31 de janeiro de 2012

Sincretismo religioso

Atualmente ainda é muito notável a forte presença de santos católicos em nossa religião. Todos conhecemos a origem desse sincretismo, que foi inteligentemente utilizado pelos escravos africanos com o intuito de "enganar" os senhores de engenho, fingindo aceitar a religião católica imposta pelos mesmos.
Porém acreditamos que hoje essas práticas não se fazem mais necessárias, uma vez que não temos mais a necessidade de "mascarar" nossas divindades. A pessoa que se assume afro umbandista, também precisa assumir os seus santos. Ogum não é São Jorge, apesar de terem algo similar. Os dois são sagrados e merecem o nosso respeito, porém cada um em seu departamento, não existindo mais motivos para serem igualados. Se formos bem a fundo, a umbanda não trabalha com Orixás, não "recebemos" Orixás, trabalhamos sim, com caboclos enviados pelos mesmos, ou seja, caboclos que usam nomes dos Orixás pois fazem parte de sua falange. Então, porque tantas imagens católicas nos congais sincretizando os Orixás? Nesse caso, o mais correto não seria usar as imagens de caboclos representando os mesmos? Ou ainda imagens dos próprios Orixás?
A nossa religião não é uma seita, não é uma ramificação do catolicismo. A religião afro é uma religião independente, com elementos próprios e cultos igualmente peculiares. Não existe mais fundamento em se cultuar santos de outra religião. 
Algumas pessoas costumam afirmar que isso se dá em função de seguir a tradição. Pois não há nada mais errado que essa afirmação.
Tradição era o que nossos ancestrais praticavam na África, fazendo assentamentos em locais públicos, ou aos pés de determinadas árvores ou ainda na beira de um rio. Tradição é cultuar as forças da natureza, acreditar na sua energia, é ser simples, mas ser verdadeiro. Tradição é usar roupas feitas de folhas, ferramentas feitas de madeira ou pedra, é pisar em chão de terra batida.
Tradição, definitivamente não é cultuar nem adorar imagens criadas e fabricadas pelos europeus e impostas pelos mesmos à nossa cultura afro. Se ao invés de usarmos pedras nos assentamentos, usássemos imagens, será que alguém assentaria seu Orixá em uma imagem católica usando como argumento a sincretização?
Até porque, se partirmos do princípio de que Orixás são forças da natureza, como podemos sincretizá-los como formas humanas esbeltas e sensuais? O que os africanos cultuavam não era a "pessoa" Orixá, e sim a sua força, a sua vibração, a sua essência, a sua energia, que era depositada em uma pedra, em um simples ocutá. E é exatamente essa força que devemos cultuar e adorar. Não a imagem européia de São Jorge, e sim a energia africana de Ogum.


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