21 de novembro de 2011

Cavalo de Santo

O livro Cavalo de Santo - Religiões afro-gaúchas, da fotógrafa Mirian Fichtner, nasceu de uma análise do censo IBGE, que em 2005 colocava o Rio Grande do Sul como o estado brasileiro com maior número de adeptos declarados e de terreiros no Brasil. Surpresa com a notícia, a fotógrafa decidiu documentar os rituais. Depois de estudar cem terreiros e visitar mais de trinta casas, a fotógrafa selecionou treze para documentar em seu livro. Nas imagens encontramos Babalorixás e Ialorixás com mais de 50 anos de feitura, a preparação de oferendas em vários rituais, e a exibição de todas as linhas da religiosidade afro em Porto Alegre, região metropolitana, litoral e no sul do Estado, berço da ancestralidade afro no Rio Grande do Sul.

  Veja algumas fotos:
 
Representação dos Orixás

 Ritual de Umbanda na beira do Guaíba

 Baba Dyba de Iemanjá com amalá para Xangô na pedra redonda na beira do Guaíba

 Mãe Graça de Oxum Taladê no porto de Rio Grande acompanhada do seu filho,  seu neto e da mãe pequena da casa

 Filha de Santo de Oxum

Devoto na praia de Tramandaí

Besouro



Quando Manoel Henrique Pereira nasceu, não havia nem dez anos que o Brasil tinha sido o último país do mundo a libertar seus escravos. Filho dos ex-escravos João Grosso e Maria Haifa, nasceu na cidade de Santo Amaro da Purificação, no Recôncavo Baiano. Vinte anos depois, Manoel já era muito mais conhecido na cidade como Besouro Mangangá - ou Besouro Cordão de Ouro -, um jovem forte e corajoso, que não sabia ler nem escrever, mas que jogava capoeira como ninguém e não levava desaforo para casa. Como quase todos os negros de Santo Amaro na época, vivia em função das fazendas da região, trabalhando na roça de cana dos engenhos. Mas, ao contrário da maioria, ele não tinha medo dos patrões. E foram justamente os atritos com seus empregadores - e posteriormente com a polícia - que deixaram Besouro conhecido e começaram a escrever a sua imortalidade na cultura negra brasileira. Há poucos registros oficiais sobre sua trajetória, mas é de se supor que a postura pouco subserviente do capoeirista tenha sido interpretada pelas autoridades da época como uma verdadeira subversão. Não por acaso, constam nas histórias sobre ele episódios de brigas grandiosas com a polícia, nas quais ele sempre se saía melhor, mesmo quando enfrentava as balas de peito aberto. Relatos de fugas espetaculares, muitas vezes inexplicáveis, deram origem a seu principal apelido: Mangangá é uma denominação regional para um tipo de besouro que produz uma dolorosa ferroada. O capoeirista era, portanto, "aquele que batia e depois sumia". E sumia como? Voando, diziam as pessoas... Histórias como essas, verdadeiras ou não, foram aos poucos construindo a fama de Besouro. Que se tornou um mito - e um símbolo da luta pelo reconhecimento da cultura negra no Brasil - nos anos que se sucederam à sua morte.

Assista ao trailer ou veja o filme completo:

Trailer


Filme

  
 Veja algumas fotos:
Iansã: A Orixá dos ventos, relâmpagos e tempestades. Ela é vivida no filme pela atriz Jessica Barbosa, que também interpreta a Dinorá

Exú: O guardião dos templos e das encruzilhadas, o abridor de caminhos, o mensageiro divino dos oráculos. No fime, Exu tem uma influência chave na trajetória de Besouro. O ator Sérgio Laurentino, ele próprio um filho de Exu, diz que não o interpreta: o incorpora

Oxum: Orixá feminino dos rios e do ouro viverá um belo encontro com Besouro sob as águas da Chapada. A entidade é interpretada pela atriz paulista Adriana Alves. A atriz não pestanejou em aceitar o papel, mesmo sabendo que ele exigia muito fôlego e horas de espera dentro da água. Também pudera: ela própria é filha de Oxum

Ogum: O Orixá da guerra, do fogo e da tecnologia zelará pela força de Besouro na luta contra os opressores de seu povo. O coreógrafo Zebrinha, que vive a entidade, é também o consultor de mitologia afro do filme. E também é filho de Ogum

Ossanhe: O Orixá das folhas sagradas, que vive na terra e conhece o segredo de todas as ervas, cuidará para que o corpo de Besouro esteja sempre protegido. Vivido pelo ator e cantor mineiro Sérgio Pererê, Ossanhe tem uma das caracterizações mais impactantes do filme: o corpo todo coberto de lama de verdade, misturada com farinha