31 de janeiro de 2012

Sincretismo religioso

Atualmente ainda é muito notável a forte presença de santos católicos em nossa religião. Todos conhecemos a origem desse sincretismo, que foi inteligentemente utilizado pelos escravos africanos com o intuito de "enganar" os senhores de engenho, fingindo aceitar a religião católica imposta pelos mesmos.
Porém acreditamos que hoje essas práticas não se fazem mais necessárias, uma vez que não temos mais a necessidade de "mascarar" nossas divindades. A pessoa que se assume afro umbandista, também precisa assumir os seus santos. Ogum não é São Jorge, apesar de terem algo similar. Os dois são sagrados e merecem o nosso respeito, porém cada um em seu departamento, não existindo mais motivos para serem igualados. Se formos bem a fundo, a umbanda não trabalha com Orixás, não "recebemos" Orixás, trabalhamos sim, com caboclos enviados pelos mesmos, ou seja, caboclos que usam nomes dos Orixás pois fazem parte de sua falange. Então, porque tantas imagens católicas nos congais sincretizando os Orixás? Nesse caso, o mais correto não seria usar as imagens de caboclos representando os mesmos? Ou ainda imagens dos próprios Orixás?
A nossa religião não é uma seita, não é uma ramificação do catolicismo. A religião afro é uma religião independente, com elementos próprios e cultos igualmente peculiares. Não existe mais fundamento em se cultuar santos de outra religião. 
Algumas pessoas costumam afirmar que isso se dá em função de seguir a tradição. Pois não há nada mais errado que essa afirmação.
Tradição era o que nossos ancestrais praticavam na África, fazendo assentamentos em locais públicos, ou aos pés de determinadas árvores ou ainda na beira de um rio. Tradição é cultuar as forças da natureza, acreditar na sua energia, é ser simples, mas ser verdadeiro. Tradição é usar roupas feitas de folhas, ferramentas feitas de madeira ou pedra, é pisar em chão de terra batida.
Tradição, definitivamente não é cultuar nem adorar imagens criadas e fabricadas pelos europeus e impostas pelos mesmos à nossa cultura afro. Se ao invés de usarmos pedras nos assentamentos, usássemos imagens, será que alguém assentaria seu Orixá em uma imagem católica usando como argumento a sincretização?
Até porque, se partirmos do princípio de que Orixás são forças da natureza, como podemos sincretizá-los como formas humanas esbeltas e sensuais? O que os africanos cultuavam não era a "pessoa" Orixá, e sim a sua força, a sua vibração, a sua essência, a sua energia, que era depositada em uma pedra, em um simples ocutá. E é exatamente essa força que devemos cultuar e adorar. Não a imagem européia de São Jorge, e sim a energia africana de Ogum.


30 de janeiro de 2012


Conscientização ecológica

Iemanjá
 Dia dois está chegando, e junto com ele, chega o dia de nossa Rainha das Ondas, Sereia do Mar, nossa amada Mãe Iemanjá!
Todo cidadão precisa de uma consciência ecológica para o exercício da cidadania, mas para nossa religião, essa consciência é fundamental, e acima de tudo é preceito religioso.
Precisamos ter a consciência de que Orixá é vida, é natureza, e não queremos de forma alguma atingí-los, então porque iríamos agredir a sua morada, a própria natureza? Vamos usar a nossa conscientização ecológica e nos policiar, não deixando nenhum resíduo de oferenda por aí. 
Oferenda também é um presente, e todos gostamos de receber presentes,  porém após recebe-los, a embalagem que o envolvia é descartada no lugar correto e ficamos apenas com o usual do mesmo. Na oferenda não pode ser diferente: garrafa, copos plásticos, embalagens de velas e demais descartáveis não são oferendas, a essência da mesma encontra-se nas flores, nos frutos, nas comidas...
Será que nossa Mãe Iemanjá fica feliz com toda a sujeira que algumas pessoas deixam jogadas em na praia? Será que ela fica feliz ao receber junto com seus presentes, todo o lixo depositado em sua casa? Se exigimos limpeza e respeito na nossa casa, vamos respeitar também a casa que nos acolhe.
Iemanjá
É muito importante despertar nas pessoas o interesse pela sustentabilidade. Para mudar o mundo e contribuir, é preciso primeiro mudar a atitude das pessoas.
Se queremos que nos abracem, abraçamos primeiro, se queremos carinho, damos carinho primeiro, se fizemos uma oferenda com todo carinho, pedindo coisas boas, esperando receber somente coisas boas em troca; é preciso que deixamos só o que é bom para nossos Orixás. A mudança começa sempre dentro de nós mesmos.

26 de janeiro de 2012

Dança dos Orixás

Durante as festas que se realizam em homenagem aos Orixás, existe uma diversidade de coreografias que tem por finalidade aproximar o filho ao seu Orixá de cabeça, atraindo para si energias positivas e de proteção.  Através dos movimentos, que se realizam ao toque dos tambores, seguem-se a ordem hierárquica dos Orixás, sem mudar a sua origem.
Ao entender o significado dos movimentos, a pessoa que dança mantém viva uma tradição de séculos, sem perder a riqueza da mesma, exatamente como faziam os escravos ao adorar seus orixás.
As danças podem ser assim definidas:
Bará: Faz-se o movimento como se possuísse uma chave na mão, abrindo os caminhos.
Ogum: Se dança se tivesse uma espada nas mãos, em posição de luta e guerra.
Iansã: Agita os braços para cima e para baixo, representando os ventos.
Xangô: Com as mãos se faz um movimento representando a balança da justiça.
Odé e Otim: Os movimentos são como se estivesse caçando, com arco e flecha.
Ossanhe: Se faz o movimento de esmagar ervas com as mãos.
Obá: A dança apresenta dois movimentos: Com uma das mãos na orelha e a outra como se empunhasse uma espada, ou fazendo um movimento com os braços representando uma engrenagem, que vai e volta.
Xapanã: Se dança como se tivesse uma vassoura nas mãos, varrendo todas as doenças e coisas ruins.
Oxum: Apresenta dois movimentos: Como se tivesse um espelho em umas das mãos e com a outra se penteia, ou levanta os braços, balançando seus braceletes.
Iemanjá: Se faz movimentos com as mãos, imitando as ondas do mar.
Oxalá: Apresenta dois movimentos, sendo que para o Oxalá novo dança-se como empunhando uma espada, e para Oxalá velho, dança-se fazendo movimentos com as mãos nos olhos.

