21 de janeiro de 2012

Quem foi Xica da Silva

Francisca da Silva de Oliveira, ou simplesmente Xica da Silva, é personagem de um dos mais famosos mitos região Diamantina, nas Minas Gerais do Brasil, na segunda metade do século XVIII.
A escrava que se fez rainha, de acordo com a imaginação do povo, descrita como uma jovem mulata dotada de beleza invulgar, teria seduzido com seus encantos o elemento mais poderoso da região à época: o contratador dos diamantes, João Fernandes de Oliveira, cuja fortuna era descrita popularmente como sendo maior do que a do rei de Portugal.
Xica era filha do português Antonio Caetano de Sá e da escrava da Maria da Costa, por meio de um relacionamento extraconjugal. Foi libertada por solicitação de João Fernandes de Oliveira, um contratador de diamantes.
Foi escrava de Manoel Pires Sardinha, proprietário de lavras no arraial do Tijuco. Nesta época teve pelo menos um filho, Simão Pires Sardinha, nascido em 1751. Em seguida, Xica foi vendida ou dada como escrava a José da Silva e Oliveira Rolim, o padre Rolim. Pouco tempo depois, João Fernandes de Oliveira chegou ao arraial do Tijuco para assumir a função de contratador dos diamantes, que vinha sendo exercida por seu pai. Em 1754, Xica da Silva foi adquirida, ou alforriada, pelo novo explorador de diamantes, com o qual passou a viver sem que nunca tivessem se casado oficialmente. O casal Xica da Silva e João Fernandes teve 13 filhos durante os quinze anos em que conviveu. Todos foram registados no batismo como sendo filhos de João, ato incomum na época quando os filhos bastardos de homens brancos e escravas eram registrados sem o nome do pai.
A união consensual estável de João e Xica não foi um caso isolado na sociedade colonial brasileira de envolvimento de homens brancos com escravas. Distinguiu-se por ter sido pública, intensa e duradoura, além de envolver um dos homens mais ricos da região durante o apogeu econômico. Os amantes separaram-se em 1770, quando João Fernandes necessitou retornar a Portugal para receber os bens deixados em testamento pelo pai. Ao partir levou consigo os seus quatro filhos homens. Em Portugal, os filhos receberam educação superior, ocuparam postos importantes na administração do Reino e até receberam títulos de nobreza. Xica ficou no arraial com as filhas e a posse das propriedades deixadas por João, o que lhe garantiu uma vida confortável. Suas filhas receberam a melhor educação que se dava às moças da aristocracia local naquela época. Xica da Silva alcançou prestígio na sociedade local e usufruiu das regalias privativas das senhoras brancas. Na época, as pessoas se associavam a irmandades religiosas de acordo com a sua posição social. Xica pertencia às Irmandades de São Francisco e do Carmo, que eram exclusivas de brancos, mas também às irmandades das Mercês - composta por mulatos - e do Rosário - reservada aos negros. Portanto, ela tinha renda para realizar doações a quatro irmandades diferentes, era aceita como parte da elite local composta quase que exclusivamente por brancos, mas também mantinha laços sociais com mulatos e negros por meio de suas irmandades. Apesar disto, como era costume da época, logo que foi alforriada passou a ser dona de vários escravos que cuidavam das atividades domésticas de sua casa. Faleceu em 1796, e como era costume na época, Xica tinha o direito de ser sepultada dentro da igreja de qualquer uma das quatro irmandades a que pertencia. Foi sepultada dentro da igreja de São Francisco de Assis pertencente a mais importante irmandade local, um privilégio quase que exclusivo dos brancos ricos, o que demonstra que mantinha a condição social mais alta mesmo vários anos após a partida de João Fernandes para Togo.
Conta a lenda que o corpo de Xica da Silva foi encontrado vários anos após sua morte, intacto, conservando ainda a pele seca e negra.

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