negativas:
Rabugentos, ranzinzas, são do tipo nervosos e ansiosos, vingativos, jamais esquecem uma ofensa.

Qualidades: Jubetei, Belujá, Sapatá 
*Jubetei: É o mais jovem.
*Belujá: Responde com os Orixás de praia. É o Xapanã de meia idade.
*Sapatá: Responde na lomba e nas encruzilhadas. É o velho, o feiticeiro, o deus da varíola e das doenças de pele. 
Saudação: Abá Ô: Ele está entre nós!
Dia do ano: 17 de dezembro
Dia da Semana: Quarta-feira
Flor: Lírio roxo
Comida: Fígado de gado bem picadinho misturado com farinha de mandioca, pipoca e amendoim
Doce: Rapadura de amendoim
Animal de estimação: Cachorro e mosca
Função: Limpeza, doença
Número: 07
Cor: Roxo
Ferramentas: Foice, vassoura, gadanho, relho de crina de cavalo, moedas, búzios
Frutas: Abacate, maracujá, amora
Ervas: Losna, picão, funcho
Legumes: Beterraba, feijão, pimenta, pimentão
Ajuntós:
*Jubetei: com Oiá, com Obá
*Belujá: com Iansã, com Oxum Olobá
*Sapatá: com Iansã, com Obá

Obá

Orixá  feminina, guerreira, temida, forte, energética, considerada mais forte que muitos Orixás masculinos. Esposa de Ogum e, posteriormente, terceira e mais velha mulher de Xangô. Quando manifestada, esconde a falta de uma orelha com a mão. É muito enérgica, possui entre seu axé o corte, tendo entre seus objetos mágicos a navalha. Está associada a tudo o que lembre máquinas e movimento, pois é a dona da roda. Orixá de grande poder e sabedoria, é a deusa dos amores arrebatados e absolutos. Para Obá, paixão é razão de sofrimento, de disputa e de submissão mal aceita.

Lenda sobre Obá:
Obá vivia em companhia de Oxum e Iansã, no reino de Oyó, como uma das esposas de Xangô, dividindo a preferência do reverenciado Rei. Obá percebia o grande apreço que Xangô tinha por Oxum, que mimosa e dengosa, atendia sempre a todas as preferencias do Rei, sempre servindo e agradando aos seus pedidos. Ela resolveu então, perguntar para Oxum qual era o grande segredo que ela tinha, para que levasse a preferencia do amor de Xangô, uma vez que Iansã andava sempre com o Rei em batalhas e conquistas de reinados e terras, pelo seu gênio guerreiro e corajoso e Obá era sempre desprezada e deixada por último na lista das esposas de Xangô. Oxum então, matreira e esperta, falou que seu segredo era em como preparar o amalá de Xangô, principal comida do Rei. Obá, como uma menina ingênua, escutou e registrou todos os ingredientes que Oxum falava e que eram de extrema importância para a realização de tal culinária, sendo que por fim, Oxum falou que além de tudo isso, tinha cortado e colocado uma de suas orelhas na mistura do amalá para enfeitiçar Xangô, sendo que nesse momento ela usava um pano amarrado a cabeça, escondendo suas orelhas. Obá agradeceu a sinceridade e em grande sinal de amor pelo seu Rei, preparou um grande amalá, e por fim cortou uma de suas orelhas colocando na mistura e oferecendo à Xangô como gesto de seu sublime amor. Xangô ao receber a comida, percebeu a orelha de Obá na mistura, e bravejou e gritou.Continuava então a guerra entre Oxum e Obá, só que agora muito mais séria, Xangô como não aguentava mais tanta discussão, resolve matar ambas, que saem correndo pelo mato, transformando-se em rios. E hoje nota-se que o encontro entre os rios Oxum e Obá, na África, são revoltos.

Arquétipos dos filhos de Obá:
Os filhos de Obá são valorosos e incompreendidos. Suas atitudes militantes e agressivas são consequências de experiências infelizes ou amargas por elas vividas. Os seus insucessos devem-se, frequentemente, a um ciúme um tano mórbido. Entretanto, encontram geralmente compreensão para as frustrações sofridas em sucessos materiais, onde a sua avidez de ganho e o cuidado de nada perder dos seus bens tornam-se garantias de sucesso.
Características Positivas: 
Seus filhos são pessoas justas, honestas, equilibradas, fiéis, educadas e competentes. São grandes conselheiros e de grande sobriedade.
Características Negativas: 
Gostam de intrigas e de uma boa briga. Ciumentas, invejosas, são sempre muito interesseiras e reclamam demais.