A religião e o capitalismo

O que podemos observar nos dias de hoje, é o capitalismo que se criou em torno de nossa religião. A mesma acabou se tornando muito cara, devido a uma certa exploração de alguns Babalorixás em relação a seus filhos. Cobra-se muito caro por uma simples limpeza, e um valor devidamente absurdo por um apronte, sendo que, em nem todas as ocasiões é o Orixá da pessoa quem está pedindo, mas sim é a pura falta de ética do Babalorixá, que se dispõe a fazer (alegando ser pedido do Orixá) obrigação em cima de obrigação, às vezes não demorando nem um ano de intervalo entre uma e outra.
Acreditamos na idéia de que se o Orixá realmente quer, ele põe na mão do filho, porém não acreditamos que nenhum Orixá compactue com a falta de caráter e extrema ambição de determinados Babalorixás, que além de cobrar (e muito) pela sua mão, exige que o filho dê ao Orixá as melhores ferramentas, os axós mais caros, as flores mais bonitas, além de ter que arcar com as despesas de decoração, os doces e comidas oferecidos ao povo no dia da festa, e aves para todos os Orixás do Babalorixá.
Isso sem mencionarmos a umbanda, onde colocamos nossas entidades para trabalhar sem recebermos nem sequer uma vela, sendo que em muitas casas a consulta e os passes são cobrados, além da mensalidade que tem que ser paga rigorosamente pelo filho.
É claro que dentro de nossas possibilidades queremos dar o que de melhor pudermos ao nosso Orixá, porém, não podemos nos deixar abater por esse comércio, essa falta de escrúpulos de determinados Babalorixás que fazem da nossa religião uma profissão, justificando assim suas atitudes. Não podemos simplesmente aceitar essa idéia de “comprar” Orixá por pura curiosidade, ou por ambição e ganância de algumas pessoas que se dizem pais de santo.
As pessoas mais mesquinhas tendem a acreditar que o Orixá mais bem vestido, ou ainda o mais luxuoso, é o mais puro, o mais forte, o mais verdadeiro. Porém sabemos que nada disto é verdade, pois além de nossos Orixás não precisarem de nada disso para nascer, no princípio da civilização Africana, os Orixás não dispunham de nada disso, e muitas vezes se ocupavam do filho com muito mais intensidade. É muito comum vermos Babalorixás ostentando riqueza e poder, porém sem nenhum entendimento, fazendo filhos um atrás do outro, sem passar nada aos mesmos, nem mesmo a simples feitura de um axé, e não por preguiça ou descaso, mas por pura falta de conhecimento. Vemos tantas casas de umbanda com tão pouco fundamento, que o Babalorixá não se dá nem ao trabalho de comandar uma entidade em desenvolvimento, deixando tudo nas mãos de outras pessoas, sem querer se envolver diretamente.
Já vimos tantas vezes Babalorixás em frente ao seu jogo de búzio, com tantas guias que seu pescoço pendia pra frente, tantos objetos em volta de sua bandeira, que mal se enxergava os búzios em si. E tudo isso para que? Se Mãe Menininha, que foi uma das maiores Ialorixás do nosso Brasil, jogava seus búzios em cima de uma mesa de palha coberta por uma toalha, e mais nada? Tudo isso para ostentar poder, ou mascarar um conhecimento falho? Essa grandeza toda, esse luxo desmedido infelizmente não me convence mais. Nesse trabalho todo que as pessoas tem para demonstrar um certo grau de riqueza, acabam se esquecendo dos verdadeiros fundamentos, da verdadeira sabedoria,da verdadeira essência da nossa religião: humildade e caridade.
As pessoas precisam se conscientizar que o que torna nossas entidades e nossos Orixás puros, verdadeiros e fortes, é o amor que temos pela nossa religião, é nosso compromisso, nossa responsabilidade perante nossos Orixás, é a fé que depositamos em sua força, em sua energia, e acima de tudo, é a simplicidade em nosso coração.

“O verdadeiro umbandista vive para a umbanda e não da umbanda”
                        Caboclo das Sete encruzilhadas 


24 de janeiro de 2012

Ajê Saluga


Ajê Saluga é a irmã mais nova de Iemanjá. Ambas são as filhas prediletas de Olokun. Quando a imensidão das águas foi criada, Olokun dividiu os mares com suas filhas e cada uma reinou numa diferente região do oceano. Eram nove as filhas de Olokun e por isso se diz que são nove as Iemanjás. Dizem que Iemanjá é a mais velha Olokun e que Ajê Saluga é a Olokun caçula. Olokun deu às suas filhas os mares e também todo o segredo que há neles. Mas nenhuma delas conhece os segredos todos, que são os segredos de Olokun.  Ajê Saluga ganhou o poder sobre as marés. Porém, menina muito curiosa, sempre ia bisbilhotar em todos os mares. Quando Olokun saía para o mundo, Ajê fazia subir a maré e ia atrás cavalgando sobre as ondas. Ia disfarçada sobre as ondas, na forma de espuma borbulhante. Tão intenso e atrativo era tal brilho que às vezes cegava as pessoas que olhavam. Um dia Olokun disse à sua filha caçula:"O que dás para os outros tu também terás, serás vista pelos outros como te mostrares.Este será o teu segredo, mas sabe que qualquer segredo é sempre perigoso". Na próxima vez que Ajê Salugá saiu nas ondas, acompanhando, disfarçada, as andanças de Olokun, seu brilho era ainda bem maior, porque maior era seu orgulho, agora detentora do segredo. Muitos homens e mulheres olhavam admirado o brilho intenso das ondas do mar e cada um com o brilho ficou cego. Sim, o seu poder cegava os homens e as mulheres. Porém quando Ajê Saluga também perdeu a visão, ela entendeu o sentido do segredo. Iemanjá está sempre com ela quando sai para passear nas ondas.
Ajê Saluga simboliza para o Povo Yorubá o poder de ganhar e obter dinheiro para uma vida sem dificuldades e com prosperidade extensiva a toda a família. 
É um Orixá cultuado em todo o panteão africano e nas américas por Babalorixás, quando se defrontam com uma situação precária de vida do filho ou de algum cliente que os procura, aconselham apropriadamente a estes que façam o assentamento de Ajê Saluga.
Ajê Saluga é uma divindade muito rara, por ter seu culto quase extinto. Poucos conhecem seu culto, e os que conhecem, na maioria dos casos, se recusam a passá-los à frente. Seus assentos devem ficar na casa de Oxalá, e nunca devem ser tocados por outra pessoa que não seja seu dono. O assento de Ajê deve ser dado ou ganhado, a pessoa não pode simplesmente assentá-la para si. Os materiais utilizados devem ser providenciados por seu novo dono, por serem estes materiais de um custo muito alto, geralmente demora muito para se conseguir tudo.
Conchas grandes, caramujos do mar, jóias naturais, corais, são os símbolos desta divindade. Não existem cerimônias abertas para ela, nem festas. Gosta de arroz cru com mel e farinha perfumada, o local onde Ajê encontra-se assentada não pode ser visitado por muitas pessoas, mostra-se muito tímida e cismada. Seus rituais devem acompanhar os de Oxalá. 

23 de janeiro de 2012

Sacrifício de animais

Não se derrama o sangue dos animais por maldade, por crueldade, muito menos para fazer o mal a alguém. Usa-se o sangue dos animais para dar vida ao Orixá, pois o que define o sangue é a força que ele detém, ou seja, o axé, a força sagrada. É ele que faz a ligação entre o Orixá e nossa cabeça, é também a renovação do axé, feito de tempos em tempos ou em circunstâncias especiais. É a condição para que a vida continue, e assim mesmo num caso muito específico e depois de ser constatado que todos os outros rituais realizados não foram suficientes para resolver aquele determinado caso.
O sacrifício não é uma carnificina como muitos querem fazer parecer. Ele possui sua razão de ser. Pensando friamente e sem fazer apologias aos sacrifícios, talvez seja mais ético sacrificar um animal com ritos e reverencias a alma daquele animal que se doa, do que comprarmos um animal congelado em um supermercado, que cresceu a base de hormônios e foi morto sem nenhuma honra ou respeito. Sem falarmos também que todas as partes do animal vão servir de alimento, nada é jogado fora. O couro do animal é usado para encourar os atabaques, o animal inteiro é limpo e cortado em partes, algumas partes são preparadas para os Orixás e o restante é destinado aos demais. Tudo é aproveitado: até a porção oferecida aos Orixás é posteriormente distribuída entre os filhos da casa como o axé do Orixá.

