26 de janeiro de 2012

A religião e o capitalismo

O que podemos observar nos dias de hoje, é o capitalismo que se criou em torno de nossa religião. A mesma acabou se tornando muito cara, devido a uma certa exploração de alguns Babalorixás em relação a seus filhos. Cobra-se muito caro por uma simples limpeza, e um valor devidamente absurdo por um apronte, sendo que, em nem todas as ocasiões é o Orixá da pessoa quem está pedindo, mas sim é a pura falta de ética do Babalorixá, que se dispõe a fazer (alegando ser pedido do Orixá) obrigação em cima de obrigação, às vezes não demorando nem um ano de intervalo entre uma e outra.
Acreditamos na idéia de que se o Orixá realmente quer, ele põe na mão do filho, porém não acreditamos que nenhum Orixá compactue com a falta de caráter e extrema ambição de determinados Babalorixás, que além de cobrar (e muito) pela sua mão, exige que o filho dê ao Orixá as melhores ferramentas, os axós mais caros, as flores mais bonitas, além de ter que arcar com as despesas de decoração, os doces e comidas oferecidos ao povo no dia da festa, e aves para todos os Orixás do Babalorixá.
Isso sem mencionarmos a umbanda, onde colocamos nossas entidades para trabalhar sem recebermos nem sequer uma vela, sendo que em muitas casas a consulta e os passes são cobrados, além da mensalidade que tem que ser paga rigorosamente pelo filho.
É claro que dentro de nossas possibilidades queremos dar o que de melhor pudermos ao nosso Orixá, porém, não podemos nos deixar abater por esse comércio, essa falta de escrúpulos de determinados Babalorixás que fazem da nossa religião uma profissão, justificando assim suas atitudes. Não podemos simplesmente aceitar essa idéia de “comprar” Orixá por pura curiosidade, ou por ambição e ganância de algumas pessoas que se dizem pais de santo.
As pessoas mais mesquinhas tendem a acreditar que o Orixá mais bem vestido, ou ainda o mais luxuoso, é o mais puro, o mais forte, o mais verdadeiro. Porém sabemos que nada disto é verdade, pois além de nossos Orixás não precisarem de nada disso para nascer, no princípio da civilização Africana, os Orixás não dispunham de nada disso, e muitas vezes se ocupavam do filho com muito mais intensidade. É muito comum vermos Babalorixás ostentando riqueza e poder, porém sem nenhum entendimento, fazendo filhos um atrás do outro, sem passar nada aos mesmos, nem mesmo a simples feitura de um axé, e não por preguiça ou descaso, mas por pura falta de conhecimento. Vemos tantas casas de umbanda com tão pouco fundamento, que o Babalorixá não se dá nem ao trabalho de comandar uma entidade em desenvolvimento, deixando tudo nas mãos de outras pessoas, sem querer se envolver diretamente.
Já vimos tantas vezes Babalorixás em frente ao seu jogo de búzio, com tantas guias que seu pescoço pendia pra frente, tantos objetos em volta de sua bandeira, que mal se enxergava os búzios em si. E tudo isso para que? Se Mãe Menininha, que foi uma das maiores Ialorixás do nosso Brasil, jogava seus búzios em cima de uma mesa de palha coberta por uma toalha, e mais nada? Tudo isso para ostentar poder, ou mascarar um conhecimento falho? Essa grandeza toda, esse luxo desmedido infelizmente não me convence mais. Nesse trabalho todo que as pessoas tem para demonstrar um certo grau de riqueza, acabam se esquecendo dos verdadeiros fundamentos, da verdadeira sabedoria,da verdadeira essência da nossa religião: humildade e caridade.
As pessoas precisam se conscientizar que o que torna nossas entidades e nossos Orixás puros, verdadeiros e fortes, é o amor que temos pela nossa religião, é nosso compromisso, nossa responsabilidade perante nossos Orixás, é a fé que depositamos em sua força, em sua energia, e acima de tudo, é a simplicidade em nosso coração.

“O verdadeiro umbandista vive para a umbanda e não da umbanda”
                        Caboclo das Sete encruzilhadas 


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