23 de novembro de 2011

Mãe Menininha do Gantois


Nascida em 10 de fevereiro de 1894, em Salvador, Maria Escolástica pertencia a uma família devotada ao Candomblé. Sua bisavó, Maria Júlia da Conceição Nazaré, havia fundado, em meados do século 19, o Ilê Iya Omin Axé Iyamassê, mais conhecido como terreiro do Gantois (nome do antigo proprietário do terreno, que era francês). Foi iniciada nos segredos da religião africana aos 8 meses de idade pela sua tia-avó  Pulchéria Maria da Conceição. Aos dois anos, ainda pelas mãos de Pulchéria, Menininha raspa sua primeira filha de santo, e sem que soubesse, passa a ser preparada para o cargo, que assumiria anos depois, de ialorixá do Gantois. 
Alheia aos planos para seu futuro, Menininha completou o curso primário e logo tratou de aprender um ofício. Escolheu ser costureira e não demorou a arrumar emprego num ateliê de Salvador. Entre várias tarefas que desempenhava, cabia a ela a difícil tarefa de confeccionar espartilhos. Aos 29 anos, casou com o advogado Álvaro McDowell de Oliveira, descendente de ingleses. Com ele teve duas filhas, Cleusa e Carmem.
Mas a vida da dona de casa, devotada ao marido e as filhas, logo passaria por uma grande transformação. Com a morte de mãe Pulchéria, a segunda ialorixá a governar o terreiro do Gantois, a casa ficou sem uma líder. Os orixás, no entanto, se manifestaram e escolheram a próxima sacerdotisa: Menininha. Era uma grande responsabilidade. Afinal, no papel de mãe-de-santo, ela teria de administrar um dos terreiros mais antigos de Salvador, formar filhos-de-santo e ser a líder espiritual de centenas de pessoas ligadas à casa de Candomblé. “Ela queria ter uma vida normal. Mas sabia que não havia outra escolha”, diz mãe Carmem. Em 1924, prestes a completar 30 anos, Menininha tomou a decisão que mudou sua vida, assumindo a liderança do terreiro fundado por sua família. Mudou-se para o Gantois junto com o marido e a primeira das duas filhas. Mas nessa época os tempos não eram fáceis para os adeptos do Candomblé. Além do preconceito, os filhos e mães-de-santo sofriam muitas perseguições e violência. Não havia liberdade de culto. As casas eram perseguidas e invadidas pela polícia. Na década de 30, a Lei de Jogos e Costumes esboçou uma certa tolerância ao culto aos orixás. As festas só poderiam ser realizadas em determinados horários e mediante uma autorização por escrito. Isso, no entanto, não impedia que os policiais invadissem os terreiros, espalhando violência e terror. "Eles entravam a cavalo e munidos de sabres. Furavam os atabaques e quebravam tudo o que encontravam pelo caminho”, conta mãe Carmem.


Os anos de opressão só terminaram em 1976, quando o então governador da Bahia, Roberto Santos, sancionou um decreto liberando as casas de Candomblé da obtenção de licença e do pagamento de taxas à delegacia de Jogos e Costumes. Até esse período, porém, não há registros de que o Gantois tenha sido alvo das batidas policiais, tampouco de violências e agressões. Mãe Menininha teve a grande capacidade de atrair para o terreiro a simpatia de muitas pessoas importantes da Bahia, que protegeram o terreiro de certas investidas da polícia e de outros perseguidores. A Ialorixá, porém, enfrentou outra forma de preconceito. Quando assumiu a liderança do terreiro, aos 29 anos, sua juventude não foi vista com bons olhos pelos adeptos mais antigos do Candomblé. “Os velhos africanos sempre diziam que uma sacerdotisa deve ser tão velha que não possa mais lembrar as paixões da juventude”, afirmou Mãe Menininha, em depoimento à antropóloga Ruth Landes. “Bom, as coisas estão mudando, degenerando, não há mulheres idosas aptas para o nosso trabalho.” Apesar da pouca idade, Mãe Menininha mostrou-se apta para a função de sacerdotisa. Conseguiu se impor com sabedoria, graças à força de sua personalidade. Ela era uma mulher carismática, eloqüente e com uma personalidade fortíssima”, conta o antropólogo Ordep Serra. Com esses requisitos, a mãe-de-santo não demorou a impressionar adeptos e não adeptos do Candomblé, atraindo cada vez mais pessoas ao terreiro do Gantois.
Sob o comando de Mãe Menininha, o Gantois logo se tornou um dos terreiros mais procurados e respeitados da Bahia. Filha de Oxum, divindade relacionadas às águas doces e ao amor, a líder religiosa tinha várias características de sua orixá. Muitos que a conheceram a descrevem como uma mulher amorosa, generosa e sempre disposta a aconselhar quem a procurava. Com o passar do tempo, Mãe Menininha foi formando cada vez mais filhos-de-santo e sua popularidade não parou de crescer. Ser abençoado por Mãe Menininha era um desejo de todo mundo que visitava a Bahia e para receber essa bênção, turistas de todas as partes do país lotavam ônibus e se amontoavam na entrada do terreiro. Políticos, artistas, intelectuais e acadêmicos a procuravam constantemente em busca de conselhos, orientações ou informações para suas pesquisas. A Ialorixá também recebia muita gente humilde, pobres da periferia ou do campo, que muitas vezes queriam um lugar onde comer e passar a noite, Mulheres que tinham se afastado do marido, ou por morte ou separação, vinham com todos os filhos. Pessoas que perdiam o ônibus ou trem e que não tinham onde passar noite, ficavam no terreiro.
Memorial Mãe Menininha