Sacrifício de animais na religião afro


As propriedades mágicas encontradas no sangue vermelho são insubstituíveis, porém algumas ervas, desde que bem combinadas podem, com o seu sumo (sangue verde) suprir a ausência do sangue animal.
O sacrifício visa conservar o equilíbrio entre o plano visível e o invisível. Desta maneira continua garantindo o fluxo da vida. A ação de graça por algo bem sucedido e a retribuição por algo oferecido, fazem com que se estabeleça uma relação de troca entre os adeptos e as divindades. Muitas vezes o sacrifício é o ato para aplacar as divindades ou para se proteger dos inimigos. São oferecidos animais cujos órgãos internos são imbuídos de forças especiais. O sangue, também, é oferecido como dádiva agradável à divindade. O círculo que se estabelece entre o adepto, o sacrifício e o orixá, visa principalmente a transmissão e o reforço do axé. Oferecendo a vida ao orixá, é o próprio ser humano que permanece revigorado. A vida circula reforçando-se e garantindo, a quem oferece a realização do seu ciclo vital, até o alcance da harmonia eterna.

21 de janeiro de 2012

Quem foi Xica da Silva

Francisca da Silva de Oliveira, ou simplesmente Xica da Silva, é personagem de um dos mais famosos mitos região Diamantina, nas Minas Gerais do Brasil, na segunda metade do século XVIII.
A escrava que se fez rainha, de acordo com a imaginação do povo, descrita como uma jovem mulata dotada de beleza invulgar, teria seduzido com seus encantos o elemento mais poderoso da região à época: o contratador dos diamantes, João Fernandes de Oliveira, cuja fortuna era descrita popularmente como sendo maior do que a do rei de Portugal.
Xica era filha do português Antonio Caetano de Sá e da escrava da Maria da Costa, por meio de um relacionamento extraconjugal. Foi libertada por solicitação de João Fernandes de Oliveira, um contratador de diamantes.
Foi escrava de Manoel Pires Sardinha, proprietário de lavras no arraial do Tijuco. Nesta época teve pelo menos um filho, Simão Pires Sardinha, nascido em 1751. Em seguida, Xica foi vendida ou dada como escrava a José da Silva e Oliveira Rolim, o padre Rolim. Pouco tempo depois, João Fernandes de Oliveira chegou ao arraial do Tijuco para assumir a função de contratador dos diamantes, que vinha sendo exercida por seu pai. Em 1754, Xica da Silva foi adquirida, ou alforriada, pelo novo explorador de diamantes, com o qual passou a viver sem que nunca tivessem se casado oficialmente. O casal Xica da Silva e João Fernandes teve 13 filhos durante os quinze anos em que conviveu. Todos foram registados no batismo como sendo filhos de João, ato incomum na época quando os filhos bastardos de homens brancos e escravas eram registrados sem o nome do pai.
A união consensual estável de João e Xica não foi um caso isolado na sociedade colonial brasileira de envolvimento de homens brancos com escravas. Distinguiu-se por ter sido pública, intensa e duradoura, além de envolver um dos homens mais ricos da região durante o apogeu econômico. Os amantes separaram-se em 1770, quando João Fernandes necessitou retornar a Portugal para receber os bens deixados em testamento pelo pai. Ao partir levou consigo os seus quatro filhos homens. Em Portugal, os filhos receberam educação superior, ocuparam postos importantes na administração do Reino e até receberam títulos de nobreza. Xica ficou no arraial com as filhas e a posse das propriedades deixadas por João, o que lhe garantiu uma vida confortável. Suas filhas receberam a melhor educação que se dava às moças da aristocracia local naquela época. Xica da Silva alcançou prestígio na sociedade local e usufruiu das regalias privativas das senhoras brancas. Na época, as pessoas se associavam a irmandades religiosas de acordo com a sua posição social. Xica pertencia às Irmandades de São Francisco e do Carmo, que eram exclusivas de brancos, mas também às irmandades das Mercês - composta por mulatos - e do Rosário - reservada aos negros. Portanto, ela tinha renda para realizar doações a quatro irmandades diferentes, era aceita como parte da elite local composta quase que exclusivamente por brancos, mas também mantinha laços sociais com mulatos e negros por meio de suas irmandades. Apesar disto, como era costume da época, logo que foi alforriada passou a ser dona de vários escravos que cuidavam das atividades domésticas de sua casa. Faleceu em 1796, e como era costume na época, Xica tinha o direito de ser sepultada dentro da igreja de qualquer uma das quatro irmandades a que pertencia. Foi sepultada dentro da igreja de São Francisco de Assis pertencente a mais importante irmandade local, um privilégio quase que exclusivo dos brancos ricos, o que demonstra que mantinha a condição social mais alta mesmo vários anos após a partida de João Fernandes para Togo.
Conta a lenda que o corpo de Xica da Silva foi encontrado vários anos após sua morte, intacto, conservando ainda a pele seca e negra.

19 de janeiro de 2012

Axé de Búzios

O axé de búzios deverá ser dado somente se a pessoa for pronta de cabeça e se tiver assentado os Orixás de Bará até Oxalá, ou se for assentar os mesmo por ocasião de feitura do axé de búzios. Pois, para que se estabeleça a relação búzio-Orixá, é necessário que todos os orixás (Orumalé) estejam devidamente assentados. O axé de búzios deverá ser dado somente após um determinado número de anos da pessoa na religião e de acordo com o conhecimento religioso da pessoa que irá recebê-lo, a critério do seu Barbalorixá.
É através do axé de búzios que os Babalorixás e Ialorixás consultam os Orixás sobre os problemas do consulente, sendo dos mais variados tipos e de ordem espiritual e material, bem como, consultar pelos búzios a confirmação ou não de trabalhos (feitiços) que serão realizados e posteriormente o andamento dos mesmos. É também, através dos búzios que se descobrirá o Orixá dono da cabeça, do corpo e de todas as passagens que regerão a pessoa que será iniciada por toda sua vida. Caberá ao Babalorixá ou ainda a madrinha ou padrinho, a obrigação de ensinar ao iniciado a maneira de jogar búzios e a interpretação das caídas.

Axé de búzios

Costuma-se colocar no axé de búzios a quantidade de búzios que corresponde ao axé de número de Oxalá de Orumilaia que é o dono dos búzios e da adivinhação, e tantos búzios quantos forem os Orixás que a pessoa tiver assentado, que deverá ser de Bará até Oxalá, um búzio para cada Orixá. Sendo assim, independente do Orixá da pessoa que estiver recebendo o axé de búzios, o número dos mesmos serão sempre 08, 16 ou 32, sendo que nunca menos que 08 e não mais que 32. Os búzios poderão ser dos tipos: brancos ou coloridos (pintados), de acordo com o Orixá dono da cabeça da pessoa e do Babalorixá que determinará o tipo e o tamanho dos búzios que serão preparados para aquela pessoa. Os búzios deverão ser ralados numa pedra, na parte oval dos mesmos, por uma pessoa que já tenha o axé de búzios assentado. A ralação dos búzios deverá furá-los até que apareça no local onde foi ralado, o miolo de cada um.
A parte do búzio que foi ralada, se cair para cima, quando for jogado pela pessoa no jogo de búzios, corresponderá ao “sim”, ou “búzio aberto”. A parte contrária do búzio (que não foi ralada), se cair para cima, corresponderá ao “não” ou “búzio fechado”. A parte arredondada do búzio é sempre a traseira. A parte mais fina do búzio é sempre a dianteira.
O jogo de búzio pode ser realizado em qualquer local do templo ou dependendo do caso, nos mais variados locais. Em ocasiões especiais, o Babalorixá poderá consultar os Orixás jogando o axé de búzios no assoalho e próximo a determinado Orixá assentado ou com o Orixá arriado junto com o axé de búzios no assoalho, dentro do quarto de santo, pois ali a vibração dos Orixás é mais intensa.