Qualidades: Não Possui
Saudação: Exó: Cantemos para a rainha!
Dia do ano: 25 de novembro
Dia da Semana: Quarta-feira
Flor: Rosas cor salmão
Comida: Apeté feito com batata doce e orelha de porco assada
Doce: Doce de abacaxi
Animal de estimação: Rã
Função: Demanda, dano, corte
Número: 07
Cor: Rosa
Ferramentas: Navalha, roda, engrenagem, espada, moedas, búzios
Frutas: Abacaxi
Ervas: Abacaxi folha
Legumes: Abóbora, cebola, couve-flor, alho
Ajuntós:
*Com Bará Lodê, com Bará Lanã, com Bará Adague, com Xangô Aganjú, com Xapanã Jubeteí, com Xapanã Sapatá 

Ossanhe

Ossanhe é o Orixá das plantas medicinais e litúrgicas. É fundamental sua importância, porque detém o reino e poder das plantas e folhas, imprescindíveis nos rituais e obrigações de cabeça e assentamento de todos os Orixás. Podemos dizer que Ossanha possui a solução para todos os problemas relacionados a cura de enfermos, tanto material quanto espiritual. As pessoas com defeitos físicos nas pernas ou não possuem uma das pernas, quase sempre estão ligadas de alguma forma a esse Orixá, pois ele se apresenta sem uma das pernas, seja simbolicamente, assim como em transe dança com uma das pernas encolhidas como se não a possuísse, muitos de seus filhos, que não possuem uma das pernas quando da manifestação de Ossanhe, dançam toda uma noite em uma perna só. Como as folhas estão relacionadas com a cura, Ossanhe também está vinculado à medicina.

Lenda sobre Ossanhe:
 Ifá foi consultado por Orumilá que estava partindo da terra para o céu indo apanhar todas as folhas. Quando Orumilá chegou ao céu Olódùmaré disse: - Eis todas as folhas que queria pegar. O que fará com elas? Orumílá respondeu que iria usá-las para beneficio dos seres humanos, e todas as folhas que ele estava pegando, ele carregaria para a Terra. Quando chegou no meio do caminho entre o céu e a terra, ele encontrou Ossanhe e perguntou: - Ossanhe onde vai? -Vou ao céu, vou buscar folhas e remédios. Orumilá disse que já havia ido buscar as folhas no céu e ele poderia fazer remédios com elas, porém não conhecia seus nomes. Foi Orumilá quem deu nome a todas as folhas, e disse pra Ossanhe que carregasse todas as folhas para a terra. Foi assim que Orumilá entregou todas as folhas para Ossanhe e também ensinou a ele o nome das folhas apanhadas junto com todo o poder delas, o qual ele guardava em uma cabaça pendurada em um galho de árvore.  Um dia Xangô se queixou a sua mulher Iansã, que só Ossanhe conhecia o segredo de cada uma das folhas e que os demais Orixás estavam no mundo sem possuir nenhuma planta. Iansã levantou sua saia e agitou-a, um vento violento começou a soprar e derrubou a cabaça de Ossanhe no chão quebrando-a.
Ele, ao perceber o que aconteceu, gritou: -Ewê Ô! (Oh! As folhas! As Folhas!), mas não pôde impedir que os demais Orixás pegassem as folhas e as dividisse entre eles. Porém os Orixás não tinham o conhecimento das ervas e até hoje precisam de Ossanhe para usá-las em seus rituais, ficando seu segredo a salvo.

Arquétipos dos filhos de Ossanhe:
São pessoas de caráter equilibrado, capazes de controlar seus sentimentos e emoções. Pessoas que não deixam suas simpatias e antipatias intervirem nas suas decisões ou influenciarem suas opiniões sobre pessoas e acontecimentos. São pessoas cuja extraordinária reserva de energia criadora e resistência passiva ajuda-os a atingir os objetivos que fixaram. Não tem uma concepção estreita e um sentido convencional da moral e da justiça. Enfim, pessoas cujos julgamentos sobre os homens e as coisas são menos fundados sobre as noções de bem e de mal do que sobre as de eficiência.
Características Positivas: 
Reservados, estudiosos, sinceros e obedientes, dono de grande poder de persuasão, os regidos por este Orixá, são sensitivos, equilibrados e não confiam facilmente nos outros a fim de preservar seus segredos, pois são extremamente misteriosos e não são influenciáveis. Cientistas natos adoram criar e descobrir coisas novas. 
Características Negativas: 
São feiticeiros, são traiçoeiros, misteriosos, capazes de qualquer maldade para ter aquilo que querem. Não fazem muitos amigos, nem suas amizades são duradouras, são volúveis e raramente bem sucedidos no amor.