Mãe Menininha faleceu em 13 de agosto de 1986. Nos mais de 60 anos em que liderou o terreiro do Gantois, como uma grande diplomata de sua religião, sempre tratou de explicar o Candomblé àqueles que se interessavam em aprender ou estudar o assunto. Além do ótimo relacionamento com governantes de Estado, artistas e intelectuais, a ialorixá também conquistou o respeito de líderes de outros terreiros e sacerdotes católicos, especialmente os mais ecumênicos e tolerantes. Ecumênica por natureza, Mãe Menininha declarou uma vez: Deus? O mesmo Deus da Igreja é o do Candomblé. A África conhece o nosso Deus tanto quanto nós, com o nome de Olorum. A morada dele é lá em cima e a nossa, cá embaixo”. A frase está hoje exposta no Memorial Mãe Menininha do Gantois, em Salvador. No pequeno museu, que reúne objetos pessoais da ialorixá e funciona no próprio terreiro, estão, entre outros objetos pessoais, a mesinha onde jogava os búzios, o rádio   que gostava de ouvir e os óculos de armação grossa, sua marca registrada.
Para muitos pesquisadores, a popularidade e o reconhecimento que Mãe Menininha alcançou contribuíram para tornar o Candomblé uma religião mais aceita no país. O curioso é que tal popularidade não impressionava a mãe-de-santo. Seus parentes contam que ela se recusava a divulgar ou registrar os nomes dos artistas, políticos e outras pessoas famosas que frequentavam o terreiro. Não gostava de ser fotografada e fazia questão de dizer que as pessoas não iam ao Gantois por sua causa, mas para ver a casa do Candomblé e os Orixás.


Bandeira da Umbanda

A idéia de uma bandeira para a Umbanda surgiu através do Babalorixá presidente da Associação de Umbanda Caxias, Saul de Ogum, o qual lançou a idéia e foi bem recebida pelo povo afro-umbandista.



Hino da Umbanda:
Refletiu a luz Divina
Com todo seu esplendor
É o reino de Oxalá
Onde há paz e amor
Luz que refletiu na terra
Luz que refletiu no mar
Luz que veio de Aruanda
Para tudo iluminar
A Umbanda é paz e amor
É um mundo cheio de luz
É a força que nos dá vida
E à grandeza nos conduz
Avante, filhos de fé
Com a nossa lei não há
Levando ao mundo inteiro
A bandeira de Oxalá

22 de novembro de 2011

Monumento a Ogum

Na Criação da Praça Lauro de Oxum, em Caxias do Sul, foi erigido o monumento ao Orixá Ogum, patrono da nossa cidade. A praça tem esse nome, pois em 15 de Janeiro de 1974, o Babalorixá Lauro de Oxum fundou a Associação de Umbanda Caxias, sendo reativada posteriormente pelo Babalorixá Saul de Ogum, em 26 de Dezembro de 1995.
Ogum sendo o Orixá dono do ferro e do metal se tornou padroeiro da nossa cidade pois a mesma concentra grande quantidade de industrias metal mecânica.


Reino dos Orixás

Nós, afro-umbandistas, já temos espaço específico para a prática de despachos e oferendas em Caxias do Sul. É o Reino dos Orixás, um terreno com água corrente e mata nativa. A área é fruto de uma parceria entre a Associação de Umbanda Caxias e a prefeitura. O espaço é aberto para uso de qualquer praticante. O reino está localizado no início da Travessão Solferino, no bairro Cruzeiro em direção à São Virgílio. A entrada é ornamentada com um pórtico com dois leões e um portão verde, que está sempre aberto.