18 de janeiro de 2012

Tenho fé no meu Orixá - Samba de Rainha



Banho de cachoeira na ribeira
Que é só pra descarregar
Banho de cachoeira na ribeira
Que é pra Oxum me perfumar
Olho grande não vai me pegar
Saravá, meu pai Oxalá
Ogum!
Meu caminho não vai atrasar
Tenho fé no meu Orixá
Ogum!
E nas matas verdejantes vou ver
Oxóssi caçador me defender
Trago junto ao meu peito
Figa, guiné que têm axé e têm poder

Uso do tambor

A cultura tradicional africana não conhece a arte voltada apenas para a estética. Nela, a ação artística tem sempre uma finalidade concreta. O toque do tambor, a música em conjunto com a dança, serve para invocar e louvar divindades, exaltar os feitos de um herói ou de um povo. No universo, como ensina o pensamento tradicional africano, tudo tem um ritmo. Como o do corpo, marcado pela respiração, pela circulação do sangue, e pela batida do coração. E já que a música, fornecendo o ritmo da dança, é uma arte também do corpo para o africano, o tambor responsável pelo ritmo é mais importante do que os que executam a melodia, pois o mesmo representa a vida, o coração do Orixá.

16 de janeiro de 2012

Para refletir...

Nós sabemos o quanto a história da África é antiga e rica. Sabemos também que nesse continente existiram impérios grandiosos, uma cultura riquíssima, e que dali partiram os seres humanos que povoariam boa parte do planeta.
Tudo isso é muito importante. Então porque nada disso aparece nos livros didáticos? Porque estudamos a história da Grécia, da roma, da Europa, mas não a da África?
Toda a cultura ocidental foi influenciada pela greco-romana, mas a cultura brasileira não foi influenciada também pela africana? Não deveríamos valorizar mais essas raízes?

14 de janeiro de 2012

As sete lágrimas de um Preto Velho

Num cantinho de um terreiro, sentado num banquinho, pitando o seu cachimbo, um triste preto-velho chorava. De seus olhos molhados, esquisitas lágrimas desciam-lhe pelas faces e não sei por que contei-as... Foram sete.

Sete lágrimas de um Preto Velho
Na incontida vontade de saber aproximei-me e o interroguei. Fala meu preto-velho, diz ao teu filho por que externas assim uma tão visível dor?
E ele, suavemente respondeu: Estás vendo esta multidão que entra e sai? As lágrimas contadas estão distribuídas a cada uma delas.
A primeira, eu dei a estes indiferentes que aqui vem em busca de distração, para saírem ironizando aquilo que suas mentes ofuscadas não podem conceber...
A segunda a esses eternos duvidosos que acreditam, desacreditando, na expectativa de um milagre que seus próprios merecimentos negam.
A terceira distribui aos maus, aqueles que somente procuram a umbanda, em busca de vingança, desejando sempre prejudicar o seu semelhante.
A quarta, aos frios e calculistas que sabem que existe uma força espiritual e procuram beneficiar-se dela de qualquer forma e não conhecem a palavra gratidão.
A quinta, chega suave, tem o riso, o elogio da flor dos lábios mas se olharem bem o seu semblante, verão escrito: Creio na umbanda, nos teus caboclos e no teu Zambi, mas somente se vencerem o meu caso, ou me curarem disso ou daquilo.
A sexta, eu dei aos fúteis que vão de templo em templo, não acreditando em nada, buscam aconchegos e conchavos e seus olhos revelam um interesse diferente.
A sétima, filho notas como foi grande e como deslizou pesada? Foi a última lágrima, aquela que vive nos olhos de todos os Orixás. Fiz doação dessa aos Médiuns vaidosos, que só aparecem no templo em dia de festa e faltam as doutrinas e esquecem que existem tantos irmãos precisando de amparo material e espiritual.
Assim, filho meu, foi para esses todos, que viste cair, uma a uma, as sete lágrimas de um Preto Velho.

12 de janeiro de 2012

Escrava Anastácia

Oju Orum, batizada no Brasil como Anastácia, era uma Princesa Banto, vinda do Congo que chega ao Porto do Rio de Janeiro em 1749 e logo é levada para Bahia. Dotada de rara beleza, tinha os olhos azuis, era muito inteligente e possuía o dom da cura. Anastácia era protegida pelo senhor Joaquim Antônio, o dono do engenho, que apaixona-se por ela, e começa a assediá-la, rogando o seu amor que lhe é negado. A beleza e a inteligência de Anastácia incomodava a mulher de Joaquim, que de tudo fez para tentar matá-la. Anastácia, que também possuía o dom da palavra, organiza junto aos outros negros uma revolta em que todos fogem das senzalas, deixando somente a mesma para trás.
Joaquim ao perceber a fuga dos escravos, descobre que Anastácia os liderava, e como castigo manda que se coloque na escrava o colar de ferro usado pelos negros que fugiam, e para que não falasse mais, uma máscara de ferro em sua boca, que só seria retirada para que a mesma pudesse comer. Mesmo nessa situação, Anastácia nunca deixou de sustentar sua dignidade, e mesmo sem falar continuava a dar ordem aos escravos. O tempo passou e a escrava adoeceu gravemente com gangrena pelo pescoço e boca. Quando já estava no leito de morte, o filho de Joaquim vem a adoecer, e sua esposa, que tanto mal fez a Anastácia, vai a senzala pedir-lhe perdão, implorando para que cure seu filho. Anastácia assim o fez, e o senhor e sua esposa arrependidos por tudo que tinham feito à ela oferecem um médico para que venha a salvar-lhe. Anastácia recusa, dizendo que só precisa ficar junto de seu povo, e morre logo em seguida. 

A escolha e a autoridade do Babalorixá ou Ialorixá

A responsabilidade da escolha certa de um Babalorixá ou Ialorixá é toda da pessoa que será iniciada na religião, a mesma deverá sempre verificar nos diversos templos daquela Nação o modo de conduzir, a maneira de tratar e o carinho dedicado aos seus filhos de santo, pelo Babalorixá ou Ialorixá. Deverá dar uma especial atenção para o nível de conhecimento religioso, e se o mesmo transmite aos iniciados os ensinamentos e fundamentos que sabe.
O Babalorixá ou Ialorixá será o conselheiro de sua vida, procurando resolver todas as suas dúvidas, os seus problemas de ordem espiritual e material. A autoridade do mesmo para com o iniciado e sua vida começa no momento em que é feita a primeira obrigação de lavação de cabeça e é confirmada no momento em que é feito o assentamento do Orixá. É a imposição de um domínio, através do Orixá, para com o iniciado pelo Babalorixá ou Ialorixá.
A partir do momento em que a confiança e o carinho entre um e outro terminar, o iniciado deverá procurar outro Babalorixá ou Ialorixá de sua confiança e então fazer as devidas obrigações e dar continuidade a sua vida religiosa em outro templo escolhido.  No caso de troca, é aconselhável conservar a mesma Nação onde foi inicialmente feito; se o iniciado preferir trocar para outra Nação, deverá optar por seguir os ensinamentos e fundamentos religiosos desta última Nação onde forma ou serão feitas as obrigações para os Orixás.
O domínio do Babalorixá ou Ialorixá para com seus filhos é tão concreto que as vezes podem ocorrer casos em que o mesmo venha a falecer e querer ter os filhos junto com ele no além, sendo pois, de vital necessidade que ao ocorrer o falecimento do mesmo, o iniciado procure outro templo para “tirar a mão do egum”. Não se deve ficar com a mão do Babalorixá ou Ialorixá morto na cabeça ou nas obrigações de Orixás.

