5 de janeiro de 2012

Lavagem do Bonfim


A lavagem do Bonfim ocorre na segunda quinta feira depois do dia de reis e conta com grande participação do povo e as tradicionais baianas com seus vasos e quartinhas com água perfumada, mais conhecida como água de cheiro. A lavagem nada mais é que que lavar os degraus da Igreja de Nosso Senhor do Bonfim, em Salvador.  O mais curioso da festa é que o centro do ritual, a escada, tem apenas 10 degraus, em torno dos quais cerca de 1 milhão de pessoas se reúnem anualmente.
A lavagem festiva tem a participação de seguidores do catolicismo, umbanda e candomblé. Em 1804, foi instituída pelo papa Pio 7 a novena ao Nosso Senhor do Bonfim. Nesse período, os fiéis se reúnem em missas noturnas com música e orações. A novena culminava em uma missa festiva na manhã do último dia, o segundo domingo depois da Festa de Reis. Na quinta-feira anterior à festa de encerramento, os senhores portugueses faziam seus escravos prepararem o templo juntamente com os fiéis, limpando e enfeitando a igreja por dentro e por fora. Assim, a preparação da igreja foi transformada em ato de louvor à principal entidade do candomblé: Oxalá, o Orixá associado ao Nosso Senhor do Bonfim. Até o fim dos anos 1950, a tradição tinha uma característica popular, e a igreja era efetivamente lavada pelos participantes. A partir da década de 60, quando a Bahia se transformou em pólo turístico e o ritual começou a reunir multidões, por razões de segurança, a lavagem passou a ser simbólica e a acontecer apenas do lado de fora da igreja, que mantém suas portas fechadas no dia, deixando acessível apenas a escada de acesso. Além dos fiéis, participam bandas, grupos de manifestação folclórica, turistas e curiosos. Mulheres trajadas de baianas, com vestidos brancos, turbantes e braceletes, lideram o cortejo, que sai da Igreja da Conceição da Praia, por volta das 10 horas da manhã, após o término de uma missa, e percorrem 8 km em procissão, até o largo do Bonfim. Elas seguem carregando vasos e quartinhas com a água perfumada que é derramada nos degraus da igreja ao som de palmas, toques de atabaque e cânticos africanos. 

O líquido das quartinhas é preparado nos terreiros de um a sete dias antes do rito. O perfume vem de folhas e ervas cheirosas. A mistura fica em repouso no quarto de santo para a materialização da força do orixá até o dia da festa. Além de servir para lavar os degraus da capela, a água é usada também para ungir pelo caminho os participantes que buscam proteção espiritual. O ritual termina em festa, animada por música e comidas e bebidas típicas vendidas nas barracas que são montadas ao redor da igreja. É possível também comprar as tradicionais fitinhas do Senhor do Bonfim, que tem exatamente o mesmo comprimento do braço da imagem que está dentro da Igreja. Acredita-se que ao amarrá-la no pulso você deve fazer três pedidos que serão realizados quando a fitinha cair.

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