21 de novembro de 2011

Cavalo de Santo

O livro Cavalo de Santo - Religiões afro-gaúchas, da fotógrafa Mirian Fichtner, nasceu de uma análise do censo IBGE, que em 2005 colocava o Rio Grande do Sul como o estado brasileiro com maior número de adeptos declarados e de terreiros no Brasil. Surpresa com a notícia, a fotógrafa decidiu documentar os rituais. Depois de estudar cem terreiros e visitar mais de trinta casas, a fotógrafa selecionou treze para documentar em seu livro. Nas imagens encontramos Babalorixás e Ialorixás com mais de 50 anos de feitura, a preparação de oferendas em vários rituais, e a exibição de todas as linhas da religiosidade afro em Porto Alegre, região metropolitana, litoral e no sul do Estado, berço da ancestralidade afro no Rio Grande do Sul.

  Veja algumas fotos:
 
Representação dos Orixás

 Ritual de Umbanda na beira do Guaíba

 Baba Dyba de Iemanjá com amalá para Xangô na pedra redonda na beira do Guaíba

 Mãe Graça de Oxum Taladê no porto de Rio Grande acompanhada do seu filho,  seu neto e da mãe pequena da casa

 Filha de Santo de Oxum

Devoto na praia de Tramandaí

Besouro



Quando Manoel Henrique Pereira nasceu, não havia nem dez anos que o Brasil tinha sido o último país do mundo a libertar seus escravos. Filho dos ex-escravos João Grosso e Maria Haifa, nasceu na cidade de Santo Amaro da Purificação, no Recôncavo Baiano. Vinte anos depois, Manoel já era muito mais conhecido na cidade como Besouro Mangangá - ou Besouro Cordão de Ouro -, um jovem forte e corajoso, que não sabia ler nem escrever, mas que jogava capoeira como ninguém e não levava desaforo para casa. Como quase todos os negros de Santo Amaro na época, vivia em função das fazendas da região, trabalhando na roça de cana dos engenhos. Mas, ao contrário da maioria, ele não tinha medo dos patrões. E foram justamente os atritos com seus empregadores - e posteriormente com a polícia - que deixaram Besouro conhecido e começaram a escrever a sua imortalidade na cultura negra brasileira. Há poucos registros oficiais sobre sua trajetória, mas é de se supor que a postura pouco subserviente do capoeirista tenha sido interpretada pelas autoridades da época como uma verdadeira subversão. Não por acaso, constam nas histórias sobre ele episódios de brigas grandiosas com a polícia, nas quais ele sempre se saía melhor, mesmo quando enfrentava as balas de peito aberto. Relatos de fugas espetaculares, muitas vezes inexplicáveis, deram origem a seu principal apelido: Mangangá é uma denominação regional para um tipo de besouro que produz uma dolorosa ferroada. O capoeirista era, portanto, "aquele que batia e depois sumia". E sumia como? Voando, diziam as pessoas... Histórias como essas, verdadeiras ou não, foram aos poucos construindo a fama de Besouro. Que se tornou um mito - e um símbolo da luta pelo reconhecimento da cultura negra no Brasil - nos anos que se sucederam à sua morte.

Assista ao trailer ou veja o filme completo:

Trailer


Filme

  
 Veja algumas fotos:
Iansã: A Orixá dos ventos, relâmpagos e tempestades. Ela é vivida no filme pela atriz Jessica Barbosa, que também interpreta a Dinorá

Exú: O guardião dos templos e das encruzilhadas, o abridor de caminhos, o mensageiro divino dos oráculos. No fime, Exu tem uma influência chave na trajetória de Besouro. O ator Sérgio Laurentino, ele próprio um filho de Exu, diz que não o interpreta: o incorpora

Oxum: Orixá feminino dos rios e do ouro viverá um belo encontro com Besouro sob as águas da Chapada. A entidade é interpretada pela atriz paulista Adriana Alves. A atriz não pestanejou em aceitar o papel, mesmo sabendo que ele exigia muito fôlego e horas de espera dentro da água. Também pudera: ela própria é filha de Oxum

Ogum: O Orixá da guerra, do fogo e da tecnologia zelará pela força de Besouro na luta contra os opressores de seu povo. O coreógrafo Zebrinha, que vive a entidade, é também o consultor de mitologia afro do filme. E também é filho de Ogum

Ossanhe: O Orixá das folhas sagradas, que vive na terra e conhece o segredo de todas as ervas, cuidará para que o corpo de Besouro esteja sempre protegido. Vivido pelo ator e cantor mineiro Sérgio Pererê, Ossanhe tem uma das caracterizações mais impactantes do filme: o corpo todo coberto de lama de verdade, misturada com farinha