Qualidades: Não Possui
Saudação: Ewê Ô: Oh! As folhas!
Dia do ano: 25 de abril
Dia da Semana: Segunda-feira
Flor: Cravo
Comida: Apeté feito com batata inglesa e mel
Doce: Doce de figo, pera caramelizada
Animal de estimação: Cágado e formiga
Função: Demanda, doença
Número: 07
Cor: Verde
Ferramentas: Coqueiro, muleta, bisturi, cágado, moedas, búzios
Frutas: Mamão, pêssego, figo, abacate
Ervas: Abacateiro folha
Legumes: Alface, batata, chicória, azeitona
Ajuntós:
*Com Oxum Demun, com Iemanjá Bocí

Odé e Otim

Orixás da fartura e dos excessos, divindades da caça que vivem nas florestas, por isso, protege os caçadores em suas expedições. Seus principais símbolos são o arco e flecha e um rabo de boi. Em algumas lendas, Odé aparece como irmão de Ogum e de Bará e é casado com Otim formando um casal inseparável, onde está um está o outro. Odé caça, mas fica com pena dos bichos e dá para sua mulher Otim que devora tudo e por isso é gorda.
Odé é representado por um homem portando arco e flecha, suas ferramentas para a caça, e Otim porta um cântaro.
Os filhos de Otim são quase inexistentes, pois segundo uma lenda, Otim não teve filhos na terra, dando assim as cabeças dos filhos para Odé.  Não se sacrifica para um sem dar para o outro, os animais são os mesmos, mudando apenas o sexo.

Lenda sobre Odé e Otim:
Conta-se que Odé era irmão de Ogum e de Bará, todos os três filhos de Iemanjá. Bará era indisciplinado e insolente com sua mãe e por isso ela o mandou embora. Os outros dois filhos se conduziam melhor. Ogum trabalhava no campo e Odé caçava na floresta das vizinhanças, de modo que a casas estava sempre abastecida de produtos agrícolas e de caça. Iemanjá, no entanto, andava inquieta e resolveu consultar um babalaô. Este lhe aconselhou proibir que Odé saísse à caça, pois se arriscava a encontrar Ossanhe, aquele que detém o poder das plantas e que vivia nas profundezas da floresta. Odé ficaria exposto a um feitiço de Ossanha para obrigá-lo a permanecer em sua companhia. Iemanjá exigiu então, que Odé renunciasse a suas atividades de caçador. Este, porém, de personalidade independente, continuou sua incursões à floresta. Ele partia com outros caçadores, e como sempre faziam, uma vez chegados junto a uma grande árvore (ìrokò), separavam-se, prosseguindo isoladamente, e voltavam a encontrar-se no fim do dia e no mesmo lugar. Certa tarde, Odé não voltou para o reencontro, nem respondeu aos apelos dos caçadores. Ele havia encontrado Ossanhe e este lhe dera para beber uma poção onde foram maceradas certas folhas, como amúnimúyè, cujo nome significa "apossa-se de uma pessoa e de sua inteligência", o que provocou em Odé uma amnésia. Ele não sabia mais quem era nem onde morava. Ficou, então, vivendo na mata com Ossanhe, como predissera o babalaô.
Ogum, inquieto com a ausência do irmão, partiu à sua procura, encontrando-o nas profundezas da floresta. Ele o trouxe, mas Iemanjá não quis receber o filho desobediente. Ogum revoltado pela intransigência materna recusou-se a continuar em casa. Odé voltou para a companhia de Ossanhe, e Iemanjá desesperada por ter perdido seus filhos, transformou-se num rio, chamado Ògùn (não confundir com Ogum Orixá).

Arquétipos dos filhos de Odé e Otim:
São pessoas rápidas, espertas, sempre alerta e em movimento. São cheios de iniciativa e sempre em via de novas descobertas ou de novas atividades. Tem o senso da responsabilidade e dos cuidados para com a família. São generosas, hospitaleiras e amigas da ordem, mas gostam muito de mudar de residência e achar novos meios de existência em detrimento, algumas vezes de uma vida doméstica harmoniosa e calma. 
Características Positivas: 
São pessoas espertas e com iniciativa, nasceram para a liberdade, inteligentes, meigos, exigentes, cultos e sensíveis de temperamento infantil, brincalhão, participante e alegre. Amantes irresponsáveis amam sobre tudo a natureza e a liberdade. Tem grande sensibilidade artística, são extremamente organizados, podem ser grandes amigos e estão sempre prontos para tudo.
Características Negativas: 
Ciumentos, possessivos e inseguros. Narcisistas, egoístas, vaidosos a ponto de acharem que são os melhores em tudo. Temperamentais, quando estão com raiva podem até ficar perigosos. Aborrecem-se fácil e por qualquer motivo.