11 de janeiro de 2012

Ogum - Zeca Pagodinho e Jorge Ben Jor


Eu sou descendente Zulu
Sou um soldado de Ogum
Um devoto dessa imensa legião de Jorge
Eu sincretizado na fé
Sou carregado de axé
E protegido por um cavaleiro nobre
Sim vou à igreja festejar meu protetor
E agradecer por eu ser mais um vencedor
Nas lutas nas batalhas
Sim vou ao terreiro pra bater o meu tambor
Bato cabeça firmo ponto sim senhor
Eu canto pra Ogum
Ogum
Um guerreiro valente que cuida da gente que sofre demais
Ogum
Ele vem de aruanda ele vence demanda de gente que faz
Ogum
Cavaleiro do céu escudeiro fiel mensageiro da paz
Ogum
Ele nunca balança ele pega na lança ele mata o dragão
Ogum
É quem da confiança pra uma criança virar um leão
Ogum
É um mar de esperança que traz a bonança pro meu coração
Deus adiante paz e guia
Encomendo-me a Deus e a virgem Maria minha mãe ...
Os doze apóstolos meus irmãos
Andarei nesse dia nessa noite
Com meu corpo cercado vigiado e protegido
Pelas as armas de são Jorge
São Jorge sendo com praça na cavalaria
Eu estou feliz porque eu também sou da sua companhia
Eu estou vestido com as roupas e as armas de Jorge
Para que meus inimigos tendo pé não me alcancem
Tendo mãos não me pegue não me toquem
Tendo olhos não me enxerguem
E nem em pensamento eles possam ter para me fazerem mal
Armas de fogo o meu corpo não alcançara
Facas e lanças se quebrem se o meu corpo tocar
Cordas e correntes se arrebentem se ao meu corpo amarrar
Pois eu estou vestido com as roupas e as armas de Jorge
Salve jorge!


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Pilão de Oxaguiã


Oxaguiã é um jovem guerreiro, um Oxalá jovem, filho de Oxalufã. Conta uma das lendas que Oxaguiã teria nascido em Ifé, bem antes de seu pai tornar-se o rei de Ifan. Oxaguiã, valente guerreiro, desejou, por sua vez, conquistar um reino. Partiu, acompanhado de seu amigo Awoledjê. Oxaguiã não tinha ainda este nome. Chegou num lugar chamado Ejigbô e aí tornou-se Elejigbô (Rei de Ejigbô). Oxaguiã tinha uma grande paixão por inhame pilado, comida que os iorubás chamam iyan. Elejigbô comia deste iyan a todo momento; comia de manhã, ao meio-dia e depois da sesta; comia no jantar e até mesmo durante a noite, se sentisse vazio seu estômago. Ele recusava qualquer outra comida, era sempre iyan que devia ser-lhe servido.
Chegou ao ponto de inventar o pilão para que fosse preparado seu prato predileto! Impressionados pela sua mania, os outros Orixás deram-lhe um cognome: Oxaguiã, que significa "Orixá-comedor-de-inhame-pilado", e assim passou a ser chamado. Awoledjê, seu companheiro, era babalaô, um grande adivinho, que o aconselhava no que devia ou não fazer. Certa ocasião, Awoledjê aconselhou a Oxaguiã oferecer: dois ratos de tamanho médio; dois peixes, que nadassem majestosamente; duas galinhas, cujo fígado fosse bem grande; duas cabras, cujo leite fosse abundante; duas cestas de caramujos e muitos panos brancos. Disse-lhe, ainda, que se ele seguisse seus conselhos, Ejigbô, que era então um pequeno vilarejo dentro da floresta, tornar-se-ia, muito em breve, uma cidade grande e poderosa e povoada de muitos habitantes.
Depois disso Awoledjê partiu em viagem a outros lugares. Ejigbô tornou-se uma grande cidade, como previra Awoledjê. Ela era arrodeada de muralhas com fossos profundos, as portas fortificadas e guardas armados vigiavam suas entradas e saídas.
Havia um grande mercado, em frente ao palácio, que atraía, de muito longe, compradores e vendedores de mercadorias e escravos. Elejigbô vivia com pompa entre suas mulheres e servidores. Músicos cantavam seus louvores. Quando falava-se dele, não se usava seu nome jamais, pois seria falta de respeito. Era a expressão Sua Majestade que deveria ser empregada. Ao cabo de alguns anos, Awoledjê voltou. Ele desconhecia, ainda, o novo esplendor de seu amigo. Chegando diante dos guardas, na entrada do palácio, Awoledjê pediu, familiarmente, notícias do "Comedor-de-inhame-pilado". Chocados pela insolência do forasteiro, os guardas gritaram: "Que ultraje falar desta maneira de Sua Majestade! Que impertinência! Que falta de respeito!" E caíram sobre ele dando-lhe pauladas e cruelmente jogaram-no na cadeia. Awoledjê, mortificado pelos maus tratos, decidiu vingar-se, utilizando sua magia. Durante sete anos a chuva não caiu sobre Ejigbô, as mulheres não tiveram mais filhos e os cavalos do rei não tinham pasto. Elejigbô, desesperado, consultou um babalaô para remediar esta triste situação. "Majestade, toda esta infelicidade é consequência da injusta prisão de um dos meus confrades! É preciso soltá-lo! É preciso obter o seu perdão!"
Awoledjê foi solto e, cheio de ressentimento, foi-se esconder no fundo da mata. Elejigbô, apesar de rei tão importante, teve que ir suplicar-lhe que esquecesse os maus tratos sofridos e o perdoasse. "Muito bem! - respondeu-lhe. Eu permito que a chuva caia de novo, Oxaguiã, mas tem uma condição: Cada ano, por ocasião de sua festa, será necessário que você envie muita gente à floresta, cortar trezentos feixes de varetas. Os habitantes de Ejigbô, divididos em dois campos, deverão golpear-se, uns aos outros, até que estas varetas estejam gastas ou quebrem-se". Desde então, todos os anos, no fim da seca, os habitantes de dois bairros de Ejigbô, aqueles de Ixalê Oxolô e aqueles de Okê Mapô, batem-se todo um dia, em sinal de contrição e na esperança de verem, novamente, a chuva cair.
Nos dias de hoje, na Bahia, a procissão inicia-se no local onde fica o Ibá de Oxalá, os apetrechos são trazidos ao barracão , o destaque é para um banquinho e o pilão envoltos num tecido branco, e algumas pessoas que levam um Alá sobre os mesmos; os apetrechos são levados aos pontos principais da casa (porta, centro do Ilê e os atabaques); em local pré-estipulado é colocado o banquinho e à sua frente o pilão. O dirigente da festa inicia a entoar cantigas louvando o Dono do pano Branco (Oxalá), o qual através do corpo de um escolhido se faz presente; ele dança à frente do pilão e comemora a volta de seu pai Oxalufã, as suas terras, e redime-se perante ele do erro cometido pelos seus súditos. Alguns atoris (varas) são distribuídos a membros importantes dentro da religião. Estes, por sua vez saem tocando os ombros dos presentes, relembrando a guerra ocorrida em Ejigbò; momento em que vários Orixás se manifestam para participarem da alegria de Oxalá, culminando o final da festa onde todos se retiram exceto Xangô que leva consigo o pilão usado nos festejos.

