23 de janeiro de 2012

Sacrifício de animais

Não se derrama o sangue dos animais por maldade, por crueldade, muito menos para fazer o mal a alguém. Usa-se o sangue dos animais para dar vida ao Orixá, pois o que define o sangue é a força que ele detém, ou seja, o axé, a força sagrada. É ele que faz a ligação entre o Orixá e nossa cabeça, é também a renovação do axé, feito de tempos em tempos ou em circunstâncias especiais. É a condição para que a vida continue, e assim mesmo num caso muito específico e depois de ser constatado que todos os outros rituais realizados não foram suficientes para resolver aquele determinado caso.
O sacrifício não é uma carnificina como muitos querem fazer parecer. Ele possui sua razão de ser. Pensando friamente e sem fazer apologias aos sacrifícios, talvez seja mais ético sacrificar um animal com ritos e reverencias a alma daquele animal que se doa, do que comprarmos um animal congelado em um supermercado, que cresceu a base de hormônios e foi morto sem nenhuma honra ou respeito. Sem falarmos também que todas as partes do animal vão servir de alimento, nada é jogado fora. O couro do animal é usado para encourar os atabaques, o animal inteiro é limpo e cortado em partes, algumas partes são preparadas para os Orixás e o restante é destinado aos demais. Tudo é aproveitado: até a porção oferecida aos Orixás é posteriormente distribuída entre os filhos da casa como o axé do Orixá.

Sacrifício de animais na religião afro


As propriedades mágicas encontradas no sangue vermelho são insubstituíveis, porém algumas ervas, desde que bem combinadas podem, com o seu sumo (sangue verde) suprir a ausência do sangue animal.
O sacrifício visa conservar o equilíbrio entre o plano visível e o invisível. Desta maneira continua garantindo o fluxo da vida. A ação de graça por algo bem sucedido e a retribuição por algo oferecido, fazem com que se estabeleça uma relação de troca entre os adeptos e as divindades. Muitas vezes o sacrifício é o ato para aplacar as divindades ou para se proteger dos inimigos. São oferecidos animais cujos órgãos internos são imbuídos de forças especiais. O sangue, também, é oferecido como dádiva agradável à divindade. O círculo que se estabelece entre o adepto, o sacrifício e o orixá, visa principalmente a transmissão e o reforço do axé. Oferecendo a vida ao orixá, é o próprio ser humano que permanece revigorado. A vida circula reforçando-se e garantindo, a quem oferece a realização do seu ciclo vital, até o alcance da harmonia eterna.

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