Qualidades: Não possuem
Saudação: Okê Okê Bambô: Salve o grande Caçador! 
Dia do ano:  21 de Janeiro
Dia da Semana: Sexta-feira
Flor: Lírio roxo
Comida: Chuleta de porco passada na farinha de mandioca
Doce: Cocadinha e merengue
Animal de estimação: Porco
Função: Amarração, demanda, fartura
Número: 08
Cor: Azulão
Ferramentas: Arco e flecha, funda, bodoque, moedas, búzios
Frutas: Ameixa branca, uva rosa
Ervas: Alevante, dinheiro em penca, guiné
Legumes: Batata, palmito
Ajuntós:
*Odé: com Otim, com Iemanjá Bocí 
*Otim: com Odé 

Xangô

Divindade do trovão e da justiça, controla o fogo, porém seu poder só tem efeito se praticado junto com Iansã, de quem não pode se separar. Xangô era muito atrevido e violento, porém, grande justiceiro, sempre castigando os ladrões e malfeitores. Por este motivo diz-se que quem teve morte por raio, ou sua casa, ou negócio queimado pelo fogo, foi vítima da ira ou cólera de Xangô.  É um Orixá temido e respeitado. Seu símbolo principal é a machada de dois gumes ou dupla. Tudo que se refere a estudos, as demandas judiciais, ao direito, contratos, documentos trancados, pertencem a Xangô, Rei de Oyó, marido de Iansã, Oxum e Obá. 
Patrono da política, da diplomacia, da sedução e da articulação. Senhor da vida, é o grande Rei entre os orixás.

Lenda sobre Xangô:
Xangô era um grande Rei, muito temido e respeitado. Gostava de exibir sua bela figura, pois era um homem muito vaidoso e adorava mostrar seus poderes de feiticeiro, sempre experimentando sua força.
Em certa ocasião, Xangô estava no alto de uma montanha, testando seus poderes. Em altos brados, evocava os raios, desafiando essas forças poderosas. Sua voz era o próprio trovão, provocando um barulho ensurdecedor. Ninguém conseguia entender o que Xangô pretendia com essa atitude, ficando ali por muito tempo, impaciente por não obter resposta. De repente, o céu se iluminou e os raios começaram a aparecer. As pessoas ficaram impressionadas com a beleza daquele fenômeno, mas, ao mesmo tempo, estavam apavoradas, pois nunca tinham visto nada parecido. Xangô, orgulhoso de seu extremo poder, ficou extasiado com o acontecimento. Não parava de proferir palavras de ordem, querendo que o espetáculo continuasse. Foi, então, que, do alto de sua vaidade, viu a situação fugir ao seu controle. Tentou voltar atrás, implorando aos céus que os raios, que cortavam a Terra como poderosas lanças, desaparecessem. Mas era impossível - a natureza havia sido desafiada, desencadeando forças incontroláveis!
Xangô correu para sua aldeia, assustado com a destruição que provocara.
Quando chegou perto do palácio, viu o erro que cometera. A destruição era total e, para piorar a situação, todos os seus descendentes haviam morrido. Ao ver que o rei estava muito perturbado, seu próprio povo tentou consolá-lo com a promessa de reconstruir a cidade, fazendo tudo voltar ao que era antes. Xangô, sem dar ouvidos a ninguém, foi embora da cidade. Ele não suportou tanta dor e injustiça, retirando-se para um lugar afastado, para acabar com sua vida. O rei enforcou-se numa gameleira. Iansã, quando soube da morte de seu marido, chorou copiosamente, formando o rio Niger. Ela, que tinha conhecimento do reino dos eguns, foi até lá para trazer seu companheiro da morte, que veio envolto em panos brancos e com o rosto coberto por uma máscara de madeira, pois não podia ser
reconhecido por Ikú, o Senhor da Morte. Xangô ressurge dos mortos, tornando-se um ser encantado. 

Arquétipos dos filhos de Xangô:
Os filhos de Xangô são pessoas voluntariosas e enérgicas, altivas e conscientes de sua importância real ou suposta. Pessoas que podem ser grandes senhores, corteses, mas que não toleram a menor contradição, e nesses casos, deixam-se possuir por crises de cólera violentas e incontroláveis. São pessoas sensíveis ao charme do sexo oposto e que se conduzem com tato e encanto em reuniões sociais, mas que podem perder o controle e ultrapassar os limites da decência. Enfim, os filhos de Xangô são pessoas que possuem um elevado sentido da sua própria dignidade e das suas obrigações, o que as leva a se comportarem com um misto de severidade e benevolência, segundo o humor do momento, mas sabendo guardar um profundo e constante sentimento de justiça.
Características Positivas: 
Personalidade forte, fala segura, atraentes, falantes, de gargalhada farta. Amantes fervorosos e insaciáveis, alegres, mas de grande responsabilidade e astúcia. São grandes articuladores, fadados ao sucesso. Não são de muito movimento, mas chamam muita atenção pela sua vaidade.
Características Negativas: 
Exigentes, são vingativos e não perdoam uma falha. Acham que só eles mesmo são capazes de realizar algo. Impiedosos, tem o prazer de fazer sofrer. Por falar demais não sabem guardar segredos.