10 de janeiro de 2012

As guias

A função das guias é proteger a pessoa de todos os perigos como um amuleto de segurança, pois o Orixá está sempre junto à guia e automaticamente com a pessoa que a usa; salvo se a pessoa for uma iniciada na religião, neste caso a feitura do Orixá está na cabeça da pessoa, ficando o Orixá sempre junto a cabeça e as guias, respectivamente.

As guias dos Orixás devem ser usadas de acordo com a ocasião ou necessidade, sempre se devendo cuidar para usar a guia do Orixá certo para a ocasião ou finalidade específica. Pode-se ainda, a pessoa ter uma só guia feita para o seu Orixá de cabeça e usá-la em todas as ocasiões em que se apresentar.
As guias devem ser resguardadas do sol, do álcool, do ato sexual, do período menstrual, das doenças venéreas, da água e do fogo. Devem sempre ser usadas com todo respeito para que não sejam quebradas as obrigações dos Orixás que foram feitas naquelas guias para aquela pessoa ou finalidade.
Existem guias que são feitas para pessoas leigas, para proteção em geral. Outras guias são para os iniciados com aves, outras para os prontos de cabeça.
A guia imperial é usada somente pelos prontos de cabeça e significa a união de todos os Orixás numa única guia. É também através da guia imperial que os Orixás são consultados no jogo de búzios.  Toda guia imperial deve ter o número de fios de acordo com o axé de número correspondente ao Orixá da pessoa que vai usar. Cada passagem de cada Orixá (na cor do mesmo) deverá ter, em cada fio o número de contas de acordo com o axé de número do Orixá daquela passagem. Por exemplo: Passagem para Bará deve ser 07, 14, 21... contas na cor de Bará em cada fio. A passagem do Orixá de cabeça da pessoa deve ser um pouco maior no número de contas em cada fio e deverá ser um pouco mais enfeitada, nunca fugindo das cores e do axé de número correspondente aquele Orixá. Se quiser, a pessoa pode fazer também um pouco maior a passagem do Orixá de seu Babalorixá ou Yalorixá por uma questão de agrado ao Orixá a qual o está iniciando na religião. Cada passagem deve ser separada por uma conta maior, que pode ser de louça, búzios, vidro, cristal, madeira... de modo que todos os fios daquela passagem passem por dentro da conta que vai separar as passagens dos Orixás na guia imperial.

Aforiba

O aforiba é o momento em que Ogum e Iansã demonstram a passagem em que Iansã embebeda Ogum para fugir com Xangô. O Babalorixá convida um Ogum e uma Iansã para fazerem o aforiba, então ele coloca no centro do salão duas garrafas contendo atã (aforiba) e as espadas pertencentes a estes orixás. Iansã toma as garrafas e oferece a Ogum que logo se embebeda, mas em seguida volta a si e vai atrás de Iansã empunhando sua espada. Os dois lutam, mas Iansã consegue acalmar Ogum e os dois reconciliam-se e voltam a dançar juntos. Tendo um Xangô no mundo poderá vir ele fazer parte do aforiba, pois Xangô vem em defesa de Iansã e com seu machado de dois gumes entra na luta com Ogum. Aí então, Iansã acalma os dois Orixás. 



5 de janeiro de 2012


Lavagem do Bonfim


A lavagem do Bonfim ocorre na segunda quinta feira depois do dia de reis e conta com grande participação do povo e as tradicionais baianas com seus vasos e quartinhas com água perfumada, mais conhecida como água de cheiro. A lavagem nada mais é que que lavar os degraus da Igreja de Nosso Senhor do Bonfim, em Salvador.  O mais curioso da festa é que o centro do ritual, a escada, tem apenas 10 degraus, em torno dos quais cerca de 1 milhão de pessoas se reúnem anualmente.
A lavagem festiva tem a participação de seguidores do catolicismo, umbanda e candomblé. Em 1804, foi instituída pelo papa Pio 7 a novena ao Nosso Senhor do Bonfim. Nesse período, os fiéis se reúnem em missas noturnas com música e orações. A novena culminava em uma missa festiva na manhã do último dia, o segundo domingo depois da Festa de Reis. Na quinta-feira anterior à festa de encerramento, os senhores portugueses faziam seus escravos prepararem o templo juntamente com os fiéis, limpando e enfeitando a igreja por dentro e por fora. Assim, a preparação da igreja foi transformada em ato de louvor à principal entidade do candomblé: Oxalá, o Orixá associado ao Nosso Senhor do Bonfim. Até o fim dos anos 1950, a tradição tinha uma característica popular, e a igreja era efetivamente lavada pelos participantes. A partir da década de 60, quando a Bahia se transformou em pólo turístico e o ritual começou a reunir multidões, por razões de segurança, a lavagem passou a ser simbólica e a acontecer apenas do lado de fora da igreja, que mantém suas portas fechadas no dia, deixando acessível apenas a escada de acesso. Além dos fiéis, participam bandas, grupos de manifestação folclórica, turistas e curiosos. Mulheres trajadas de baianas, com vestidos brancos, turbantes e braceletes, lideram o cortejo, que sai da Igreja da Conceição da Praia, por volta das 10 horas da manhã, após o término de uma missa, e percorrem 8 km em procissão, até o largo do Bonfim. Elas seguem carregando vasos e quartinhas com a água perfumada que é derramada nos degraus da igreja ao som de palmas, toques de atabaque e cânticos africanos. 

O líquido das quartinhas é preparado nos terreiros de um a sete dias antes do rito. O perfume vem de folhas e ervas cheirosas. A mistura fica em repouso no quarto de santo para a materialização da força do orixá até o dia da festa. Além de servir para lavar os degraus da capela, a água é usada também para ungir pelo caminho os participantes que buscam proteção espiritual. O ritual termina em festa, animada por música e comidas e bebidas típicas vendidas nas barracas que são montadas ao redor da igreja. É possível também comprar as tradicionais fitinhas do Senhor do Bonfim, que tem exatamente o mesmo comprimento do braço da imagem que está dentro da Igreja. Acredita-se que ao amarrá-la no pulso você deve fazer três pedidos que serão realizados quando a fitinha cair.