Qualidades: Aganjú de Ibejis, Aganjú, Agodô
*Aganjú de Ibejis: É o Xangô criança.
*Aganjú: Responde nas pedras, em beiras de rio, pedreiras e na lomba aonde pesa as almas. É o xangô novo, dono da balança e do equilíbrio. Xangô guerreiro, feiticeiro, representa tudo que é explosivo, que não tem controle, ele é a personificação dos vulcões. É o mais cruel, é aquele que leva o coração do inimigo na ponta da lança.
*Agodô : Responde em pedreiras e é dono do machado com duas lâminas. É o Xangô velho, dono dos livros e das escritas. É tambem o juiz. Muito ruim e brutal, inclinado a dar ordens e a ser obedecido. É aquele que, ao lançar raios e fogo sobre seu próprio reino, o destrói.
Saudação: Kawo Kabiyesile: Venham ver o Rei descer sobre a Terra!
Dia do ano: 24 de junho ou 30 de setembro 
Dia da Semana: Terça-feira
Flor: Cravos vermelho e branco
Comida: Amalá feito com ponta de peito, mostarda picadinha e farinha de mandioca (Doces para Xangô de Ibejis)
Doce: Marmelada e doce de banana
Animal de estimação: Leão e gato
Função: Justiça, demanda 
Número: 06
Cor: Branco e vermelho
Ferramentas: Balança, machado de duas lâminas, livro, pilão, gamela, búzios, moedas
Frutas: Banana, morango
Ervas: Quebra-pedra
Legumes: Agrião, espinafre, ervilha, mostarda
Ajuntós:
*Agandjú Ibeji: com Oxum Epandá de Ibejis
*Agandjú: com Oiá, com Obá, com Oxum Epandá, com Iemanjá Bocí
*Agodô: com Iansã, com Oxum Olobá 

Iansã

Também chamada Oiá, é a Orixá dos ventos e raios. Além disto, é Senhora dos Eguns (espíritos dos mortos), os quais controla com um rabo de cavalo (eruexin) que é um de seus símbolos. É ela que servirá de guia, ao lado de Xapanã, para aquele espírito que se desprendeu do corpo. Guerreira, é a mais agitada das Orixás femininas, foi esposa de Ogum e, posteriormente, a mais importante esposa de Xangô. É dona dos movimentos (movimenta todos os Orixás), em algumas casas é também dona do teto da casa e da aliança. Atua em todos os campos que envolvam o relacionamento amoroso e por isso, é muito solicitada para resolver casos de união. Oiá é a força dos ventos, dos raios e furacões, das brisas que acalmam, das coisas que passam como o vento, dos amores sensuais e passageiros e das tempestades que assolam a existência, mas não duram para sempre. 
É a dona da alegria e da paixão que arde como o fogo. Ela é o desejo incontido, o sentimento mais forte que a razão. É o ciúme doentio e o fascínio enlouquecido. É a paixão propriamente dita. É a falta de medo das consequências de um ato impensado no campo amoroso. Oiá rege o amor forte e violento.

Lenda sobre Iansã:
Oxaguiã estava em guerra, mas a guerra não acabava nunca, tão poucas eram as armas para guerrear. Ogum fazia as armas, mas fazia lentamente. Oxaguiã pediu a seu amigo Ogum urgência, mas o ferreiro já fazia o possível. O ferro era muito demorado para se forjar e cada ferramenta nova tardava como o tempo. Tanto reclamou Oxaguiã que Iansã, esposa do ferreiro, resolveu ajudar Ogum a apressar a fabricação. Iansã se pôs a soprar o fogo da forja de Ogum e seu sopro avivava intensamente o fogo, consequentemente aumentado derretia o ferro mais rapidamente. Logo Ogum pode fazer muitas armas e com as armas Oxaguiã venceu a guerra e veio então agradecer Ogum. Mas na casa de Ogum, enamorou-se de Iansã. Um dia fugiram Oxaguiã e Iansã, deixando Ogum enfurecido e sua forja fria. Quando mais tarde Oxaguiã voltou à guerra e quando precisou de armas muito urgentemente, Iansã teve que voltar a avivar a forja. E lá da casa de Oxaguiã, onde vivia, Iansã soprava em direção à forja de Ogum. E seu sopro atravessava toda a terra que separava a cidade de Oxaguiã da de Ogum. E seu sopro cruzava os ares e arrastava consigo pó, folhas e tudo o mais pelo caminho, até chegar às chamas com furor. E o povo se acostumou com o sopro de Iansã cruzando os ares e logo o chamou de vento. E quanto mais a guerra era terrível e mais urgia a fabricação das armas, mais forte ela soprava a forja de Ogum. Tão forte que às vezes destruía tudo no caminho, levando casas, arrancando árvores, arrasando cidades e aldeias. O povo reconhecia o sopro destrutivo de Iansã e o povo chamava a isso tempestade.