Clara Nunes - A Deusa dos Orixás

Clara Francisca Gonçalves Pinheiro, conhecida como Clara Nunes nascida em 12 de agosto de 1942, foi considerada uma das maiores intérpretes do país. Pesquisadora da música popular brasileira, de seus ritmos e de seu folclore, Clara também viajou várias vezes para a África, representando o Brasil. Filha de Iansã com Ogum, conhecedora das danças e das tradições afro, ela se converteu à umbanda e ao Candomblé. Clara foi a primeira cantora brasileira a vender mais de 100 mil cópias, derrubando um tabu segundo o qual mulheres não vendiam disco. O pai de Clara faleceu em 1944 e, pouco depois, Clara ficaria também órfã de mãe e acabaria sendo criada por sua irmã Dindinha e o irmão José. Em 1952, ainda menina, Clara venceu seu primeiro concurso de canto organizado em sua cidade, interpretando "Recuerdos de Ypacaraí". Aos 14 anos, Clara ingressou como tecelã na fábrica Cedro & Cachoeira, a mesma para o qual seu pai trabalhou. Teve que se mudar para Belo Horizonte, indo morar com a irmã Vicentina e o irmão Joaquim, por causa do assassinato de um namorado, cometido em 1957 por seu irmão José. Na capital mineira, Clara trabalhou como tecelã durante o dia e fez o curso normal à noite. Aos finais de semana, participava dos ensaios do Coral Renascença. Naquela época, conheceu o violinista Jadir Ambrósio, que se admirou com a voz da jovem de 16 anos, e a levou a vários programas de rádio, como"Degraus da Fama", no qual ela se apresentou com o nome de Clara Francisca. No início da década de 60, Clara conheceu também Aurino Araújo, que a levou para conhecer muitos artistas. Aurino também seria seu namorado durante dez anos. Por influência do produtor Cid Carvalho, mudou o nome para Clara Nunes, usando o sobrenome da mãe. Em 1960, já com o nome de Clara Nunes, ela venceu a etapa mineira do concurso "A Voz de Ouro ABC". Na final nacional do concurso realizada em São Paulo, Clara obteve o terceiro lugar.


A partir daí, Clara Nunes começou a cantar na Rádio Inconfidência e durante três anos seguidos foi considerada a melhor cantora de Minas Gerais. Ela também passou a se apresentar em clubes e  boates na capital mineira. Naquela época, fez sua primeira apresentação na tv, no programa da Hebe Camargo em Belo Horizonte. Em 1963, Clara Nunes ganhou um programa exclusivo na TV Itacolomi, chamado "Clara Nunes Apresenta"  que foi exibido por um ano e meio. Viveu em Belo Horizonte até 1965,
quando se mudou para Copacabana. Ainda em 65, ela passou por um teste como cantora na gravadora Odeon, onde registrou pela primeira vez a sua voz em um LP. No ano seguinte foi lançado o primeiro LP oficial da cantora, "A Voz Adorável de Clara Nunes". Por insistência da gravadora para que ela interpretasse músicas românticas, Clara apresentou neste álbum um repertório de boleros e sambas-canções, mas o LP foi um fracasso comercial. Em 1968, Clara gravou "Você Passa e Eu Acho Graça", seu segundo disco na carreira e o primeiro onde cantaria sambas. Em 1970, Clara Nunes se apresentou em Luanda, capital angolana. No ano seguinte, a cantora gravou seu quarto LP, no qual interpretou "É Baiana", música que obteve considerável sucesso no carnaval de 1971. Na capa do álbum, a cantora mineira fez um permanente nos cabelos pintados de vermelho e passou a partir daí a se vestir com roupas que remetiam às religiões afro-brasileiras. Em 1974 lançou o LP "Alvorecer" que emplacou grandes sucessos como "Contos de Areia" e bateu recorde de vendagem para cantoras brasileiras, com mais de 300 mil cópias vendidas, um feito nunca antes registrado no Brasil. Em 1975, a Odeon lançaria ainda o LP "Claridade". Com grandes sucessos como "O Mar Serenou", este álbum se tornou o maior sucesso da carreira da cantora, batendo o recorde de vendagem feminina. Ainda naquele ano, Clara se casou com o poeta e produtor Paulo César Pinheiro. Clara Nunes gravou o LP "Canto das Três Raças" em  1976. Em 1977, a Odeon lançou o disco "As Forças da Natureza", em 1978  foram lançados os álbuns "Guerreira" e "Esperança". Em 1979, a cantora mineira se submetia a uma remoção do útero, após sofrer três abortos espontâneos, por causa dos miomas que possuía no útero. Também carregava problemas desse tipo desde a infância. Ela tentou de todos os métodos e não obtinha respostas. Por nutrir obsessão pela maternidade, a impossibilidade de ser mãe a fez sofrer muito, causando a Clara Nunes fortes abalos emocionais, superados pela entrega absoluta à carreira artística, a fazendo compor músicas belíssimas e de intensa carga emocional. Em 1980, Clara Nunes gravou o álbum "Brasil Mestiço", que fez sucesso nas emissoras de rádio de todo o país. Em 1981, gravou o LP "Clara", e  ainda neste ano, a Odeon lançou uma coletânea intitulada "Sucesso de Ouro". Em 1982, a Odeon lançaria "Nação", o último álbum de estúdio da cantora.


Em março de 1983, Clara Nunes se submeteu a uma aparentemente simples cirurgia de varizes, mas a cantora acabou tendo uma reação alérgica a um componente do anestésico. Clara sofreu uma parada cardíaca e permaneceu durante 28 dias internada na UTI. Na madrugada do dia 02 de abril de 1983, a poucos meses de completar 40 anos, Clara Nunes entrou oficialmente em óbito, vítima de um choque anafilático. A sindicância aberta pelo Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro na época foi arquivada, o que geraria por muitos anos suspeitas sobre as causas da morte da cantora. O corpo da cantora foi velado por mais de 50 mil pessoas na quadra da escola de samba Portela. Em sua homenagem, a rua em Madureira onde fica a sede da Portela, sua escola de coração, recebeu seu nome.


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4 de janeiro de 2012

Águas de Oxalá

As Águas de Oxalá é um rito de renovação do Ori, em reverência ao Orixá da criação. A característica específica desse ritual é a presença da cor branca interagindo nas vestes dos participantes e nos objetos. O colorido dos panos da costa cede lugar ao branco, a cor africana ligada aos rituais de nascimento e morte. Do portão de entrada do terreiro até a porta do barracão e demais dependências, é estendido sobre as cabeças uma peça ou mais de trunfa branca, cobrindo como um teto os orís de todos. Na maioria das casas, o ritual começa na madrugada da sexta-feira com a confecção do baluwê (pequena cabana feita com bambús e de folhagens de coqueiros), que servirá como assento de Oxalá . Começará então a procissão de ir no rio pegar água fresca, cada um com sua quartinha sobre seus orís para depois levarem até a cabana de Oxalá e lá a Ialorixá ou Babalorixá estará esperando todos e em ordem hierárquica, receberá as quartinhas com água e lavará o orí de cada um. Esse ritual é feito em todos que se encontrarem na casa, abians, iniciados e visitantes, sem exessão, o orí se renova.  São feitas três viagens ao rio, e, na terceira, a água não é mais derramada, ficando todas as quartinhas cheias depositadas no baluwê, sendo colocada uma cortina branca na porta e uma esteira no chão. Cada pessoa que chega bate cabeça em sinal de reverência. Depois dessa cortesia, a Ialorixá ou Babalorixá, juntamente com todos os seus filhos, começa a cantar uma saudação para Oxalá :

Babá êpa ô
Babá êpa ô
Ará mi fo adiê
Êpa ô
Ará mi ko a xekê
Axekê koma do dun ô
Êpa Babá

Depois de cantada essa saudação, todas as pessoas pertencentes à Oxalá são por ele manifestadas e vão até o baluwê, fazendo ali determinadas reverências e cumprimentam a todos, agradecendo o sacrifício daquele dia e rogando a Oduduá para abençoar a todos.