Arquétipos dos filhos de Iansã:
 Os filhos de Iansã são audaciosos, poderosos e autoritários. Podem ser fiéis e de lealdade absoluta em certas circunstâncias, mas que em outros momentos, quando contrariados em seus projetos e empreendimentos, deixam-se levar a manifestações de mais extrema cólera. Pessoas cujo temperamento sensual e voluptuoso pode levá-las a aventuras amorosas extraconjugais múltiplas e frequentes, sem reserva nem decência. Os filhos de Iansã também são audaciosos, intrigantes, autoritários, vaidosos, pessoas sensuais e volúveis. 
Características Positivas: 
 Pessoas prestativas e trabalhadeiras, comunicativas, sensíveis e reservadas, ao mesmo tempo falantes e amigas. Perseverantes, otimistas, despachadas, categóricas, sabem o que querem. São dotadas de muita imaginação, decisões rápidas e audaciosas.Charmosas e atraentes. 
Características Negativas: 
São vingativas, difíceis de perdoar e se aborrecem facilmente. Chantagistas, mentirosas e gostam de intrigas. Extremamente agitadas e confusas. 

Qualidades: Oiá, Oiá Timboá, Oiá Dirã, Iansã
*Oyá: É a mais nova, é a dona da aliança, formando com Ogum e Xangô a famosa“aliança de Oyá”
*Timboá: É tida como a mais quieta das Iansãs, a que sabe fazer as coisas. Senhora dos cemitérios, controla os eguns. É assentada no igbalé (casa dos mortos), nos fundos do Ilê.
*Oyá Dirã: Senhora dos cruzeiros em T , é a Iansã que fica na rua.
*Iansã: É a mais velha, casada com Agodô, dona dos tetos.
Saudação: Epa Heyi Iansã: Saudamos os majestosos raios e ventos de Iansã! 
Dia do ano: 04 de dezembro
Dia da Semana: Terça-feira
Flor: Palma vermelha, rosas e cravos
Comida: Pipoca e batata doce
Doce: Maçã caramelizada, doce de batata
Animal de estimação: Borboleta e búfalo
Função: Amor, amarração e demanda
Número: 07
Cor: Vermelho e branco
Ferramentas: Espada feita em raio, raio com 2 ou 4 segmentos, par de alianças, leque de pena, relho de crina de cavalo, moedas, búzios
Frutas: Maçã, ameixa, cereja, bergamota, goiaba
Ervas: Espada de Santa Bárbara
Legumes: Tomate, batata-doce, moranga
Ajuntós:
*Oiá Timboá: com Bará Elegba, com Ogum Avagã
*Oiá Dirã: com Ogum Avagã
*Oiá: com Bará Adague, com Bará Lanã, com Bará Agelú, com Ogum Onira, com Xangô Aganjú, com Xapanã Jubeteí
*Iansã: com Bará Lodê, com Ogum Olobedé, com Xangô Agodô, com Xapanã Belujá, com Xapanã Sapatá

Ogum

Ogum é o Orixá da guerra, das batalhas, dos metais, da agricultura, dos caminhos e da tecnologia. Orixá guerreiro, defendendo as leis e a ordem, representa todas as batalhas da vida, e faz parte de tudo aquilo que é preciso lutar para alcançar vitória. O próprio Ogum forjava suas ferramentas, portanto é ele quem ensina os homens a manufaturar o ferro e o aço tanto para a caça, como para a agricultura, e para a guerra. A ele pertence a Obé e por isso vem logo após o Bará porque sem as facas que lhe pertencem não seriam possíveis os sacrifícios. A importância de Ogum vem do fato de ser ele um dos mais antigos deuses iorubás e, também em virtude de sua ligação com os metais e aqueles que os utilizam. Sem sua permissão e sua proteção, nenhum dos trabalhos e das atividades úteis e proveitosas seriam possíveis. 

Lenda sobre Ogum:
Ogum lutava sem cessar contra os reinos vizinhos. Ele trazia sempre um rico espólio em suas expedições, além de numerosos escravos. Todos estes bens conquistados, ele entregava a Odúduá, seu pai, rei de Ifé. 
Ogum continuou suas guerras. Durante uma delas, ele tomou Irê e matou o rei, Onirê e o substituiu pelo próprio filho, conservando para si o título de Rei. 
Após instalar seu filho no trono, Ogum voltou a guerrear por muitos anos. Quando voltou a Irê, após longa ausência, ele não reconheceu o lugar. Por infelicidade, no dia de sua chegada, celebrava-se uma cerimônia, na qual todo mundo devia guardar silêncio completo. Ogum tinha fome e sede. Ele viu as jarras de vinho de palma, mas não sabia que elas estavam vazias. O silêncio geral pareceu-lhe sinal de desprezo. Ogum, cuja paciência é curta, encolerizou-se. Quebrou as jarras com golpes de espada e cortou a cabeça das pessoas. A cerimônia tendo acabado, apareceu, finalmente, o filho de Ogum e ofereceu-lhe seus pratos prediletos: caracóis e feijão, regados com dendê, tudo acompanhado de muito vinho de palma. Ogum, arrependido e calmo, lamentou seus atos de violência, e disse que já vivera bastante, que viera agora o tempo de repousar. Ele baixou, então, sua espada e desapareceu sob a terra. Ogum tornara-se um Orixá.

Arquétipos dos filhos de Ogum:
Os filhos de Ogum são pessoas violentas, briguentas e impulsivas, incapazes de perdoarem as ofensas de que foram vítimas. São pessoas que perseguem energicamente seus objetivos e não se desencorajam facilmente. Pessoas que nos momentos difíceis triunfam onde qualquer outro teria abandonado o combate e perdido toda esperança. Possuem humor mutável, passando de furiosos acessos de raiva aos mais tranquilos comportamentos, e devido a sua sinceridade e franqueza, tornam-se pessoas difíceis de serem odiadas.
Características Positivas: 
Valentes, destemidos, buscam novos objetivos. São pessoas perspicazes, objetivas e corajosas. Amantes fiéis e constantes, dedicados à família. Geralmente bonitos, talentosos e inteligentes.
Características Negativas: 
Gananciosos, atrevidos. Usam a falsidade como tática de guerra, temperamentais e impiedosos.

Qualidades: Avagã, Onira, Olobedé, Adiolá
*Avagã: Responde no meio do cruzeiro e tem seu assentamento do lado de fora do Ilê, junto com Bará Lodê.
*Onira: Responde em cantos de cruzeiros e matos. Guerreiro impulsivo, é o cortador de cabeças, ligado à morte e aos antepassados. Orgulhoso, muito impaciente, arrebatado, não pensa antes de agir, mas acalma-se rapidamente. 
*Olobedé: Responde no meio do mato, e é o Ogum ferreiro. Representa um tipo mais velho de Ogum, trabalhador consciencioso, severo, que não brinca em serviço. Ciente de seus deveres como de seus direitos, é exigente e rabugento.
*Adiolá: Responde na beira da praia. Tem ligação com Iemanjá, é guerreiro e considerado o Ogum de Oxalá. 
Saudação: Ogum Iê: Salve Ogum!
  Dia do ano: 23 de abril
            Dia da Semana: Segunda-feira para Avagã e quinta-feira para os demais
Flor: Palma vermelha e cravo vermelho
Comida: Sete ripas de costela assada e farinha de mandioca
        Doce: Marmelo e doce de frutas
     Animal de estimação: Cavalo e cachorro
Função: Emprego, demanda
Número: 05 ou 07
Cor: Verde e vermelho
Ferramentas: Alicate, espada, faca, bigorna, búzios, moedas, martelo, lança, ferradura
Frutas: Côco, limão
Ervas: Espada de São Jorge
Legumes: Rabanete, espinafre
Ajuntós:
*Avagã: com Oiá Timboá, com Oiá Dirã
*Onira: com Oiá
                                                 *Olobedé: com Iansã
*Adiolá: com Oxum Epandá, com Iemanjá Bocí

Bará

Bará é um Orixá de múltiplos e contraditórios aspectos, o que torna difícil defini-lo de maneira coerente. É astucioso, grosseiro, vaidoso, indecente, a tal ponto que os primeiros missionários comparam-no ao Diabo. É o Orixá das chaves,dos portais, encruzilhadas e caminhos. É o conhecedor dos atalhos para que os objetivos possam ser atingidos. É ele quem conhece os caminhos da saúde, felicidade, negócios, trabalhos, viagens...Para atingirmos os outros Orixás, precisamos antes, saudar Bará para que esse possa nos conduzir a salvo por esses caminhos que ele conhece tão bem. Suas saudações, obrigações e cortes, devem sempre ser feitos em primeiro lugar.