Ocutá

Ocutá, Otá ou Etá é uma pedra-fetiche. É o ímã que atrai o Orixá, o ponto principal entre o Orixá e a pessoa, podendo ser, preferencialmente de rio, ou de outra parte da natureza, sobre a qual o axé de um Orixá é fixado. Cada Orixá tem o seu ocutá e é por ele que o médium deve começar a constituição dos fundamentos do assentamento do seu próprio Orixá.
O ocutá deverá ser sempre de pedra. Há alguns Babalorixás e Ialorixás que adotam como ocutá para certos Orixás, um vulto em madeira ou metal, porém, o ocutá em pedra é insubstituível, pois se trata de algo feito pela própria natureza ha milhões de anos, e o vulto em madeira ou metal é apenas uma ferramenta que acompanha o ocutá em sua feitura.
Os ocutás são distintos em forma, cor, consistência e tamanho, devendo ser escolhido de acordo com o Orixá que será assentado. 
Bará: Pedra em forma piramidal
Ogum: Pedra em forma de capacete ou espada
Iansã: Pedra em forma arredondada e chata, de cor avermelhada
Xangô: Pedra em forma de machado
Odé: Pedra em forma semicilíndrica, lembrando um arco
Otim: Pedra em forma arredondada
Obá: Pedra em forma de uma orelha
Ossanhe: Pedra em forma de pé
Xapanã: Pedra em forma de porongo, ou pedra porosa de cor escura
Oxum: Pedra em forma de coração de cor amarela
Iemanjá: Pedra brilhosa em forma arredondada de cor  branca, azul ou lilás
Oxalá: Pedra brilhosa arredondada ou em forma de rosto, de cor branca



"Se existe homem que adora santo de  madeira feito por ele, eu adoro a pedra, o santo negro que é a natureza"
Mãe Menininha do Gantois
Quem é de axé diz que é

Filhos de Oxalufã

Teimosos, calmos e dignos, os filhos do Oxalá velho não mudam seus planos e aceitam as consequências. Frágeis, irritam os outros com sua prepotência. Não sabem perdoar, se fizeram para eles, haverá retorno. Pão duros, podem ficar afastados dos instintos carnais. Friorentos e líderes, podem ter defeito de nascença no corpo. Possuem auto controle, são observadores e odeiam barulho, sujeira e desordem.

Epa Ô Babá!

Filhos de Oxaguiã

Altos, robustos e bons amigos, os filhos do Oxalá novo gostam de mandar, mas não aceitam serem mandadas. Vaidosos, brincalhões, faladores, alegres, intuitivos, sonsos e preguiçosos, são pessoas que tendem a ter dificuldades no emprego e que dividem tudo que tem. Gostam da vida e procuram impressionar. 
Epa Ô Babá!

Filhos de Iemanjá

Imprevisíveis, os filhos de Iemanjá são muito ciumentos e desconfiados, podem perdoar, mas jamais esquecem uma ofensa. De muito bom gosto, vitoriosos nos negócios. Fazem as coisas e tiram o corpo fora. Exigentes no respeito à posição assumida. São mães e esposas zelosas. 
Odo Omio!

Filhos de Oxum

Os filhos de Oxum, embora meigos e gentis, podem ser perigosos. O rio está calmo, mas a pessoa se afoga. Detestam escândalos, pois se preocupam muito com a opinião dos outros. São vaidosos, delicados, muito emotivos, chorões e falsos. Muitas vezes são dependentes e com problemas conjugais. Sorridentes, astutos e as vezes preguiçosos. 

Ora Ie Ieu!

Filhos de Xapanã

Resistente diante de doenças, os filhos de Xapanã são de relacionamento social difícil. Os homens geralmente não tem sorte com as mulheres, e as mulheres geralmente não são boas mães. Gostam da família e dedicam-se a outras pessoas a ponto de esquecer de si próprias. Reservados e caseiros, gostam de se modificar. Não admitem que nada lhes seja tomado, o que é seu, é seu. São responsáveis e tem muita intuição. 

Aba Ô!

Filhos de Obá

Valorosos, os filhos de Obá temem a solidão. Se destacam no trabalho, são determinadas e possessivas. Fortes, não levam desaforo para casa. Julgam-se superiores junto aos maridos ou a outras mulheres. Ambiciosas, buscam nada perder. De atitudes agressivas em consequência de experiências não bem sucedidas. 

Exó!

Filhos de Ossanhe

Frágeis, de saúde delicada, os filhos de Ossanhe são ligados a família, mas gostem de viver independentes. Carentes, prestativos, desinteressados, são dados a estudos e dotados de muita energia. São desligados e esquisitos, gostam de tudo como está, sem ambições. Dados a reflexões, sonhadores, preservam a liberdade.

Ewe Ô!

Filhos de Otim

Os filhos de Otim apresentam forte necessidade de independência e de rompimento de laços. Tem o gosto pelo ficar calado, a necessidade do silêncio e desenvolver as observações. São joviais, rápidos e espertos, tanto mental como fisicamente. Possuem grande capacidade de concentração e de atenção, aliada a firme determinação de alcançar seus objetivos e paciência para aguardar o momento certo para agir. Sua luta é baseada na necessidade de sobrevivência e não no desejo de expansão e conquista. São companheiros inseparáveis, espertos e com iniciativa, gostam de descobertas e novidades. São místicos e muito intuitivos. O lado emocional é sua característica mais marcante, pois é carismático e carinhoso. Costumam ser indecisos e inseguros, mas adoram se apresentar em público e ser o centro das atenções.

Iamorô!

3 de janeiro de 2012

Filhos de Odé

Agressivos e francos a ponto de serem grosseiros, os filhos de Odé são muito ligados a família. Carinhosos, românticos, adoram elogios. Festeiros, são educados e amáveis, mas podem chegar a ser falsos. Espertos e rápidos, são criativos, curiosos e com iniciativa. Estão sempre prontos para ajudar, mas não toleram que abusem ou tirem proveito. Não conseguem prender a atenção em algo por muito tempo, preferem saber de tudo um pouco. Responsáveis e espertos, gostam de se isolar por um tempo e tendem a ter depressão. Não aceitam perder a liberdade.
Okê Okê Bambo!

Filhos de Xangô

Brincalhões, orgulhosos e teimosos, os filhos de Xangô são alegres e gostam da vida, mas temem a morte. Preguiçosos e dorminhocos, tendem a obesidade. Não se preocupam com a aparência. São conquistadores, voltados para o lado sexual. Senhores de sua obrigação, possuem um forte senso de justiça. Não sabem perdoar, são vingativos e muito desconfiados. Líderes, não toleram ser contrariados ou mandados.
Kaô Kabiecile!

Filhos de Iansã

Os filhos de Iansã são audaciosos, poderosos e ciumentos. São dedicados, fiéis e leais, mas não admitem serem enganados ou contrariados. Vistosos, possessivos, irrequietos, são do momento. Sentem-se bem diante dos problemas, pois sabem viver na tempestade. Sensuais, vivem com energia e dinamismo. 
Eparrei Iansã!

Filhos de Ogum

Atléticos, agressivos e de mau humor, os filhos de Ogum nada temem. Com raiva, agem sem pensar, mas se percebem que forma injustas, fazem de tudo para se desculpar. São rápidas e ofendem-se com facilidade.Insistentes naquilo que desejam, gostam de comer e beber bem. De temperamento difícil, são impacientes, brigões e arrependem-se facilmente. São emotivos e de muita iniciativa.
Ogum Ie!

Filhos de Bará

Agressivos e briguentos, os filhos de Bará não levam desaforo para casa. Capazes de compreender os problemas dos outros e dar sábios conselhos. Inteligentes, de pensamento rápido, mudam de opinião com frequência. Pessoas capazes de inspirar confiança, mas que podem abusar dessa confiança mais tarde, pessoas que sentem necessidade de um amigo.
Alupo Bará!