Lenda sobre Bará:
Uma das lendas bastante conhecida de Bará conta como ele semeou a discórdia entre dois amigos que estavam trabalhando em campos vizinhos. Ele colocou um boné vermelho de um lado e branco do outro e passou ao longo de um caminho que separava os dois campos. Ao fim de alguns instantes, um dos amigos fez alusão a um homem de boné vermelho; o outro retrucou que o boné era branco e o primeiro voltou a insistir, mantendo a sua afirmação; o segundo permaneceu firme na retificação. Como ambos eram de boa fé, apegavam-se a seus pontos de vista, sustentando-os com ardor, e logo depois com cólera. Acabaram lutando corpo a corpo e mataram-se um ao outro.

Arquétipos dos filhos de Bará:
Os filhos de Bará possuem um caráter ambivalente, ora são pessoas inteligentes e compreensivas com os problemas dos outros, ora são bravas, intrigantes e ficam muito contrariadas. As pessoas de Bará não têm paradeiro, gostam de viagens, de andar na rua, de passear, de jogos e bebidas. Quase sempre estão envolvidas em intrigas e confusões. Guardam rancor com facilidade e não aceitam serem vencidas. Por isso, para ter-se um amigo ou filho de Bará é preciso que se tenha muito jeito e compreensão ao tratar-se com ele.
Características Positivas: 
São comerciantes hábeis e espertos, profissionalmente sempre chegam ao seu objetivo, mesmo que para isto tenham que se empenhar de corpo e alma para conseguirem seus intentos. Fortes, capazes, românticos, felizes, participativos, francos, espertos, inquietos, saudáveis, sinceros, astutos, atentos, rápidos, despachados e sagazes.
Características Negativas: 
Severos e exigentes ao extremo, caprichosos, extremamente vaidosos e ambiciosos. Brigões, debochados, brincalhões, sempre esperam uma recompensa por aquilo que fizeram. Tem caráter dúbio, sendo gentil e maldoso ao mesmo tempo.

Qualidades: Elegba, Lodê, Adague, Lanã, Agelú
*Elegba: Orixá que trabalha na lomba no cemitério. Enquanto Lodê vai do cruzeiro até o portão do cemitério, do portão do mesmo pra dentro pertence a Elegba e a seus companheiros.
*Lodê: Primeiro Orixá a ser saudado, é o senhor do destino. É o Orixá das chaves que abre e fecham os caminhos para todas as existências. É o conhecedor dos atalhos para que os objetivos possam ser atingidos. Lodê é o responsável pelo cuidado com os cruzeiros, seja elas das estradas, dos matos ou das ruas. É o guardião da entrada de todos os Ilês, por isso é assentado em uma casinha na frente do mesmo. Lodê aceita dividir a sua casa apenas com Ogum Avagã, unico que se aproxima de seus fundamentos. Lodê não aceita o manuseio de mulheres que menstruam sob pena de se revoltar com a casa e prejudicar a pessoa pois não é um Bará compativel com o sexo feminino.
*Lanã: Senhor dos caminhos dos cruzeiros de rua, de mato, de praia e até mesmo na lomba, é o Bará que trabalha em todos os reinos. É conhecido como principal responsável por abrir as estradas e atalhos. É o organizador dos caminhos . A responsabilidade desse Bará é de zelar pela segurança interna do Ilê.
*Adague: É responsável pela limpeza dos Ilês. Bará do trabalho e dos cruzeiros de mato, tarabalhando para os Orixás desse reino. Adague é o Bará que cuida das portas.
*Agelú: É o mais novo de todos os Barás, reina nos cruzeiros de praia. Trabalha pra Oxum, Iemanjá e Oxalá. A responsabilidade dele é zelar pelos templos.
Saudação: Alúpo ou Lálupo: Venha, ó falante!
Dia do ano: Lodê 29 de junho, demais Barás 13 de junho
Dia da Semana: Segunda-feira
Flor: Cravo vermelho
Comida: Milho, pipoca, batata inglesa (Mel e doces para Bará Agelú)
Doce: Caramelo, balas de mel, bombons
Animal de estimação: Rato
Função: Abertura de caminhos, demanda
Número: 07 e seus múltiplos
Cor: Vermelho
Ferramentas: Corrente, ponteiras, chave, cadeado, foice, moedas, búzios
Frutas: Manga, amora
Ervas: Guiné, dinheiro em penca
Legumes: Pimenta, cebola, couve, batata, pimentão
Ajuntós:
*Elegba: com Oiá Timboá 
*Lodê: com Iansã, com Obá
*Lanã: com Obá, com Oiá
*Adague: com Oiá, com Obá
*Agelú: com Oxum Pandá, com Oiá